quarta-feira, 13 de maio de 2009
Quando os Credores Perderem a Paciência
"A classe política, e os portugueses em geral, têm-se ocupado a discutir a solução governativa a partir de Outubro próximo. Com todo o respeito, parece-me um devaneio primaveril. Um país que deve ao exterior mais de 100% do seu PIB anual (sim, caro leitor, cerca de 20.000 euros cada um de nós, ainda que por interpostas pessoas), e se endivida à razão de dois milhões de euros por hora (10% do PIB anual), pode até escolher Governo (os executantes) mas já não tem escolha de políticas.
Eu sei, como o leitor, que há uma única solução condigna: produzir mais e exportar mais. Só que já não há tempo para essa solução e, nos tempos mais próximos, já não há alternativa a gastar bastante menos (nós todos, Estado, empresas e famílias). Infelizmente. Podemos até fingir que nos esquecemos desta dura realidade. Não importa. Lá para Novembro, quando começar a aproximar-se o Inverno, os credores imporão, primeiro a política e, se necessário, os próprios executantes. E quanto mais 'marialvas' nos mostrarmos, mais depressa nos obrigarão a gastar menos.
O FMI tratou do assunto em 1977 (Governo PS-CDS) e em 1983 (Governo de Bloco Central). Em 2010, os credores far-se-ão representar pela Comissão Europeia. Votemos, entretanto."
terça-feira, 12 de maio de 2009
em 1853 como em 2009
Herculano, em 1853
A Verdadeira História da Revolução Cubana (II)
A História, ou a sua Ciência, baseia-se nos documentos e nos factos, mas implica, para o seu salutar estudo, um nível de subjectividade que é inerente ao seu estatuto de Ciência Social e Humana.
Esta subjectividade, contudo, não é carta branca para promover a instabilidade científica no seio dos investigadores. É antes um critério a ter em conta no estudo da história e na análise das obras. É um convite a apreciar as diferentes partes singularmente, e não imediatamente pelo Todo.
O enorme desrespeito por estes prismas causam, a meu ver, o enorme desleixo e a baixa qualidade do estudo da História em Portugal e a ignorância mental e desonestidade intelectual que possuem a maior parte dos interessados.
Quem foi Fulgêncio Baptista? Um conservador? Um neo-liberal?
Um activista de extrema direita?
Quem afirmar estes pontos desconhece, de todo, a personagem, o cenário político cubano, e a tendência política da América do Sul nos anos 40, 50 e 60.
A instabilidade política em Cuba catapulta Baptista para o poder, através de um golpe militar. Em 1940, através de eleições que se julga terem sido efectuadas por métodos de perseguição política à oposição e fraude eleitoral, Fulgêncio ganha democraticamente as primeiras eleições livres (?) desde há muito tempo. Isto não dá ao homem, como decerto reparam aqueles que lêem o Café Odisseia, que são pessoas com um sentido de democracia que vai além do atribuído ao que sofrem de esquerdismo claustrofóbico, qualquer tipo de legitimidade de exercício das suas funções.
Nos dias de hoje, Fulgêncio Baptista seria admirado por vários dos potenciais eleitores do Bloco de Esquerda e até do PCP.
Baptista favoreceu os sindicatos nas suas medidas, e impôs reformas que limitaram grandemente a iniciativa privada, sendo zeloso, à boa maneira marxista, nas suas regulações.
Tanto sucesso no seu governo executivo deu-lhe a ideia de prolongar, para além das vicissitudes do cumprimento da legalidade constitucional, o seu mandato.
E para isto foi apoiado pelo Partido Comunista e pelos sindicatos cubanos que favoreceu.
A partir de 1944, Baptista manteve-se nos bastidores da política cubana, voltando anos mais tarde, em 1952. Nessa altura, Cuba mantinha-se um país longe do socialismo, apesar dos sucessivos governos de esquerda. O crescimento económico, apesar de ter estagnado, manteve-se. No entanto, uma nova Constituição, intervencionista, obrigava aos cubanos a suportar um Estado em crescimento.
A princípio suportado pelos EUA, Fulgêncio Baptista mostrou-se cada vez mais violento e ditatorial, sendo sujeito, nos últimos anos, a um embargo comercial sério por parte dos americanos.
Admirado, em tempos, por Fidel, que o considerou um político que havia esquecido o que era a Revolução, Fulgêncio Baptista é o típico político da América Latina. Virado ao Marxismo Leninismo, seja qual seja a sua inclinação política, com fortes tendências ditatoriais e açambarcadoras de poder. Disciplinou os seus concidadãos através da repressão que era efectuada pelos membros da MAFIA que prosperavam em Havana.
Castro falhou em reunir os elementos activistas da oposição de esquerda para o seu lado. Contava apenas com a ajuda de jovens partisanos e revolucionários, dos tempos de Faculdade.
Quando subiu ao poder, provou ser mais instável, autoritário e perigoso.
Fechou os jornais da oposição e nacionalizou as estações de rádio e televisão. Sem alguma vez ter obtido o seu caminho para o poder através de sufrágio, Castro assumiu, desde cedo, uma atitude que os Estados Unidos não conseguiram, nem podiam, tolerar.
No entanto, 6 dias após o golpe de Estado que trouxe Fidel Castro ao poder e levou Baptista ao exílio, os EUA reconhecem o seu governo.
Começa aí uma relação muito estranha entre os dois países...
Continua...
Fontes:
Still Stuck on Castro: How the press handled a tyrant's farewell.
Fascistas Neo-Liberais em Gaia!
Ainda deu para chalaçar um pouco o Carlos Santos, depois de umas valentes patranhadas que ele enfiou por aí.
Ficamos a saber que o País gasta 2 milhões de euros por hora, em média, desde 2000 (urra!) e que o crescimento acelerado do Estado não está a ser acompanhado montante de impostos arrecadado. Ou seja, é preciso, para manter o estado actual do Estado, aumentar os impostos.
Força.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Menos Prozac, Mais Saúde
Jean-Claude Trichet afirma que a economia mundial se encontra "num ponto de inflexão".
