segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Saramago


O homem falou, levantou-se um escarcéu tão grande, tão grande que as vacas sagradas saíram todas. Voz no trombone, como pessoas insignificantes que são, mais não se podiam servir que do vitupério. Padres, professores, todos ofendidinhos. Como disse, há vacas sagradas nesta terra não tão santa.

Ao almoço, apetitoso e opíparo nos Arcos de Valdevez, num daqueles silêncios que surgem quando não há mais tema de conversa, decidi-me e puxei o tema Saramago para o espaço já vazio da travessa do cabrito. Só uma senhora, muito velhinha, de ar um pouco senil e tez enrugada decidiu comer. respondeu: "Ó menino, este cabritinho está tão bom que falar-me disso é até crime. Mas se quer saber, olhe, sou religiosa, católica, praticante, e como calcula não gosto das críticas. Mas não vejo grande mal. Veja, isso não é mais que liberdade de expressão, de opinião, liberdade de autor. E isso é bom, não? Se como católica gosto de ouvir? Não, mas é algo que tolero pelo que lhe disse. E ,agora, coma menino, que está muito magrinho. Coma coma. Quanto pesa? 68 quilos. Ui!. Coma coma."

Estas parcas palavras resumem bem o que eu penso desta situação toda. Só acrescento o escândalo que, pelo menos a mim, me causam afirmações como as de um eurodeputado qualquer e do Pulido Valente. são afirmações ignominiosas, que gratuitamente vilipendiam quem as recebe. E isso, seja ele Saramago ou o Tino de Rans, é intolerável. Ao que parece Saramago não é doutor (como Pessoa ou Camões não o eram)

O sr eurodeputado, tal qual a sensibilidade chega a alguns com a decrepitude, a ele veio-lhe mais cedo. Uma sensibilidade obtusa, é verdade, que o puxou do estado anónimo para uma imbecilidade pública, repelida. Valha-nos ao menos que cá não esteja, que embora não seja uma vitória de grande monta também não é uma vitória de pirro.

Mais do que estas palavras, Saramago não me merece, nem tudo isto.

Para terminar, se Saramago não é português, Lobo Antunes e Pessoa, que não escrevem como Eça sê-lo-ão?

Em Portugal há vacas sagradas, De certos temos não se pode falar, criticar então está fora de questão. Vivemos numa terra de santos, mas onde se reza de dia e se peca de noite.

Coisas do Arco da Velha, nos Arcos de Valdevez.

Abraço

Silogismo

Se Oeiras tem os mais altos níveis de doutorados, mestrados, as mais baixas taxas de analfabetismo e abandono escolar enquanto Felgueiras sofre do drama contrário, com elevado abandono escolar e poucos licenciados,

e se os pouco inteligentes e analfabetos de Felgueiras decidiram tirar de lá a Fátima enquanto os doutores de Oeiras preferiram Isaltino,

então quem é que, afinal, precisa de estudar?

Abraço.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Desculpas Oficiais

a José Saramago,

porque limitou-se a falar da mesma maneira que nós, cá no Odisseia, escrevemos. A diferença está no facto de, no fim dos nossos textos, colocarmos as nossas referências, enquanto Saramago mira com olhar esganiçado a sua audiência, em calorosa risota irreligiosa.

Desde já, as nossas sinceras desculpas, aos nossos leitores, dos Odisseus que só vos querem bem.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

saramago em claro

Saramago junta-se ao clube de escritores que, recebendo um Nobel pelo simples facto de se escrever com razoável imaginação, dentro dos padrões de uma moda literária dita "moderna" e doutrinar um esquerdismo digno do Cretáceo, criticam de forma cretina um livro que não compreendem.

O anti-clericalismo de Saramago, o seu trés pop Evangelho, e até o recente Caim, não são o melhor da literatura de língua portuguesa. Quem o diz, não a conhece. Nenhum dos seus livros diz tanto sobre a literatura e a cultura lusa como um dos livros de Ramalho, de Eça, de Camilo, de Vergílio, de Torga, de Herculano, de Júlio Dinis, de Drumond, de Buarque, de Machado de Assis , de Vieira...

