terça-feira, 16 de junho de 2009

Entre Muros com a Crème de la Crème

"Tivemos o Muro de Berlim, temos os muros da Palestina e agora os muros do Rio". Assim escreveu José Saramago num destes dias. Assim escreveu à laia de nata intelectual com que sempre pontua as suas frases, pejadas de “coisas pestilentas” e muitas pontas soltas que deram o nó num golpe de marketing da Caminho faz pouco tempo. É num tom descomprometido entre chalaça e azedume, de perna cruzada e marcas senis, que o opinion maker português compara, de uma assentada, três realidades independentes na sua singularidade.

De um lado temos a cortina de ferro, da qual Saramago fala com sobranceiro afastamento – velhas lides, as mesmas ideias, sem escapar de uma bela entorse no braço.

No sector oposto temos o muro da Cisjordânia que, longe de ser uma solução consensual ou politicamente correcta é, como bem denotou Miguel Monjardino no Expresso, tremendamente eficaz – registou-se uma redução significativa dos atentados terroristas na raia.

Por fim, temos o muro das favelas do Rio de Janeiro, muro este que, apesar de suportado por argumentos ambientalistas, logo se vê que pretende mitigar a construção ilegal e o crescimento descontrolado das favelas. Um problema profundo que não se resolverá com brandura governativa e remédios caseiros. Ademais, inchar o peito e falar em repressão e segregação dos favelados pela construção de um muro soa um pouco a cocktail de barbitúricos.

Limite à Entrada

Até final do ano só podem ser autorizados 3800 novos vistos de residência a estrangeiros, devido à crise económica.
(...)
A "diminuição acentuada da actividade económica em 2009" é uma das razões invocadas para esta limitação, introduzida pela resolução do Conselho de Ministros que foi publicada em Diário da República, esta terça-feira.

Novelas do Caribe (realismo mágico)

Semana Frank Zappa (II)

Semana Frank Zappa (I)

As Piranhas Proliferam, e o Café Odisseia está farto de piranhas.

As Piranhas pescam-se à linha, pequena, pois são fáceis. Os argumentos bacocos sucedem-se a rodos, e nós não lhes ligámos. Somos brutos insensíveis.
Quem vem ao Café sabe com o que contar - manipulação da Verdade e pouca pesquisa. Somos honestos, não temos de o esconder. Portanto, dedicámo-nos às piranhas, que são tantas, e a nossa paciência é tão pouca! Já nem ouvimos o que elas dizem. Dissociámo-nos delas faz tempo. Deitamos arsénio na água e elas subsistem. São persistentes, damos-lhes valor e reconhecemos-lhe mérito. Mas são tão baixas, tão mesquinhas… Pensámos – ainda perdemos tempo com isto? Enfim, fique bem claro – os Odisseus vivem em grutas. Grutas púrpura e sem Internet. Escrevemos por fax e um senhor em Trás-os-Montes encarrega-se de transcrever tudo para o blogue. Confiamos nele, tem um curso de formação. Fique bem claro – vivemos numa gruta púrpura, alheados do mundo, e alheados do mundo somos autistas. E sendo autistas, distorcemos a realidade. Então, porque vêm aqui com expectativas? Deixem as expectativas para as piranhas, que nós já deitámos arsénio na água.

Pedro Jacob Morais

Havia um Senhor e havia um Silo. O Silo era meu, o Senhor não era. O Senhor vivia no Silo que era meu. Logo, tratei rapidamente de o expulsar. O Café Odisseia é como o Silo, é Meu. Não é democrático. É propriedade privada. E dentro de propriedade privada, não há liberdade de expressão. Dentro da minha propriedade, ficam as piranhas de fora, fica o Senhor de fora, fica só o Silo cá dentro. Quem quiser ver o Silo, respeita a minha Condição. Quem não respeitar a minha Condição, seja catequista ou mercenário, tem sempre o arsénio.
A minha Condição, aqui, é Lei.

Manuel Pinto de Rezende

domingo, 14 de junho de 2009

Ortega y Gasset e a Monarquia: O Método da Continuidade VS A Revolução

Agradecimentos ao Estado Sentido

Diante de mim está um jornal em que acabo de ler o relato das festas com que a Inglaterra celebrou a coroação do novo rei. Diz-se que há muito a Monarquia inglesa é uma instituição meramente simbólica. Isso é verdade, mas dizendo-o assim deixamos escapar o melhor. Porque, efectivamente, a Monarquia não exerce no Império britânico nenhuma função material e palpável. Seu papel não é governar, nem administrar a justiça, nem mandar o Exército. Mas nem por isso é uma instituição vazia, carente de serviço. A Monarquia da Inglaterra exerce uma função determinadíssima e de alta eficácia: a de simbolizar. Por isso o povo inglês, com deliberado propósito, deu agora inusitada solenidade ao rito da coroação. Ante a turbulência actual do continente quis afirmar as normas permanentes que regulam sua vida. Deu-nos mais uma lição. Como sempre – já que a Europa sempre pareceu um tropel de povos –, os continentais, cheios de génio, mas isentos de serenidade, nunca maduros, sempre pueris, e ao fundo, atrás deles, a Inglaterra... como a "nurse" da Europa.