O Homem que Sabia Demasiado
“A autoridade da polícia tem de ser defendida pelo Estado, pois não é aceitável que seja atacada com cocktails molotov por bandos organizados que sequestram a liberdade dos cidadãos”.
"Há em Portugal uma maioria silenciosa de portugueses que está farta de ver a polícia ser atacada e depois justificarem os delinquentes.”
"Há bairros sociais onde se consegue reduzir a toxicodependência e o abandono escolar e aumentar a auto-estima pela habitação social e há outros em que o Estado julga que, dando o rendimento mínimo a quem não quer trabalhar, resolve os problemas”.
“Há muita gente com dificuldades e pobre que nunca roubou nada a ninguém e nunca incomodou ninguém e dedica a sua vida a fazer um esforço para viver com dignidade”.
domingo, 10 de maio de 2009
A Verdadeira História da Revolução Cubana (I)
Sejam comentários, documentários, resumos passados em revistas e canais de televisão, há pouco historiadores em Portugal que tomaram nas suas mãos o estudo da Revolução Cubana usando de um método científico que procurasse tomar ilações sobre o carácter psicológico e as intenções que os principais líderes revolucionários tinham, à data do golpe.
Faço esta intervenção antes do texto, porque há muito boa gente que pensa saber muito de Cuba, quando não sabe nada. Que desconhece que muitos dos factos apresentados servem como justificação do golpe revolucionário e das acções de nacionalização de empresas, sem estudar devidamente as fontes.
Ora, a boa história faz-se de factos e interpretações, é verdade, mas é a qualidade dos primeiros que assevera a certeza dos segundos.
Retornando ao tema da isenção ideológica, há portanto muito que dizer. Em quase todas as exposições da história da revolução, assiste-se a uma dicotomia muito interessante : a má vontade da potência neocolonial, os EUA, e a necessária reacção violenta dos voluntariosos cubanos. É normal. Considera-se que o socialismo isolacionista de Cuba é o efeito (e não a causa) do bloqueio americano, que falhou em tolerar a mudança de regime na ilha. É perfeitamente não censurável este prisma, visto que vários políticos norte-americanos aproveitaram-se desta falácia para obter vantagens nas urnas, entre eles, o mais famoso, John F. Kennedy.
Ora, é mister elucidar algumas mentes transviadas da verdade dos acontecimentos.
Primeiro, analisar as relações EUA-Cuba antes da Revolução. Sabe-se que a política cubana era influenciada pelo poder de empresas americanas, principalmente as do sector agrícola. No entanto, nos últimos anos de Fulgência Baptista, o regime atingiu níveis de instabilidade muito grande, devido ao crescimento fraco da economia, resultado de medidas económicas que visavam o egualitarismo económico, medidas essas que provocaram tal desconforto que já os EUA recorriam a certas restrições comerciais antes de Fidel Castro entrar na cena política. O apoio das centrais sindicais a Fulgência Baptista, que se manteve até ao fim, era uma das principais causas de atrito entre este e a classe média do país, no que tocava a implementação de políticas autoritárias.
É preciso ver que o principal apoio a Fulgência Baptista partiu dos sectores comunistas da sociedade cubana. Antes do complôt que o conduziu ao poder, Cuba era uma das nações mais avançadas da América Latina.
Tinha um poderoso sector industrial, e a tradição do bom sector médico era já antiga. Cuba, em 1940, era a nação com mais licensiados em Medicina per capita.
A ilha tinha a taxa de mortalidade infantil mais baixa do mundo. Antes de Fulgência Baptista, Cuba tinha o 4º nível de literacia mais alta do mundo. Todos estes dados, e muitos outros, que são hoje usados como arma de propaganda pelos socialistas cubanos, provam que as infra-estruturas já existiam na ilha, foram até desleixadas pelos castristas.
A agricultura cubana, supostamente explorada pelos capitalistas americanos, era riquíssima. Os salários dos agricultores eram superiores aos da Dinamarca e da França.
As mudanças sociais prometidas por Fulgência Baptista, contudo, tiveram efeitos perversos que atrasaram a economia, aumentaram o descontentamento dos já descontentes, e defraudaram as aspirações da classe média.
À altura da sua queda, com Fulgência só estavam os sectores esquerdistas mais radicais. Os comunistas originais de Cuba mantiveram-se com ele.
A maioria da população apostou na força de uma mudança revolucionária na corrupção que grassava na administração do governo cubano. Fidel e Companhia eram uma solução aparentemente viável.
Continua (...)
fontes:
Cuba Before Fidel Castro, da Magazine Contacto
Cuba: The Unnecessery Revolution, por Adolfo Rivero Caro
Heroic Myth and Prosaic Failure, no The Economist
Cuba on the Eve of the Socialist Transition: A Reassessment of the Backwardness-Stagnation Thesis, por Eric N. Balaknoff
Pasta do Interior
O Relatório Anual de Segurança Interna referente ao ano de 2008 traça um retrato interessante da variação da criminalidade violenta. Especula-se muito na imprensa mas dados concretos nem vê-los. Portanto, ficam alguns apontamentos, estes sim, dignos de apreensão.Descidas em relação a 2007:
-Furto/roubo por esticão – 5.357 (menos 67 casos em comparação com o ano anterior)
-Extorsão – 190 casos (menos 21 casos)
-Pirataria aérea e outros crimes contra a segurança da aviação (nenhum caso!)
-Resistência e coacção sobre funcionário – 1.571 casos (menos 170)
Subidas em relação a 2007:
-Homicídio voluntário consumado – 145 casos (mais 12 que no ano anterior)
-Ofensas à integridade física graves – 760 casos (mais 98)
-Rapto, sequestro e tomada de reféns – 493 casos (mais 51)
-Violação – 317 casos (mais 11)
-Roubo na via pública – 10.171 (mais 511)
-Roubo a banco ou a estabelecimento de crédito – 230 casos (mais 122)
-Roubo a posto de abastecimento de combustível – 471 casos (mais 230)
-Roubo a motorista de transportes públicos – 228 casos (mais 10 casos)
-Outros roubos – 4.226 casos (mais 1.484)
-Associações criminosas – 29 casos (mais 6)
-Motim, instigação ou apologia pública do crime – 5 casos (mais 4).
