quinta-feira, 11 de março de 2010

a igreja Católica e a Cultura - a cultura geral, a Verdade e o síndrome de Manada

Este texto não se destina a ser uma resposta a algumas porcalhices radicais que se dizem por aí, em alguns lupanares polítizados, sobre o Catolicismo e demais instituições tradicionais da Europa. É apenas uma reflexão minha sobre um tema que, a ser abordado num Jornal que eu prezo como bom e profissional, será abordado de forma a iluminar os caminhos da mentira.
A Igreja Católica padece dos males das instituições: depois da pujança e da prosperidade, vêm-se acometidas por todos os sectores rivais de abusos, de denúncias e teorias malinventadas sobre os excessos cometidos nas horas mais felizes.

A criação da cultura católica não se fez de um dia para o outro. A construção serena da Igreja proporcionou-lhe a força que ela ainda mantém no mundo, mesmo após todas as violações e expropriações que sofreu ao longo do século XIX e XX.
A Doutrina Católica está intrinsecamente ligada aos Evangelhos. Recentemente, um movimento apelidado de cristianismo gnóstico tem atingido a Igreja, ao culpa-la da destruição de manuscritos apócrifos que não representavam as ideias políticas dos primeiros líderes da Igreja.
Tal afirmação demonstra um total desconhecimento da realidade histórica.
A Igreja Católica constrói-se durante a queda do Império Romano. E é uma construção progressiva. Adopta os Evangelhos mais comuns entre as populações proto-cristãs e analisa os documentos religiosos que circulam entre as comunidades religiosas. Teve, obviamente, de criar critérios para a autenticidade de uns e outros. Esses critérios tinham por objectivo salvaguardar as comunidades cristãs e a Palavra de Cristo.
Toda estas discussões originaram seitas, concílios, discussões filosóficas e debates intelectuais que ainda hoje, pelos registos que nos restaram, são admirados pela nata do Pensamento, pelos teólogos e filósofos mais conceituados. E tudo isso se deu numa época em que o Império começou a apagar, definitivamente, as suas Luzes, e a tornar-se numa construção política opressiva.
Como se pode ver, a Cultura é o germine da doutrina católica, a liberdade de pensamento e investigação foi algo necessário para que os Doutores da Igreja ajudassem à criação da Igreja e da Civilização Ocidental.

A Igreja Católica desempenhou um poderoso papel nos últimos dias do Império. Deu diplomatas a Roma, até militares. Foi o bispo de Milão que impediu que os Hunos invadissem Roma.
Manteve as leis latinas, preservou os seus escritos.
Durante as eras das Trevas, em que a Cultura se apagou quase definitivamente do Mundo, foi nos mosteiros cristãos, nas comunidades religiosas, e através dos locais de ensino católicos que se copiaram, comentaram e preservaram obras de Sócrates, Aristóteles, Gaio, Marco Aurélio, Políbio, Ulpiano, etc.

Todo este ensino foi libertado dos claustros dos monges cistercenses e propagou-se pela Europa Medieval.
Criou-se assim a Europa Moderna, modernizaram-se leis, protegeu-se a pessoa e a propriedade, incentivou-se o comércio, estabilizaram-se os estados.
E reapareceu, lentamente, a Arte.

Ou não é a beleza Renascentista, da qual a Igreja Católica foi o principal mecenas, o fruto de uma contínua e paciente cultivação, sementes da intelectualidade medieval, quase toda ela formada na liberdade das universidades académicas?
Sendo que essas universidades académicas, que respondiam apenas perante o Papa, não eram nunca, por tal, motivo de violências, nem na pessoa das instituição nem na pessoa de docentes e discentes, dos soberanos medievais?
Funcionou sempre o Catolicismo como protector da Arte quando todos a desprezavam, e como refreador dos ânimos dos poderosos incultos, que tantas vezes viam na complexidade das leis canónicas e nos processualismos dos romanos uma perda de tempo. Tudo para muitos deles se resolvia melhor à espadeirada.

Não insistiu sempre a Igreja Católica que os cursos de Teologia viessem totalmente separados dos de Ciências Naturais? Proibindo até os doutores dessas áreas dar as duas disciplinas simultaneamente, para que não confundissem matérias de fé com matérias da Natureza?
Tudo isto tem prova, desde bulas até documentos legais, desde concessões régias a acordos internacionais.
E o que foi a Contra-Reforma senão a resposta à violência da Reforma Protestante?
Morreram menos homens e mulheres, ao longo da história completa da Inquisição, que as mulheres que foram queimadas por bruxaria na Nova Inglaterra.
E os mosteiros, locais de sabedoria e riqueza, de quem dependiam as populações mais pobres dos tempos antigos em busca de comida, abrigo e trabalho, que foram alvo de rapinas e destruições, durante o levantamento do movimento protestante?
Esse mesmo movimento protestante que retirou a felicidade do Homem da teoria económica e colocou o objectivo desta na força laboral? Perpetuando o erro que embocaria em Marx, e a sua teoria objectiva do valor?

Não foram os protestantes que concederam a Jaime I o direito divino dos reis? Todas estas transformações destruíram a ordem tradicional europeia, e causou esta revolução uma reacção apertada da Igreja. E sim, foram cometidos erros.
E não eram os Tribunais Inquisitórios, com edifícios e condições de acordo com a lei cristã, tantas vezes requeridos por aqueles que não queriam enfrentar a ira das instituições laicas?
Ou não foi Bocage para a Inquisição, protegido pela autoridade papal dos devaneios absolutistas de Pina Manique?
Não usaram tantas vezes os Estadistas a Igreja para os seus fins?
E quantas vezes foram reprimidos esses estadistas por isso?
Não foi João III reprimido por ter instaurado a inquisição em Portugal, quando o Papa já desconfiava que ele a usaria apenas para confiscar os bens dos judeus? E não é a Igreja uma convicta defensora dos direitos de propriedade? Ou não fosse ela a criadora do nosso Direito Privado.

Ainda assim, preservou a Igreja Católica, nos seus melhores momentos, as obras de Avicena, Averróis - ambos muçulmanos - , os últimos escritos maias, reportou a violência sobre os índios pelas autoridades públicas e pelos privados, criaram-se acordos com os reinos da Ásia, fizeram-se as primeiras trocas culturais com a China, etc.
Manteve-se na vanguarda dos direitos humanos através de Bartolomeu Las Casas, considerando indiscutível a humanidade dos índios e mais tarde dos negros.
Tudo isto a Igreja fez e criou, preservou e manteve, durante épocas de total destruição social, de instabilidade política e de destruição do ordenamento jurídico.
Quando todos negavam o valor da legalidade e da ordem, dos valores humanistas e da paz.

E ainda a acusam de ser instigadora da Guerra. Não foi a Igreja que preparou a paz de Vestefália, presidindo os delegados do papa às declarações de paz dessa guerra dos Trinta Anos que muito mal fez na Europa? Guerra essa que começa por uma insurreição ilegítima e acaba num confronto de morte entre fundamentalismos?

Não foi a Igreja Católica que, através das células na América do Sul, defendeu os últimos redutos dos índios, acossados pelos colonos? Não tiveram a mesma sorte os índios norte-americanos, nem as populações autóctones dos confins do Império Russo, protegidas pelos czares e pela Igreja Ortodoxa e aniquiladas em nome do Igualitarismo por esse profeta do Socialismo, José Estaline.

Não foram o Rei da Bélgica e o Imperador da Áustria, a pedido do Papa, os primeiros chefes de Estado a pedir a paz da Iª Guerra Mundial, quando o Mundo parecia querer despedaçar-se?
Não foi o catolicismo da Baviera o principal rival dentro da Alemanha contra Hitler?
E o protagonista da operação Valquíria, agora tão conhecida, não era ele um católico que actuava com cédulas anti-nazis católicas?
Porque não investigam essas coisas os mais radicais dos historiadores de fim-de-semana?
Ou julgam que, por dizer algo que já vem explícito nos manuais escolares, em sentido de insurreição oficial contra a cultura católica, são os verdadeiros intelectuais? Atacar a Igreja sempre foi tão fácil como improdutivo. É que a mentira e o radicalismo nunca deram frutos.