Este é o povo que sempre chegou antes ao porvir, que se antecipou a todos em quase todas as ordens. Praticamente deveríamos omitir o quase. E eis aqui que este povo nos obriga, com certa impertinência do mais puro dandysmo, a presenciar seu vetusto cerimonial e a ver como actuam – porque não deixaram nunca de ser actuais os mais velhos e mágicos utensílios de sua história, a coroa e o ceptro que entre nós regem apenas a sorte do baralho. O inglês faz empenho de nos fazer constar que seu passado, precisamente porque passou, porque lhe passou, continua existindo para ele. Desde um futuro ao qual não chegamos mostra-nos a vigência louçã de seu pretérito (24), Este povo circula por todo o seu tempo, é verdadeiramente senhor de seus séculos, que conserva em activa posse. E isso é ser um povo de homens: poder hoje continuar no seu ontem sem por isso deixar de viver para o futuro, poder existir no verdadeiro presente, já que o presente é só a presença do passado e do porvir, o lugar onde pretérito e futuro efectivamente existem.

Com as festas simbólicas da coroação, a Inglaterra opôs, mais uma vez, ao método revolucionário o método da continuidade, o único que pode evitar na marcha das coisas humanas esse aspecto patológico que faz da história uma luta ilustre e perene entre os paralíticos e os epiléticos.

Sobre Conservadorismo

O comentário do André Levi no meu último post é característica da enorme qualidade e quantidade de conceitos que, para descrever e definir a ideologia dos partidos de Direita, confunde e enriquece a grande parte dos interessados.
Ao contrário do Socialismo e Comunismo, onde a complexidade das posições só permite ao militante colocar-se mais ou menos receptivo para com o esforço colectivizante, a luta entre Liberalismo e Conservadorismo é complexa e só poderia ser resolvida quando atingido o ponto de exaustão teórica, que ainda está muito longe...
Concordo com a opinião do Levi e não concordo com a divisão dogmática que Martim Avillez fez entre o Liberalismo e o Conservadorismo, ou pelo menos não concordo sobre certos pontos de vista.
Comparando o CDS com um partido como o UK Conservative Party ou o Partido Republicano dos EUA, cujas diferenças ideológicas são relevantes mas cujas definições de conservadorismo são semelhantes, então, colocando-o na esteira destes dois partidos (mais mais à esquerda no que toca a políticas económicas) consideraria o CDS um partido Conservador.
O que Avillez mencionou, em primeiro lugar, e eu concordo inteiramente, é a existência de uma Esquerda Conservadora. Essa Esquerda é a Esquerda anti-mercado, anti-sociedade, anti-autonomia privada, anti-propriedade privada. Em suma, anti-Homem.
Essa é a Esquerda dos 20%.
O conservadorismo negativo, que Avillez acredita haver no CDS, pode ser explicado de várias maneiras. Primeiro, o carácter democrata-cristão não é, puramente, um carácter conservador, nos termos de defensor de uma sociedade activa e solidária (se bem que neste ponto há, de facto, muito mérito e semelhança com o que o conservadorismo preconiza), do princípio do valor absoluto da vida humana, do governo limitado e da livre iniciativa, livre-empresa e livre mercado, num sistema respeitador da propriedade privada e da consciência de cada um.
A Democracia-Cristã está muito mais próxima dos valores social-democratas do que do Conservadorismo que eu imagino para o CDS. A democracia-cristã é o modelo económico para um partido indefinido como o PSD. A alternativa conservadora, em Portugal, devia seguir, a meu ver, o modelo antigo dos liberais portugueses do Partido Regenerador e Histórico, e o modelo anglo-saxónico. Isto significa, claro, a aposta nos valores individuais, a protecção do cidadão face à coacção económica, física e intelectual por parte de outros cidadãos e do Estado e, claro, a aceitação da nossa Tradição cultural, social e histórica.
Quando Avillez se refere ao preferenciamento do CDS a certas formas de vida, trata, por exemplo, de um problema que um certo conservadorismo oco (e negativo) do CDS tem para com os homossexuais. Enquanto que nos partidos conservadores anglo-saxónicos há uma larga participação de gays assumidos (se bem que, o carácter de um militante conservador leva a que ele mantenha a sua sexualidade para ele próprio, e não a alardear as suas escolhas na cama como se de um suposto "orgulho" se tratasse) a atitude hostil do CDS, parece-me, vai continuar a afastar muitos liberais das suas fileiras.