São estes os dados governamentais. Afirmar se encobrem ou não a criminalidade juvenil seria, da minha parte, puro exercício de adivinhação. Qualquer pessoa, desde que honesta, verifica que a fatia de aumento em comparação com 2007 é significativa, mas, assim não fosse, os dados seriam na mesma preocupantes – retirado o aumento de 2008 os números continuam a ser insustentáveis. Tenhamos também em conta que muitos crimes permanecem incógnitos, já que nem toda a gente apresenta queixa, o que poderia aditar nova soma aos casos de roubo na via pública, violação, ofensas à integridade física graves, rapto e sequestro. Assim sendo, apenas podemos analisar o lado solar do problema.
sábado, 9 de maio de 2009
Como o Governo desmantelou todas as redes de carjacking
Respiremos de alívio, por ora está resolvido o problema da criminalidade violenta!
Kebab em Calais (II)
«Não tenho verdadeiramente muito para dizer nem justificar. É assim e não de outro modo; não estou certo de ter razão, mas a minha vida e a minha participação na evolução do mundo são assim. Não me considero acima das leis, mas penso que podem ser transgredidas em alguns casos. Não me considero um justo, um Militante, um Humanitário, um Defensor dos Direitos Humanos ou sei lá que mais. Não sou crente, não procuro elogios, não actuo por piedade nem por bons sentimentos, não sou a Honrada França, não tenho nenhum orgulho nem proveito do que faço, é mesmo um ponto de honra nunca pedir qualquer comparticipação nas despesas. Sou apenas um ser humano à face da Terra que tem um pouco mais de sorte do que aqueles com que se cruza... Então: SIM, há mais de seis anos, tento ajudar quanto posso as pessoas, outros cidadãos do mundo, a sobreviver melhor momentaneamente, alojando-os e pondo a funcionar a minha velha máquina de lavar roupa, por exemplo.
A minha casinha representa um tempo de pausa e de repouso, onde são possíveis coisas elementares e vitais: sentar-se a uma mesa para comer, dormir a contento em lençóis lavados, lavar-se, tomar duche, ir a uma casa de banho, cuidar de si, pentear-se, maquilhar-se, barbear-se, proteger-se da chuva, do frio, da angústia e do stress quase permanentes, olhar para um mapa, trocar informações, falar, encontrar(-se), dizer, criar relações, cozinhar, brincar, rir. Por estes escassos momentos de vida roubados à adversidade, não me considero um delinquente, talvez um desobediente.
A eles, não os considero uns indocumentados, ainda menos delinquentes. Está bem que estão ilegais, clandestinos, mas são, acima de tudo, imigrantes que não têm escolha senão fugir dos seus países em guerra, de opressores ou crises económicas endémicas, sonhando com uma vida melhor. Após travessias de países, desertos e mares, pelo menos muito difíceis, chegam aqui, a esta espécie de beco sem saída armado em masmorra... Ficam várias semanas, ou mesmo vários meses, em condições de vida que não se desejam a ninguém. E é verdade que há aldrabões, pessoas pouco recomendáveis, máfias que prosperam à custa deles, um sistema gerado pelo dinheiro todo-poderoso; mas também é evidente a imensa fractura Norte-Sul, a ausência de uma política migratória aberta, digna, respeitadora, e a hipocrisia inglesa, e a nossa.
Não alinho de facto nessa maneira exagerada, desproporcionada (mas que pode até ser produtiva) de apontar o dedo ao elo mais fraco, de fazer acusações de fascismo ou comparações que não têm razão de ser. A detenção de que fui alvo, agora e nas vezes anteriores, passou-se bem, confrontei-me com uma polícia correcta, que faz o trabalho que se lhe pede para fazer.
Os interrogatórios foram urbanos e profissionais. Talvez este bom trato se deva ao facto de ter a minha situação regularizada, ser um cidadão europeu, branco, normal... Só me irritam um bocado os sorrisinhos trocistas: 'Ah caro Senhor Humanista, o senhor é um sonhador, o mundo é como é e não está nas suas mãos mudá-lo.' Mas revoltam-me e fazem-me sempre reagir as práticas indignas, inadmissíveis, injustificáveis! Perante aquilo de que somos acusados, nós, os voluntários – solidariedade, cumplicidade –, não serve de muito pôr-nos sob escuta telefónica, deter-nos, utilizar procedimentos intimidadores, ainda por cima dispendiosos. Apesar de não andar por aí a fazer alarde disso, sei o que faço e saberei o que responder se me voltarem a interpelar.
Se voltar a cruzar-me com uma jovem que quer alindar-se ou um homem com uma perna quebrada, a minha casa permanecerá aberta.»
Esta é uma tradução da revista Courrier Internacional. Para quem prefira, aqui se encontra o texto original.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Kebab em Calais (I)
Sera puni des mêmes peines celui qui, quelle que soit sa nationalité, aura commis le délit défini au premier alinéa du présent article alors qu’il se trouvait sur le territoire d’un Etat partie à la convention signée à Schengen le 19 juin 1990 autre que la France.
Sera puni des mêmes peines celui qui aura facilité ou tenté de faciliter l’entrée, la circulation ou le séjour irréguliers d’un étranger sur le territoire d’un autre Etat partie à la convention signée à Schengen le 19 juin 1990.
Sera puni de mêmes peines celui qui aura facilité ou tenté de faciliter l’entrée, la circulation ou le séjour irréguliers d’un étranger sur le territoire d’un Etat partie au protocole contre le trafic illicite de migrants par terre, air et mer, additionnel à la convention des Nations unies contre la criminalité transnationale organisée, signée à Palerme le 12 décembre 2000.