Profetas Socialistas

Áqueles que lidam com a liderança:

liderar é sentir a sensação de ser senil

entre pouco de tudo, e de tudo nada!

Globalmente inseridos,

parcialmente sós!

E vós? Sois vós? Quem sois vós?

o eco da auspiciosa audácia invertebrada?

Vil triste mente! Perdeste teu ego viril

que alimentas sob disfarçada temperança!


Vós? Não sois vós? Eu? Não sou eu!

Serei eu ou parte oca de vós?

a verdade escapa com tantas reticências,

recôndito na forma ou nas aparências,

e o horizonte perto esmoreceu

imune à desastrosa vivência dos sós.

usurpadores? usurpam! e sentem-se usurpados

Mas permanecem (imunes). Qualquer dia, calados!



Poeta-Taberneiro-Feuerbachiano


terça-feira, 9 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

O problema da meritocracia e as questões da base

Li recentemente, por aí, que o problema do mérito, e da advogância do mérito, falha num modelo social e económico onde uns têm menos hipóteses de competir que outros.
Como já tenho lido isto noutros sítios e blogues reputadamente de esquerda, considero meu dever começar a desmontar esta mais recente e pálida tentativa dos adeptos da antropofagia estadual para combater o pensamento conservador e liberal do mérito e da propriedade.
Primeiro, é óbvio que todos os seres humanos partem de posições diferentes.
Não há um índice comum de referência para que possamos nivelar todos os seres humanos, tanto porque tal é injusto, como porque tal corrói os últimos fundamentos da nossa sociedade civil e cultura. Por muito que esses dois acontecimentos sejam favoráveis à causa dos sectores da Revolução.
Para haver mérito é necessário o desmérito. Para haver noção de esforço é necessária a noção de preguiça ou desleixo.
Para haver mérito é necessário existir uma sociedade livre, visto que mérito é um conceito subjectivo que é especialmente definido por grupos de pessoas, não é passível de ser considerado por uma secretaria de Estado como um objectivo comum a toda a Humanidade.
Para avaliar o mérito é necessário perceber uma coisa:
Aquilo que um homem realiza na vida é o fruto do seu passado, presente e futuro.
O mérito funciona caso seja dada a oportunidade do indivíduo de, no seu espaço de vida, usar os mecanismos que lhe foram postos à disposição para que ele possa fazer deles tudo o que o seu engenho lhe permita.
Um filho de pais pobres e desleixados sofrerá com a liberalidade dos seus pais, a sua preguiça, os seus vícios.
No entanto, sofrerá muito mais caso tenha de ser tributado em 50% no seu primeiro ordenado porque o Estado resolveu facilitar a vida de alguém. Principalmente quando essa facilitação envolve meios pouco científicos, pouco humanos (o Estado-Providência, essa invenção animalesca) que têm como único objectivo criar burocratas que sirvam o Poder e estatísticas que sirvam os governos. Tem sido essa a experiência do Mundo, em todas as nações. E quem o disser diferente, que o prove. Abolir o mérito é impor o Passado, a imobilidade.
Sem mérito, abolindo as instituições e hábitos culturais que exigem dos indivíduos aceitação social e até laivos de elitismo, destruímos a noção que o ser humano tem do Futuro. Sabendo que todos partirão de uma base comum, que não há esforço necessário por aqueles que nos são próximos, visto que a identidade mítica do Estado usará sobre eles o seu poder "horizontalizador", que pobre alma se sentirá constrangida a violar a "podre igualdade"?
É a necessidade que forma os bons pais, os bons filhos, os bons amigos e os bons vizinhos.
Sem ela, sem a ajuda dos outros, sem a representação nos outros, como vamos formar bons cidadãos?
Sem o Mérito resta-nos o Homem-Servo. Mais uma besta acéfala do socialismo, dos Devoradores.
Por fim, anular o mérito é destruir o Presente.
O primeiro homem a criar fogo terá provavelmente sido destruído pelos seus iguais.
Queimado provavelmente na mesma estaca que ele ajudou incendiar.
O Socialismo é puramente primitivo. Exige, acima de tudo, que os homens sejam iguais e que se mantenham como tal. Mesmo quando uns não o são. Quando a uns, seja por graça de Deus ou por mérito, lhes é permitido um glimpse de algo divino: a Invenção, a Inovação, o Pensamento. O progresso, seja feito em proveito próprio ou para ajudar a vida dos que nos rodeiam. Foi isto que terá sido combatido nos primeiros tempos da Humanidade, e foi combatido igualmente nos séculos e milénios seguintes. Alinhar num plano geral, cedido a todos e feito para todos, com todos os esforços possíveis e justificados para que a nivelação da sociedade se dê. No entanto, quando a Humanidade aprendeu a valorizar os seus filhos, quando os homens puderam deter direitos sobre aquilo que criaram, quando o primeiro homem tomou um pedaço de Terra e chamou-o seu, então aí nasceu a Justiça.
E o direito de cada um a ser o melhor que consegue ser, e a defender-se do Tribalismo dos primeiros socialistas.
Combater o socialismo é combater o fim da humanidade e do respeito pelo Próximo.
O socialismo é puramente natural. Um homem empurrar um revólver na cara de outro, exigindo-lhe o dinheiro ou a vida, é perfeitamente natural. Abordar meio-Mundo prometendo-lhe as riquezas da outra metade também. Querer o bem e o melhor sem dar nada em troca é a primeira coisa que passa na mente de uma criança. É esse estádio mental, porém, o qual os socialistas se vêm limitados.
É a propriedade que cria a nossa civilização como a conhecemos, desde as nossas concepções de liberdade às questões processuais mais complicadas do nosso direito.
É essa lei, e o direito a obtê-la, a fazer parte dela, a possuí-la e desfrutar dela, a usa-la responsavelmente de forma a fazer valer os nossos valores e ideais, que a Esquerda socialista quer destruir. Com subterfúgios, aparentes cedências, mas sem dó nem piedade. Às vezes nem eles mesmos se apercebendo.

2ª Conferência - Forum Política e Sociedade

A segunda sessão do Forum Política e Sociedade já está marcada!
Depois do êxito conseguido na primeira sessão, onde se abordaram temas caros à Criminologia e ao Direito Penal, o Forum mantém-se na linha da análise social, observando os impactos que a ordem jurídica e política provocam na sociedade civil, desta vez abordando a temática do Estado Social.

2ª Conferência: O Estado Social de Direito no Palco do Século XXI

a realizar-se no dia 24 de Março, pelas 15h, na sala 1.03, na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Rua dos Bragas, 223


Mais uma vez o Forum quer providenciar à sua assembleia o melhor nível de oradores possível.
Assim sendo, temos previstos dois professores da nossa casa, o Professor José Maria Azevedo e o Professor João Pacheco de Amorim.
O orador convidado será o Professor Pedro Arroja.

Apelamos a toda a comunidade académica, tanto da Faculdade de Direito da UP como de outras instituições, que compareçam e venham discutir connosco este assunto que a todos nos interessa.

Apelamos também a toda a comunidade não-académica, mais novos e mais velhos, que venham aprender e partilhar connosco as vossas experiências.

Lembramos a todos que o Forum é um espaço de tolerância, onde a todos é permitido a colaboração, com vista à construção de uma sociedade melhor informada, mais racional e mais justa.

Acompanhe o blogue do Forum para se informar, em primeira mão, de mudanças imprevistas nos horários ou datas, e para ter acesso a todas as informações que vamos disponibilizar online, bem como dados e resumos, sobre o tema em debate.

Prepare-se com antecedência e venha participar!