sábado, 13 de junho de 2009

O Conservadorismo do Bloco de Esquerda: porque é o BE um partido antigo

Repare-se: o Bloco de esquerda tem uma visão conservadora do mundo. Prefere uma economia central que concentra recursos no Estado e rejeita uma economia livre que concentra nas pessoas o futuro. Isto nada tem que ver com direitos ou justiça social - é uma concepção da sociedade. Já um liberal insiste que o motor económico devem ser as pessoas, reservando para o Estado um importante papel: assegurar que os direitos de cada um saem reforçados com essa intervenção. Ideologia, aqui, não conta. Ela surge depois, quando aparecem liberais mais à esquerda ou liberais mais à direita. O mesmo se pode dizer do CDS: eles têm da sociedade uma ideia central, privilegiando formas de vida em detrimento de outras. Um liberal não o concebe: ele aceita todas as formas de vida e quer um Estado que as reforce todas.

Martim Avillez Figueiredo, no i

quinta-feira, 11 de junho de 2009

o Pecado Original e o Jardim do Éden

What is the nature of the guilt that your teachers call his Original Sin? What are the evils man acquired when he fell from a state they consider perfection? Their myth declares that he ate the fruit of knowledge - he acquired a mind and become a rational being.
It was the knowledge of good and evil - he became a moral being.
He was sentenced to earn his bread by labor - he become a productive being.
He was sentenced to experience desire - he acquired the capacity of sexual enjoyment.
The evils for wich they damn him are reason, morality, creativeness, joy - all the cardinal values of his existence.
It is not his vices that their myth of man's fall is designed to explain and condemn, it is not his errors that they hold as his guilt, but the essence of his nature as man.

Whatever he was - that robot in the Garden of Eden, who existed without mind, without values, without labor, without love - he was not a man.

Ayn Rand - Atlas Shrugged

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Obama e a Questão Cubana

Obama/Fidel: Too Late from Spam Cartoon on Vimeo.

Hoje, no país dos feriados (II)

Dos quinze feriados portugueses, oito são religiosos. É interessante ver como as hostes anti-clericais se assanham ao mínimo sinal de vida da Igreja e, contudo, permanecem serenas perante todas estas comemorações. Do que resulta o seguinte: maior que a aversão destes indivíduos à religião ou à Igreja é a sua aversão ao trabalho!

Hoje, no país dos feriados (I)

01 de Janeiro
Ano Novo

Data Móvel
Sexta-feira Santa

25 de Abril
Revolução dos Cravos

01 de Maio
Dia do Trabalho

10 de Junho
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

19 de Junho
Corpo de Deus

15 de Agosto
Assunção de Nossa Senhora

05 de Outubro
Proclamação da República

19 de Junho
Corpo de Deus

15 de Agosto
Assunção de Nossa Senhora

05 de Outubro
Proclamação da República

01 de Novembro
Dia de Todos os Santos

01 de Dezembro
Restauração da Independência

08 de Dezembro
Dia da Imaculada Conceição

25 de Dezembro
Natal

Abril em Junho

Veto Presidencial

Após vetar o diploma que altera a Lei do Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais, o Presidente da República sistematiza, no sítio da Presidência, as suas razões:

1 – O diploma aprovado pela Assembleia da República pretendeu introduzir uma alteração muito significativa ao regime em vigor sobre o financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais, aumentando de forma substancial os limites do financiamento privado e sem que se diminuam os montantes provenientes do financiamento público.

2 – Esta alteração ocorre sem que se encontre devidamente acautelada a existência de mecanismos de controlo que assegurem a necessária transparência das fontes de financiamento privado, no quadro de um sistema que, sublinhe-se, adopta um modelo de financiamento tendencialmente público, do qual já resultam especiais encargos para o Orçamento do Estado e para os contribuintes.

3 – São várias as objecções de fundo que suscitam as soluções normativas contidas no diploma em causa, como é o caso do aumento substancial do financiamento pecuniário não titulado dos partidos políticos e das receitas provenientes de iniciativas de angariação de fundos, da possibilidade de os partidos obterem lucros nas campanhas eleitorais ou do aumento do limite das despesas de campanha na segunda volta das eleições para o Presidente da República. Importa ainda ter presente que a alteração que agora se pretendia introduzir se afigura inoportuna, atenta a aproximação de vários actos eleitorais e a actual conjuntura económica e financeira do País.

