sábado, 14 de novembro de 2009

Mercado e Saúde II - SNS vs. Health Care

Adaptado deste artigo

Nem toda a gente, nos Estados Unidos, está coberta por um sistema de saúde que assegure o pagamento dos custos de cada um com a sua saúde.

Os gastos com a Saúde nos Estados Unidos são bastante mais elevados do que na generalidade dos países desenvolvidos. E só uma parte deles são cobertos pelo Sector Público. Embora todas as estatísticas coloquem o Sistema de Saúde americano como aquele cuja capacidade de resposta às necessidades do cidadão seja a mais elevada de todas. É caso para dizer "custa muito mas não é caro"."

No entanto:
"O financiamento do serviço é assegurado por uma variedade imensa de pagadores. Seguros de saúde privados, em primeiro lugar. Organizações filantrópicas. Serviços de saúde proporcionados pelas empresas aos seus funcionários. Estas fontes financiam entre 55 e 60% do total dos custos com a Saúde nos Estados Unidos. Dir-se-á: pois; mas os seguros de saúde, origem da maior parcela, são pagos pelos próprios indivíduos. É verdade. Mas é necessário não esquecer a outra face da moeda. É que esses mesmos indivíduos que pagam os seus seguros de saúde não pagam impostos - aliás, como os que não dispõem de seguro de saúde - para financiar as suas despesas nesse domínio. Além de que os prémios que pagam são dedutíveis ao rendimento pessoal para efeitos de impostos."

"O Sector Público é responsável pelo financiamento do resto dos gastos com a Saúde. Nisto se incluem os gastos dos Governos Central, Federal e Local. Há uma miríade de programas públicos para financiar gastos com a Saúde":

1 Os serviços para o pessoal militar.
2 Os serviços para os Veteranos.
3 A pesquisa média não comercial.
4 Programas de Compensação para Trabalhadores.
5 Programas de saúde anexos aos serviços de assistência.
6 Construção de instalações médicas.
7 Programas de saúde na maternidade para mães e filhos.
8 Programas de saúde escolares.
9 Subsídios para os hospitais e clínicas públicos Programas de saúde para os índios.
10 Programas de saúde para os imigrantes.
11 Programas de saúde para os drogados.
12 Programas de saúde para os doentes mentais.
13 Programas médicos de reabilitação física e mental.
14 E um vasto leque de cuidados conduzidos pelas instituições públicas Medicare, Medicaid e SCHIP (cuidados para as crianças), espécie de companhias de seguro públicas a custos reduzidos.

"Mas aquilo que eu gostava era mesmo ser Português e ter acesso ao Sistema de Saúde norte-americano."

Basta comparar as despesas do Estado Norte-Americano com as do Estado Português, na área da Saúde, para compreender facilmente que o peixe que Moore e a esquerda europeia persistentemente vendem, em Portugal e outros, está longe da realidade formal nas instituições de saúde dos EUA.

Mercado e Saúde

«Um país como Portugal não pode ter um SNS geral, universal e gratuito, ou seja, pago apenas pelo Orçamento de Estado. É inviável, pois não temos capacidade financeira para tal. E esta situação está indexada à própria saúde financeira do país. Se esta piora, o Estado não tem como pagar e começa a dever. E quanto pior a situação económica do país, menores são os recursos para a saúde». Daí a defesa da introdução do mecanismo do co-pagamento - «Não a taxa moderadora, que serve para moderar abusos de consumo»; o co-pagamento «envolve o pagamento de uma parte da despesa que o seu consumo exige, e essa produção de despesa deve ser partilhada em relação ao seu rendimento».

Daniel Serrão, professor jubilado da Faculdade de Medicina do Porto e membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida
in Vida Económica

As Cores Nacionais

(...) a bandeira nacional é a identidade duma raça, a alma dum povo traduzida em cor. O branco simboliza inocência, candura unânime, pureza virgem. No azul há céu e mar, imensidade, bondade infinita, alegria simples. O fundo da alma portuguesa, visto com os olhos, é azul e branca.."

do republicano, posteriormente arrependido, Guerra Junqueiro

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Sustentabilidade


Gastos da Saúde no PIB dos países ocidentais.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

The End of The Capitalist Wall




Francisco Louçã brinda o feliz povo socialista com a sua arte de oratória

"O líder do Bloco de Esquerda comparou esta terça-feira as perdas verificadas na bolsa nova-iorquina à «queda do muro de Berlim do capitalismo», considerando inaceitável que se gastem «700 mil milhões de dólares para proteger os accionistas de orgias despesistas».
«A queda de Wall Street é a queda do muro de Berlim do capitalismo», afirmou o líder do BE, Francisco Louçã, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com a CGTP, na sede dos bloquistas, diz a «Lusa»."

Vale a pena recordar as palavras dos outros, neste caso as de Rui Botelho Rodrigues:

"Com o devido respeito, a teoria é lorpa. Se o crash fosse sinal de uma ruína eminente, seria da filosofia intervencionista que criou a bolha com crédito fácil e tenta ainda insuflá-la com a mesma ferramenta. Mas ainda que o crash fosse o resultado de um mercado desregulado e sem intervenções, continua a ser incomparável: o crash de 29, as recessões de 70 e 80 e o novo crash de 99 poderiam ser igualmente comparados à queda do muro e no entanto este sistema a que esta gente chama capitalismo «neoliberal» não colapsou de vez; pelo contrário, as intervenções continuaram e, hoje, aumentam a uma velocidade perigosa."

Vale a pena também enquadrar o leitor nos factos acima mencionado.

É quase total o desconhecimento racional e científico, em Portugal, do verdadeiro cenário político americano do século XX.
Se o Estado Providência ainda não existia na sua total hegemonia, o Estado Banqueiro, o Estado Devedor e o Estado do Crédito Facilitado, versões soft core do suposto neoliberalismo português do PS e PSD de Cavaco, eram as posições dominantes dos economistas americanos.

De tal forma isto é verdade, que um dos maiores críticos da economia da época foi um famoso economista liberal, Ludwig von Mises, que previu a longo prazo a queda de Wall Street e a sua bolha especulativa criada pela expensão de crédito criada pelo Governo.

domingo, 8 de novembro de 2009

Professores, Governo e Avaliação - Um Problema?


É a típica falta de bom senso portuguesa que não permite ao País que este resolva rapidamente os seus problemas.

A Lógica, pedra-basilar da Filosofia e disciplina tão maltratada pelos sucessivos Ministérios da Educação, devia ser obrigatória na escolaridade dos lusos petizes desde a 3ª classe.

Usemos, pois, um pouco desta para resolver o problema da avaliação:

Como todos sabem, políticamente, Portugal é um país virado pela acção estatizante para o Corporativismo. No parlamento nacional, de facto, somente 20% dos deputados critica o nosso actual modelo de organização das corporações das profissões: e criticam somente por acharem que o Estado não tem suficiente mão nelas (BE) ou porque pensa que todos os trabalhadores deviam estar reunidos no seus respectivos sindicatos, sindicatos esses dominados pelo seu respectivo partido, detentor único e salutar do governo (PCP, e de certa forma, BE).

