Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

Da Soberania Popular

Astros que confluem pensamento

vagueiam, vagueiam sem norte

esperando qu’alguém os roube

de sua comediante inépcia.

E vêm como monólogos;

comem-nos fritos miolos

d’incoerente inércia.

Talvez seja algo que não se veja

(Trauma d’infância qu’em velhice retorna

para nos recordar que o eterno poder

finda onde principia a morte

e começa onde termina a lucidez).

Somos vagabundas de cios transversais

ao arquétipo de belo;

conscientes do mal que desconhecem.

Somos vagabundos sem complexos ( às claras )

transversais à ideia de sobrevivência.

Somos o putedo das invejosas almas.

Malgré tout, les misérables entre les pauvres

A inveja criou este Homem,

e o Homem invejou as vestes de Deus

e seu jardim botânico.

Moldou-se condição de ser homem

Onde mil animais pagam bilhete

para ver quadrúpedes sem inveja

e um Deus sem défice de atenção.

E matam-se os animais por inveja!

Por necessidade hão-de matar-se homens

quando deixarem de querer humanidade.

Hão-de culpar os ricos de terem roubado

Hão-de matá-los e violar suas castas filhas

( cujos véus manchados pela glória

se prostram à libido da carnificínica vontade).

E hão-de gostar de ser violadas uma vez

duas vezes, três, até que violarão elas mesmas

pobres que roubaram e assassinaram seus pais.

Hão-de matar quem abusou da sorte de ser lei.

Hão-de fazê-lo com as próprias mãos!

Com as mãos cheias de sangue

hão-de rezar para que o sangue se não termine.

Hão-de voltar a eleger um salvador

e hão-de enriquecer à custa

ininterrupta de suas sombras.

Hão-de matar-se políticos corruptos

Hão-de matar quem merece morrer.

Não haverá juízo-censura de quem

não tem estatuto moral para ajuizar.

O consenso do povo que elege poder

mais moralidade terá para içar,

no pelouro, a égide do exemplo.

Para qu’haja medo d’errar novamente

Para que jamais se erre.

Para que não se volte a pecar.

Para que se volte, de novo, a rezar

pelos pecados de quem já morreu.

Não faltará pensar ao povo

Falta ao povo pensar-se.

Lourenço

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