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domingo, 8 de novembro de 2009

Professores, Governo e Avaliação - Um Problema?


É a típica falta de bom senso portuguesa que não permite ao País que este resolva rapidamente os seus problemas.

A Lógica, pedra-basilar da Filosofia e disciplina tão maltratada pelos sucessivos Ministérios da Educação, devia ser obrigatória na escolaridade dos lusos petizes desde a 3ª classe.

Usemos, pois, um pouco desta para resolver o problema da avaliação:

Como todos sabem, políticamente, Portugal é um país virado pela acção estatizante para o Corporativismo. No parlamento nacional, de facto, somente 20% dos deputados critica o nosso actual modelo de organização das corporações das profissões: e criticam somente por acharem que o Estado não tem suficiente mão nelas (BE) ou porque pensa que todos os trabalhadores deviam estar reunidos no seus respectivos sindicatos, sindicatos esses dominados pelo seu respectivo partido, detentor único e salutar do governo (PCP, e de certa forma, BE).

Os restantes partidos social-democratas (PS, PSD e CDS), em arranjo pela estabilidade nacional e unidos em ecuménico entendimento multipatidário, deviam retirar as seguintes premissas e atingir a respectiva conclusão:

1 - Se os Professores estivessem tão interessados com o estado do ensino como com o seu estatuto de carreira, haveria manifestações tão terríveis que durante meses os protestos dos professores e da população, reunidos no espaço entre o Ministério da Educação e a Assembleia da República gritando pelo fim da campanha facilitista dos programas de educação, tornariam a vida Lisboeta numa impossibilidade crónica. Felizmente para a estabilidade da Nação, os sindicatos de professores existem para proteger a classe profissional (ou melhor, os sindicalistas que passam décadas sem dar uma única aula e a receber), e não para proteger a dignidade e os deveres da profissão. Deo Gratias, Socratezinho.

2 - Os Pais também desempenham um papel importante. A Esquerda bem pensante, aos poucos, vai subtraindo à paternalidade os cuidados com a educação dos filhos. Tudo bem, os Professores, reunidos em corporação, não se interessam com isso. Até lhes facilita o trabalho, lidar com carneiros é mais fácil que atender a necessidades peculiares provindas de um duvidoso e anti-social background familiar.
No entanto, os Pais são, também, a maioria do pessoal que paga impostos. E o pessoal que paga impostos, principalmente em Portugal, tem de ter condições para pagar o chorrilho de obrigaçoes financeiras. Logo, os Pais querem que a escola sirva para "ter lá os putos". Assim não andam a fazer asneiras e não há que sair a meio do trabalho para fazer algo que os pais, cada vez mais, estão incapacitados de fazer: educar.

3 - O Governo precisa de resultados na Educação. Primeiro, porque as pessoas se preocupam com essas coisas, ou têm de parecer preocupadas com elas. E a melhor maneira de se preocupar sem grande esforço, é ver na televisão as estatisticas e relatórios de organizações nacionais e intenracionais.

O Governo precisa dessa legitimidade para ter "mão na rua". Se perde a rua, perde o Governo.

:. O Governo que providencie aos professores os seus privilégios, principalmente os sindicalistas.

Os Professores que providenciem ao Governo as suas estatísticas.

Os Pais que providenciem ao Governo os impostos para pagar os privilégios dos Professores.

Os Professores que tomem conta dos míudos dos Pais.