Os restantes partidos social-democratas (PS, PSD e CDS), em arranjo pela estabilidade nacional e unidos em ecuménico entendimento multipatidário, deviam retirar as seguintes premissas e atingir a respectiva conclusão:

1 - Se os Professores estivessem tão interessados com o estado do ensino como com o seu estatuto de carreira, haveria manifestações tão terríveis que durante meses os protestos dos professores e da população, reunidos no espaço entre o Ministério da Educação e a Assembleia da República gritando pelo fim da campanha facilitista dos programas de educação, tornariam a vida Lisboeta numa impossibilidade crónica. Felizmente para a estabilidade da Nação, os sindicatos de professores existem para proteger a classe profissional (ou melhor, os sindicalistas que passam décadas sem dar uma única aula e a receber), e não para proteger a dignidade e os deveres da profissão. Deo Gratias, Socratezinho.

2 - Os Pais também desempenham um papel importante. A Esquerda bem pensante, aos poucos, vai subtraindo à paternalidade os cuidados com a educação dos filhos. Tudo bem, os Professores, reunidos em corporação, não se interessam com isso. Até lhes facilita o trabalho, lidar com carneiros é mais fácil que atender a necessidades peculiares provindas de um duvidoso e anti-social background familiar.
No entanto, os Pais são, também, a maioria do pessoal que paga impostos. E o pessoal que paga impostos, principalmente em Portugal, tem de ter condições para pagar o chorrilho de obrigaçoes financeiras. Logo, os Pais querem que a escola sirva para "ter lá os putos". Assim não andam a fazer asneiras e não há que sair a meio do trabalho para fazer algo que os pais, cada vez mais, estão incapacitados de fazer: educar.

3 - O Governo precisa de resultados na Educação. Primeiro, porque as pessoas se preocupam com essas coisas, ou têm de parecer preocupadas com elas. E a melhor maneira de se preocupar sem grande esforço, é ver na televisão as estatisticas e relatórios de organizações nacionais e intenracionais.

O Governo precisa dessa legitimidade para ter "mão na rua". Se perde a rua, perde o Governo.

:. O Governo que providencie aos professores os seus privilégios, principalmente os sindicalistas.

Os Professores que providenciem ao Governo as suas estatísticas.

Os Pais que providenciem ao Governo os impostos para pagar os privilégios dos Professores.

Os Professores que tomem conta dos míudos dos Pais.

Este modelo trouxe a podre estabilidade que tornou o nosso sistema universitário na pia massificada do ensino. Era mau, mas sempre evitava as maçadas da conversa da Avaliação.
PS: conheço Professores do ensino obrigatório, secundário e profissional que adoram, ou adoravam, o seu trabalho, e eram-lhe dedicados com todo o carinho e esforço de quem preza e respeita a sua profissão e os frutos do seu trabalho.
Foram, ao longo da minha vida, uma boa companhia e uma feliz maioria.
No entanto, julgo que eles perceberiam muito bem de quem e de que pessoas estou a falar quando me refiro aos outros "Professores".

Portugal, que regime?

A julgar pelos frequentes casos escandalosos de abuso de autoridade, corrupção (inclusive moral), e o estado do diálogo político parlamentar nos últimos 15 anos, parece-me muito provável que num curto prazo de tempo, (possivelmente mais curto do que se possa imaginar), Portugal chegará ao culminar histórico do presente regime, a IIIª República.
A decadência da classe política, o crescimento do esquerdismo progressista e radical, o permanente colocar em causa das instituições democráticas e liberais no panorama político e jurídico, o desaparecimento da opinião pública em substituição de uma maior resignação, são os indícios sintomatológicos da queda inevitável.
Então, nesses conturbados tempos do que estará para vir, e com a capacidade de regeneração da nossa sociedade e da nossa democracia cada vez menor, as grandes facções políticas em Portugal dividir-se-ão entre os defensores de uma mudança, e os conservadores do modelo actual do semipresidencialismo.
Estará à vista, do primeiro lado, uma 4ª República, de carácter presidencialista, ou uma 5ª Dinastia, de carácter parlamentarista.
Apesar da minha natural simpatia pela segunda opção, o Estado democrático Monárquico só é possível num ambiente civilizacional elevadíssimo, sustentado por uma classe política empenhada e séria.
Homens e mulheres como esses, após o fim da IIIª República, serão escassos.

sábado, 7 de novembro de 2009

Um Mau Sistema de Saúde é um Sistema Desumano de Saúde

A família do jovem Mauro Filipe, de Vila Real, que há três anos combate uma leucemia, lançou uma campanha de angariação de fundos para experimentar um tratamento em França depois do IPO ter-se recusado a responsabilizar-se pelo processo.

O tratamento foi sugerido pelos médicos que o seguem no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, só que a família de Mauro Filipe, que tem 23 anos e é pai de uma menina de 11 meses, diz que não possui possibilidades de pagar e, por isso mesmo, saiu à rua à procura de apoio.

A mãe, Filomena Fidalgo, lamentou que o IPO do Porto se tenha recusado remeter o processo do filho ao serviço nacional de saúde francês, para que o Estado português se responsabilizasse pelo pagamento do tratamento, que custará dezenas de milhares de euros.

Em comunicado oficial enviado à Lusa, o Conselho de Administração da instituição de saúde explicou que o doente " foi tratado no IPO Porto onde recebeu vários tratamentos incluindo transplante de medula, em Consulta de Grupo Multidisciplinar foi proposto para tratamento paliativo".

A administração do IPO Porto disse ainda que "o envio de doentes para o estrangeiro pagos pelo estado Português está legislado para situações em que não existam meios de tratamento no país, o que obviamente, não é o caso", tendo acrescentado que "é legítimo da parte do doente procurar tentativas de tratamento, não sendo no entanto, legítimo ser o Estado Português ou o IPO Porto a financiar as deslocações".

A confirmação da doença de Mauro chegou poucos dias antes do Natal de 2006. Três anos depois o jovem já fez dois tratamentos que provocaram a remissão da leucemia.

Neste Verão, Mauro fez um transplante de medula óssea e ficou curado, mas por apenas mais três meses.

Agora, aconselhado pelos seus médicos, o jovem vê com esperança um tratamento num hospital universitário, localizado nos arredores de Paris, que "já teve sucesso em vários doentes".

"Em Portugal, os médicos já não têm mais nada para me oferecer no que diz respeito a tratamentos com fins curativos", referiu Mauro Filipe à Lusa.

Por se tratar de uma doença de progressão muito rápida, é já no dia 13 de Novembro que o jovem vai ter a primeira consulta em Paris com os médicos franceses.