É uma moda de escrita, uma coisa desconexa com alguma piada, à la Sudamericana, mas não é literatura portuguesa. Alguns dos seus professos defensores e fãs protestarão, com toda a justiça, destas palavras. Mas um escritor não se mede apenas pelos livros que escreveu. Um escritor é o seu estilo, as suas crónicas nos jornais, as suas reportagens, os seus depoimentos, a sua postura e filosofia de vida.
Por isso é muito fácil escrever livros, mas é difícil ser escritor. E por isso, Saramago é um escritor, cedo-lhe isso, mas português não é. Também não é Universal. É uma moda.

E como todas as modas, Saramago tem de chocar, tem de atrair atenção.
Assim Saramago sabe o que dizer da Igreja, da Bíblia, dos Católicos, sabe divulgar o seu ódiozinho, o seu desejo de esconder das criancinhas um livro tão terrível, o seu ateísmo tão superior à quadrilha que molha a testa dos filhos como sinal de entronização na sua organização "criminosa".

Saramago é a aristocracia da esquerda. Que, por sinal, é a pior. Toda uma multidão de juventude cretinizada pela "irreverência" de um velho decrépito - símbolo de ideias nado-decrépitas - deseja ser Saramago, deseja ouvir Saramago, consumir Saramago, vesti-lo nas camisolas como se de um Che se tratasse.

O problema é que Saramago é um flop. Não é português, mas não é do Mundo. É um nada, mas um nada na moda.

sábado, 17 de outubro de 2009

Forum Política e Sociedade

O Café Odisseia tem o prazer de apresentar um novo projecto a juntar-se à já ampla oferta da FDUP (Sociedade de Debates, Jornal Tribuna, Cine Clube, Direito à Cena). Falo do Forum Política e Sociedade, iniciativa que ocorrerá, de agora em diante, com alguma periodicidade (duas vezes por semestre). A primeira sessão terá lugar em Novembro (data a confirmar), subordinada ao tema "A Segurança Pública Além da Agenda Política".
Como poderão ver no blogue destinado à causa, o FPS destina-se a possibilitar um diálogo mais estreito entre professores e alunos, troca de conhecimentos tão salutar em ambiente académico. Daí que cada sessão se estruture em dois momentos - pequenas exposições iniciais seguidas de discussão.

Apesar de dois membros deste blogue se encontrarem na organização do Forum, gostaria de deixar bem claro que o Café Odisseia e o Forum Política e Sociedade são duas realidades distintas, distantes e inconfundíveis.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

hoje é dia de outros acontecimentos "republicanos"


O ódio inspirado pela propaganda esquerdista-jacobina em Portugal e França constitui, numa forma quase pura, o exemplo de como a má fé de alguns indivíduos tirânicos, disfarçada numa mensagem de igualdade fratricida e desonesta, um discurso de bêbado que ainda engana alguns intelectuais e muitos políticos, pode e consegue manter-se vivo e pujante na mentalidade das sociedades que infectam.

Os republicanos conseguiram povoar a imagem que o povo português tinha da família real de Bragança com perversidades, abusos e mentiras.
A isso aliaram uma ideia de igualdade que consistia em destronar a Casa Real e trocá-la por uma oligarquia política que arruinou o país nos 16 anos de Iº República, estupidificou-o nos 41 anos de IIº República, e agora assentou confortavelmente no actual tecido social o seu corrupto carácter bizantino.

Mas como a raleficação ficou-se só mesmo entre alguns sectores e não afectou quem não se deve deixar afectar, mantêm alguns cidadãos a recordação do que é, efectivamente, o verdadeiro jacobinismo republicano, o verdadeiro igualitarismo sans-cullotes.

Da data de hoje a precisos 216 anos atrás, a populaça da igualdade, guiada pelos seus líderes "iluminados", num espontâneo serviço à causa da Revolução, guilhotinou em praça pública a Rainha Maria-Antonieta de França, após todo o tipo de humilhações, privações e atentados à dignidade humana, dos quais consta muy famosa a violação e assassinato da melhor amiga da rainha, a princesa de Lamballe, que sofreu toda essa insultuosa violência à saída do tribunal revolucionário onde tinha recusado prestar juramento à humana república.

