1. Qual a sua opinião sobre o fenómeno da pedofilia na Igreja Católica?
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada: Como é evidente, não posso deixar de lamentar todos os crimes de abusos de menores. Não só lamento sinceramente todos os casos de pedofilia como espero que as entidades civis e eclesiais competentes tomem as medidas adequadas para a total erradicação deste fenómeno na sociedade e na Igreja.
Não ignoro, contudo, que a esmagadora maioria destes casos ocorre no seio das famílias, sobretudo das mais disfuncionais, e das instituições do Estado, como o triste caso Casa Pia demonstrou, e não nas instituições da Igreja que, embora também vulneráveis, são, por regra, exemplares no seu desinteressado e muitas vezes heróico serviço aos mais necessitados.
2. Como explica o facto deste fenómeno ter assolado a Igreja Católica?
Pe. GPA: Há um manifesto exagero na afirmação de que este fenómeno tem «assolado a Igreja». Temo que o sensacionalismo criado à volta destes casos e o modo como a Igreja Católica tem sido a eles associada por certa imprensa não seja de todo inocente.
3. Quer exemplificar?
Pe. GPA: Com certeza. Segundo Massimo Introvigne, que cita um estudo de 2004 do John Jay College of Criminal Justice, foram 958 os padres acusados de pedofilia nos Estados Unidos, num período de 42 anos, tendo resultado a condenação de 54, aproximadamente um por ano. Se se tiver em conta que nesse mesmo lapso de tempo foram condenados pelo crime de pedofilia 6.000 professores de ginástica e treinadores desportivos, é necessário concluir que o principal alvo desta campanha mediática não é a pedofilia, que é apenas um pretexto, mas a Igreja e, mais especificamente, o Papa e o sacerdócio católico.
Com efeito, é significativo que, citando Jerkins, a maior parte dos casos de abusos de menores protagonizados nos Estados Unidos por clérigos tenham sido perpetrados por pastores protestantes e não por padres católicos e, no entanto, contrariando a mais elementar justiça e objectividade, são apenas estes últimos, em termos mediáticos, os bodes expiatórios...
4. Entende então que se trata de uma perseguição contra a Igreja Católica?
Pe. GPA: Certamente. Qualquer pessoa de bem, mesmo não sendo católica, vê com preocupação esta crescente onda de intolerância laicista, porque sabe que, hostilizada a Igreja Católica ou neutralizada a sua acção social, quem fica a perder é a família, porque nem o Estado nem nenhuma outra instituição é capaz de assegurar o serviço que a Igreja Católica presta às famílias portuguesas, sobretudo às mais carenciadas.
5. A Igreja portuguesa está a investigar com a necessária diligência as suspeitas sobre padres pedófilos?
Pe. GPA: Muito embora a hierarquia eclesiástica não possa, nem deva, ignorar as suspeitas de padres pedófilos, não só não é sua principal missão investigar estes casos como também não conta com estruturas adequadas para uma tal missão.
Mais do que a lógica da suspeita e da delação, tão ao gosto dos novos fariseus, a Igreja há dois mil anos que se rege pela lógica da confiança e do perdão, seguindo o exemplo do seu Mestre que, embora provocando a indignação dos hipócritas, desculpou a adúltera, como também perdoou a tripla traição de Pedro. Mais do que poder ou tribunal, a Igreja é comunhão e família e, por isso, alegra-se e sofre com todas as glórias e misérias dos seus filhos.
A Igreja, que é santa na sua origem e nos seus fins, é pecadora nos seus membros militantes que, contudo, não enjeita, se neles reconhece um autêntico propósito de conversão.
6. Quer com isso dizer que a Igreja condescende com a pedofilia do seu clero?
Pe. GPA: De modo nenhum, pois a Igreja não condescende nunca com a prevaricação de quantos, investidos na especialíssima responsabilidade do ministério sacerdotal, desonram essa sua condição.
Possivelmente, a condenação mais severa de todo o Evangelho é a que Cristo dirige precisamente aos pedófilos e a quantos são motivo de escândalo para os mais novos. Esse ensinamento evangélico, como todos os outros, não é letra morta na doutrina, nem na praxe eclesial.
7. Pode dar alguns exemplos de documentos da Igreja sobre esta questão?
Pe. GPA: Sem a pretensão de ser exaustivo, permita-me que, a este propósito, recorde alguns dos mais recentes documentos da Santa Sé sobre este particular:
- a instrução Crimen sollicitacionis, de 1922 e que, em 1962, o Beato João XXIII reafirmou e na qual se esclarece a obrigação moral de denunciar estes casos;
- o Código de Direito Canónico, que reafirma a excomunhão automática, ou seja, a imediata expulsão da Igreja, do confessor que alicia o penitente, qualquer que seja a sua idade ou género, para um acto de natureza sexual;
- o Catecismo da Igreja Católica, que renova a condenação da pedofilia;
- e o documento De delictis gravioribus, de 2001, que regulamenta o Motu Proprio Sacramentum Sanctitatis tutela, do Papa João Paulo II que, para evitar qualquer local encobrimento destes delitos, atribui a necessária competência à Congregação para a Doutrina da Fé, então presidida pelo actual Papa.
8. Não obstante esta condenação formal da pedofilia, não é verdade que tem faltado vontade política de aplicar as correspondentes sanções?