Familiares e amigos de Mauro estão a desenvolver uma campanha com a distribuição de panfletos e de pequenos mealheiros para a angariação de fundos pelas várias lojas comerciais e organizações de Vila Real, bem como a venda de rifas e a abertura de uma conta bancária onde poderão ser depositados os donativos (BPI - 0010.0000.43753910001.70).

domingo, 1 de novembro de 2009

JB Gouveia

Bacelar Gouveia, conhecido constitucionalista, propôs há dias, no Público, um referendo para aprovar a introdução do casamento gay no nosso ordenamento jurídico.
A discussão há volta deste assunto, na sociedade, tem sido acesa e perturbante.
Como tudo em Portugal, o nível da discussão pereceu na sarjeta, e os principais protagonistas tornaram-se os eminentes académicos em conversa de café.
Como tal, temos a escumalha da terra a debater este assunto. Desde homofóbicos a revolucionários, todos hostis à moderação e à estabilidade da ordem social e jurídica.
Parecem mais preocupados na defesa das cores partidárias e os seus sectarismos do que a discutir a harmonia da Lei com os actuais hábitos e costumes dos cidadãos. Entre reaças e socialistas, o Páis sente, nestas horas, a falta dos moderados, que nas questões sociais nem nos partidos do Centrão se encontram.
Penso que a validade de um referendo que discutisse tal pormenor da vida privada de uma pessoa teria o mesmo carácter introsivo que outro qualquer que tivesse como tema, por exemplo, uma questão ligada ao direito à vida.
Já existiu essa violenta intervenção, democrática na sua tirania, e eu não concordei com ela.

Svenska, a velha loja espelunca

O homem comprou um piano de espelhos num antiquário seu conhecido, conhecido pela forma como vigariza clientes em tudo similares ao homem, um charlatão de naftalina e algumas traças. O homem comprou um inútil piano de espelhos que para nada serve, não é um piano, entenda-se, é um piano de espelhos. A diferença, não tem cordas, pedais, martelos, a tampa não abre e as teclas não cedem, ademais não tem as pretas nem as brancas, só tem espelhos e espelhinhos. Gastou um balúrdio neste artefacto inútil, mais do que algum cliente havia até então gasto, assim sendo, melhor cliente de achados peculiares feitos de espelhos que custam demasiado para um burlado amorfo. O homem de burlado tem tudo e de amorfo muito pouco, é um burlado fora de série, o sobredotado dos vigarizados – peço-vos que aceitem que o charlatão nem é assim tão talentoso. Tem um piano de espelhos, é certo, um piano que não toca e nem tem os que os pianos têm para serem pianos, as teclas espelhos e espelhinhos, a tampa um espelho grande que não é tampa é um espelho grande inamovível, os pedais não existem, defeito de fabrico, os martelos não martelos e sem cordas para martelar – não há cordas de vidro, reparem. A loja uma espelunca empoeirada num escuro de cinco e meia da tarde de Dezembro, num eterno escuro de cinco e meia da tarde de Dezembro, numa reentrância da rua que a engoliu e ninguém lá vai. Daí o charlatão ter poucas oportunidades de pôr em prática o que aprendeu em novo, corolário de uma linha sucessória de negociantes de pechisbeque, material faz de conta, como o piano de espelhos que ele adquiriu por tuta e meia num poço abandonado, tuta de um balde e meia de meia corda que roubou a caminho numa feira de gado almiscarada. Tuta e meia um balúrdio para o pobre homem que o levou para bem longe na esperança de martelos a martelar em cordas, mas como se não há martelos quanto mais cordas de vidro, levou-o por tuta e meia que lhe custou um balúrdio para logo ensaiar os pedais imaginários, sustento do ainda mais pobre charlatão.

Queres Civilização, Jovem? Toma!



Ouve-se, ao longo desta obra-prima de Honegger, o "pouca-terra" das carruagens que arrancam, o turbilhão furioso da mecânica das grandes máquinas, majestralmente captados por este grande Futurista e Clássico!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O mal na Segurança Social



Quando foi criada a Segurança Social?

A ideia do Estando providenciar assistência aos mais desfavorecidos, ou criar uma rede de apoios sociais na sociedade, é muito mais antiga do que usualmente se pensa.
As primeiras ideias de um Estado-Caridade, Estado-Solidariedade, devem ser tão velhas como o pensamento humano, como a vontade de ver a sociedade civil lideradas pelo Poder Político.

Desde Platão a Morus, ocasionalmente, desponta nos meios intelectuais esta utopia, ainda pouco consistente nesses dias.

No entanto, o Estado Social, e o gérmen da Segurança Social nascem, claramente, do liberalismo político, jurídico e económico do Século XIX.
As sociedades destes países eram altamente conscientes das suas obrigações civis, políticas e comunitárias. Nasce da igualdade perante a lei, o direito à propriedade e o fim das barreiras mercantilistas que favoreciam os monopólios estatais, as fortunas do século, as invenções que mais marcaram a humanidade, o desenvolvimento do Conhecimento e o maior acesso das massas à cultura.
No entanto, da maior consciência social que surgem nesse grande século, surgem também as manifestações de desagravo.
Apesar de as classes baixas dos países onde impera o Estado de Direito Liberal viveram muito melhor do que as que viviam nos países retrógrados das monarquias absolutas ou das repúblicas jacobinas, as diferenças, num clima de liberdade, fazem-se sentir muito mais facilmente.
Com a maior participação política dos mais desfavorecidos, os Governos finalmente começam a dar passos no esforço de diminuir o "fosso" entre os "have" e os "have not".

E depois?

O Livre-Mercado, o direito à propriedade privada e o rule of law são os pontos-chave para uma sociedade civil móvel, onde haja possibilidades de progressão social e realização profissional.
Deles nasce essa sociedade aberta e acordada para as necessidades dos que não podem, dos que precisam de ajuda, enfim, nasce da sociedade livre a consciência da Paz Social.

A presença da Segurança Social não destrói este sistema. Nos seus esforços de tornar mais eficiente a solidariedade civil, de reconduzir, através dos melhores meios do Estado, a atenção da sociedade para casos de pobreza extrema ou de necessária intervenção para o bem dos nossos iguais.

No entanto, a progressão histórica da SS não nos mostra, em Portugal, este quadro saudável.

Porque não?

Antes de tudo, é necessário reafirmar que a Segurança Social não é uma criação socialista.
Vai, de facto, contra a doutrina de alguns teóricos socialistas mais importantes.

A Segurança Social nasce no século do Liberalismo, e atinge um estatuto aproximado do actual no Estado Imperial do Segundo Reich, sob a Chancelaria do Conservador Bismarck.
A atenção do Estado para as necessidades sociais acentua-se durante todo o século XIX, e em Portugal, antes da destruição do Estado de Direito aquando da Iª República ou da Implantação da Ditadura Militar, havia já uma progressiva atenção dos partidos representados no Parlamento, tanto à esquerda como à direita, das necessidades das classes proletárias que despontavam nas recentes indústrias das cidades.