Os sinceros agradecimentos da equipa do Forum Política e Sociedade.

sábado, 6 de março de 2010

PPC e PR - diferenças no PSD?

in Grupo da Boavista

Por cá (e refiro-me também cá por nossa casa, pelo PSD), há quem fale vagamente numa suposta ruptura que se consubstancia numa eventual regresso à reforma agrária ou numa confusão entre os vários níveis do estado e se recuse a privatizar canais de televisão que têm como única finalidade servir de propaganda ao governo.
(Paulo Rangel)
Outros há, que (pelo menos hoje, já que no futuro veremos, no passado nem sempre foi assim) defendem privatizações de 40%, apostas do estado (por conta e em vez das empresas?) no Atlântico Sul e uma regionalização parcial do nosso país.
(Pedro Passos Coelho)
Em relação a outros, não sabemos ainda muito bem o que defendem para o partido e para o país.(Aguiar-Branco)

A partir do momento em que o endividamento público ultrapasse os 60% do PIB,

a fuga ao fisco não é apenas legítima, é sobretudo um dever patriótico.

in Blasfémias

sexta-feira, 5 de março de 2010

resposta a comentário

É curiosa a tua opinião...mas gostava que a pudesses desenvolver e dissecar...uma explicação mais complexa do porquê dessa afirmação...
Cumprimentos de um social democrata..

por Anónimo

Paulo Rangel é o mais velho.
Mais jurista que político, pode-se ver pelo curruculum deste homem que a política nacional sempre lhe foi secundária quando comparada à glórias da academia.
É um homem moderno, de direita. No fundo, um apaziguador. Defende uma maior abertura da Igreja Católica perante alguns sectores mais vanguardistas da sociedade - e o PSD é o partido mais católico de Portugal - e uma presença do Estado mais concentrada na produtividade dos sectores tradicionais, como a agricultura e os serviços públicos.
Tem a escola do CDS porque é, na gíria europeia, um popular democrata-cristão. Moderno e moderado.
Mas em Portugal, o democrato-cristianismo moderado é essencialmente nomeado de social-democracia. No entanto, Rangel compreende que o tamanho do estado é o principal inimigo do crescimento económico do país.

PPC é o animal político em toda a linha.
Jotinha desde os 14, tem uma impressionante carreira de consorte no PSD. Tem influências ideológicas diferentes das de Rangel. É mais jovem, leu outros autores e foi influenciado por outros líderes.
É um liberal. Não por necessidade, como Rangel, mas porque tem essa percepção das funções do Estado.
No entanto, tem a sua noção de equilíbrio e, como político de main stream, de realidade.
Defende que o Estado deve e pode ser reduzido em 10 anos, mas sabe que a social-democracia deve ser atingida em 20, o socialismo abandonado totalmente em 30, e um estado mais liberal talvez nem em 50.

As realidades do país onde vivem tornam estes dois homens tão diferentes, iguais.
Mas essa é a beleza do Partido Social-Democrata. É um partido tão português, tão diferente e variado, que tem a capacidade incrível de unir os pólos opostos na hora de necessidade.
É também um microcosmos do funcionamento da república em Portugal.
Sair vivo dos debates contra PPC é algo que Rangel mal consegue. No entanto, a elite intelectual e os barões estão por Rangel.
PPC é o risco de uma realidade desapotante. Vai-se lhe exigir ser Sá Carneiro, e ele pode muito bem não conseguir. O PSD é conservador nas suas apostas. Talvez num partido diferente PPC seria um melhor Paulo Portas. Mais capaz de ser levado a sério.

Contudo, PPC teria, dentro do partido, o meu voto.
Rangel é, acima de tudo, um político brilhante. Mas é um funcionário do partido e do Estado, não um líder.

aos Iluminados

Cronologias e mapas, acontecimentos

Actividades consolidadas, processos

democráticos alçados sobre tempos

Vontades, sementes de retrocessos


Inspirações cortam por vezes razões

desconhecidas que próprios criamos

tantas vezes humilhamos decisões

erradas do que de irrefutável julgamos


Conceptualizam-se iluminados

com a mente que nas relações

em vão se vêem escuridões


Quando falham nas pobres razões

percebem quanto de si são criados

e quanto vale terem ficado calados


5/03/2010


Poeta-taberneiro

quinta-feira, 4 de março de 2010

Principais diferenças entre Pedro Passos Coelho e Paulo Rangel

PPC é um liberal social-democrata.

PR é um social-democrata liberal.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Do(i)s votos que faltavam



Duas Gotas Duvidosas: depois do paradigma das Suíças duvidosa, eis o drama de Dois Votos de um casal gay amputado que votou com o pé esquerdo!



Novela mexicana com dobragens duvidosas. Sexo, drogas e dogmas de Houndt. Não perca!


Estreia Quinta Feira no CineFDUP. ( filme a passar na telinha junta ao estaminé do Sôr Ferreira) 10H00

Portagem: duas décimas!


Pan-democratismo Wilsoniano

excerto de diálogo entre Sir Edward Grey com o Embaixador dos EUA, W.H.Page, sobre a questão mexicana, em 1913:

Grey - Suppose you have to intervene, what then?
Page - Make'em vote and live by their decisions.
Grey - But suppose they will not so live?
Page - We'll go in again and make'em vote again.
Grey - And keep this up two hundred years?
Page - Yes. The United States will be here two hundred years, and it can continue to shoot men for that little space till they learn to vote and to rule themselves.

The Life and Letters of Walter H. Page, Burton J. Hendrick

segunda-feira, 1 de março de 2010

Novo : Odisseia Memória

Eis a nova secção editorial do Café Odisseia: Odisseia Memória.

Nesta linha editorial irão ser destacadas cousas portuguezas de antigamente, principalmente as grandes bandas como Clemente, Marco Paulo, Trio Odemira, Marante, Graciano Saga. et, etc...

Para primeiro post escolhi a música que quanto a mim é a melhor música progressiva portuguesa, da autoria do Zé Cid.

Espero que gostem!

Redacção taberna-mirita I

domingo, 28 de fevereiro de 2010

imatéria: penumbra anacrónica

Auspícios de vertentes determinadas
pelo fumus-arquétipo do plano devir;
As falácias minuciosas do breve sentir
ao âmago do pathos tristes e oscultadas!

Oh! Miserável imatéria absorvida!
És indelével na absolvição do desejo!
Gritas do vale pleno da própria vida
em fúrias, na sombra dum fugaz beijo

Leve e em penumbra desorientado
o horizonte anulado pelo contra-átomo;
Rompe os estigmas, e ao céu içado
pede ao fugaz tempo o próprio cálamo (!)

Não tenho morada no Universo...
Astros me expulsam da matéria!
Meu onthos se defuma disperso,
E meu ser poeta se dilui na miséria...

Lourenço

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Assuntos Académicos

Os Helvéticos elegeram um em cada casa.
Parabéns!
Viva a Confederação!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A clareza Anarquista

O Rui Botelho Rodrigues fez o simpático de favor de me atribuir uma importância que eu, definitivamente, não tenho.
Agradeço muito a sua resposta ao meu email e post, o qual os meus queridos leitores podem ler aqui.
Gosto do Sem Governo porque defende coisas que eu prezo infinitamente, como a propriedade e a liberdade.
O contacto que tenho com a intelectualidade de RBR parte, no entanto, de uma enorme contrapartida: RBR tem uma percepção do mundo e da Vida diferente da minha nos conceitos-base. Direi que, além da inimizade partilhada contra o socialismo - da qual eu considero apenas mais uma perversão possível do liberalismo, da qual o libertarianismo de RBR é apenas mais uma - apenas partilhamos preferências culturais (óptimo bom gosto para música) e o carácter verdadeiramente tolerante que cada um partilha. O meu conservadorismo não implica a aniquilação de RBR, e o seu libertarianismo não implica a negação da minha individualidade.
Acredito que, no sonho político de cada um, eu viveria muito bem na Anarquia de RBR, e ele também na minha Monarquia.
O Rui é individualista, eu tenho uma abordagem personalista.
O Rui vive, como todos os libertários, com um quase-esquizofrénico receio de coerção. Faz-me pensar que a sua doutrina política é quase toda saída de um grupo de antigas crianças que fugiam de casa para não comer a sopa.
Não me parece que eu partilho de qualquer tipo de hobbesianismo. A minha percepção do Estado poderá ser tomista, cristã católica, mas não depende de um déspota iluminado: é anterior às teorias contratualistas.
Concordo absolutamente com o RBR quando se refere ao misticismo do Bem Comum. Talvez seja uma mera ficção. Talvez até a liberdade seja uma ficção. Mas as ficções são necessárias.
No entanto, a "Anarquia de Consumidores" parece-me um projecto tão irrealista como a minha Monarquia ingénua.
Talvez o RBR acredite que seria possível a humanidade, aliás, a colecção de indivíduos de todo mundo com os seus respectivos objectivos, manter uma ordem natural das coisas sem qualquer forma de Governo.
A mim parece-me que, logo após o fim dos governos, as pessoas tratariam de arranjar outros.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Suíças Lusitanas! Perspectiva "empírica" à espaço 77



Eis a prova como o bom filete se afecta à "pelugem lateral"

Aos de esquerda: nacionalizem os pêlos para a mobilização de recursos que são de todos e para todos!