4 – Ante o exposto, o Presidente da República devolveu hoje, sem promulgação, o Decreto nº 285/X da Assembleia da República, que altera a Lei n.º 19/2003, de 20 de Junho, que regula o regime aplicável ao financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais.

Maradona por Emir Kusturica

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Mundo é a Nossa Casa


Home, o documentário-manifesto de Yann Arthus-Bertrand (fotógrafo, jornalista, ambientalista), foi simultaneamente lançado em DVD e no cinema, e foi transmitido na RTP1 (à uma hora da madrugada de domingo). Pode ser visualizado gratuitamente aqui.

O Cartoon Banido do Donald

Pato Donald - Há 75 anos a atacar as linhas inimigas!


Música de Revolução


"La patria está forjando la unidad;
de norte a sur, se movilizará,
desde el salar ardiente y mineral,
al bosque austral, unidos en la lucha
y el trabajo, irán, la patria cubrirán.
Su paso ya anuncia el porvenir."

A coisa Berlusconi

"Não vejo que outro nome lhe poderia dar. Uma coisa perigosamente parecida a um ser humano, uma coisa que dá festas, organiza orgias e manda num país chamado Itália. Esta coisa, esta doença, este vírus ameaça ser a causa da morte moral do país de Verdi se um vómito profundo não conseguir arrancá-la da consciência dos italianos antes que o veneno acabe por corroer-lhes as veias e destroçar o coração de uma das mais ricas culturas europeias. Os valores básicos da convivência humana são espezinhados todos os dias pelas patas viscosas da coisa Berlusconi que, entre os seus múltiplos talentos, tem uma habilidade funambulesca para abusar das palavras, pervertendo-lhes a intenção e o sentido, como é o caso do Pólo da Liberdade, que assim se chama o partido com que assaltou o poder. Chamei delinquente a esta coisa e não me arrependo. Por razões de natureza semântica e social que outros poderão explicar melhor que eu, o termo delinquente tem em Itália uma carga negativa muito mais forte que em qualquer outro idioma falado na Europa. Foi para traduzir de forma clara e contundente o que penso da coisa Berlusconi que utilizei o termo na acepção que a língua de Dante lhe vem dando habitualmente, embora seja mais do que duvidoso que Dante o tenha utilizado alguma vez. Delinquência, no meu português, significa, de acordo com os dicionários e a prática corrente da comunicação, “acto de cometer delitos, desobedecer a leis ou a padrões morais”. A definição assenta na coisa Berlusconi sem uma prega, sem uma ruga, a ponto de se parecer mais a uma segunda pele que à roupa que se põe em cima. Desde há anos que a coisa Berlusconi tem vindo a cometer delitos de variável mas sempre demonstrada gravidade. Além disso, não só tem desobedecido a leis como, pior ainda, as tem mandado fabricar para salvaguarda dos seus interesses públicos e particulares, de político, empresário e acompanhante de menores, e quanto aos padrões morais, nem vale a pena falar, não há quem não saiba em Itália e no mundo que a coisa Berlusconi há muito tempo que caiu na mais completa abjecção. Este é o primeiro-ministro italiano, esta é a coisa que o povo italiano por duas vezes elegeu para que lhe servisse de modelo, este é o caminho da ruína para onde estão a ser levados por arrastamento os valores que liberdade e dignidade impregnaram a música de Verdi e a acção política de Garibaldi, esses que fizeram da Itália do século XIX, durante a luta pela unificação, um guia espiritual da Europa e dos europeus. É isso que a coisa Berlusconi quer lançar para o caixote do lixo da História. Vão os italianos permiti-lo?"

De José Saramago, El Mundo

domingo, 7 de junho de 2009

sábado, 6 de junho de 2009

A Europa nasceu torta

José Tomás Costa, na Plataforma Pensar Claro

A Europa nasceu torta e torta a querem fazer crescer. Estes primeiros resultados na Holanda e os que estão previstos para Inglaterra são preocupantes. Quando partidos que querem acabar com a União Europeia são a segunda força mais votada e quando um grande partido inglês para ganhar votos se vê obrigado a afastar-se de um partido europeu algo vai mal. E não é a crise a causa, não são só eleitores que estão fartos de ver as suas promessas por cumprir e que estão saturados de escândalos que envolvem políticos. Os cidadãos, que pelos vistos também são cidadão europeus, não fazem parte desta Europa. Os seus líderes tiveram medo de os ouvir sobre o Tratado de Lisboa e são poucos os iluminados que sabem qual seriam as suas consequências, que poderes seriam dados ao Parlamento e à Comissão Europeia.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Poder Local


Há uns dias atrás, numa reportagem fantástica que passou no Nós por Cá, que para mim é dos programas noticiosos da SIC dignos de ficar na história da Televisão portuguesa, passou a história de uma casa, aparentemente uma loja, cujos proprietários, após terem feito obras no local, resolveram desvanecer do mapa, deixando o sítio com obras por fazer, atulhado de materiais e entulhos.