Les dispositions du précédent alinéa sont applicables en France à compter de la date de publication au Journal officiel de la République française de ce protocole. »
Este é o texto da lei francesa L622-1, que pune penalmente quem prestar auxílio a imigrantes ilegais. Altamente polémica, espelha o endurecimento das políticas de combate à imigração ilegal. Apesar de muito questionável (pune crimes de solidariedade, vai-se dizendo), poucos indivíduos foram detidos ao seu abrigo (ao longo dos últimos seis anos) – o que, porventura, reflectirá o descontentamento dos magistrados.
A questão da imigração ilegal atinge proporções de titã em Calais (cidade francesa mais próxima do Inglaterra), onde milhares de indivíduos vindos, maioritariamente, do sul da Europa, e aproveitando a livre circulação de pessoas, depressa chegam a França. Chegados a Calais tentam entrar em solo britânico.
Convém prestar alguns esclarecimentos: em 1999 abriu, em Calais, o campo de refugiados de Sangatte, que chegou a albergar mais de 2000 indivíduos (curdos, afegãs, iranianos, etc.). Daqui resultava que Sangatte (apesar das condições inumanas das instalações) servia de escala para os imigrantes tentarem a sua sorte na travessia do Eurotúnel. Sarkozy decidiu então encerrar Sangatte, pressionado pela rápida deterioração das relações com o Reino Unido, que já acusava França de não se empenhar no controlo policial de Calais.
O resultado fez-se sentir a a breve trecho, os migrantes diminuíram consideravelmente. Contudo, o refluxo foi breve – actualmente dados oficiais apontam para 1000 indivíduos espalhados pelas ruas da cidade. Mais, depois do fecho do campo, França e Reino Unido assinaram um acordo sui generis: Calais possui agora uma zona de controlo que, embora pertencendo territorialmente a França, é abrangida pela jurisdição inglesa; no outro lado do canal da Mancha, em Dover, verifica-se o contrário, jurisdição francesa em território inglês. Daqui resulta, em termos técnico-jurídicos, uma valente salgalhada!
Acresce ao exposto que, devido às leis sobre asilo político, França vê-se manietada, não podendo enviar a maior parte dos indivíduos que se encontram em situação ilegal para o seu país de origem, uma vez que aí seriam perseguidos (muitos pertencem a minorias étnicas ou religiosas).
Mas os franceses e os ingleses, munidos de séculos de experiência em tornear leis, tiveram um brilhante lampejo (este inteligível): abrir um centro de detenção na zona de controlo britânica, já que aí vigora um estatuto jurídico binacional extremamente ambíguo! Assim sendo, temos duas soluções possíveis: ou os indivíduos são presos em terra de ninguém (zona de controlo) e são repatriados à revelia das leis inglesas e francesas – o que me parece improvável e impraticável; ou então, servirá para pressionar os detidos a pedir asilo político em França (a maioria preferia no Reino Unido) ou, se não o pedirem, enviá-los directamente para a sua terra natal.
Avizinham-se tempos instáveis, inflamados por ódios nacionalistas e organizações humanitárias descontentes que, se não forem devidamente mitigados, poderão causar grave mossa numa União Europeia que ainda não encontrou uma matriz comum para a questão da imigração ilegal.
sobre o tipo que tinha, até há bem pouco tempo, legitimidade de exercício
Technology cuts both ways, however, and in a truly remarkable paper, Hsieh, Miguel, Ortega and Rodriguez match information in the petition database to another database on wages, employment and income. What the authors find is shocking, albeit not surprising. Before the recall election, petition signatories and non-signatories look alike. After the election, the employment and wages of signatories drop considerably, about a 10% drop in wages relative to non-signatories. Survey evidence conducted by the authors is consistent with retaliation by Chavez supporters especially in the form of job losses in the public sector. The authors estimate that the retaliation was so widespread, many workers were pushed into informal employment, that the Venezuelan economy was significantly damaged.
Alegrem-se, chegou o Salvador...
A crise ideológica
Outros, na direita conservadora, vêem na crise o soçobrar dos valores tradicionais que deveriam sustentar o desenvolvimento da economia de mercado. Eles continuam a usar uma linguagem moralizante e pouco atenta à dimensão institucional dos problemas. Por isso a sua solução para a crise nada apresenta de novo: ela resume-se à ideia de responsabilizar os agentes económicos, de lhes exigir padrões éticos mais elevados, como alternativa à restrição do mercado livre mediante a intervenção do Estado.
Estas visões ideológicas, da esquerda e da direita, as leituras do mundo que implicam e as soluções que projectam, são igualmente pobres e ingénuas. A economia de mercado não é algo que seja superável por alguma utopia socialista. O mercado é o único modo eficiente de produzir e trocar tudo aquilo que é essencial à vida. Mas a natureza dos agentes do mercado ou, se quisermos dizer, a natureza humana, também não é maleável ao moralismo conservador. A pobreza ideológica das duas visões aqui exemplificadas não permite compreender a crise e não permitirá enfrentá-la. Nós não podemos mudar a natureza do mercado e ainda menos a da própria humanidade. Aquilo que precisamos de mudar é a nossa percepção ideológica do mundo. A isso mesmo consagraremos as nossas crónicas.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Princes's Rainforests Project
terça-feira, 5 de maio de 2009
falta de experiência, falta de noção da realidade e ligação ao partido
Um exemplo espectacular do funcionamento das escola pública, nos dias de hoje:
O que torna este espectáculo verdadeiramente triste, é a comunidade considerar estas faltas de com senso partidárias como algo normal.Confirmou-se hoje no Agrupamento de Escolas da Freixianda a nomeação de uma CAP. A DRELVT não encontrou dentro do Agrupamento ninguém suficientemente competente para a função e convidou gente de fora, todos devidamente habilitados. São duas senhoras e um senhor, todos de 1.º Ciclo e todos com públicas ligações ao Partido Socialista a nível concelhio. Com destaque para um certo Hugo Cristóvão, presidente da Concelhia do PS em Tomar, candidato suplente a deputado, um jovem de 31 anos que sendo de QZP tem pouca experiência a dar aulas. Uma figura em tempos ligada ao SPLIU, antes de andar a saltar por cargos políticos, nomeadamente no IPJ de Santarém. Com uma ingenuidade que confrange, apresentaram-se na escola para “trabalhar em equipa e pôr a escola a funcionar”!!! eu diria que o que não está a funcionar é a cabeça delas.