A cabeça de Suas Majestades da França, bem como dos restantes e suspeitos apoiantes "realistes", foram exibidas em Paris e por toda a França como uma vitória da igualdade, liberdade e fraternidade.

É esta mesma a filosofia que iluminará os corações a transbordar de ódio e caos dos regicídas de 1908, é este o mesmo caos que engolirá Portugal após 1910. O abuso da maioria sobre as minorias e sobre o Estado de Direito.

Recorde-se mal, em terras de Portugal, o 5 de Outubro, não é desculpa suficiente para não se protestar contra este movimento exaltado da inteligentsia.

Aprenda-se as Revoluções, homenageiem-se os mártires do fervor bélico!

Vive La Reine!

Dürer

Caritas in Veritate

In his new social encyclical, Caritas in Veritate, Pope Benedict XVI has strongly reaffirmed and deepened the connection between morality and the free economy. Benedict has repudiated practices that led to a global economic crisis in which the love of truth has been abandoned in favor of a crude materialism.

Market economy and ethics - Joseph Ratzinger

The great successes of this theory concealed its limitations for a long time. But now in a changed situation, its tacit philosophical presuppositions and thus its problems become clearer. Although this position admits the freedom of individual businessmen, and to that extent can be called liberal, it is in fact deterministic in its core. It presupposes that the free play of market forces can operate in one direction only, given the constitution of man and the world, namely, toward the self-regulation of supply and demand, and toward economic efficiency and progress.

This determinism, in which man is completely controlled by the binding laws of the market while believing he acts in freedom from them, includes yet another and perhaps even more astounding presupposition, namely, that the natural laws of the market are in essence good (if I may be permitted so to speak) and necessarily work for the good, whatever may be true of the morality of individuals. These two presuppositions are not entirely false, as the successes of the market economy illustrate. But neither are they universally applicable and correct, as is evident in the problems of today's world economy. Without developing the problem in its details here — which is not my task — let me merely underscore a sentence of Peter Koslowski's that illustrates the point in question: “The economy is governed not only by economic laws, but is also determined by men...”. 5 Even if the market economy does rest on the ordering of the individual within a determinate network of rules, it cannot make man superfluous or exclude his moral freedom from the world of economics. It is becoming ever so clear that the development of the world economy has also to do with the development of the world community and with the universal family of man, and that the development of the spiritual powers of mankind is essential in the development of the world community. These spiritual powers are themselves a factor in the economy: the market rules function only when a moral consensus exists and sustains them.

domingo, 11 de outubro de 2009

on autárquicas we trust

Tanto no Porto como em Lisboa, o BE não recebe um quarto dos votos que lhe couberam há 15 dias atrás.

Hoje, sabemos que o país à esquerda é moderado e social-democrata, senão até liberal, mas está insatisfeito com a situação económica e social do país.
A prova é o facto de que nem o facto de as pessoas estarem zangadíssimas com o PS as leva a confiar as suas autarquias ao Bloco de Esquerda.
Uma coisa é tê-los a chatear em Lisboa. Outra é tê-lo as chafurdarem-nos o quintal.
OK portugueses, got the message.

ainda acorrentados


para a próxima, espartanos!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

you wanted Change, Change you get

in SIC

Ao contrário do que estava previsto, o Dalai Lama não vai encontrar-se com o Presidente norte-americano. Barack Obama adiou o encontro para depois de uma reunião com o Presidente chinês, marcada para Novembro.

Esta é a primeira vez, em 18 anos, que o Dalai Lama não reúne com o chefe da Casa Branca durante as visitas a Washington.