Este modelo trouxe a podre estabilidade que tornou o nosso sistema universitário na pia massificada do ensino. Era mau, mas sempre evitava as maçadas da conversa da Avaliação.
PS: conheço Professores do ensino obrigatório, secundário e profissional que adoram, ou adoravam, o seu trabalho, e eram-lhe dedicados com todo o carinho e esforço de quem preza e respeita a sua profissão e os frutos do seu trabalho.
Foram, ao longo da minha vida, uma boa companhia e uma feliz maioria.
No entanto, julgo que eles perceberiam muito bem de quem e de que pessoas estou a falar quando me refiro aos outros "Professores".

sábado, 2 de maio de 2009

Mocidade Portuguesa

O manto do Governo por vezes esconde intenções pouco claras - o Primeiro-Ministro, que não perde uma oportunidade de referir a instrumentalização dos manifestantes pela CGTP, parece que se cansou de pregar em terra de ingratos e decidiu instrumentalizar umas quantas criancinhas.
Um ministério que envia uma equipa de filmagem a uma escola em Castelo de Vide com fito de fazer um vídeo para o tempo de antena do PS pode soar um pouco mal, pode soar a desvio de poderes, ou então, podem ser novas teorias pedagógicas avant-garde - mais um um sucesso socialista, certamente.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Pedagogos, Humanistas e Joguetes (II)

Este texto visa concluir a temática da igualdade de educação das crianças ciganas. O caso da escola de Barcelos, já exposto, encerra preocupantes similitudes com um outro, julgado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, como tal, considero importante dá-lo a conhecer. O caso data de 5 de Junho de 2008 e opõe Sampanis (mãe de uma criança romani), entre outros encarregados de educação, ao Estado Grego.

As atribulações iniciaram-se a 21 de Setembro de 2004 quando a inscrição das crianças foi impedida, alegadamente, por falta de informações (do Ministério competente) quando à integração daquela minoria. Os pais das crianças escreveram, então, para o Mediador da República (Provedor de Justiça), o qual afirmou não verificar “da parte dos serviços competentes, uma recusa sistemática e injustificável em inscrever as crianças de origem romani no ensino primário”.
Alguns meses depois, em Novembro, uma delegação de professores visitou o acampamento cigano para informar e convencer os encarregados de educação da necessidade de escolarizar as crianças – as famílias recusam a inscrição.

Após tantas peripécias, em Junho de 2005, deram entrada as primeiras crianças na escola de Aspropyrgos. A reacção não se fez esperar – a comunidade (constituída maioritariamente por emigrantes da ex-URSS) sai à rua e exige a expulsão da minoria étnica. Intimidadas, as famílias ciganas assinaram uma declaração na qual concordavam transferir os filhos para um edifício separado dos restantes alunos. Segundo a escola, esta turma-piloto tinha como objectivo preparar as crianças romani, muitas delas mais velhas e com dificuldades na leitura e escrita da língua grega, para uma posterior integração nas “turmas normais”.
Repare-se como são idênticas as justificações da escola de Aspropyrgos e da escola de Barcelos, repare-se como ambas não admitem a discriminação e se socorrem das mesmas falácias.

As famílias romani levaram, então, o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, invocando o desrespeito do artigo 13º (recurso efectivo ao Direito interno) e do artigo 14º (proibição de discriminação), ambos da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, bem como o artigo 2º do Protocolo nº7 (direito à educação) da mesma convenção. O Tribunal deu-lhes razão.

Por fim, importa referir que devemos cuidar de casos desta índole com o máximo tacto; necessitamos de humanistas, não de conselhos executivos e direcções regionais preocupadas com a ordem aparente das suas escolas, com uma aparente integração. Esperemos que o fenómeno “escola-gueto (palavras de Sampanis) não se alastre, mascarado de pedagogia inovadora e inquestionável.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Pedagogos, Humanistas e Joguetes

Há pouco mais de uma semana noticiou-se que cinquenta alunos ciganos (romani para ser mais preciso), em Barcelos, haviam sido isolados, em quarentena forçada, num barracão afastado das puras criancinhas não ciganas – livre-se a contaminação, cá não há misturas. Ora, não bastando, Margarida Moreira, directora da DREN (acrónimo para drenagem linfática), fez questão de afirmar que a questão está a ser zelosamente tratada, até é uma “discriminação positiva”. Descobriu-se, em seguida, que afinal há mais seis escolas em similar regime. Mas a trama segue, frame por frame, e a Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, da Assembleia da República, refere num documento com mais de cinquenta páginas, que é aceitável a existência de turmas exclusivamente para crianças romani.
Bom, se tanta gente, gente com estudos, veja-se, concorda, então alguma valia hão-de ter. Vejamos tais premissas.