Aos de direita: louve-se a história lusitana das suíças!

Aos centristas: enfiem a lata onde mais desejarem, mas comam o atum que é bom, é em filete.

Permitam-me apenas um pequeno poema revanchista:

Sou Revanchista
Sou Anarquista
Quem és Tu?
És um brochista
Chupas o poder instituído
Gostas que te chupem
no púplito nu e diluído
reza: tempos não mudem!

Oh senhor dai-me uma foice
para sacudir essas cabeças ao céu
Enterra-las entre casto véu
e no fim dar-lhes ainda um coiçe!

Poeta-taberneiro

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Rádio Odisseia apresenta:

Assuntos Académicos - sobre o debate de hoje

Ao qual faltei, aponto umas palavrinhas à malta anti-suíças e anti-Odisseia:

Parabéns! Estão perfeitos para o país onde nasceram!

Suiça, Suiças, Suissinhos e Suicídio

Esta crónica, em jeito de divagação pessoal, versará sobre 2 tópicas fundamentais em jeito de apoquentações filosóficas em torno do tema Suiça, Suiças, Suissinhos e Suicídio.

- 1ª Apoquentação: da Biodiversidade à Suiça "estranha e duvidosa"

Há Suiça e Suiças.
Para quem teve a oportunidade de viver em tal País, como é o meu caso que vivi 8 anos da minha vida em Genebra, sinto-me tentado a fazer este importantíssmo discurso socialista-revanchista que no fundo nada terá de irritante ( assim o espero).

Há Suiça e Suiços. E, na realidade, há queijos e queijinhos, chocolates e chocolatinhos, relógios de pulso e relógios de cuco. Há neve e floquinhos de trigo. Temos a Nestlé, l´hotel Cornavain que alojou Tintin por uma noite, Le lac Lémon, a vaquinha da Milka, a Heiddi, a casa onde viveu Jean-Jacques Rousseau ( que agora é um modesto shopping diga-se de passagem), e muitas outras coisas.

Não obstante o Ouro ( nazi ou não, não entro por esta especulação), a solidez da Banca, o isolacionismo propositado (mantendo o spread baixíssimo e atraíndo credores), a Suiça será sempre uma eterna dúvida. E as suiças também o serão.

Deduz-se portanto uma biodiversidade no âmago do universo transalpino.


- 2ª Apoquentação : Da ontologia da Dúvida aplicada à suiças pelos suissinhos.

Quanto a esta tópica, e indo ao âmago da questão, apenas vou delinear o seguinte: imaginemos um Suiço, duas Suiças e um Suissinho. O Suiço gosta de suiças e deixou de comer suissinhos. Ele cresceu e isso nota-se na barba que escolheu para dar identidade à sua masculinidade. O suissinho, ressabiado com o suiço por ter crescido lança-lhe uma infâmia quanto à beleza das suas suiças (isto porque o suiço já não liga a suissinhos).

- 3ª - Conclusão. O suissinho, quando chegou a conclusão de que o "suiço amante de suiças não o comia" , suicidou-se.

FIM


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Assuntos Académicos* - 1º debate em pequeno resumo, considerações pessoais

Findo o 1º debate, está na altura de fazer os balanços necessários.
De um lado, a lista A à Assembleia de Representantes apresenta uma equipa segura, experiente e já há muito estreada nestas andanças.
A lista B mostrou um conjunto de pessoas capazes, mexidas e despachadas, tentou contra-argumentar a antiguidade dos primeiros.
Ambas as listas mostraram um programa muito semelhante, e não foram debatidos os pontos que poderiam conflituar - ainda que indirectamente.
A assembleia do debate limitou-se a criticar, de acordo com os critérios pessoais que eram partilhados pela larga maioria dos presentes, a personalidade de um dos membros da lista A, e houve apenas uma dúvida, rapidamente respondida pelo questionado e rapidamente posta de parte pela plateia - injustificadamente, a meu ver - , sobre o facto de a primeira lista apresentar-se excessivamente aparentada com a Associação de Estudantes.
A produtividade de todo o debate foi tão deplorável que louvo a ausência dos que prederiram ficar em casa.
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Saíram, no entanto, algumas observações - das conversas que houve antes, durante e depois - que me vejo obrigado a partilhar com os estudantes e amigos, visto que disponibilizo aqui a minha opinião em público para que todos possam partilhar destas experiências, mesmo não estando presentes nelas.
1- Um aluno que esteja inscrito num programa como o Erasmus pode perfeitamente candidatar-se a um cargo de representação. Paga propinas, e os alunos que estão lá fora têm tanto direito a ser representados como a representar os alunos que estão, de facto, a fazer Erasmus. Como comentei com um colega, sobre a obrigatoriedade de representação que devia haver caso os alunos de Criminologia estivessem incluídos nas listas formadas pelos alunos de direito - infelizmente, alguém teve esta ideia de listas eparadas para os dois cursos (alguém sempre tem estas ideias, porquê, porquê?) - não me parece que outra minoria, como os alunos que estão lá fora, mereça menos representação.
No entanto, há coisas necessariamente boas na democracia directa. Uma delas é o facto de numa comunidade pequena, ou num eleitorado pequeno, considerações pessoais serem bem mais certas do que num eleitorado gigantesco (como é o caso das actuais mass democracies). Será, contudo, igualmente falacioso, como na maior parte das vezes é.
Mandam as regras de boa-educação que o carácter de alguém não seja discutido na praça pública - muito menos não estando presente, porque se trata de uma reputação alheia - mas sim nas urnas.
Caso assim seja, a lista B pagará a audácia da sua escolha. Ou não.
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2- O facto de as listas B só apresentarem as suas ideias e programas poucos dias antes dos debates explica-se facilmente: não tinhamos de as apresentar antes. Estamos a ceder ideias ao eleitorado da FDUP, não estamos a correr contra um grupo de pessoas para ver "quem diz primeiro". Perdeu-se rapidez, fez-se qualidade.
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3- Continua-se a confundir escolhas com ataques. Opor-se à lista A não é atestar-lhe incompetência. Nem muito menos é criticar o trabalho da Associação.
4- Dito isto, esclareço da minha parte, e pessoalmente, um zum-zum que tem atravessado alguns dos estudantes.
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Eu, Manuel Rezende, trabalhei activamente com a AEFDUP o ano passado para a organização do Forum Política e Sociedade e consequente campanha de solidariedade com a Caritas.
Trabalhei como um mouro. Fui apoiado com eficiência.
Não estou em dívida para com ninguém. Ambos os projectos foram um sucesso à nascença.
Nunca teriam sido sem o apoio da Associação, mas não me sinto em dívida. Todo esse êxito foi partilhado e justamente atribuído. A AEFDUP ganhou a fama de ter organizado, com um grupo independente de estudantes, um evento que atraiu muita gente e ensinou muitas coisas. Também se tornou, das associações de estudantes de faculdades pequenas, talvez das que mais deu o ano passado, por altura do Natal, em solidariedade para a Caritas. E eu vi o que outras insituições, bem mais destinadas a esse tipo de coisas, se limitaram a ceder. Foi um esforço, no mínimo, espantoso dos alunos da FDUP que passou, infelizmente, em branco.
-
O investimento feito em mim foi o investimento que eu retribuí. E o sucesso foi tão grande que eu espero repetir esta parceria, esta cooperação. Penso que só teríamos todos a ganhar. Senão, já dizia o tio Lourenço, "beijos à prima e boa noite". Sou monárquico, a minha lealdade não é partilhada por órgãos temporários. Não sou sujeito de favores à moda dos latinos, nem de clientelas. Sejam elas partidárias ou outras. E SEI que nada disso foi exigido de mim. E permaneço com essa impressão. Não me provem estar enganado.
-
Não voltarei a mencionar o Forum nestas conversas, ou mesmo outra organização de que faça parte, sob pena de não mais escrever aqui estas crónicas.
-
5- A Lista A preparou-se melhor para o debate, o que seria dizer preparou melhor a sua plateia. Apesar de nenhum dos elementos desta plateia, ou a grande maioria, não levasse já a sua posição em mente, claramente a experiência foi maior que o empreendedorismo dos iniciados.
Deixo no entanto, a interpretação da vitória deste debate à imaginação e racionalidade cada um, visto que estas coisas são sempre, e necessariamente subjectivas. O vencedor de uns poderá ter sido o vencido de outros.