Veremos então a habilidade para “pôr a escola a funcionar” e a capacidade de entrar para a nossa equipa de “incapazes”. Seja como for, o que importa é mesmo o suplementozito de remuneração e um poleiro perto de casa.
Está por isso definido o retrato-tipo das direcções ideais das escolas: falta de experiência, falta de noção da realidade e ligação ao partido.
Um(a) professor(a) do Agrupamento
A Luta pelo Bem-Comum, no seu melhor!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Porque é que não precisamos de uma ERC?
É o mesmo tipo de pensamento colectivista e autoritário que pressupõe o total domínio do Estado sobre as artes. É normal nos países colectivistas, como é Portugal, todo o tipo de autoritarismos feitos em nome do Bem Comum. Esse colectivismo pode vir da esquerda, o socialismo, ou da direita, o conservadorismo (dependendo da definição usada).
Toda esta lobotomia governamental centra-se na destruição da capacidade individual de distinguir entre o que é errado e o que é certo, dois conceitos tão subjectivos como o indivíduo em si.
Isto pode parecer uma introdução muito jeitosa e filosófica, mas tem o seu propósito.
Regular a comunicação social é querer destruir-la. É impor-lhe limitações onde ela não as precisa, é alimentar mais um órgão ligado ao governo que não pode fazer nada de bem, mas mal-intencionado, pode danificar tremendamente a liberdade de imprensa.
A televisão em Portugal, fora a disponível por CABO, é já tremendamente influenciada pelos governos da república. A criação da ERC não tem outra justificação que não o controle político.
As estações não precisam ser avisadas dos conteúdos que transmitem, nem penalizadas. A assistência pode penalizar severamente as estações que mostrem conteúdos abusivos ao recusarem-se a vê-los. Ou seria assim se a mente dos portugueses não estivesse desleixada por 100 anos de controleirices. Agora, o hábito é engolir tudo o que nos mostram, que isto já passou pelas mãos dos censores. Ora bem, é um mau hábito, há que acabar com os maus hábitos.
Aliás, é óbvio que os mecanismos judiciais deverão mexer-se caso um crime seja perpetrado e transmitido por uma estação de rádio ou TV. Aqui servirá o terror que o funcionamento da justiça causa nas pessoas jurídicas, sejam colectivas ou individuais.
O outro problema da ERC, além de ser uma má desculpa para criar uns trabalhinhos pró pessoal do partido, é destruir a liberdade no mercado da rádio e da televisão. Olhe-se para os meios de comunicação que não possuem o fardo horrível da regulação, e a forma como têm vindo a prosperar, ao contrário dos regulados.
Interrogatório Agressivo
Com algumas cambiantes, pois o método tem origem inquisitorial, o waterboarding consiste em levar o interrogado a pensar que está a ser afogado, aliás, o interrogado está mesmo a ser afogado, cabendo aos interrogadores avaliar o momento exacto em que devem cessar o “interrogatório agressivo”. A sua eficácia é, portanto, a mesma de uma tortura medieval – depoimentos falsos para afastar e entreter os interrogadores ou então denúncias de arraia-miúda.
Christopher Hitchens, jornalista da Vanity Fair, decidiu testar em si próprio o método e narrar o sentido (jornalismo sensacionalista, sem dúvida). O vídeo da experiência e a narrativa correram mundo.

domingo, 3 de maio de 2009
Medina Carreira
sábado, 2 de maio de 2009
Mocidade Portuguesa
Um ministério que envia uma equipa de filmagem a uma escola em Castelo de Vide com fito de fazer um vídeo para o tempo de antena do PS pode soar um pouco mal, pode soar a desvio de poderes, ou então, podem ser novas teorias pedagógicas avant-garde - mais um um sucesso socialista, certamente.
Aqui também se traja!

Os Bajuladores e o Medíocre
Desta feita, para além do negócio das 50 000 casas pré-fabricadas, permanecem em águas de bacalhau (aqueles que enviamos para lá em troca de uns garrafões de petróleo gourmet): a reconversão do porto La Guaira por um consórcio liderado pela Teixeira Duarte, o projecto de um hospital em Caracas pela Edifer, o fornecimento de equipamento pela Efacec à eléctrica venezuela, a construção de navios pelos Estaleiros Navais de Viana ou a exportação de medicamentos pelas farmacêuticas.
Obrigado a uma ginástica orçamental inaudita, Chávez anda calmo, discursa pouco, envenena ainda menos e sorri muito para Obama.