Ora, diz-nos Margarida Moreira, que os ciganinhos não têm com que se queixar, até estão a ser discriminados positivamente. Discriminação positiva significa uma situação de vantagem fundada, e como tal a fundamentação não se fez esperar, de todo o lado, de todos os pedagogos hippies que até justificariam o mau génio de Mussolini. Assim sendo, dizem-nos, as crianças romani têm muita dificuldade na aprendizagem, são pouco assíduas, quezilentas, e reprovam tantos anos que se torna incomportável a convivência com os meninos não ciganos mais novos. E há resultados, bradam, os pais ciganos estão contentes, os meninos agora aprendem muito melhor! Boas verdades nos fretam, senhores. Contudo, os odisseus são cavalheiros da mais pura água, difíceis de contentar, preocupados com subtilezas discursivas.

Agora a nossa refutação. Não duvidamos que os ciganos são uma dor de cabeça para alguns autarcas e restantes homens das lides políticas; o nosso propósito não é deambular pelos meandros da apropriação ilícita de terrenos nem do Rendimento Social de Inserção, não, vamos centrar-nos nas crianças.

Certo é não ser salutar a convivência de qualquer criança recém-chegada ao Ensino Básico com um jovem que já deveria frequentar o 3º Ciclo. Todavia, se o que se trata é de minorar o risco da convivência de crianças de idades tão díspares, se a idade é a razão de tal algazarra, não nos venham falar de crianças romani e não romani. Se o factor de instabilidade das turmas é a idade de certos alunos, se a convivência é insalubre de parte a parte então, estes alunos, os mais velhos, independentemente da etnia, seriam colocados em turmas separadas. Seriam colocados em turmas separadas em razão da idade, não da etnia, sublinhe-se.

Mais, se a razão das turmas separadas se prende não só com a idade mas com possíveis atrasos de aprendizagem, então, após sensíveis progressos dos meninos, estes seriam reconduzidos a turmas sem distinção étnica, terminando assim o apartheid. É sabido que isso dificilmente ocorrerá, em Portugal as turmas-piloto almejem outros voos.

Continuando, se as turmas-piloto se destinam a escoar alunos com dificuldade de aprendizagem ou com uma idade mais mais avançada, daqui resulta a inadmissibilidade da colocação de crianças ciganas recém-chegadas às escolas em tais turmas. Isto se considerarmos que uma criança não cigana e outra cigana, da mesma idade, na primeira classe, tem as mesmas capacidades – a DREN parece discordar. De facto, deve considerar, tal como Platão, que as crianças são distintas pelo metal que lhes corre nas veias (umas ouro, outras prata, e bronze para as ciganas); parece que a DREN reconhece uma incapacidade intrínseca a estas crianças, são naturalmente mais lentas. É aviltante pensar que uma criança, com tantas capacidades como qualquer outra e que até quer aprender (sim, há ciganos que não querem ser feirantes), vê tal possibilidade velada por uma turma que não lhe fornece os estímulos necessários, uma turma com um ensino “especial” que lhe ata os membros.

Acresce a todo este arrazoado grotesco que, para além de aulas em separado, estas turmas (em algumas das escolas) também possuem tempos de intervalo distintos, evitando contacto com outras crianças. Este facto talvez seja de mais sui generis justificação, custa a crer que o motivo seja uma qualquer coincidência na feitura dos horários. Porventura, neste pormenor esteja impregnada a motivação da escolha pedagógica – segregação pura e simples.