Para piorar a imagem, a canalização do local tinha sido reestruturada a cargo dos mesmos proprietários, sendo que, ficando a meio as ditas obras, grande parte das descargas e depósitos dos proprietários das casas e lojas dos andares de cima vai parar, de forma caótica, na loja abandonada.

O cheiro, como se pode crer, é horrível, e afecta grandemente a vida dos vizinhos.
O Direito cria soluções para situações destas. Encarrega-se um superior hierárquico, cuja legitimidade está assegurada pelo voto popular, de autorizar que se faça as necessárias modificações e se tomem as necessárias medidas para solucionar este problema.

De facto, e felzimente, numa democracia liberal a Propriedade ainda é um valor absoluto, esgotando-se na esfera do indivíduo e fundamental para que este possa realizar-se pessoalmente. No entanto, não pode nem deve ser usada para limitar os mesmos direitos de fruição de propriedade dos restantes cidadãos. Estes princípios de Direito Privado, de facto, se aplicados de forma mais geral, tornariam o mundo num sítio muito melhor.

Mas adiante. Assim sendo, previsto o método para resolver o caso, o que falta aqui? É que, maravilha das maravilhas, mantém-se o problema, na dita rua da dita localidade, sem que o comércio e actividade dos vizinhos deixe de ser perturbado pelo desleixo dos antigos proprietários da loja abandonada.

Disse uma menina, que dizia representar a Junta de Freguesia, uma menina desmiolada, que é muito difícil à administração actuar quando se tratava de propriedade privada. Engana-se a menina. Não é não. O que há é medidas que protegem o bem jurídico propriedade privada, que não pode ser alvo de intervenções por parte da administração como e quando lhe apetecer.
O problema, e a menina não soube explicar, mas explicou o jornalista da SIC, era da Câmara. A câmara não se mexeu.

Pura e simplesmente, não lidou com o caso, perdido entre o caos burocrático municipal.

Eu não creio que este problema se resolvesse pela regionalização.
Seria limitar o governo, e aumentar os custos. Se limitar o governo é bom, limitar o governo para colocar muitos meios nas mãos de alguns não é bom.

Faça-se um novo modelo ou plano administrativo neste país, uma reforma profunda, que atribua às Juntas de Freguesia a possibilidade de, equipadas com mais poderes e rendimentos e orçamentos próprios, poderem agir sobre estes pequenos problemas concernentes à propriedade dos locais.

Há Vinte Anos(III)

Há Vinte Anos(II)


Há Vinte Anos(I)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

tolerância tradicional portuguesa

Um dos poucos críticos do comércio esclavagista em Portugal (ou na Europa, para o caso) foi o padre Fernando de Oliveira, um clérigo singularmente franco que esteve em determinada altura ao serviço de Henrique VIII de Inglaterra e que foi, mais tarde, preso em Lisboa pela Inquisição por causa dos seus pontos de vista pouco ortodoxos. Autor da primeira gramática portuguesa impressa (1536) e de um manual precursor de guerra naval (Arte da Guerra do Mar, 1555), dedicou um capítulo inteiro desta última obra a uma violenta denúncia do comércio esclavagista. Afirmou terminantemente que não havia qualquer "guerra justa" contra muçulmanos, judeus ou pagãos que nunca haviam sido cristãos e que estavam prontos a comerciar pacificamente com os Portugueses. Atacar as suas terras e escravizá-los era uma "manifesta tirania", e não era desculpa dizer que eles faziam comércio esclavagista uns com os outros. Um homem que compra qualquer coisa que é vendida de modo errado é culpado de pecado, e se não houvesse compradores europeus não haveria vendedores africanos.

"Fomos inventores de um comércio tão vil, nunca anteriormente utilizado e que nunca se tinha ouvido falar entre seres humanos", escreveu o indignado padre numa passagem que abona mais em favor do seu coração do que da sua inteligência.