A Segurança Social, historicamente, não é uma criação única de uma força partidária. Em Portugal não se deve, certamente, à Esquerda. Também a Direita Social-Democrata e a Democracia-Cristã vêm a Segurança Social como um meio essencial de contrabalançar as desigualdades de mercado.

O que há em Portugal é uma tradição de ódio ao funcionamento do mercado, que já vem da nossa escola económica e financeira Salazarista.
Qualquer tipo de anomalia no mercado de trabalho português, ainda que imputado a serviços públicos ou a actividades sobrefiscalizadas e sobretributadas pelo Estado, caiem, devido à acção sensacionalista dos nossos media, tão pro-government, em cima do pobre mercado, que se pudesse ter-se mexido como queria e sem a corruptela do Poder Político, estaria bem mais saudável.

As maiorias de Esquerda, bem como o programa político da Direita, criaram um Estado que consome metade do que o País produz, e tributa o resto.
Não há mais espaço para uma sociedade civil pujante.
E o melhor da solidariedade voluntária é o facto de as receitas que alimentam essas ajudas virem de um fundo inesgotável: a boa vontade dos participantes em ceder os frutos do seu trabalho.

A ajuda estatal, que preenche este espaço, consome avidamente os impostos dos contribuintes, que um dia, pelo correr da coisa, serão menos que os necessitados.

Qual é a solução?

Não é acabar com a Segurança social. Tal reviravolta traria grandes males às famílias que dependem dessa ajuda para reconstruir as suas vidas após as dificuldades económicas que resultaram da última crise.
Assim sendo, é necessário despertar a Sociedade Civil e a velha "solidariedade de vizinhos".
É necessário criar na sociedade laços de afinidade e cumplicidade, e isso só será possível dando ás pessoas os meios para poderem cumprir com as suas obrigações humanas e civilizacionais.

Doutra forma, continuaremos nós, Portugueses, a queixar-nos deste Povo que não acorda para a Política, para os seus Deveres e para o Próximo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Em terra de Deus quem é vivo nunca morre


Deus Pinheiro é uma daquelas figuras inauditas, que por cá andam, chafurdam. Ave rara diria alguém nada politicamente correcto, o que eu não sou.

A sua imbecilidade, demonstrada a semana passada, torna bem latente o estado da nossa política e é o móbil perfeito para este texto. Quando tomou posso disse o que se pode aproximar a um "é bom estar na casa da democracia". Isso levou o mais relutante e incrédulo cidadão a supor que iria Deus Pinheiro ter pela primeira vez mais presenças que faltas num órgão de soberania.

Enganou-se. Pois é, q' isto de ser Deus não tem horários para trabalhar. Só quando há milagres. Então diz um lacónico e inexplicável "renuncio". Mas porque abjurou? Motivos médicos? Pessoais? Pessoais que depois se tornaram médicos. Num frente a frente entre José Seguro e P.Teixeira Pinto o deputado do ps lá decidiu dizer que um cabeça de lista do psd por braga só lá esteve 30 min. Como é política, a réplica fez-se num "são lamentáveis as suas palavras. Por razões médicas é que ele abjurou. Lamentável. Bem, continue". E assim o deputado lá teve de encontrar um pedido de desculpas, algo a meio do seu compungido ar. Que não devia ter, pois tem razão. Tudo isto me fez lembrar o tempo em que eu ia de 15 em 15 dias a Vigo, ao supermercado. No caminho entre viana e tuy apareciam as 3 casas de alterne - uma mudava de nome todos os meses-. Á guisa de entretenimento dizia com o meu pai: um focus matrícula ac-40-20, um corsa bd-70-40 e assim por diante. No retorno, uns 40 min depois, aprox.-que homens só conhecem arroz,não as marcas-, lá comentávamos: o corsa ainda lá está, mas o focus já saiu.

veja-se. Não será ainda mais indecoroso que um sujeito qualquer que, antecipada e ponderadamente sabe que não quer ser deputado, que lá não irá estar, se preste a este papelão? Só a mim faz isto espécie? Julgo que não.

Fala-se de tudo e mais alguma coisa neste país. Até os penaltis inventados do benfica merecem rols de páginas. Agora, sabe-se isto e como são os media? parcimoniosos como sempre, quando deviam precisamente noticiar os "podres"

Olha lá, pá, este Deus Pinheiro não é aquele eurodeputado mais faltoso de todos? Não, meu, se bem me lembro ele trabalhava muito em comissões e assim. Muito trabalho por fora. E tudo sem horas extras. A desculpa do trabalho em comissões, para os deputados, está como o "fui ver o jogo com o Tozé" está como desculpa de marido, quando esteve nas putas. São tipos sem avaliação que tentam depois impor avaliações-outras conversas, já.

Foi um primeiro capítulo, que mais virão em 4 anos. Verdadeiramente consternados devemos ficar todos nós, quando indivíduos como este (não é o único de certeza- Ainda não sei se o Santana assume ou não; se a E. Ferreira assume ou não...) sujam as instituições democráticas, envolvendo-as num opróbrio nada dignificante. Infelizmente, a meu ver, isto so poderá deixar de ser assim num dia- fora de alcance- em que os círculos plurinominais dêem lugar aos uninominais. Aí, a política faz-se noutros moldes. Mais sérios, mais responsáveis e com maior cobrança. Sem ultrajes.

A sra que vos falei do tal frente a frente devia, outrossim, estar muito mais empenhada, não em abafar ou perdoar isto, mas em preocupar-se com indemnizações ostensivas. Se bem me lembro, desde que o tal homem do BCP saiu de lá, não faz outra coisa que não seja cagar quadros, poesias e bandeiras monárquicas, enquanto os meus 500 euros de acções, adquiridas antes dele ter destroçado o banco como fez, ainda não têm retorno. Esses 500 euros e os da renovávies. Mas aí a culpa é do Estado.

Desculpar-me-ao o estilo de constante peroração,produto óbvio da revolta que estes casos casos nos devem causar. São situações que cheiram a imundície, e só permitidas pelo nosso beneplácito. Não pode assim ser.

Círculos uninominais?

Abraço.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Defesa de VPV

Caro Pedro,

Bom ver que voltaste à escrita cá no blogue.
Se me permitires pegar num ponto do teu último texto para discursar sobre um tema que me tem vindo a perturbar ultimamente, agradecia-te muito.

Esse mesmo tema prende-se, a meu ver, a um certo alheamento da realidade histórica e também da crescente ideia de que o passado não serve como argumento, sendo que, quando nos interessa, podemos criticar pessoas e instituições pelo que presumivelmente fizeram num passado muito longínquo.

Li o teu texto e peço-te que tenhas em atenção a análise a este texto, do Público, pois vou analisá-lo parágrafo por parágrafo.