Cevada que custa a Engolir



Parafraseando um conhecido Filósofo/ Teólogo Brasileiro, Ruben Alves:

" a saudade é a presença da ausência"

O Café Odisseia rende-se hoje à Cevada, transladando um hábito tão lusitano que é olvidar que para além de cafés, existem cevadas que também caem bem no âmago, mesmo que pertençam ao grupo dos choros.

Hoje vou beber Cevada. E tu?!


Do "Homem Médio"

Um conceito muito interessante este, mas perigoso.
Aos amantes do homem médio, eu proponho a apologia do novo conceito que revolucionará a dogmática sociológica, e a Penal por catapulta:

A tópica do Galo-Gigante

Haja tamanho!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tópica ao Ser

O outro - eu que vinga, mata e esfola a razão!

O outro - eu que nunca existiu

na matéria, mas em pensamento.

O supra-ego que me controla o infra-eu.


Nunca o controlo fora ausente.

e eu pensava exactamente o contrário.

( Em vão.

Havia afinal um hiper-ego que me mantera quieto.

À sua direita, o supra-ego me mantinha racional.


E eu não sabia quem eram, porque superiores.

E o meu corpo somático me mantinha preso

E eu pensava ser apenas mais um ser surreal.


Tudo um sonho de quem se deixa esvaír pela linguagem


Eu não era aquele outro-eu vigilante e desmesurado

Nunca o seria sem um código que me amputasse o ego.


Quem me garante que deixe este eu para passar a ser o outro?

Assim, onde o tempo não conta, onde a vontade não impera,

Assim surge o princípio da negação de si mesmo

E eu nego este eu que nunca fui, e aquele que nunca serei.

Não me explicam a origem nem fim, apenas ser enquanto ser.


Não caminhamos para o retorno donde vimos.

Seria inglório ao ser. Seria voltar a não-ser,

Seria voltar ao nada perplexo.

Ao nada anterior ao acto que fomos.

Seria apagar todos os factos.

seria limpar-nos a história.

seria queimar-nos o nome

dizimar-nos a própria honra.


18/02/2010


Lourenço

Anarquia ou Estado?* Estados ou Estado?

título do post do Sem Governo, de Rui Botelho Rodrigues

Estou perfeitamente ciente que o meu tipo de conservadorismo difere em muito do tipo habitual português (ligado a partidos democratas-cristãos e populares, ou a movimentos nacionalistas ou identitários com uma "alma da nação).
Entre os tradicionais monárquicos que fugiram da Europa dos totalitarismos estava um senhor muito curioso, talvez absurdamente deslocado do seu tempo, uma espécie de Herculano miguelista, de origem austríaca, chamado Erik von Leddihn.
Conhecido nos meios universitários americanos como um "livro de sabedoria ambulante", Leddihn desenvolveu a melhor doutrina política capaz de conjugar os elementos cristãos, liberais e monárquicos das sociedades europeias.
Ele próprio se considerava um "arqui-liberal" e foi, até ao fim da vida, uma activo membro do Mises Institute, outro austríaco muito famoso nos meios académicos americanos (por razões diferentes). Erik v., Mises, Hayek e Kelsen, entre tantos outros, são partes integrantes de duas gerações magníficas de intelectuais que desafiaram todos os conhecimentos que a humanidade detinha anteriormente em áreas tão sólidas como a Política, a Economia e o Direito.
Parece-me a mim que o monarquismo de Erik Leddihn, enquanto doutrina e filosofia concentrada em atingir o maior nível de liberdade racionalmente possível na cultura ocidental, é mais do que uma mera nostalgia reaccionária dos tempos monárquicos ou das oligarquias monárquicas das eras anteriores às Revoluções.
É a melhor arma para vencer, gradualmente, o crescimento do socialismo nos países europeus e na União Europeia.
E é aqui que entra a dogmática libertário-capitalista, ou anarquista.
Uma ordem monárquica, cristã e liberal (ou, nas palavras de JA Maltez, liberdadeira, de acordo com a tradição europeia de liberdade) tem uma némesis poderosíssima, que se pode encontrar presente em cada uma das variadas doutrinas que a hostilizam.
Da mesma maneira que os anarco-capitalistas, nas palavras de Rand, combatem os "místicos", sejam eles os místicos de antes (os conservadores, os monárquicos) ou os de agora (os socialistas), os inimigos de uma ordem natural europeia, humana e livre serão os Procustos.
Se é verdade que os socialistas procuram "esticar" a sociedade e o Estado, como Procusto, para ajustá-los à sua ideologia, não ligando ao sofrimento causado para tal, não seremos levados a pensar, também, que os libertários desejam ajustar, em sentido contrário, a sociedade e o Estado a um tamanho particular que só através de uma forte repressão social - e dos restantes organismos públicos que ainda restarem, no decurso da anarquização de um Estado.
RBR analisa a falácia democrática dos "místicos das massas", mas parece não usar o mesmo raciocínio lógico para descobrir que a humanidade, devido às consequências do Pecado Original ou - no caso dos ateus - devido a meras circustâncias históricas e antropológicas, vê-se obrigada a criar o Estado para refrear os impulsos totalitários dos chefes tribais e das oclocracias.
O Estado repressor, que usa os avanços tenológicos e o progressismo social - exterior à ordem natural das sociedades - para, qual Procrusto Justiceiro, pôr as coisas em Ordem, é uma criação Iluminista.
Com isto não digo que não tenham existido monarcas e repúblicas medievais que não tenham exercido pressões tirânicas sobre os seus povos.
Déspotas houve sempre. No entanto, os povos antigos tinham mais facilidades em depôr monarcas tiranos do que doges tiranos, e mesmo estes não conseguiam poder suficiente para prejudicar tanto os seus cidadãos como acontece nas repúblicas hodiernas.
Não tenho dúvidas que Luis XIV veria a sua cabeça rodar no cadafalso, décadas antes do seu neto, se adoptasse o mesmo tipo de tributações que os actuais parlamentos lançam sobre os cidadãos. Bastou a George III cometer a pequena imprudência de lançar um pequeno imposto sobre os chá para que 3 milhões de americanos (numa população de 13 M) se levantarem contra ele. Bastou a Afonso IV forçar a manutenção da guerra contra Espanha para perder o trono.
Com o liberalismo radical da Revolução Francesa veio o fim das corporações medievais, que eram associações livres, contendo os seus privilégios e os seus direitos. No entanto, a própria Inglaterra, ao entregar os baldios à nobreza rural, também desfechou um rude golpe no tecido social do seu país.
A monarquia tem vindo, desde esses tempos, a ser atacada na sua legitimidade por um movimento democratizante, incrementado por forças intelectuais de "místicos-novos", "Procustos à larga e ao arrepio", como a Maçonaria, os marxistas, os socialistas, etc.
É a ordem tradicional europeia, monárquica e cristã na sua génese, que pode assegurar mais eficazmente as suas instituições e hábitos:
1- A propriedade, porque a única ameaça a esta impende da mob rule e dos tiranos escolhidos, por voto ou violência, pelas massas. O Rei é uma entidade independente do Povo. Ao contrário que pensam muitos "reaccionários", o Rei não é parte do seu povo, não sai das suas camadas populares e não representa o Bem-Comum. O rei não é escolhido, é "achado", entre as forças naturais da Tradição dos Estados, e dos Estados dentro dos Estados.
2- A diversidade, porque o Rei não é um mero nacional. Os seus laços familiares ligam-no, em nome da antiga diplomacia, às mais diferentes famílias e culturas.
3- Ao bem comum, que difere do que "o Povo quer" - e é aqui que os libertários confundem, talvez, a verdeira função de um Estado e a perversão que lhe têm vindo a sofrer.
Elemento neutral, a sua legitimidade não é nacionalista - é puramente dinástica. O seu dever não é o dever de um tirano paternalista, olhando pelos seus filhos pequenos.
O Rei lida com pessoas adultas, arbitrando os seus conflitos, apoiado por conselhos e demais instituições nacionais, sejam elas democráticas ou não.