Afinal, os trejeitos de tirano, recortados das figuras que preenchem a sua manta de retalhos ideológica, deram lugar a um ditador medíocre. Oxalá não caia da cadeira.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Beethoven Socializado
Agora o trailer do filme que, por sinal, é óptimo:
Energia Pública

A parte que não é do Estado da Galp e a EDP vale hoje em bolsa cerca de 9,5% do PIB. Se a nacionalização for a preços de mercado isso iria catapultar a nossa dívida pública de 70% para 80% do PIB, facto que o mercado de capitais não veria com bons olhos (ou seja, todos passaríamos a pagar mais caro pelas nossas dívidas) e ainda menos se a actuação posterior do governo viesse a destruir o valor das empresas nacionalizadas, o que seria o mais certo de acontecer. Se um governo do BE optasse, em alternativa, por indemnizações mais baixas (como se fez no passado), por exemplo pagando-as com títulos com taxas de juro abaixo do mercado, os investidores estrangeiros que investiram maciçamente nestas empresas sentir-se-iam roubados. Aliás não seriam apenas esses. Todos os investidores estrangeiros (e os maiores nacionais, os que têm facilidade de aproveitar a liberdade de circulação de capitais) sentiram que os direitos de propriedade estavam ameaçados em Portugal. Se há tantos países no mundo a aliciarem investidores estrangeiros, só um louco viria colocar dinheiro num país onde regras básicas dos negócios não são respeitadas. Teríamos mesmo uma fuga maciça de capitais, ainda por cima quando a nossa dívida externa já é de 100% do PIB. Em resumo, seja como for que se faça a nacionalização, há fortes riscos de todos ficarmos a pagar um preço elevado por elas.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Portugal Afoga-se Num Pub
Daniel Oliveira, ilustre cavaleiro das estepes e mentor das dez pragas do Egipto, louvou, vai há pouco, na sua crónica do Expresso, guarida improvável, Portugal não ter seguido na peugada da Irlanda quando o pôde. Regozijando-se de termos ficado quietinhos levou o seu frémito mais além: “Tivéssemos seguido os conselhos dos nossos “sábios liberais” e a crise teria hoje, para a maioria dos portugueses, uma dimensão apocalíptica. Por isso, quando sairmos deste buraco e os vendedores de milagres arrebitarem, não nos podemos esquecer da Irlanda. No fim quem paga o preço da aventura é quem menos ganhou com ela”.Eu não sou um “sábio liberal”, quem dera que fosse, no entanto, denoto que Daniel Oliveira tem acesso privilegiado ao Livro do Apocalipse, talvez uma ligação apostólica que lhe permita ter um tête-à-tête logo de manhãzinha depois do pequeno-almoço.
Se escreve por inspiração divina não me atrevo a discordar, mais, faço questão de cimentar a suas palavras. Ainda bem que nunca fizemos mais que olhar para a Irlanda! Ainda bem que durante os últimos vinte anos nos limitámos a olhar para a Irlanda numa quietude domingueira. Ufa, assim não fosse e estaríamos neste momento “como o país que mais sofre com esta crise”, poderíamos estar prestes a “colapsar”.
Como o nosso ânimo pachorrento assim não permitiu agora podemos rir a bom rir da Irlanda, na nossa velhice desafogada. Façamos então um exercício de terapia do riso: rio-me de não termos investido fortemente na educação como os Irlandeses, e de neste momento possuirmos um dos mais porosos sistemas de ensino da UE, onde os alunos passam por cálculo administrativo para mostrar na Assembleia da República e exibir em Bruxelas; rio-me de não termos apostado em indústrias de futuro como os irlandeses, de termos utilizado os subsídios comunitários para comprar BMW e fanfarrar; rio-me de a Irlanda ter poucas auto-estradas – nós temos dezenas delas, mais do que carros até, e teremos TGV e novo aeroporto e muitas estatuetas em homenagem ao Deus Sol para vincar ainda mais a ideia de sermos a capital europeia do betão. Raios, felizmente não vivemos os últimos vinte anos como os irlandeses, com um sistema económico sem fugas.
Eu acho a coluna do Daniel Oliveira um primor e, quando a crise internacional perder fôlego e a Irlanda começar a recuperar a uma velocidade digna de nota, enquanto aqui a Província der de caras com uma nova crise interna gravíssima, gostaria de lhe perguntar para onde deverei olhar – para a cratera Bloco de Esquerda?
Daniel Oliveira tem razão quando diz que a Irlanda se encontra neste momento em frágil situação. De facto, Portugal não sente tanto a crise – obviamente devido a uma maior intervenção estatal, maior regulamentação, dispomos de mais garantias que nos resguardam durante a tormenta. Já a Irlanda, que possui de um sistema financeiro mais desregulamentado, e onde o estado está menos presente, sentirá a crise sem qualquer almofada que a proteja. Ainda assim poderemos perguntar-nos até que ponto o Estado Português protege os cidadãos – se chama a si 42% dos rendimentos (fora os descontos para a Segurança Social) de cada vez mais indivíduos, com que legitimidade pedirá a estas pessoas que consumam mais para sair da crise? Se o Estado Português tributa de forma escandalosa as empresas, por que carga de água é que alguém quererá investir cá? Bem, sem consumo e investimento privado torna-se morosa a tarefa de sair da crise! Possível solução: mais obras públicas! A mesma solução que vimos utilizando desde há vinte anos para cá. E de onde vem o dinheiro para mais investimentos em betão? O FMI, sorte a dele, já não entra em Portugal; a batata quente salta então para a Europa, para as mãos da Comissão.
Já a Irlanda, não colocando tantos entraves a possíveis investidores, terá mais hipóteses de os atrair – pura teoria das vantagens comparadas. Por conseguinte, como não sufoca os cidadãos com impostos, poderá esperar deles mais consumo. Ora, daqui resulta uma saída mais fácil da tormenta em que nos encontramos.
Ficam alguns dados referentes a importações e exportações, educação, e desemprego na Irlanda.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
H5N1
onde estão os Liberais?
Um ex-ministro socialista saiu do governo queixando-se de que em Portugal não há liberais.
Se por um lado é estranho que tal queixa venha de um ex-membro de um governo... socialista, por outro, é bem verdade que o ex-ministro tem razão: em Portugal, não abundam os liberais.
Entre os empresários alguns são herdeiros dos antigos usufrutuários do condicionamento industrial (restrições à concorrência para garantir a viabilidade das empresas existentes). Outros compreensivelmente preferem os “campeões nacionais” em vez do teste diário do mercado. Outros ainda, compensam a míngua de clientes, com a pedinchisse ao estado sob variados pretextos: o país é pequeno (e Malta com 400 mil habitantes que já nos passou?), o 25 de Abril deixou raízes profundas (e o comunismo na Estónia que nos passará este ano?), etc. etc.
Tão pouco são liberais os funcionários públicos: 17% da população activa e 2º maior peso salarial na UE-15. Ou, a maioria dos empregados das 366 empresas com dinheiros públicos (Tribunal de Contas, 2004) que por ano perdem o equivalente a um café por dia por português. Só cinco empresas (Refer, CP, Carris, Metro, RTP) perdem o equivalente a 0,5% do PIB.