A comunidade tibetana já se mostrou desiludida com a decisão da administração norte-americana.


guarda-chuva oficial do Café Odisseia

Erasmus?

no i

A Universidade de Pilsen, na República Checa, encontra-se no centro de um grande escândalo académico e político. Centenas de estudantes, entre eles algumas figuras públicas, obtiveram os seus títulos universitários, no passado, em poucos meses. Segundo as investigações de uma comissão ministerial, muito alunos terminaram as suas licenciaturas em Direito em muito menos tempo do que os cinco anos requeridos, nalguns casos em apenas dois meses.
As autoridades estudam agora a maneira de retirar esses títulos aos licenciados, se bem que reconheçam que isso dará origem a complicados litígios judiciais.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Primeira-Dama que foi a Vénus e sobreviveu para contar a história

Miyuki Hatoyama, Primeira-Dama japonesa, afirmou comer um pedaço de Sol todas as manhãs e ter sido raptada por extraterrestres e levada até Vénus.

As Minhas Apostas Para o Nobel (II)

A um dia do anúncio do laureado com o Prémio Nobel da Literatura 2009, faço a minha segunda aposta, Philip Roth. Ficcionista, judeu, velhinho adorável, aclamado até pela mais cínica critica, vencedor do Prémio Pulitzer em 1997, e um sem fim de outros prémios, insígnias e santinhos. Ficam a sugestão de algumas obras: Conspiração Contra a América, O Património, Indignação, Animal Moribundo, e Todo-o-Mundo.

Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?(II)

"(...)este livro é o teu testamento António Lobo Antunes, não embelezes, não inventes, o teu último livro, que amarelece por aí quando não existires, como esta casa é triste às três horas da tarde, toque na fêmea pai em lugar de tocar-me que ela sim, sua filha, não tenho pai, tenho uma colher na despensa com um isqueiro por baixo, um êmbolo, um elástico, um limão espremido e você tinha os cavalos e o dezassete fora da roleta, escolheu um número que não há, uma mulher que não há, filhos que não há, há toiros mas os toiros são pedras moendo os campos com a boca (...)"
António Lobo Antunes, Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

resumo da discussão no blogue iuris cursus comitia

Para quem está por dentro das coisas da FDUP, é uma pequena chalacinha.
Para quem lê este sítio, é para verem o nosso nível de "tonhada" académica.

Isso não é verdade. É mentira. És isto e mais isto.
Aconselho-te a ser mais sensato e a pensares melhor as tuas afirmações.
Estou ofendido.

e agora multipliquem isto por 4.

condicionamento industrial

Pinho Cardão, na Quarta República

Não há criação de riqueza e desenvolvimento sem empresários e investimento. Em Portugal, criou-se a ideia de que há liberdade de empreender e investir. É um mito.
Continuamos a viver num verdadeiro condicionamento industrial. Claro que tem um perfil diferente, embora não menos danoso do que o da célebre Lei de 1952, que visava a regulação do investimento. Passados quase 60 anos, o condicionamento burocrático a novas iniciativas continua mais feroz do que nunca, apesar de alguns tímidos e envergonhados esforços feitos.
Centenas de projectos de investimento acabam por apodrecer depois de anos e anos nos departamentos oficiais e outros tantos aguardam por tempos infindos os pareceres intermédios e finais que possibilitam uma tomada de decisão. A prática está tão consagrada que, quando o licenciamento é rápido, em vez de se louvar a diligência, logo surgem vozes a acusar de suspeita ou de corrupção quem interveio na autorização.
O condicionamento industrial vigente é o reflexo do espírito controleiro e burocrático de um Estado tentacular, que se expressa através de um número infinito de autorizações, que constrange todas as vontades e impede o desenvolvimento. O condicionamento industrial vigente foi conscientemente criado pela burocracia instalada como forma de justificar a sua existência e é a maior responsável pela corrupção, que atenta contra a livre iniciativa, a concorrência e o desenvolvimento dos melhores projectos.
Os Governos, dominados pelos burocratas, boicotam os investimentos que lhe são apresentados; para cúmulo, aumentam impostos, esportulando cidadãos e empresas, dizendo que é para reanimar a economia. Fazem o mal e a caramunha.
Queixamo-nos então da crise, quando o remédio está ali mesmo à mão, num Ministério, Organismo descentralizado ou Câmara Municipal. Acontece que os Partidos são cada vez mais de gente com mentalidade de funcionário e isso reflecte-se nos seus programas e na sua acção.
A plena liberdade de empreender e investir é um mito em Portugal.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

platão e a nossa república I

Alguns jornais que fecharam nos anos da Iº República, por razões não-políticas, mas meramente institucionais, ou seja, a defesa do regime implantado:

"O Alarme" de Angra do Heroísmo - 1913

"O operário" de Beja - 1914

"A cidade" de Portalegre - 1914

"Justiça" de Braga - 1914

“A defesa de Santa Clara” de Coimbra - 1915

“A Verdade” de Lagos - 1916

"O progresso" do Funchal - 1918

“Noticias de Castelo-Branco” - 1918

"O mundo" - 1918

de novo, repetente convicto, o "Justiça", de Braga - 1918

"A província do Algarve" de Tavira - 1919

"O Distrito de Leiria" - 1920

"A Victória de Lisboa" - 1922

"O Lidador" de Beja - 1922

platão e a nossa república

A República, enquanto regime político, não é um sistema diabólico.
O que tem faltado na discussão à volta da Iº República é o facto conhecido que o problema do país não foi a República, mas a república que se implantou.

O folgo revolucionário dos carbonários, aplicados na destruição de uma forma de sociedade à qual se achavam muitíssimo superiores, redundou na destruição de uma sociedade livre, com uma imprensa livre pelos padrões da época, e um regime político que dava aos seus cidadãos todas as garantias de segurança e representatividade que já existiam nas democracias mais avançadas da Europa.

Em menos de um ano, tudo isso mudou.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

auto-flagelação

n'O Replicador

O PSD é o principal responsável pela ausência de real representação de direita em Portugal. Em larga medida, é um objecto parasitário que aceitou de bom grado um sistema político delineado pelo PS no pós 25 de Abril. O PSD aceita que a voz popular diga que é um partido de direita apesar de ser um partido Social Democrata (tal como indica o nome), sabendo-se que a social democracia é representada à esquerda em qualquer país europeu. Já se sabe que Sá Carneiro falava em instaurar o Socialismo Democrático, mas não precisamos de ir tão longe: há alguns dias, o próprio Marques Mendes disse que o PSD não é um partido de direita mas sim de centro (porque não pode dizer esquerda, sabendo-se que esse espaço está já ocupado). Mesmo a chamada ala mais conservadora do partido encabeçada por Manuela Ferreira Leite é apenas conservadora nos valores sociais, porque na economia é social democrata, ou seja, de esquerda. E para os que dizem que ser conservador nos valores sociais basta para se ser de direita, então podem votar no PS ou no MEP, porque o que não falta por lá são elementos da esquerda católica conservadora. Esses elementos, por si só, não colocam ninguém na direita. Acredito ainda que se Portugal tivesse um partido liberal como têm os alemães, o PSD teria mais afinidades (e faria mais coligações) com o PS do que com um partido liberal, porque, e como já demonstrou ao longo dos anos, o PSD não tem uma genética que enfatize a liberdade económica.

do estado da República


terça-feira, 29 de setembro de 2009

fall and decay of portyngale

Tudo neste regime é oligarquia. O Parlamento, o Presidente da República, a Administração, a República, o Tribunal Constitucional, as empresas (públicas e privadas), os partidos, os sindicatos

O que não seria mau, se não houvesse falta de algo que contrabalançasse isto.
Esta balbúrdia dos presidentes da república não impressiona nada.

late rankings

Esbatem-se as razões para votar PS
Obviamente, tanto a Bulgária, a Roménia e a Letónia mantiveram um modelo centralizado de saúde, não favorecendo a rapidez, a competência ou eficiência, mas somente uma distribuição insatisfatória de serviços, à moda soviética.
Tal como nós.

homofóbicos

De fora do PS, já chegaram também avisos para que evite demasiado diálogo com o CDS. Avisos não desprezíveis, como o de Carvalho da Silva, líder da CGTP, que afirmou ontem que um entendimento do PS com o CDS seria "um caminho contra-natura".

in DN

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Aposto Um Nobel da Literatura (I)

Milan Kundera. O autor de A Insustentável Leveza do Ser, A Valsa do Adeus, A Brincadeira, O Livro do Riso e do Esquecimento, entre outros, é um dos maiores autores da actualidade, nome marcante da literatura deste e do outro século, e um dos grandes injustiçados pela Academia Sueca.

Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?

O novo romance de António Lobo Antunes será lançado dentro de três dias.

ingovernável

O CDS é fundamental para que a máquina legisladora do PS avance.
Pouco provável.

O BE é fundamental para que a máquina legisladora do PS avance.
Pouco provável.

:. vai ser o caraças, para pôr isto a mexer.

Extraordinárias vitórias no extremo ocidente europeu

Foi uma noite peculiar, esta. Os eleitores optaram por uma maior dispersão de votos com favorecimento dos partidos mais pequenos, poucos acreditaram (ainda bem, quanto a mim) no voto útil, não houve milagres socialistas e o partido letárgico chegou, viu e foi dormir bem cedinho.

Ainda assim, cabem na nossa aljava umas quantas reflexões. “A extraordinária vitória” do PS deixou à transparência a apreensão da derrota, o sorriso forçado de José Sócrates prontamente depurou as dúvidas.

O Bloco de Esquerda, apesar da subida impressionante, não soube esconder o desagrado de se ver remetido para quarta força política, com cinco deputados a menos que o CDS. O ambiente de crispação notou-se, na sede bloquista, em dois momentos particulares, no primeiro discurso de Luís Fazenda e nas palavras finais e pouco inspiradas de Louçã. Afinal, depois de uma campanha desastrosa (a título de exemplo, a proposta dos PPR, do imposto sobre as fortunas, aumento generalizado de impostos para as empresas e nacionalizações), depois de tanto dinheiro gasto no financiamento de mentiras para enganar petizes, no final, bem, no final viram a sua expectativa de um resultado eleitoral próximo dos 15% (a piscar o olho a um frente-a-frente com o PS nas próximas legislativas) esmagado pela “extrema-direita”. Rude golpe na ambição mesclada de arrogância da trupe bloquista.

Pois então, o CDS, mil vezes enterrado vivo, conquista um resultado histórico de vinte e um deputados, ultrapassa os dois dígitos na eleição e, certamente, não dará descanso ao próximo executivo socialista. Justa paga pelo trabalho desenvolvido, belo exorcizar dos fantasmas do passado, dos fantasmas de sempre, afinal.

O PCP, como sempre altamente fidelizado, não desiludiu e até ultrapassou o resultado das últimas eleições - contará 15 deputados.

Não acredito em coligações ou alianças, antevejo um governo mirrado e inábil, afastado como está do promontório da maioria absoluta que transforma o nosso semi-presidencialismo num super-presidencialismo.

Realidades Incomparáveis

Na recta final desta noite eleitoral, Jaime Gama relativizou a perda da maioria do PS afirmando que a CDU de Merkel só obteve 33,5% dos votos. Ora, é um desrespeito enorme pelo votante médio português tentar fazer esta mágica percentual, esta prestidigitação factual.
Fique o esclarecimento que nas últimas décadas o status quo alemão pauta-se por coligações entre três partidos, a saber, democratas cristãos, sociais-democratas e liberais.

domingo, 27 de setembro de 2009

serviço público de qualidade

O dia de eleições foi acompanhado, no Odisseia, por um número saudável de 68 visitantes únicos (ou seja, não valeu as vezes que se carregou duas vezes no mesmo link).

Um deles que cá chegou através de uma pesquisa no google curiosíssima: "ensinar praxes fixes"

Brilhante.

PS: Aproveito para mandar as minhas sinceras saudações à Sophia, nossa mais recente seguidora.

Adenda1: eu disse 68? Queria dizer 70. Pimba, toma lá, Sociedade de Debates.

música d'O Gladiador para José Sócrates

e bandeirinhas "arco-íris" também

más notícias

a demissão que (já) não virá tão cedo

and the winner is

um país civilizado e outro

Na Alemanha, o CDU (conservadores) de A. Merkel e o FDP (liberais, não podia deixar de ser) coligam-se e preparam-se para o governo.
A Alemanha sabe que as velhas receitas não a vão ajudar a sair da actual crise.