Assuntos Académicos II*

*os conteúdos aqui mostrados, sobre a vida académica, destinam-se apenas a demonstrar os meus pontos de vista, com a moderação e o cuidado que se deve ter neste tipo de conversas e exposições.
Acima de tudo, quero uma campanha limpa e honesta. Escreverei aqui as minhas pequenas anotações apenas para manter informados, no estritamente necessário, os interessados neste processo.
Algumas coisas que estão mal na campanha eleitoral

A Faculdade de Direito da UP é um espaço muito pequeno de estudantes de direito.
As actividades académicas, e os seus membros, estão assim muito centrados na figura da Associação de Estudantes.
Muitos dos mais recentes projectos da Faculdade, que lhe têm vindo a trazer muitas coisas boas e muitas experiências importantes, são constituídos por elementos que estão ligados ao principal órgão de representação dos estudantes (por muito que esta classificação seja subjectiva, quer concordemos com as razões da sua importância ou não).

Isto causa alguns problemas graves. Nem todos os estudantes estão unidos à volta dos ideais e acções da Associação de Estudantes, e num espaço quase claustrofóbico como o da Rua dos Bragas, os estudantes têm vindo a ganhar alguma inimizade injusta -mas compreensível- pelos rostos e personagens que "aparecem sempre!"
Esta AE está severamente comprometida com as listas A. Basta fazer o um mais um, e perceber que nem tudo de bom poderá sair deste guisado.

Daí que, muito sucintamente, apresento duas coisas que, na minha opinião, foram mal feitas e evitáveis:

1- está-se a transformar a Sociedade de Debates num diário de campanha. Um dia a SdD terá de escapar das saias da AE. É o percurso normal das coisas, e convém estar preparado para isso.
Não me interpretem mal. Num pequeno meio, ter o apoio de uma boa Associação, com pessoas competentes para fazer as coisas à última da hora e darem os conselhos necessários, é algo a ter em conta. Mas todos os pintainhos têm de sair do ninho um dia, quanto mais não seja por mudarem as galinhas da capoeira (má analogia, mas dá para compreender). Mas, lá está, é um espaço pessoal de um grupo de pessoas que sabem, melhor do que eu, o que fazer com ele.

2- A preparação para o debate revela a fraca preparação da FDUP para uma vida académica verdadeiramente rica e activa.
Depois de tudo o que já escrevi no primeiro ponto, os debates para as listas continuam a ser moderados por um membro da Associação, apesar de esta estar activamente por detrás de uma candidatura.
Não há aqui uma crítica à Associação. Há uma crítica aos dois lados desta parada.
Por um lado, quase 15 anos de existência não deram à Faculdade de Direito actividades académicas independentes do cadinho da AE. Das que há, e são verdadeiramente muitas, só conheço duas que não incluem nenhum membro da Associação nos seus membros e que poderiam, a meu ver, oferecer elementos para a monitorização do debate- a Iuris e o Forum Política e Sociedade
Destas duas organizações, talvez as mais independentes no espectro da nossa faculdade, não saiu nenhum moderador para os debates que aí vêm.

Conheço todos os intervenientes destas eleições, dou-me com os nomes mais importantes nelas, especialmente da lista A, a qual me vou opor, ao apoiar como suplente a lista B.
Não sou capaz de insultar a credibilidade dessas pessoas, porque isso exigiria de mim a capacidade para mentir.

Mas a FDUP caminha perigosamente para uma overdose de personalidades.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Declaração sobre assuntos académicos e cenas cá do blogue

Pelo menos 50% dos leitores deste blogue vêm cá por causa da descrição que aparece logo no canto superior esquerdo deste blogue: isto que dizer que a restante metade de leitores que nada têm que os ligue aos problemas internos da FDUP tenham, por vezes, que gramar com coisas que lhes parecem ser do "arco da velha".
É com sincero pesar que vos digo, ó visitantes longínquos, que este é (em parte) mais um desses textos.

Começo assim com a parte que poderá interessar à generalidade dos leitores:
Esta casa tem mais um autor, como os mais atentos entre vós já se deram conta.
O Mário Costa Lourenço não é novo nestas andanças, no que toca à blogosfera nem no que toca à Academia. Tem bastantes provas dadas.
Alguns de vocês podem ter lido alguns textos dele no blogue daquele colectivo que permaneceu no anonimato, a Legião, e podem agora visita-lo num blog pessoal.

Tendo conhecimento das reacções negativas que a Legião levantou, e o envolvimento do Mário, qualquer outro se sentiria levado a justificar a sua entrada, como já em anteriores entradas para o clube de autores deste blog se pediu. O Café Odisseia, enquanto baluarte do bom-gosto e da liberdade de expressão, e criação pessoal de um grupo de "arqui-liberais reaccionários", aristocratas decadentes, não vai cair nessa republicanice do "prestar contas".

O MCL vem reavivar um pouco o contacto do Café com a sua Faculdade. E também inaugurar um espaço poético de sua autoria.
Oxalá encontres ânimo para escrever aqui muitas e muitas vezes, Mário, és bem-vindo e sabe-lo bem. Senão, olha, que se lixe.

O outro assunto que vos pretendo falar é da campanha que um dos autores deste blogue vai encetar (o mpr), usando os meios de comunicação ao meu dispor, para as eleições para o Conselho Pedagógico e Assembleia de Representantes da FDUP, em que vou participar como suplente de uma das listas.
Como a minha participação nas coisas académicas está altamente condicionada por uma crónica falta de tempo e excesso de outros projectos, sinto que é minha obrigação usar o meu blogue, o Café Odisseia, para ser de algum uso para as pessoas em que acredito fortemente serem gente com carácter e valor para servirem os os estudantes da FDUP nesses cargos.

Os textos que versarão sobre esses temas virão com o título Assuntos Académicos.

Prima Verba

Congratulo-me com o facto de poder contribuir para este Homérico espaço.
Um particular obrigado a todo o executivo do Odisseia.

Muitos não sabem, mas isto foi uma transferência à Eusébio. Na verdade eu era para ir escrever no blog da AE, mas à última da hora, um poderoso "Chefão" desviou-me para aqui. Não sei se, quando me estrear com a camisola do Odisseia, serei um novo Pesetero, mas até lá pode ser que a moda pegue. Fica escrito: não quero cabeças de leitão, mas todas as moedas e isqueiros serão muito bem vindos :)

Já comunicada à CMVM, por intermédio do Isaltino Morais, o meu contrato envolve as seguintes cláusulas, as quais dito aqui:
- primo, a minha praxe vai ser cantar aquela música horrível do Pingo Doce cada vez que escrever aqui um post;
- secundo, vou apenas escrever sobre Eucaliptos e a sua relação com a vida académica da FDUP, em poesia, para doer menos a quem porventura desgoste dessas carinhosas árvores, que a meu ver, são totalmente adequadas para os Banhos Turcos;
- em terceiro lugar o meu ordenado vai ser pago em Skip para lavar a consciência de quaisquer mal-entendidos que porventura possam espoletar-se.

Aos que seguem fielmente este poderoso meio de instrução ( é mesmo não é Manuel? ), da minha parte terão uma poesia trovãodoresca de um taberneiro jesuíta-revanchista-limiano, amante de Corega-sem-Sabor, atum enlatado Tenório, e trajes madeirenses.

