
Hoje descobri um sentimento tão especial: a minha namorada escreve poesia ( isso já sabia). Mas está num patamar que eu jamais ousarei sequer atingir!
Eis o soneto ao gato miserável de cedofeita....
Exéquias a um ignoto felino
Felino prostrado em miserável condição
Triste fado teu, desterrado de divino condão
Ofusca calçada o olhar esventrado e vazio
Declamas desordem da vida, oh gato vadio!
Ignóbeis transeuntes tais maleitas ignoram
Imprudentes e rudes sem rasgo de piedade!
Em néscia demência arde decrépita sociedade
Vagueiam indigentes que ao teu redor choram
Em teu dorso liso grita um pêlo delapidado
Assim como tua magreza que aos céus brada
Mas a ti de humano gesto te basta a sombra
Restará alma tua miada p'lo burgo caiado
ausência nas vielas de vida amargurada
Tua curta existência qu'em júbilo tomba!
Joana Alves de Oliveira
01:35
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