Em Portugal, a vitória do PS nada nos revela, pelo menos fora do comum. A única coisa a temer é que, o único partido capaz de limitar o despesismo socialista num parlamento sem maioria, o PSD (em conluio com o CDS), perdeu muitos votos. E o Bloco parece pronto a encorajar esses desvarios no orçamento.

Hard times are waiting

votei neste


O programa era:
Estado de Direito
Mercado Livre
Respeito pela Propriedade Privada
Respeito pelo Princípio da Separação de Poderes
Respeito pelos direitos dos cidadãos, especialmente a liberdade de expressão
Apoio Social garantido ao mais necessitados, sem tendências igualitaristas que desvirtuem o equilíbro social.
inédito por cá

Votos da Administração

Neste dia de eleições a Administração do Café Odisseia deseja que todos os seus leitores, para tal capacitados, exerçam o seu direito de voto de forma ordeira, descontraída – formando a Fraternidade de Votantes Portugueses! Dispostos na multicultural fila indiana, os eleitores darão três voltas ao quarteirão com um sorriso cândido de votante e partilharão, saudavelmente, com o cidadão que estiver mais próximo, experiências únicas e democráticas.Em suma, caros leitores, não se esqueçam que só existe um voto útil, o voto no partido da vossa preferência!

sábado, 26 de setembro de 2009

à boca das urnas

Últimas sondagens Visão/TSF/Católica/RR/AutoHoje/Mundo dos Relógios:

Modelo/Continente (coligação): 40%

Jumbo: 31%

Lidl/OK Bazar/Dia/MiniPreço/Schlecker/CDS-PP (Aliança Mercadinho): 18%

Feira Nova: 11%

eles estão a chegar a Gondomar

com mil raios, o Jacob tem a discografia completa dos Beatles

and now, for something completamente different


The National - Fake Empire

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

descubra as diferenças

"Nacionalização da distribuição alimentar por grosso e a retalho nas grandes superfícies (...)"

"Nacionalização ou controlo estatal sobre os demais sectores básicos da economia (...)

e quais serão os demais sectores básicos da economia?

(...) designadamente a banca, a produção e distribuição de energia, os transportes e vias de comunicação, as telecomunicações, as indústrias mineiras, a siderurgia, os cimentos em a construção naval"

Programa do PCTP - MRPP

co-autoria Pedro Jacob Morais

pg. 92 - programa do BE

"Impedir a posição dominante no mercado de jornais nacionais generalistas e na imprensa generalizada mais relevante (economia e desporto)"

Torna-se verdade, enfim, o que escrevi há uns tempos atrás:

Os bloquistas não querem ver notícias de portáteis roubados em pleno tribunal, após o arrombamento de uma caixa multibanco ocorrido no mesmo. Os Bloquistas, e o Daniel Oliveira, sabem muito bem o que deve passar na TV. Só não nos dizem porque nós, comuns mortais, não íamos compreender. Deve passar aquilo que eles, e o Daniel Oliveira, muito bem entenderem. E só com a supervisão destes anjos mediáticos, se poderá atribuir notícias diferenciadas a cada estação, quer elas queiram quer não.

De facto não me impressionou reparar que as palavras mais usadas para solucionar o estado da nossa Televisão fossem estas duas pérolas: Denunciar e Controlar.


Qual será mais relevante, do ponto de vista jornalístico? A Bola, O Jogo, ou o Record?

energia livre

no VidaEconómica


O mercado liberalizado de electricidade completou três anos com números sem precedentes, 238 mil clientes, entre domésticos, empresas e grandes indústrias, número 20 vezes superior aos verificados em Setembro de 2006.

Quase um terço da electricidade consumida no país, em Julho, chegou aos consumidores através do mercado liberalizado, o que acontece pela primeira vez desde o seu arranque. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) acaba de anunciar que o consumo de electricidade no mercado liberalizado, no referido mês, foi de 28,7%.