Uma vez falei-vos, caros irmãos, de uma entradinha Gourmet. Essa porcaria pegou, mas não enche o estômago, e então vamos para uma entrada comme il faut, à Migalhas I, à taberneiro, à ... zé-do-Pipo.

Sendo assim, lego aqui o meu primo Poema para o odisseia a troco de um bilhete para ver logo o FCP, o qual o Manuel já tratou de o comprar a um Guna que muito provavelmente é meu vizinho. Mas não interessa o resto. Avante:


Poesia Trovãodoresca

Ode à Metalurgia Fdupiana e relação entre o onthos Corega-sem-sabor, a fenomenologia do Quitoso na tradição académica, e relação do vírus da noite com as escarradelas nas capas do traje madeirense:

Do eu paradoxal que transcende a inocência

Se esbate o fosso ôntico entre o nu e o cru.

Tombalidos se refugiam na jurisprudência

Não passando de vis lambedores de cu.


Pela faculdade dariam a própria vida

Se a vida fosse de graça

talvez deles fosse a taça

E eu merecesse retirada partida!


Mas Renasce a alma diacrónica

que perenemente assombra

quem a priori morde pela calada


É a nossa mui nobre morada!

que flui a própria natureza metabólica

mesmo que o chão a esconda!


Poucas Domus a humanidade louva

dando a vida; pagando por isso suas utilidades

São casas duvidosas, prostituem cidades

para compensar, crédito o pobre estoura.


Nossa Domus não é maquiavélico bordel.

Pintado a ouro por Salvador ( da pátria?) pincel

Mas quem der corajosamente primeira vida por ela,

venha de triunfante carro, barco ou Caravela

de heróico será, e puta para a eternidade.

um amor inglórico, unilateral e sem novidade.

Eu encorajo quem muito a ama

a encontrar no caos diferente mama.

A Sorte inglória à casualidade da veritas clama

"Democracia" o estudante-médio lhe chama....


ah! Diluídos pela fama caem os ventos

Caem diluidamente entre o Tártaro e o Nada

Absorvem-me convulsões e breves tormentos

E minh'alma não merece ser de novo apedrejada.


Crio com cio o que não podem p'lo brio

Assim, a crítica persegue o perdedor

Mesmo que tinta esgote ao triste pintor

forças haverão para culmatar o breve frio.


Quem, com comentários quiser Chafurdar

digne-se ao menos de procurar Rimar


Quod Scripsi Scripsi


Poeta Taberneiro-Revanchista Feuerbachiano-Limiano

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Adopção

o Corcunda, no seu Pasquim

Os slogans são o disparate do costume. Celebramos a família e o casamento. A família como núcleo de Amor Cristão, à imagem do Criador, sempre aceitou que a forma pode transcender a materialidade e por isso sempre lutou para que a família fosse mais do que um conjunto de consequências naturais. A adopção é disso um caso. Argumentar que uma família homossexual não é família por não poder gerar vida é, não apenas estúpido, como insultuoso para a própria Fé e para os milhões de famílias que não têm descendência. Logo, o valor de passear criancinhas pelas ruas é algo de muito duvidoso.
Mas a palhaçada só se encontra completa quando vemos um conjunto de gente ligada à Igreja a mover-se a favor da forma presente, o estilo séc. XIX, de casamento civil. Isso sim é algo que só ao nível da dupla Croquete e Batatinha…
Uma forma de casamento que é tomada como meramente contingente pelo Estado, que é dissolúvel por vontade de uma das partes, onde a dissolução do vínculo fundamental não é vista como falha mas como acto próprio da esfera de autonomia do indivíduo, torna-se, subitamente, a razão para a união de toda a boa sociedade do país.
Em relação ao divórcio não houve manifestações. Ninguém pareceu preocupado com a destruição de lares ou com a manutenção dos bons preceitos cristãos, com a destruição das tradições sociais do bom povo português ou com a necessidade de ter o Matrimónio como referencial do casamento civil. Nunca apareceu movimento que se preocupasse com o assunto, a Igreja Portuguesa expressou reservas, mas, em momento algum, afirmou uma alternativa social para o problema. Em conluio com o Regime aceitou sempre essas como matérias da Democracia e não como elementos estruturantes de qualquer sociedade. Nunca ninguém levantou a voz para afirmar que a manutenção dessas instituições e a sua intocabilidade pelos poderes públicos, é o mais fundamental reduto da liberdade social.
É por isso que é de perguntar, qual o espanto com o casamento homossexual? Quando os heterossexuais aceitaram violar a regra mais elementar da Família Cristã, a indissolubilidade, ninguém disse uma palavra. Agora que são os homossexuais, há manifestações, palhaçada e criancinhas a desfilar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

os últimos republicanos portugueses

o blogue Esquerda Republicana, num texto de Ricardo Alves, intitulado "Um Presidente da República Monárquico?"

Esclareça-se: a República é de todos, e qualquer cidadão deve poder ser Presidente, inclusivamente os monárquicos. Mas as convicções políticas dos candidatos, particularmente sobre a questão do regime, não são, não podem ser, indiferentes. Mesmo que outras razões não pesassem, muito dificilmente votarei num monárquico para Presidente da República.
E mais: com esta candidatura, arriscamo-nos a perder um bom activista humanitário ganhando um mau Presidente. Ou a perder um bom activista ganhando um candidato cujo objectivo principal parece ser barrar o caminho a Manuel Alegre.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

200 rins humanos doados ao Hospital de São João, no Porto, por desconhecido benefeitor

Médicos e funcionários do hospital mais importante do país tiveram uma grande surpresa hoje de manhã, quando chegaram ao trabalho e aperceberam-se que alguém tinha deixado no exterior da Porta Principal do São João um saco térmico contendo 200 rins de origem humana e não animal, como se chegou a suspeitar.
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"Primeiro pensamos tratar-se de uma brincadeira de mau gosto" disse-nos João Madeira, o Director do Serviço do Hospital, "mas depois ficámos encantados".
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Os órgãos vitais vinham cuidadosamente selados nos referidos plásticos, e encontravam-se todos em perfeitas condições para serem usados.
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"Nota-se pelo destro trabalho de corte e cusura que se trata, sem dúvida, de um especialista" é a opinião do especialista em transplantes Dr. Jorge Fagundes, "e é um exemplo para todos os portugueses. A maior parte das doações foram feitas por asiáticos, como se pode deduzir da presença de um elevado número de amostras de sangue retirado dos rins B+, algo muito comum nesse grupo racial. Além do mais, as sacas térmicas tinham carimbado "Made in Filipinas" no seu interior".
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Espera-se que a lista de espera para transplantes renais no SNS diminua em 20%, e não nos inicialmente estimados 40%, visto que grande parte dos médicos do Serviço de Cirurgia levaram algumas amostras para as suas clínicas privadas.
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"As câmaras de vigilância mostram-nos um sujeito encapuçado", diz o chefe do departamento de segurança do Hospital.
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"Estaremos atentos a futuras doações repentinas", afirma Deolinda Moreira, enfermeira.
Já foi reunida uma petição entre funcionários e doentes para levantar uma pequena placa comemorativa à generosidade do Doador Anónimo.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Face Oculta

O expediente de Aveiro, com os despachos dos magistrados, era para para autuar de modo autónomo ou era também para ser submetido ao presidente do STJ para apreciação da validade das escutas em que interveio o primeiro-ministro?
Parece que seria para ser autuado de modo autónomo, como outro inquérito porque só assim faria sentido. A não ser que fosse extraído de outro inquérito para investigação do crime de atentado ao estado de direito conexo com os crimes de corrupção em investigação no Face Oculta. E ainda assim, então, não precisava de passar pela mão do PGR, mas poderia ter sido remetido para a secção criminal do STJ, para o MP, na medida em que o presidente do STJ era o juiz de instrução competente para tal apreciação.
Assim, temos a primeira grande dúvida. Sabendo que Pinto Monteiro não autuou como inquérito o expediente por achar que não havia "indícios probatórios" que os magistrados de Aveiro entenderam existir, porque razão submeteu o expediente com esse despacho de arquivamento liminar, à apreciação do presidente do STJ?
Seria para ponderação de outros eventuais indícios e para que o presidente do STJ visse algo que o PGR não lobrigasse? Não parece nada porque o titular da acção penal é o MP e não o presidente do STJ. E este, segundo agora disse melhor, só apreciou as certidões relativas a escutas em que interveio o PM. Então, quid juris?
Que valor poderá ter o despacho jurisdicional do presidente do STJ, num expediente já arquivado no MP? E que não poderia fazer parte, por isso mesmo, do processo de Aveiro, como o presidente do STJ afirmou hoje às tv´s ?