Como tal, tudo visto e ponderado, discordamos de Margarida Moreira – não estamos perante um caso de discriminação positiva, não estamos perante uma situação de vantagem fundada, aliás, estas crianças encontram-se sim numa situação de desvantagem inadmissível, o que representa, portanto, no nosso entender, uma violação do Principio da Igualdade (artigo 13º da Constituição da República Portuguesa), bem como do Direito à Educação (artigo 73º nº2 da CRP).

(por economia de espaço este artigo será rematado posteriormente)

domingo, 15 de março de 2009

Infusões Vocacionais

Um povo menino, um povo criança tal Cesariny o descrevia: o povo português. Um retrato sociológico do Portugal que temos afigura-se tarefa extenuante, um mero apanhado, uma aproximação já é quanto baste.
O país está transformado num enorme lodaçal de inaptos. Centrando a atenção nas novas gerações algo grotesco nos salta à vista. Canalha, canalha sem objectivos, apática, embotada numa monotonia viciosa.
Agora é outra coisa, noventa canais e Wikipédia para suprir qualquer dúvida, sites de apontamentos e trabalhos nota vinte prontos a imprimir. Agora é outra coisa, crianças com computadores no Ensino Básico e calculadoras que os impedem de desenvolver o raciocínio lógico e aritmético. Agora é que é bom, um Plano Nacional de Leitura que colhe frutos, com obras apelativas para os meninos: injecções de Sophia de Mello Breyner para os mais petizes; Luís de Camões dos quinze aos dezoito anos. Sim, continuemos, a média nacional de Matemática A ronda dos treze valores. Incrível, um povo menino e genial!
O ensino português falha rotundamente: péssimos programas; horários sobrecarregados; discrepâncias qualitativas entre os professores. Todavia, a principal razão do insucesso do nosso ensino prende-se com a falta de exigência. As matérias são cada vez mais sintetizadas, prensadas mecanicamente pelas novas pedagogias, as verdades insofismáveis que os psicólogos apregoam a cinquenta euros a consulta.
Os estudantes portugueses terminam o Ensino Secundário sem saber falar inglês ou francês; os conhecimentos de história são uma miséria (assim como o programa da disciplina); não se conseguem expressar correctamente na língua materna; e claro, não sabem efectuar os mais simples cálculos. E como se este descalabro não fosse suficiente, ainda se pondera acabar com as reprovações no Ensino Básico, e com disciplinas importantíssimas para a formação pessoal como filosofia.
Em Portugal não se lê. Basta entrar numa qualquer livraria e ver o catálogo de obras disponíveis. Não, aqui não se lê, passa-se os olhos por umas coisas com capa e contracapa de cores quentes, de título apelativo, como por exemplo “A décima sinfonia que Beethoven compôs para a franco-maçonaria norte-americana enquanto desenterrava a arca da aliança”.
Os estudantes saem das escolas a conhecer e a detestar meia dúzia de autores portugueses, literatura estrangeira é que nem vê-la. Nos Estados Unidos estuda-se Shakespeare, Truman Capote, Edgar Allan Poe, Walt Whitman, Dostoiévski, Tolstoi, Albert Camus, etc. Justifica-se plenamente a criação de uma disciplina de literatura que substituísse inutilidades como Área de Projecto e Estudo Acompanhado.
Há muito se perdeu a capacidade crítica das novas gerações, reprimida por professores mal formados que não toleram criatividade, e umas quantas doses de uniformização intelectual. E os estudantes até estudam mais, os desgraçados querem todos ser médicos - há umas escolas que os ajudam e uns medicamentos óptimos para a concentração. Sim, estudam mais, memorizam a matéria tal uma lengalenga - depois esquecem tudo. O Ensino Superior é outra chaga, mas esse sobra para uma próxima vez.
Que fique, então, bem presente, está cumprido o sonho de André Breton: um país de iletrados!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

No Reino dos Sindicatos...

cada vez mais me pergunto se ter representação sindical, em certos casos, traz efectivamente benefícios para certas classes de trabalhadores...
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