Os números da ERSE indicam um crescimento médio de cerca de 70% até final de 2007 e de cerca de 8% desde o início de 2008 até ao presente. Ou seja, em Setembro de 2006 o número de clientes no mercado liberalizado da electricidade era de 11 382, em Julho deste ano esse valor passou para 238 581.De acordo com a ERSE, "o crescimento continuado do mercado liberalizado desde o início de 2009 sucede em paralelo com a redução da concentração empresarial neste mercado, com perda de quota do principal operador (EDP Comercial) e maior dinâmica dos restantes operadores (Endesa, Unión Fenosa e Iberdrola)"

Assim, a EDP Comercial manteve-se em Julho como o principal operador no mercado liberalizado, com 63,6 % dos fornecimentos, com a Iberdrola a reforçar a condição de segundo operador (16,8%). Já a Endesa forneceu 14% do consumo no mercado liberalizado e a Unión Fenosa cerca de 5,8%.

A ERSE assinala ainda que "com o crescimento do mercado liberalizado em 2009 todos os comercializadores crescem em volume, mas a EDP começa a perder quota de mercado" em resultado do crescente aumento de concorrência.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

pg. 14 - programa do BE

"Avançar com um plano de nacionalização do sector energético - GALP e EDP.
(...)
A energia, a água, as vias de comunicação, os transportes públicos, entre outros serviços públicos, têm de ser controlados por todos."
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O plano de nacionalização hostil da GALP e da EDP é mais uma míriade bloquista.
Estima-se que os custos das nacionalizações, incomportáveis para a actual fazenda do Estado, terão o efeito de pauperar as contas públicas.
Investidores nacionais e estrangeiros deslocarão os seus investimentos das nossas bolsas e empresas, diminuindo assim a receita de impostos do Estado.
Além de que o sério arrombo na confiança dos accionistas, cidadãos, proprietários e empresários em relação ao Estado de Direito seria irreversível. Depois do PREC, seria o mais sério atentado à propriedade privada, às liberdades fundamentais e ao estilo de vida ocidental.
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Não caia no argumento fácil do partido da inveja. Ser maioria não é desculpa para se propor a destruição de uma minoria social. O país precisa de um sector privado que crie riqueza. As leis aplicam-se a todos, e não contra uns que se supõe, erroneamente, ser os culpados desta crise.
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Não caia no erro do ódio social. É tão perigoso ou mais do que o ódio racial.
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Vários transportes públicos são empresas particulares, desde os táxis às carreiras de autocarros que percorrem o país e integram uma funcional e barata rede de transportes. O Estado não tem meios para empregar com sucesso e garantir, isoladamente, aos trabalhadores destas empresas e aos trabalhadores das E.P.'s com fundos privados, o seu sutento, salários e regalias.
Estamos a falar de vários milhares de homens e mulheres, talvez centenas de milhar, que vão entrar na lista de pagamentos do Estado.
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Pense.
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O progresso dos meios e vias de comunicação, bem como o acesso à electricidade e àgua canalizada, no nosso país, tem vindo a aumentar, em boa parte devido à ainda tímida acção individual de alguns investidores que têm levado, por conta e risco próprio, estes bens às povoações mais afastadas do litoral. Muitas vezes em estrita cooperação com o Estado.
Esses homens e mulheres merecem o fruto dos seus méritos.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Lord of The Flies

Piggy era um rapaz obeso, com asma e com problemas de visão que o obrigavam a usar óculos, mas, por outro lado, era também inteligente, racional e civilizado. Ele acaba morto pelos actos selvagens dos outros rapazes enquanto tenta, de forma eloquente, mostrar as vantagens da ordem e da razão. Esta personagem representa a civilização que crê cegamente na Razão recusando-se a olhar para a natureza humana. Desta forma, ele tentou superar as suas insuficiências através da racionalidade argumentativa sem contar com a superioridade física de sobrevivência dos outros elementos. Esqueceu-se que a Razão é parte do homem, não é o homem. Já David Hume defendia que esta é um meio ao serviço das emoções. Em última instância, são os sentimentos que ditam os objectivos humanos.



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