Começo pelo primeiro.
Parece-me que concordas com o Vasco Pulido Valente (VPV) quando ele diz que todo o problema que Saramago levantou era excessivo e desnecessário. Também concordo.

Depois, VPV refere-se aos anticlericalistas.
Não sei se alguma vez leste um panfleto clericalista, mas é dificil que não o tenhas feito, visto que eles proliferavam e proliferam ainda neste país. Os mesmos argumentos circulam, desde os tempos do liberalismo radical (afrancesado) até ao socialismo e ao republicanismo do fim de século (XIX), espalhados por uma imprensa movida por um ódio irracional e uma intelligentsia demagoga.

A Igreja perdeu muitos bens e foi violentada pela ordem política da Iº República, pela venda dos seus bens decretada em 1834, pela proibição da entrada de novas congregações religiosas que perdurou durante mais de meio século, pelo controlo exercido pelo Estado Novo sobre ela, e claro, pelos exageros do PREC.

Ainda assim sobreviveu, mantendo-se na vanguarda da solidariedade social e até do ensino.

VPV afirma que os argumentos de Saramago são dignos de um tipógrafo analfabeto.
Amigo, esta é a verdade! Porque nos tempos conturbados do ódio pela Religião, eram esses os mírmidones dos líderes anticlericalistas, esses os seus capatazes.
Qualquer trolha diria, nesses tempos e ainda hoje, o que Saramago disse. Isto, a mim, parece-me difícil de contestar.

O segundo parágrafo parece-me melhor ainda, mais directo ao assunto.
Todos nós reconhecemos que os prémios Nobel estão politizados. Isso porque todos os anos os conhecedores e admiradores de certo autor, que é considerado, por boa crítica, como promissor ou até grandioso, desiludem-se pela nomeação de um outro, tantas vezes desconhecido e até irrelevante, à excepção do passado de activismo político esquerdista.
Basta ler um pouco a história dos vencedores do Prémio para o reconhecer.

Discorre mais um pouco VPV, em crítica inflamada, contra o "pobre velhinho atacado", até que VPV bate no ponto que os fãs de Saramago, especialmente aqueles que, sendo de Esquerda, o vêm como o último ( e único) símbolo intelectual dessa revolução que se queria cultural, mas cuja geração pouco ou nada vingou fora e dentro de portas.

Saramago, enquanto membro da geração que ia revolucionar a Arte e a Literatura, destronada a Ditadura, fez ditador e destruiu o DN. Despediu (saneou) pessoas que precisavam do seu ganha-pão e o tinham merecido, abusou da autoridade e saiu impune, por fazer parte dessa omnipotente geração falhada (atrasada, no seu esquerdismo totalitarista, uns 30 anos em relação à já moderna esquerda europeia) e por causa do seu amiguismo político, cultivado nos tempos da clandestinidade.

Para finalizar: Não tenho dúvidas de que Saramago sorri com tudo isto, e sai a ganhar, nunca há suficiente publicidade. Nunca se pedirá a Saramago contas pelo mal que fez, pelos abusos que cometeu, e a Igreja é um alvo fácil.
Num país livre onde se adora ver brincar essa Esquerda irrequieta dos comícios, manifestações e outras traulitadas, a Igreja é um belo bobo para que os meninos e senhores possam se divertir, mostrando a sua veia de oprimidos permanentes e a sua blague de falsa intelectualidade.

Porque se esta Igreja, em vez de ser a Romana, ou a Luterana, ou outra qualquer, fosse a mesquita de Mafoma, em que os crentes são realmente bárbaros e violentos, aí sim os intelectuais do anticlericalismo teriam que fazer algo que repugnam veemente: Ter Tomates!

Saramago


O homem falou, levantou-se um escarcéu tão grande, tão grande que as vacas sagradas saíram todas. Voz no trombone, como pessoas insignificantes que são, mais não se podiam servir que do vitupério. Padres, professores, todos ofendidinhos. Como disse, há vacas sagradas nesta terra não tão santa.

Ao almoço, apetitoso e opíparo nos Arcos de Valdevez, num daqueles silêncios que surgem quando não há mais tema de conversa, decidi-me e puxei o tema Saramago para o espaço já vazio da travessa do cabrito. Só uma senhora, muito velhinha, de ar um pouco senil e tez enrugada decidiu comer. respondeu: "Ó menino, este cabritinho está tão bom que falar-me disso é até crime. Mas se quer saber, olhe, sou religiosa, católica, praticante, e como calcula não gosto das críticas. Mas não vejo grande mal. Veja, isso não é mais que liberdade de expressão, de opinião, liberdade de autor. E isso é bom, não? Se como católica gosto de ouvir? Não, mas é algo que tolero pelo que lhe disse. E ,agora, coma menino, que está muito magrinho. Coma coma. Quanto pesa? 68 quilos. Ui!. Coma coma."

Estas parcas palavras resumem bem o que eu penso desta situação toda. Só acrescento o escândalo que, pelo menos a mim, me causam afirmações como as de um eurodeputado qualquer e do Pulido Valente. são afirmações ignominiosas, que gratuitamente vilipendiam quem as recebe. E isso, seja ele Saramago ou o Tino de Rans, é intolerável. Ao que parece Saramago não é doutor (como Pessoa ou Camões não o eram)

O sr eurodeputado, tal qual a sensibilidade chega a alguns com a decrepitude, a ele veio-lhe mais cedo. Uma sensibilidade obtusa, é verdade, que o puxou do estado anónimo para uma imbecilidade pública, repelida. Valha-nos ao menos que cá não esteja, que embora não seja uma vitória de grande monta também não é uma vitória de pirro.

Mais do que estas palavras, Saramago não me merece, nem tudo isto.

Para terminar, se Saramago não é português, Lobo Antunes e Pessoa, que não escrevem como Eça sê-lo-ão?

Em Portugal há vacas sagradas, De certos temos não se pode falar, criticar então está fora de questão. Vivemos numa terra de santos, mas onde se reza de dia e se peca de noite.

Coisas do Arco da Velha, nos Arcos de Valdevez.

Abraço

Silogismo

Se Oeiras tem os mais altos níveis de doutorados, mestrados, as mais baixas taxas de analfabetismo e abandono escolar enquanto Felgueiras sofre do drama contrário, com elevado abandono escolar e poucos licenciados,

e se os pouco inteligentes e analfabetos de Felgueiras decidiram tirar de lá a Fátima enquanto os doutores de Oeiras preferiram Isaltino,

então quem é que, afinal, precisa de estudar?

Abraço.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Desculpas Oficiais

a José Saramago,

porque limitou-se a falar da mesma maneira que nós, cá no Odisseia, escrevemos. A diferença está no facto de, no fim dos nossos textos, colocarmos as nossas referências, enquanto Saramago mira com olhar esganiçado a sua audiência, em calorosa risota irreligiosa.