C.R. Boxer - O Império Marítimo Português

domingo, 31 de maio de 2009

sábado, 30 de maio de 2009

Pai

Um pai faz muita falta.
Estudos norte-americanos provam que há uma relação provadíssima entre o número de famílias monoparentais (mães solteiras, neste caso) e os números da Gravidez Adolescente.
Desde o início do século XX, na continuação da tendência já criada no século XIX, o papel da família foi sendo afectado e transformado, através de políticas sociais e movimentos de contra-cultura.
O liberalismo individual vem libertar a família da influência tradicional e religiosa, lentamente e ao longo das décadas.
Nascem nos gloriosos dias desse século de Ouro, o século XIX, as ideias primordiais do indivíduo que se realiza pelos seus próprios meios, sem limites que não os impostos pelo respeito da liberdade do seu próximo. O capitalismo individualista e liberal, no entanto, condena-se ao passo que vai isolando da comunidade e da família os factores tradicionais e religiosos que formaram os seus ancestrais hábitos culturais e morais.
Enquanto que nas sociedades europeias esta tendência liberal deu-se morosamente, nos outros pontos do mundo onde se repercutiram as ideias do capitalismo, toda a estrutura social ancestral ruiu. Nos EUA, o país que sustentava, orgulhosamente, o governo mais pequeno e limitado do mundo do século XIX, constituiram-se as maiores fundações de solidariedade e apoio social do mundo que aprofundaram o estudo das relações humanas. Estes movimentos estavam ligados à cultura do self-made man e da obrigação moral que o cristianismo impõe aos mais ricos das "boas obras".
Na América Latina, o liberalismo radicalizou-se e expulsou as confrarias religiosas, deixando um vazio entre os distribuidores da solidariedade social, vazio esse que tardou a ser preenchido.
Isto propiciou a que se criassem movimentos colectivistas, inspirados não raras vezes em ideiais religiosos (veja-se a semelhança do culto de Che Guevara com o de Jesus Cristo nas zonas setentrionais da América do Sul).

A sociedade individualista dos países do Norte criou as ciências sociais e humanas, como a psicologia e a sociologia, com as quais o Estado do século XX construiria o seu sistema de Segurança Social.
Tornou-se a solidariedade e o apoio social uma política governamental em vez de uma acção da sociedade civil.
Destes avanços do Governo sobraram, após a queda dos Modelos Sociais Europeus e Americano, ruínas da engenharia social falhada. Ruínas essas que mantêm na pobreza os mais pobres.
A família viu-se despejada da sua função educativa, social e económica.
O Estado apropriou-se da educação dos jovens. Aprendemos, desde muito pequenos, a aceitar como o melhor para nós aquilo que um grupo de supostos peritos dos Ministérios da Educação nos querem ensinar. Poucos de nós tiveram uma independência personalizada ou acompanhada pelos pais.
O Estado, tornando-se o principal empregador, tornou-se também o principal moralizador. Define também, cada vez mais abertamente, quais as prerrogativas morais a obedecer, e até a forma de melhor educar os mais jovens. O papel exemplar do Pai e da Mãe são cada vez mais renegados para segundo plano.
Mas pudera. Como vai a criança do bairro social, inserida numa família problemática, sentir necessidade de abandonar o baby-sitting estatal, se os pais são, também, bebés extremadamente cuidados pela caridade social do Estado?
O último crime do modelo social foi despojar a família do seu elemento económico.
Quando o chefe de família (homem ou mulher, mas principalmente homem) depara-se com a oportunidade de ser sustentado por subsídios que lhe atribuem benefícios e rendimentos superiores aqueles que obteria enquanto trabalhador assalariado, que moralidade se lhe pode pedir?
No entanto, este estado de coisas é apoiado por muitas pessoas da Nova e Velha Esquerda. Esquecem-se os sociólogos que o exemplo paternal é por demasiado, importante.
O pai trabalhador é um fenómeno que transmite segurança e admiração.
Tanto para rapazes como para as meninas, regra geral, a Mãe é a pessoa para quem nos viramos quando queremos amor.
O Pai é para quem nos viramos quando queremos Segurança, aquele sentimento confiante que nos dá o Exemplo.
O problema do Estado Social não está em ser maior ou menor. Deve ser o suficiente, apenas, para deixar o Pai ser Pai.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

como derrubar o socialismo em Cuba? derrubando o embargo

ou, pelo menos, é o que diz Óscar Espinosa Chepe, um cubano formado em economia que esteve com Fidel nos momentos mais dificeis da luta de guerrilha e da alegre e marxista fruição do poder político na formosa ilha cubana, ao Washington Street Journal

Serviu o país na Coreia do Norte, para onde foi enviado para estudar o modelo norte-coreano de socialismo. Esta experiência vacinou-o contra o virus da economia planificada.

Chepe describes North Korea as being even then a "terrible, crazy, awful
place," where the people ate grass and leaves. Kim, having decreed that his
country folk were all vegetarians, imported cattle from Cuba for his own
personal consumption.

durante a sua atribulada vida política, Chepe enfrentou por 2 vezes o dogma do estado socialista cubano. Por duas vezes enfrentou os castigos laborais e teve de ser reabilitado.
Continua, no entanto, muito convicto na sua mensagem

What does he think of Castro? "Fidel Castro is just an enormous ego," says Chepe. "He sees communism not as a movement to aspire to, but as a great tool to accomplish what he wanted to achieve, which is everlasting power and, if possible, to rule the world. He isn't ideological -- he just wants the power."