Quanto ao resto é o que se sabe: no mercado de trabalho, na distribuição, onde os preços são superiores aos espanhóis (Dir. Geral do Comércio e Concorrência), nas universidades públicas, onde os professores privilegiam uma relação próxima com o orçamento (do estado) e distante da concorrência (com outras universidades), etc., etc.
Em resultado, no índice da liberdade económica (da Heritage Foundation), Portugal vem em 53º lugar (e sendo bom de lembrar que na Europa só há 27 países...).
Toda esta situação tem na raiz uma mentira: venderam aos portugueses a ideia de que liberdade económica equivale a monopólios privados. Quando é precisamente o contrário. A liberdade só existe com concorrência, a qual é precisamente o oposto dos monopólios, quer públicos, quer privados. Donde a concorrência está para a economia, como as eleições para a política. Ambas são fundamentais para a liberdade (de escolha).
Sem concorrência os preços são mais altos (do que poderiam ser). Não há metabolismo celular nas empresas. Não há liberdade de escolha de produtos e empregos. E cada um não é estimulado (pelo instinto de sobrevivência) a dar o seu melhor.
E para evitar o “capitalismo selvagem” a solução é acrescentar (com leis) responsabilidade à liberdade: e não matar esta. Não deitar fora o bebé com a água suje.
Quem tem medo da liberdade económica? Quem tem medo de trabalhar. E como estes a evitam? Convencendo os outros que a liberdade económica é coisa má: igual a monopólios, trusts, etc. Assim não há liberdade para ninguém e não corro o risco de ela (liberdade) me apanhar...
Resultado (da ausência de liberdade económica)? Há 16 anos o PIB da Irlanda era mais ou menos semelhante ao de Portugal. Hoje é mais do dobro. A indústria farmacêutica exportava o mesmo em ambos os países. Hoje a da Irlanda exporta nove vezes mais. O Luxemburgo (onde 20% da população empregue é portuguesa)?: tem um PIB per capita quase quatro vezes o português.
E a liberdade económica nestes países é incomparavelmente maior que em Portugal: desde os menores impostos na Irlanda até à maior flexibilidade laboral no Luxemburgo.
Por isso “faz todo o sentido” (?) o comentário de vários votantes nas recentes eleições em Lisboa: este partido nada fez; o outro no passado ainda foi pior; aquele outro não nos protege. Por isso vou votar... no Partido Comunista. Ou no Bloco de Esquerda.
Uma pergunta: quantos portugueses emigram para Cuba? Ou para a Coreia do Norte? Ou gostariam de viver na China no tempo de Mao?
Então os portugueses votam com os pés e fogem de Portugal (2% da população activa por ano) para países como a Irlanda, o Luxemburgo, Alemanha, Suíça, EUA, Canadá, Islândia (!) que são todos muito mais liberais que Portugal e nós para melhorar Portugal votamos (e queremos) o oposto?... Por favor, expliquem.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
O Século das Nuvens (I)

Querida Lou queria morrer num dia em que me tivesses amado
Queria ser bonito para que me amasses
Queria ser forte para que me amasses
Queria ser jovem para que me amasses
Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses
Queria-te prender para que me amasses
Queria-te dar palmadas nas nádegas para que me amasses
Queria-te pisar para que me amasses
Queria ficar só contigo num quarto de hotel em Grasse para que me
amasses
Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente
Queria que fosses minha prima para que nos amássemos desde criança
Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar durante muito tempo
Queria que fosses meu coração para te sentir bater dentro de mim
Queria que fosses o paraíso ou o inferno de acordo com o lugar
onde me encontre
Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor
Queria que fosses a noite para nos podermos amar no escuro
Queria que fosses a minha vida para poder existir só por ti
Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor
Comunicado do IDP
Hoje, 26 de Abril é canonizado em Roma aquele a quem os portugueses já chamavam Santo Condestável. O seu túmulo, no Convento do Carmo, rezava assim: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."
Ontem, 25 de Abril, comemorou-se o dia da Liberdade. Há 35 anos, um homem comandou uma coluna de blindados vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios no Terreiro do Paço, e forçou a rendição do regime no Quartel do Carmo. Esse homem, Fernando Salgueiro Maia, cumprida a sua missão, recusou ao longo dos anos ser conselheiro, embaixador, governador civil e demais honras.
Nuno Álvares Pereira e Fernando Salgueiro Maia colocaram o serviço à Pátria à frente dos interesses de grupos e colocaram os grandes princípios da humanidade, religiosos e laicos, à frente do seu interesse pessoal.
É de gente assim que Portugal precisa na crise económica que todos os dias vemos crescer, e que ameaça transformar-se em crise social caso não forem tomadas as medidas correctas, e em crise política se o ciclo eleitoral para onde caminhamos for inconclusivo e pautado pelo abstencionismo.
26 de Abril de 2009
A Direcção do Instituto da Democracia Portuguesa
kanimanbo
Lembro-me que o meu avô materno era profundamente salazarista. Mas era-o por um mitigado ódio a outras personalidades políticas, especialmente Mário Soares. Se o era com justiça ou não, não é para aqui chamado. Sei sim que o meu avô, apesar de não ter sido um cidadão problemático, nunca gostou muito de Salazar. Emigrou, fez a vida lá fora, voltou cá apenas para viver em paz e sossego.
Os meus pais eram PSD, sendo que o meu Pai chegou a militar, nos tempos de faculdade.
Não tenho especiais referências de esquerda na minha vida, e tenho uma certa pena disso.
O que recordo com mais amor da minha infância são as histórias que lembro de outros familiares, tios, tios em segundo grau, primos, etc., histórias essas que falavam da vida que levavam em Moçambique, Angola, Timor. Conseguia sentir, desde essas alturas, uma brisa exótica, um apelo suave às profundezas do hemisfério sul.
A questão das antigas províncias ultramarinas despertou, desde cedo, a maior curiosidade, e influenciou o meu amor pela História.