Desde já, as nossas sinceras desculpas, aos nossos leitores, dos Odisseus que só vos querem bem.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

saramago em claro

Saramago junta-se ao clube de escritores que, recebendo um Nobel pelo simples facto de se escrever com razoável imaginação, dentro dos padrões de uma moda literária dita "moderna" e doutrinar um esquerdismo digno do Cretáceo, criticam de forma cretina um livro que não compreendem.

O anti-clericalismo de Saramago, o seu trés pop Evangelho, e até o recente Caim, não são o melhor da literatura de língua portuguesa. Quem o diz, não a conhece. Nenhum dos seus livros diz tanto sobre a literatura e a cultura lusa como um dos livros de Ramalho, de Eça, de Camilo, de Vergílio, de Torga, de Herculano, de Júlio Dinis, de Drumond, de Buarque, de Machado de Assis , de Vieira...

É uma moda de escrita, uma coisa desconexa com alguma piada, à la Sudamericana, mas não é literatura portuguesa. Alguns dos seus professos defensores e fãs protestarão, com toda a justiça, destas palavras. Mas um escritor não se mede apenas pelos livros que escreveu. Um escritor é o seu estilo, as suas crónicas nos jornais, as suas reportagens, os seus depoimentos, a sua postura e filosofia de vida.
Por isso é muito fácil escrever livros, mas é difícil ser escritor. E por isso, Saramago é um escritor, cedo-lhe isso, mas português não é. Também não é Universal. É uma moda.

E como todas as modas, Saramago tem de chocar, tem de atrair atenção.
Assim Saramago sabe o que dizer da Igreja, da Bíblia, dos Católicos, sabe divulgar o seu ódiozinho, o seu desejo de esconder das criancinhas um livro tão terrível, o seu ateísmo tão superior à quadrilha que molha a testa dos filhos como sinal de entronização na sua organização "criminosa".

Saramago é a aristocracia da esquerda. Que, por sinal, é a pior. Toda uma multidão de juventude cretinizada pela "irreverência" de um velho decrépito - símbolo de ideias nado-decrépitas - deseja ser Saramago, deseja ouvir Saramago, consumir Saramago, vesti-lo nas camisolas como se de um Che se tratasse.

O problema é que Saramago é um flop. Não é português, mas não é do Mundo. É um nada, mas um nada na moda.

sábado, 17 de outubro de 2009

Forum Política e Sociedade

O Café Odisseia tem o prazer de apresentar um novo projecto a juntar-se à já ampla oferta da FDUP (Sociedade de Debates, Jornal Tribuna, Cine Clube, Direito à Cena). Falo do Forum Política e Sociedade, iniciativa que ocorrerá, de agora em diante, com alguma periodicidade (duas vezes por semestre). A primeira sessão terá lugar em Novembro (data a confirmar), subordinada ao tema "A Segurança Pública Além da Agenda Política".
Como poderão ver no blogue destinado à causa, o FPS destina-se a possibilitar um diálogo mais estreito entre professores e alunos, troca de conhecimentos tão salutar em ambiente académico. Daí que cada sessão se estruture em dois momentos - pequenas exposições iniciais seguidas de discussão.

Apesar de dois membros deste blogue se encontrarem na organização do Forum, gostaria de deixar bem claro que o Café Odisseia e o Forum Política e Sociedade são duas realidades distintas, distantes e inconfundíveis.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

hoje é dia de outros acontecimentos "republicanos"


O ódio inspirado pela propaganda esquerdista-jacobina em Portugal e França constitui, numa forma quase pura, o exemplo de como a má fé de alguns indivíduos tirânicos, disfarçada numa mensagem de igualdade fratricida e desonesta, um discurso de bêbado que ainda engana alguns intelectuais e muitos políticos, pode e consegue manter-se vivo e pujante na mentalidade das sociedades que infectam.

Os republicanos conseguiram povoar a imagem que o povo português tinha da família real de Bragança com perversidades, abusos e mentiras.
A isso aliaram uma ideia de igualdade que consistia em destronar a Casa Real e trocá-la por uma oligarquia política que arruinou o país nos 16 anos de Iº República, estupidificou-o nos 41 anos de IIº República, e agora assentou confortavelmente no actual tecido social o seu corrupto carácter bizantino.

Mas como a raleficação ficou-se só mesmo entre alguns sectores e não afectou quem não se deve deixar afectar, mantêm alguns cidadãos a recordação do que é, efectivamente, o verdadeiro jacobinismo republicano, o verdadeiro igualitarismo sans-cullotes.

Da data de hoje a precisos 216 anos atrás, a populaça da igualdade, guiada pelos seus líderes "iluminados", num espontâneo serviço à causa da Revolução, guilhotinou em praça pública a Rainha Maria-Antonieta de França, após todo o tipo de humilhações, privações e atentados à dignidade humana, dos quais consta muy famosa a violação e assassinato da melhor amiga da rainha, a princesa de Lamballe, que sofreu toda essa insultuosa violência à saída do tribunal revolucionário onde tinha recusado prestar juramento à humana república.

A cabeça de Suas Majestades da França, bem como dos restantes e suspeitos apoiantes "realistes", foram exibidas em Paris e por toda a França como uma vitória da igualdade, liberdade e fraternidade.

É esta mesma a filosofia que iluminará os corações a transbordar de ódio e caos dos regicídas de 1908, é este o mesmo caos que engolirá Portugal após 1910. O abuso da maioria sobre as minorias e sobre o Estado de Direito.

Recorde-se mal, em terras de Portugal, o 5 de Outubro, não é desculpa suficiente para não se protestar contra este movimento exaltado da inteligentsia.

Aprenda-se as Revoluções, homenageiem-se os mártires do fervor bélico!

Vive La Reine!

Dürer

Caritas in Veritate

In his new social encyclical, Caritas in Veritate, Pope Benedict XVI has strongly reaffirmed and deepened the connection between morality and the free economy. Benedict has repudiated practices that led to a global economic crisis in which the love of truth has been abandoned in favor of a crude materialism.

Market economy and ethics - Joseph Ratzinger

The great successes of this theory concealed its limitations for a long time. But now in a changed situation, its tacit philosophical presuppositions and thus its problems become clearer. Although this position admits the freedom of individual businessmen, and to that extent can be called liberal, it is in fact deterministic in its core. It presupposes that the free play of market forces can operate in one direction only, given the constitution of man and the world, namely, toward the self-regulation of supply and demand, and toward economic efficiency and progress.