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Lapsus Linguae

Tiago Ramalho, na Sociedade de Debates, sobre a frase da campanha eleitoral do BE "Pertencemos à primeira geração que vai viver pior do que os seus pais"

Ou o sistema de ensino está muito mau, e a lição histórica só começa no pós 74 ou data análoga, ou sou eu, por meu lado, que caio em erro. Terá a geração que apanhou as duas guerras mundiais vivido melhor, ou ao mesmo nível, que a dos seus pais? Ou, no ocaso do império romano, friso, no ocaso, as gerações terão vivido sucessivamente melhor? E na parte negra, negra, da idade média...viver-se-ia melhor do que no fulgor do período clássico? Talvez. Talvez as regras da lógica permitam que uma sucessiva melhoria das condições de vida de cada geração redunde numa diminuição das condições de vida de um povo no seu conjunto. Talvez, embora eu não acredite.

revolução Torie.

Em vez de redistribuir riqueza, o lema Trabalhista tão conhecido por cá, David Cameron faz aquilo que só os Tories sabem fazer: redistribuir o poder, a todos.

Ontem, nas páginas do "The Guardian", Cameron enunciou os princípios daquela que será a "mais dramática mudança política na era moderna". Escreve Cameron: "Acredito que o objectivo principal da nova política que procuramos só pode passar por uma maciça e radical redistribuição do poder. Do Estado para os cidadãos; do governo para o parlamento; de Whitehall para as comunidades. Da União Europeia para o Reino Unido; dos juízes para as pessoas; da burocracia para a democracia." E como é que isso se faz? "Através da descentralização, da transparência e da fiscalização, temos de trazer o poder da elite política para o homem e para a mulher comum". Numa crítica feroz ao que considera ser a deriva "Orwelliana" da política britânica, um governo liderado por Cameron vai atacar a fundo um sistema social que tem promovido a "infantilização" dos britânicos.

obra monumental

The Tale of How

coisas do meu email

Numa pequena vila no sul da França, a crise sente-se:
Toda a gente deve a toda a gente, carregada de dívidas.
Subitamente, um rico turista russo chega ao foyer do pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de 100 € sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar.
O dono do hotel pega na nota de 100 € e corre ao fornecedor de carne a quem deve 100 €, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar 100 € que devia há algum tempo, este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os 100 € a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito.
Esta recebe os 100 € e corre ao hotel a quem devia 100 € pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes.
Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100 €. Recebe o dinheiro e sai.

Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescentado. Contudo, todos liquidaram as suas dividas e os habitantes da pequena vila encaram agora optimisticamente o futuro.

Velhas ideias agora em Bloco

Vem de longe a posição anti-NATO que o eurodeputado Miguel Portas defende. Ainda não existia Bloco e a extrema-esquerda já se engalfinhava em arrojos anti-imperialistas. Durante muito tempo não lhes conveio limpar o pó aos velhos retratos de família. Agora, em tempos de destemperança, de pouca presença de espírito, dispõem de terreno arável e fértil para cultivar tais ideias, muitas vezes à custa de jovens (aqueles de 16 anos que Francisco Louçã quer que votem) que não fazem a mínima ideia de onde surgiu o Bloco e o julgam, por isso, muito avant-garde.
Nova esquerda! Pois bem, um conjunto de marxistas, trotskistas e maoístas pode ser muita coisa, mas não é nova esquerda. O designativo mais correcto talvez fosse “os velhos extremistas agora em Bloco”, isto se quisermos chamar as coisas pelo nome.
Enfim, anti-Nato porque queremos menos despesismo? Talvez resultasse mais justo anti-Bloco porque queremos menos despesismo! Enfim, o partido que deseja aumentar subsídios, distribuir medicamentos gratuitamente, nacionalizar tudo o que mexe, e enquanto isso, construir um aeroporto e o TGV, indigna-se agora com as despesas do Estado.
Miguel Portas argumenta que Portugal é um "país pequeno", sem nenhum inimigo, e sem “pretensões imperiais” (o que quer que isso seja). Ora, sendo tudo isto verdade gostaria que o eurodeputado elevasse a fasquia e defendesse a reestruturação do exército português, seguindo o exemplo da Suíça que também é um país pequeno, sem inimigos ou “pretensões imperiais” – um exército residual.
Quanto ao “corpo europeu de soldados de paz”, não me parece necessário, uma vez que a NATO realiza operações de manutenção da paz (KFOR por exemplo), tal como a ONU e os seus mediáticos “capacetes azuis”. Acresce que esse “corpo europeu de soldados de paz”, para além de desnecessário, certamente não resultaria de geração espontânea e, assim sendo, mais não seria que uma nova despesa para substituir a da NATO.