O que se passou nas terras africanas, após a descolonização portuguesa, é para mim um crime convicto, uma deserção covarde por parte do Governo Português.
Imagino o horror das populações citadinas quando souberam que o Exército Português não reagiria aos abusos dos movimentos de libertação que rugiam selvaticamente da floresta e do mato, proclamando por limpeza étnica, partidária, patriótica e proletária.
O que se passou em Angola, onde os massacres atingiram milhões, e em Moçambique e em Timor, bem como na Guiné, tem culpados directos e responsáveis detectáveis.
O Estado Novo não soube dar início à democratização do regime, não soube desenvolver uma administração autónoma nas colónias que trouxesse à independência gradual dos países africanos. A tese spínolista, apesar das falhas, era a única que planeava a sustentável conclusão da guerra colonial.
O marxismo político, não. A culpa dos mortos em África, as purgas, as deserções, toda essa desonra que humilhou Portugal até ao infinito, é imputável ao PCP de Álvaro de Cunhal, ao MFA de Otelo, a todos os movimentos de suposta revolução de esquerda, bem como ao egoísmo da Direita de Francisco Sá Carneiro, que não mexeram uma palha por alertar à ultrajosa situação que se dava nas antigas colónias.
Do golpe militar de 25 de Abril, tenho eu todo o respeito. Foi um golpe pró-democrático, e da democracia nascem sempre coisas belas e boas, pelo menos sempre que essa democracia se alia ao Estado de Direito.
O problema do 25 de Abril é que, no dia 26, o golpe passou de golpe para movimento revolucionário, para programa revolucionário, para um esforço nacional de engenharia social e caciquismo. E houve ditadura militar e violação de direitos básicos, houve prisões arbitrárias, houva assassínios, houve a ocupação por parte do Estado e Comissões de Trabalhadores de coisas que não lhes pertenciam.
Por isso não me venham com merdas, e cantar as vossas musiquinhas de intervenção, que este país viu suficiente intervenção nesses dias. Não me falem em Liberdades abstractas, quando não conseguiram manter as mais concretas.
Vocês, geração de Abril, foram os que comeram tudo, tudo, e não deixaram nada. Nem um resquício de honra ao qual nos possamos agarrar de um passado de vergonha e humilhação e pedantismo. Somos a chacota da Europa.
Por isso me recuso a celebrar o 25 de Abril. Pago todos os dias a factura da revolução dos marxistas e dos assassinos. Todos os dias, morre Angola mais um pouco, morre a Guiné mais um pouco, por causa desses capitães da liberdade.
Pois bem, eles que se fodam. Culpo-os a eles, e já paguei suficiente cara a minha liberdade, que é minha desde sempre.
Acabou, por aqui, o vosso tributo de Midas. A dívida está paga. A vergonha de um povo é o recibo.
Um Bom Tema Para Um Ensaio
domingo, 26 de abril de 2009
Faz Sol na Província
A Ler
E como isto da bloga é um jogo de Ligações e Contra-Ligações, agradecemos a simpática sugestão do nosso caro Luís Paulo, no seu blogo colectivo Rua dos Bragas, 223.
O Luís tem também um sítio na Wordpress.
Leituras:
Como o Senhor Jacob enganou o Socialismo, de Afonso Botelho.
Mankind is No Island
É pá, ó Casanova, aí é que estamos tramados!
sábado, 25 de abril de 2009
E o Povo, pá? (V)
Este monopólio socialista em torno da data tem tido vários efeitos inaceitáveis: a glorificação dos militantes comunistas opositores de Salazar, como se este fosse pior que o totalitarismo que os primeiros defendiam; a impossibilidade de se assumir os erros gravíssimos cometidos nas antigas províncias ultramarinas, entregues pela Coordenadora do M.F.A. aos aliados locais da União Soviética, numa estratégia que o P.C.P. manobrou e poucos à excepção dos spinolistas tentaram contrariar; a repetição ad nauseam da boutade da "revolução sem sangue" (claro que os que morreram nas províncias ultramarinas só em 1974-75 e que foram muitos mais do que as baixas dos dois lados durante a guerra de 1961-74 não são contabilizados porque já não são portugueses...); a dura verdade de que o País viveu em regime de ditadura militar e não em "democracia" nos anos de 74 e 75, com prisões arbitrárias, sem sistema judicial nem respeito pela propriedade privada, numa situação que só teve paralelo nas outras duas ditaduras oficialmente inexistentes da nossa história, as dos "governos provisórios" e das assembleias de partido único de 1820-1823 e 1910-1913; o esquecimento conveniente da incontornável verdade que a "obra social" do novo regime foi uma pura continuação dos programas sociais já delineados pelo Estado Novo, com a diferença da rédea livre dada à despesa pública.
E o Povo, pá? (IV)
O 25 de Abril de 1974, o 25 de Novembro de 1975 e a Constituição da República de 1976, instalaram a democracia em Portugal. De acordo com todas as definições, a democracia é o regime onde o povo determina o seu próprio destino e estabelece as regras que ele deve percorrer. Pois bem, pode o povo português fazer aprovar uma nova Constituição e fazer findar a vigência da actual? Não, não pode. Pode o povo português substituir a República por uma Monarquia? Não, não pode. Pode o povo português transformar o semipresidencialismo em parlamentarismo puro ou em presidencialismo? Não, não pode. Pode o povo português limitar seriamente o direito à greve? Não, não pode. Pode o povo português expurgar o método de Hondt do sistema eleitoral legislativo? Não, não pode.
Enfim, como pode então o povo português chegar a uma nova república, à 4ª, mais precisamente? Apenas e só como chegou à 3ª: por via do golpe de estado e da revolução.
E o Povo, pá? (III)
Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.
Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.
Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: o exército português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.
Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir. Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas. Uma foi que o PCP, infiltrado no exército, não estava interessado num acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte da África na zona soviética. O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar. Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tripas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos, e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas dos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas.
Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve. O outro problema era da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo, que segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.
Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.
Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total. Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.
Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou-se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados. Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regímen onopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista». Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquos, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.