This determinism, in which man is completely controlled by the binding laws of the market while believing he acts in freedom from them, includes yet another and perhaps even more astounding presupposition, namely, that the natural laws of the market are in essence good (if I may be permitted so to speak) and necessarily work for the good, whatever may be true of the morality of individuals. These two presuppositions are not entirely false, as the successes of the market economy illustrate. But neither are they universally applicable and correct, as is evident in the problems of today's world economy. Without developing the problem in its details here — which is not my task — let me merely underscore a sentence of Peter Koslowski's that illustrates the point in question: “The economy is governed not only by economic laws, but is also determined by men...”. 5 Even if the market economy does rest on the ordering of the individual within a determinate network of rules, it cannot make man superfluous or exclude his moral freedom from the world of economics. It is becoming ever so clear that the development of the world economy has also to do with the development of the world community and with the universal family of man, and that the development of the spiritual powers of mankind is essential in the development of the world community. These spiritual powers are themselves a factor in the economy: the market rules function only when a moral consensus exists and sustains them.

domingo, 11 de outubro de 2009

on autárquicas we trust

Tanto no Porto como em Lisboa, o BE não recebe um quarto dos votos que lhe couberam há 15 dias atrás.

Hoje, sabemos que o país à esquerda é moderado e social-democrata, senão até liberal, mas está insatisfeito com a situação económica e social do país.
A prova é o facto de que nem o facto de as pessoas estarem zangadíssimas com o PS as leva a confiar as suas autarquias ao Bloco de Esquerda.
Uma coisa é tê-los a chatear em Lisboa. Outra é tê-lo as chafurdarem-nos o quintal.
OK portugueses, got the message.

ainda acorrentados


para a próxima, espartanos!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

you wanted Change, Change you get

in SIC

Ao contrário do que estava previsto, o Dalai Lama não vai encontrar-se com o Presidente norte-americano. Barack Obama adiou o encontro para depois de uma reunião com o Presidente chinês, marcada para Novembro.

Esta é a primeira vez, em 18 anos, que o Dalai Lama não reúne com o chefe da Casa Branca durante as visitas a Washington.

A comunidade tibetana já se mostrou desiludida com a decisão da administração norte-americana.


guarda-chuva oficial do Café Odisseia

Erasmus?

no i

A Universidade de Pilsen, na República Checa, encontra-se no centro de um grande escândalo académico e político. Centenas de estudantes, entre eles algumas figuras públicas, obtiveram os seus títulos universitários, no passado, em poucos meses. Segundo as investigações de uma comissão ministerial, muito alunos terminaram as suas licenciaturas em Direito em muito menos tempo do que os cinco anos requeridos, nalguns casos em apenas dois meses.
As autoridades estudam agora a maneira de retirar esses títulos aos licenciados, se bem que reconheçam que isso dará origem a complicados litígios judiciais.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Primeira-Dama que foi a Vénus e sobreviveu para contar a história

Miyuki Hatoyama, Primeira-Dama japonesa, afirmou comer um pedaço de Sol todas as manhãs e ter sido raptada por extraterrestres e levada até Vénus.

As Minhas Apostas Para o Nobel (II)

A um dia do anúncio do laureado com o Prémio Nobel da Literatura 2009, faço a minha segunda aposta, Philip Roth. Ficcionista, judeu, velhinho adorável, aclamado até pela mais cínica critica, vencedor do Prémio Pulitzer em 1997, e um sem fim de outros prémios, insígnias e santinhos. Ficam a sugestão de algumas obras: Conspiração Contra a América, O Património, Indignação, Animal Moribundo, e Todo-o-Mundo.

Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?(II)

"(...)este livro é o teu testamento António Lobo Antunes, não embelezes, não inventes, o teu último livro, que amarelece por aí quando não existires, como esta casa é triste às três horas da tarde, toque na fêmea pai em lugar de tocar-me que ela sim, sua filha, não tenho pai, tenho uma colher na despensa com um isqueiro por baixo, um êmbolo, um elástico, um limão espremido e você tinha os cavalos e o dezassete fora da roleta, escolheu um número que não há, uma mulher que não há, filhos que não há, há toiros mas os toiros são pedras moendo os campos com a boca (...)"
António Lobo Antunes, Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

resumo da discussão no blogue iuris cursus comitia

Para quem está por dentro das coisas da FDUP, é uma pequena chalacinha.
Para quem lê este sítio, é para verem o nosso nível de "tonhada" académica.

Isso não é verdade. É mentira. És isto e mais isto.
Aconselho-te a ser mais sensato e a pensares melhor as tuas afirmações.
Estou ofendido.

e agora multipliquem isto por 4.

condicionamento industrial

Pinho Cardão, na Quarta República

Não há criação de riqueza e desenvolvimento sem empresários e investimento. Em Portugal, criou-se a ideia de que há liberdade de empreender e investir. É um mito.
Continuamos a viver num verdadeiro condicionamento industrial. Claro que tem um perfil diferente, embora não menos danoso do que o da célebre Lei de 1952, que visava a regulação do investimento. Passados quase 60 anos, o condicionamento burocrático a novas iniciativas continua mais feroz do que nunca, apesar de alguns tímidos e envergonhados esforços feitos.
Centenas de projectos de investimento acabam por apodrecer depois de anos e anos nos departamentos oficiais e outros tantos aguardam por tempos infindos os pareceres intermédios e finais que possibilitam uma tomada de decisão. A prática está tão consagrada que, quando o licenciamento é rápido, em vez de se louvar a diligência, logo surgem vozes a acusar de suspeita ou de corrupção quem interveio na autorização.
O condicionamento industrial vigente é o reflexo do espírito controleiro e burocrático de um Estado tentacular, que se expressa através de um número infinito de autorizações, que constrange todas as vontades e impede o desenvolvimento. O condicionamento industrial vigente foi conscientemente criado pela burocracia instalada como forma de justificar a sua existência e é a maior responsável pela corrupção, que atenta contra a livre iniciativa, a concorrência e o desenvolvimento dos melhores projectos.
Os Governos, dominados pelos burocratas, boicotam os investimentos que lhe são apresentados; para cúmulo, aumentam impostos, esportulando cidadãos e empresas, dizendo que é para reanimar a economia. Fazem o mal e a caramunha.
Queixamo-nos então da crise, quando o remédio está ali mesmo à mão, num Ministério, Organismo descentralizado ou Câmara Municipal. Acontece que os Partidos são cada vez mais de gente com mentalidade de funcionário e isso reflecte-se nos seus programas e na sua acção.
A plena liberdade de empreender e investir é um mito em Portugal.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

platão e a nossa república I

Alguns jornais que fecharam nos anos da Iº República, por razões não-políticas, mas meramente institucionais, ou seja, a defesa do regime implantado:

"O Alarme" de Angra do Heroísmo - 1913

"O operário" de Beja - 1914

"A cidade" de Portalegre - 1914

"Justiça" de Braga - 1914

“A defesa de Santa Clara” de Coimbra - 1915

“A Verdade” de Lagos - 1916

"O progresso" do Funchal - 1918

“Noticias de Castelo-Branco” - 1918

"O mundo" - 1918

de novo, repetente convicto, o "Justiça", de Braga - 1918

"A província do Algarve" de Tavira - 1919

"O Distrito de Leiria" - 1920

"A Victória de Lisboa" - 1922

"O Lidador" de Beja - 1922

platão e a nossa república

A República, enquanto regime político, não é um sistema diabólico.
O que tem faltado na discussão à volta da Iº República é o facto conhecido que o problema do país não foi a República, mas a república que se implantou.