Estas questões continuam por responder.
E parecem-me inteiramente legítimas.

na portadaloja

O Café Odisseia, mesmo em épocas de crise, permanece vigilante

num impasse

Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Reacção Pura - o reaccionário e o seu sofá I

Últimos acontecimentos e estados de espírito têm-me levado a divagar sobre o facto de eu ser ou não um reaccionário.
Cheguei inclusivamente à conclusão que sou dos poucos reaccionários em Portugal, sendo que nunca houve muitos reaccionários na política no nosso país.
Ora apresento-vos o meu raciocínio:

Obviamente que o revolucionário tem como principal alvo-a-abater o reaccionário.
O revolucionário é um homem de Massas, um eloquente líder do Povo que vai levá-lo, mais dia menos dia, à Revolução e à vitória final.
Do outro lado da cerca, supostamente, está o reaccionário.
Ou será que não é bem assim?
Pela descrição anterior do revolucionário, o "reaça" é uma pessoa pouca dada a histerismos populares - provavelmente não se identifica com essa realidade "homogeneizada" pelo revolucionário chamada Povo - e não tem vontade alguma de levar ninguém à vitória final - por várias razões, por conhecer o facto de não existirem "vitórias finais", e que uma revolução, inegavelmente, levará a outra, ou porque prefere o anterior estado de coisas.

No entanto, é muito complicado identificar o verdadeiro reaccionário entre os defensores do antigo estado de coisas - é necessário não esquecer que os apoiantes do Estado Novo, além de serem apologistas de um Estado das Massas, onde a teoria do Partido Único não diferenciava muito da loucura actual pelas maiorias absolutas e onde predominavam os sentimentos nacionalistas, algo muito próprio das democracias actuais, e também que o próprio Estado Novo não nasce de uma contra-revolução, e sim de uma revolução armada contra a Ordem Revolucionária vigente, a Iª República.

Aliás, a própria Iª República mais não é que uma alteração na ordem revolucionária imposta pelo regime da Monarquia Constitucional - apesar de eu sublinhar que a Carta de 1834 era a Lei Fundamental mais "portugueza" de todas as Constituições que já tivemos até agora, mais próxima da realidade social e económica do país do que as deste século, e que o regime falhou porque a classe política, além de poderosíssima sem comparação em relação aos séculos anteriores, falhou em preservar os mecanismos de separação de poder.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

islamismo fascista

Hitler instituiu programas similares, muitos dos quais estão em voga hoje. Os nazistas defendiam com unhas e dentes o pleno emprego e o salário mínimo. Utilizavam a retórica pró-trabalho, dessa forma, eles exigiram a limitação dos lucros ou mesmo a sua abolição . Hitler expandiu o crédito, instituiu programas de governo para aumentar postos de trabalho e introduziu o seguro-desemprego, a indústria alemã era protegida da concorrência externa, com tarifas altas, estatizou a educação, instituiu uma política de salários rigorosa e de controles de preços, e que acarretaram enormes problemas na economia alemã .

Na verdade, alguns historiadores acreditam agora que a economia da Alemanha começou a vacilar no final de 1930 devido a sua política armamentista, e também pelas barreiras protecionistas do comércio, e os programas sociais. Isso deixou Hitler com pouca escolha além de lançar a sua máquina de guerra. Ele teve que invadir nações vizinhas para agarrar recursos naturais e evitar assim uma recessão econômica em sua própria nação.

Hoje os governos islâmicos de estilo radical também são facistas São nacionalistas, as economias desses países são controladas com mão-de-ferro pelo Estado. Elas se fundiram governo e religião em um caldeirão grande de modo que os dois são indistinguíveis.

O que torna o fascismo e outros regimes autoritários baseados em ideologias tão perigosos é que elas são povoadas por pessoas que gostam do governo. Essas pessoas amargamente desaprovam a Liberdade, mas estão ansiosos para aproveitar o poder do governo para impor a sua própria marca especial de controles sobre a população. Qualquer ideologia que coloca o governo antes da liberdade individual tem todas as marcas do fascismo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

e eu propronho o encerramento do BE*

BE propõe encerramento dos hipermercados aos domingos e feriados

da série : Ideias-bestas
do capítulo: Fode-te no cu
no título: mas não me fodas a mim
*título roubado ao Insurgente

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Richard Cobden, speech in the House of Commons

You may, by legislation, in one evening, destroy the fruits and accumulations of a century of
labour; but I defy you to show me how, by the legislation of this House, you can add one
farthing to the wealth of the country. That springs from the industry and intelligence of the
people of this country. You cannot guide that intelligence; you cannot do better than leave it to
its own instincts. If you attempt by legislation to give any direction to trade or industry, it is a
thousand to one that you are doing wrong; and if you happen to be right, it is a work of
supererogation, for the parties for whom you legislate would go right without you, and better
than with you.

Obama e a Esquerda Europeia

A Presidência Espanhola da União Europeia está chocada com a ausência de Barack Obama na futura cimeira USA-EU.

B.O. está naturalmente mais preocupado a "arrumar a casa" para as intercalares que estão para vir - e a tentar negociar com os republicanos de forma a que os americanos não notem tanto a perda de vantagem no Congresso - do que a perder tempo a falar com o "Homem Doente" do Ocidente.

A era Obama afigura-se desastrosa para a Esquerda Europeia por duas razões:

1- não correspondeu a nenhuma das suas expectativas. Obama aceitou um prémio Nobel da paz, sem a garantir. Trouxe J.M. Keynes de volta à ribalta, mas a Nova Ordem Keynesiana será negociada com os países emergentes da África e da Ásia, e apenas alguns parceiros europeus - aqueles que não estiverem demasiado soterrados em dívidas.

2- Obama é mais realista do que McCain. O "lonely rider" republicano via na Europa um parceiro viável, um amigo tradicional cujos comportamentos são infinitamente mais previsíveis do que os Tigres e os Leões asiáticos. Obama conhece o "mercado político" dos novos capitalistas - e sabe que depende muito mais deles do que da estafada europa.

O que nos resta é a frustração idiótica. Obama não vai dialogar com os Grandes Líderes do Partido Socialista Europeu - nem sequer vai ajudá-los a recuperar a Europa das reaccionárias mãos dos Populares. Pelo contrário, se houve balanço positivo na diplomacia europeia foi com a democracia-cristã alemã.

A ladainha habitual de que a União Europeia é uma instituição pro-mercado está-se a provar, cada vez mais, uma mentira adiada. A Agenda de Lisboa, que planeava fazer da UE o espaço mais competitivo do mundo até 2010, devido à insistência da burocracia de Bruxelas em tutelar os mercados.

As políticas anti-trust da UE estão a corromper o mercado europeu e a eficiência das empresas.

É um erro acreditarmos o espaço europeu como um espaço de comércio livre quando tantas regras para a competição entre as empresas existem neste pequeno vilarejo com sotaque engraçado que é a Europa.

Fazer cumprir estas regras - num esforço desmesurado para criar um mercado de concorrência perfeita - consome 10% do PIB da UE.

O suficiente para recuperar muitos dos empregos que a UE vai perdendo todos os anos para os mercados asiáticos e americanos.

Obviamente que a tributação excessiva e a legislação laboral também contribuem para o apagão da Europa.
Enquanto a Europa continuar a impedir activamente as empresas de se instalarem na Europa e produzirem - sem o medo de produzir o suficiente para atemorizar os "barões da concorrência regulada" - os objectivos da Agenda de Lisboa vão continuar a ser os mais amargos dos novos contos de fadas do Velho Continente.
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