pessoas em caixinhas

Nara Leão - Little Boxes

terça-feira, 26 de maio de 2009

Palavras, Palavras, Palavras

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, prontamente reunido de emergência em Washington, após o teste nuclear na Coreia do Norte, já se pronunciou. Os Estados com assento no Conselho mostraram-se maçados com a situação, mais, revelaram-se até preocupados e prometem tomar uma séria atitude, farão… coisas.
Ban Ki-moon (Secretário-Geral das Nações Unidas) também partilha a séria preocupação com o incidente e apela ao diálogo.
É assim que a ONU trabalha, meus caros, faz lembrar aqueles indivíduos estranhamente solícitos que à última da hora desmarcam os compromissos. Certamente o Secretário-Geral e os Membros do Conselho se desdobrarão em reuniões, conferências e comunicados à imprensa, até que a batata arrefeça e o mundo perca a curiosidade (como aconteceu com o Darfur, o Paquistão, Zimbabué, Tibete, etc.).

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Alexandra

O caso Alexandra será o passatempo favorito das televisões portuguesa e russa nos tempos que aí vêm. Do lado russo, o espanto da permissividade da Justiça portuguesa. Do lado português, a habitual resignação com a qualidade dos nossos Juízes.
Como podemos ler no blog do José Milhazes, que é basicamente a pessoa com quem se vai falar quando surge nos media algo relacionado à Rússia, não era esperada uma decisão do Tribunal que fosse favorável à mãe russa.

Talvez por pressões diplomáticas ou puro nervosismo do Juiz ao lidar com um caso internacional, nem os depoimentos dos amigos e próximos da família adoptiva nem até as reportagens sobre o caso que já na altura circulavam na imprensa russa couberam na decisão do Juiz.
Se tudo correr mal, como parece que vai, e se recorra a todos os meios legais possíveis, quem é que se vai responsabilizar pela falta de atenção dada ao caso, cá?
A Segurança Social Portuguesa, ou a Justiça Portuguesa?

Belas Vistas

O percurso dos 'coitadinhos' que vandalizam as Belas Vistas e as Quintas das Fontes é sempre o mesmo. Na escola, o 'coitadinho' bate na professora, mas como é 'coitadinho' nada lhe acontece. Na rua, o 'coitadinho' rouba uma criança 'não-coitadinha', mas como é um 'coitadinho-menor' fica impune. Quando chega a casa, o 'coitadinho-filho' repara que o 'coitadinho-pai' não paga a renda, a luz e a água. Ainda por cima, o 'coitadinho-filho' vê que este comportamento compensa, dado que o 'coitadinho-pai' continua a receber o cheque mensal do RSI. Ora, se as diversas faces do Estado (escola, polícia, município, segurança social, etc.), tratam estas pessoas como crianças durante o dia, então elas vão agir como crianças durante a noite: daí a destruição dos carros dos vizinhos, daí a queima de caixotes do lixo, daí os ataques a bombeiros e polícias - os desportos noctívagos dos cidadãos-crianças.

Henrique Raposo no Expresso

The White Ribbon

A Palma de Ouro da 62ª edição do Festival de Cinema de Cannes foi para o realizador austríaco Michael Haneke (recordem-se de A Pianista ou de Funny Games), pelo seu The White Ribbon, uma "observação solene, filmada a preto e branco, de um microcosmos do Mal, uma aldeia no norte da Alemanha, em vésperas da I Guerra, onde acontecem misteriosos rituais punitivos - são as sementes da violência, do nazismo".

Arena em Cannes

A Palma de Ouro para a melhor curta-metragem foi atribuida a Arena de João Salaviza:

Michael Nyman - The Heart Asks Pleasure First

Um dos maiores compositores ainda em actividade:

domingo, 24 de maio de 2009

Life, Liberty and the pursuit of Happiness


"Porque haveríamos de subsidiar a curiosidade intelectual?”
Ronald Reagan, num discurso proferido durante a campanha eleitoral de 1980




“Não há nada que mais mereça o nosso apoio do que a promoção da ciência e da literatura. Em todos os países, o conhecimento é a base mais segura de felicidade pública.”
George Washington, discurso ao Congresso de 8 de Janeiro de 1790

Novas Concepções de Jornalismo (II) – A Consagração

António Lança, Director do Serviço ao Cliente da Whirlpool Portugal, desarma Manuela Moura Guedes com argumentos que nem esta é capaz de rebater. Esta foi a única discussão que a infalível jornalista perdeu:

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