O folgo revolucionário dos carbonários, aplicados na destruição de uma forma de sociedade à qual se achavam muitíssimo superiores, redundou na destruição de uma sociedade livre, com uma imprensa livre pelos padrões da época, e um regime político que dava aos seus cidadãos todas as garantias de segurança e representatividade que já existiam nas democracias mais avançadas da Europa.

Em menos de um ano, tudo isso mudou.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

auto-flagelação

n'O Replicador

O PSD é o principal responsável pela ausência de real representação de direita em Portugal. Em larga medida, é um objecto parasitário que aceitou de bom grado um sistema político delineado pelo PS no pós 25 de Abril. O PSD aceita que a voz popular diga que é um partido de direita apesar de ser um partido Social Democrata (tal como indica o nome), sabendo-se que a social democracia é representada à esquerda em qualquer país europeu. Já se sabe que Sá Carneiro falava em instaurar o Socialismo Democrático, mas não precisamos de ir tão longe: há alguns dias, o próprio Marques Mendes disse que o PSD não é um partido de direita mas sim de centro (porque não pode dizer esquerda, sabendo-se que esse espaço está já ocupado). Mesmo a chamada ala mais conservadora do partido encabeçada por Manuela Ferreira Leite é apenas conservadora nos valores sociais, porque na economia é social democrata, ou seja, de esquerda. E para os que dizem que ser conservador nos valores sociais basta para se ser de direita, então podem votar no PS ou no MEP, porque o que não falta por lá são elementos da esquerda católica conservadora. Esses elementos, por si só, não colocam ninguém na direita. Acredito ainda que se Portugal tivesse um partido liberal como têm os alemães, o PSD teria mais afinidades (e faria mais coligações) com o PS do que com um partido liberal, porque, e como já demonstrou ao longo dos anos, o PSD não tem uma genética que enfatize a liberdade económica.

do estado da República


terça-feira, 29 de setembro de 2009

fall and decay of portyngale

Tudo neste regime é oligarquia. O Parlamento, o Presidente da República, a Administração, a República, o Tribunal Constitucional, as empresas (públicas e privadas), os partidos, os sindicatos

O que não seria mau, se não houvesse falta de algo que contrabalançasse isto.
Esta balbúrdia dos presidentes da república não impressiona nada.

late rankings

Esbatem-se as razões para votar PS
Obviamente, tanto a Bulgária, a Roménia e a Letónia mantiveram um modelo centralizado de saúde, não favorecendo a rapidez, a competência ou eficiência, mas somente uma distribuição insatisfatória de serviços, à moda soviética.
Tal como nós.

homofóbicos

De fora do PS, já chegaram também avisos para que evite demasiado diálogo com o CDS. Avisos não desprezíveis, como o de Carvalho da Silva, líder da CGTP, que afirmou ontem que um entendimento do PS com o CDS seria "um caminho contra-natura".

in DN

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Aposto Um Nobel da Literatura (I)

Milan Kundera. O autor de A Insustentável Leveza do Ser, A Valsa do Adeus, A Brincadeira, O Livro do Riso e do Esquecimento, entre outros, é um dos maiores autores da actualidade, nome marcante da literatura deste e do outro século, e um dos grandes injustiçados pela Academia Sueca.

Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?

O novo romance de António Lobo Antunes será lançado dentro de três dias.

ingovernável

O CDS é fundamental para que a máquina legisladora do PS avance.
Pouco provável.

O BE é fundamental para que a máquina legisladora do PS avance.
Pouco provável.

:. vai ser o caraças, para pôr isto a mexer.

Extraordinárias vitórias no extremo ocidente europeu

Foi uma noite peculiar, esta. Os eleitores optaram por uma maior dispersão de votos com favorecimento dos partidos mais pequenos, poucos acreditaram (ainda bem, quanto a mim) no voto útil, não houve milagres socialistas e o partido letárgico chegou, viu e foi dormir bem cedinho.

Ainda assim, cabem na nossa aljava umas quantas reflexões. “A extraordinária vitória” do PS deixou à transparência a apreensão da derrota, o sorriso forçado de José Sócrates prontamente depurou as dúvidas.

O Bloco de Esquerda, apesar da subida impressionante, não soube esconder o desagrado de se ver remetido para quarta força política, com cinco deputados a menos que o CDS. O ambiente de crispação notou-se, na sede bloquista, em dois momentos particulares, no primeiro discurso de Luís Fazenda e nas palavras finais e pouco inspiradas de Louçã. Afinal, depois de uma campanha desastrosa (a título de exemplo, a proposta dos PPR, do imposto sobre as fortunas, aumento generalizado de impostos para as empresas e nacionalizações), depois de tanto dinheiro gasto no financiamento de mentiras para enganar petizes, no final, bem, no final viram a sua expectativa de um resultado eleitoral próximo dos 15% (a piscar o olho a um frente-a-frente com o PS nas próximas legislativas) esmagado pela “extrema-direita”. Rude golpe na ambição mesclada de arrogância da trupe bloquista.

Pois então, o CDS, mil vezes enterrado vivo, conquista um resultado histórico de vinte e um deputados, ultrapassa os dois dígitos na eleição e, certamente, não dará descanso ao próximo executivo socialista. Justa paga pelo trabalho desenvolvido, belo exorcizar dos fantasmas do passado, dos fantasmas de sempre, afinal.

O PCP, como sempre altamente fidelizado, não desiludiu e até ultrapassou o resultado das últimas eleições - contará 15 deputados.

Não acredito em coligações ou alianças, antevejo um governo mirrado e inábil, afastado como está do promontório da maioria absoluta que transforma o nosso semi-presidencialismo num super-presidencialismo.

Realidades Incomparáveis

Na recta final desta noite eleitoral, Jaime Gama relativizou a perda da maioria do PS afirmando que a CDU de Merkel só obteve 33,5% dos votos. Ora, é um desrespeito enorme pelo votante médio português tentar fazer esta mágica percentual, esta prestidigitação factual.
Fique o esclarecimento que nas últimas décadas o status quo alemão pauta-se por coligações entre três partidos, a saber, democratas cristãos, sociais-democratas e liberais.

domingo, 27 de setembro de 2009

serviço público de qualidade

O dia de eleições foi acompanhado, no Odisseia, por um número saudável de 68 visitantes únicos (ou seja, não valeu as vezes que se carregou duas vezes no mesmo link).

Um deles que cá chegou através de uma pesquisa no google curiosíssima: "ensinar praxes fixes"

Brilhante.

PS: Aproveito para mandar as minhas sinceras saudações à Sophia, nossa mais recente seguidora.

Adenda1: eu disse 68? Queria dizer 70. Pimba, toma lá, Sociedade de Debates.

música d'O Gladiador para José Sócrates

e bandeirinhas "arco-íris" também
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