Pe. GPA: À hierarquia da Igreja não tem faltado a firmeza necessária para punir os eclesiásticos que incorreram em actos desta natureza. Foi o que aconteceu a um cardeal arcebispo de uma capital centro-europeia, que foi recluído num convento e proibido de qualquer acto público. Foi também o caso do fundador de uma prestigiada instituição religiosa, que foi também suspenso do ministério pastoral, demitido das suas funções de governo na estrutura eclesial por ele fundada, que foi sujeita a inspecção canónica, e obrigado a residir em regime de quase-detenção numa casa religiosa.
9. E se se vier a verificar algum caso no clero português?
Pe. GPA: Como se sabe, graças a Deus não há memória de nenhum sacerdote português, diocesano ou religioso, que tenha sido alguma vez condenado por um crime desta natureza. Se porventura se desse também entre nós algum caso, não tenho dúvidas de que o nosso episcopado, de acordo com as normas a que está obrigado, saberia agir com justiça e caridade.
10. Concorda com as críticas veladas de vários sectores da sociedade que acusam a Igreja de pouco fazer para garantir a total transparência destes processos? A maioria dos casos suspeitos é, regra geral, arquivado pelo Ministério Público. Segundo algumas fontes policiais, «as vítimas retraem-se mais tarde, devido ao ascendente dos alegados agressores».
Pe. GPA: Dada a minha sensibilidade cristã e formação jurídica, causa-me algum desconforto o uso e abuso de expressões tão vagas e perigosas como «críticas veladas», «casos suspeitos», «alegados agressores», porque tendem a criar uma suspeição generalizada. Há um princípio geral de inocência que não pode ser contrariado: um político, um professor, um padre ou um desempregado que seja burlão não faz da sua mesma condição todos os políticos, professores, padres ou desempregados. Se um violador que é engenheiro, como o recentemente detido, não infama todos os engenheiros, nem suscita uma caça aos engenheiros violadores, porque razão um padre pedófilo, se o houver, provoca esta tão desmedida reacção nos meios de comunicação social?!
11. Pode-se dizer que a associação entre pedofilia e sacerdócio católico não é arbitrária, na medida em que é entre os padres que tendem a verificar-se delitos desta natureza?
Pe. GPA: Não, porque uma tal pressuposição carece de fundamento, como as estatísticas mais recentes provam. Por exemplo, na Alemanha, segundo Andrea Tornielli foram notificados, desde 1995, 210.000 casos de delitos contra menores, mas apenas 94 desses casos diziam respeito a eclesiásticos, ou seja, um para cada dois mil envolvia algum sacerdote ou religioso católico. O inquérito Ryan, sobre a situação na Irlanda, é também esclarecedor porque, num universo de 1090 crimes cometidos contra menores em instituições educativas, os religiosos católicos acusados de abusos sexuais foram 23.
12. Talvez alguém entenda que, muito embora haja também pedófilos que não são padres, o crime para que mais tendem os sacerdotes católicos é o abuso de menores.
Pe. GPA: Também não é verdade porque, de acordo com Mons. Scicluna, perito da Congregação para a Doutrina da Fé, que é o organismo da Santa Sé que superintende estes casos, entre os anos 2001 e 2010, houve notícia de 300 casos de pedofilia num total de 400.000 padres. Além disso, os abusos de menores são apenas 10% de todas as acções criminais praticadas por sacerdotes católicos.
13. Mas do ponto de vista da psiquiatria, tudo leva a crer que o celibato sacerdotal é, em boa parte, responsável pelos abusos de menores realizados pelo clero católico…
Pe. GPA: Pelo contrário. Manfred Lutz, um psiquiatra especialista na matéria, afirmou que o celibato sacerdotal não só não incita à prática destes crimes como até favorece uma atitude de respeito e de ajuda aos menores. Esta conclusão científica prova-se também pelo facto de, entre os clérigos condenados por este crime, haver mais pastores protestantes, casados, do que sacerdotes católicos, celibatários, e ainda porque a grande maioria dos pedófilos são casados o que, obviamente, não pode ser usado contra o casamento.
14. Consta na opinião pública que a maioria dos casos suspeitos de padres pedófilos, não é objecto de investigação, nem de posterior procedimento criminal…
Pe. GPA: Se assim é, de facto, não é certamente por culpa da Igreja, que nada tem a ver com as investigações policiais, nem muito menos com as diligências judiciais.
Embora se tenda a crer que a Igreja e o seu clero gozam de um tratamento de excelência na sociedade portuguesa, a verdade é que não deve haver instituição pública nem classe profissional mais maltratada nos media do que a Igreja Católica e os seus sacerdotes.
15. Porque o diz?
Pe. GPA: Permita-me que lhe dê um exemplo. Há uns meses atrás, um pacato pároco português foi detido com enorme aparato por quatro ou cinco polícias trajados a rigor, como se o pobre padre de aldeia fosse um perigoso terrorista, quando na realidade era apenas um mero caçador que tinha por licenciar algumas armas. À notícia, transmitida nos noticiários televisivos, foi dado um aparato que, de não ser dramático, teria sido ridículo, até porque aquele pacífico sexagenário não representava nenhum perigo público. Não foi com certeza por acaso que se forjou toda aquela fantástica encenação, como também não foi por acaso que se convidaram as televisões…
Mas factos ocorridos há dezenas de anos numa instituição pública, como a Casa Pia, e de que foram vítimas dezenas de adolescentes, ainda não conhecem uma decisão judicial… Será isto justiça?!
16. Mas não acha que o incumprimento de uma obrigação por um padre é um escândalo?
Pe. GPA: É verdade que é exigível aos prestadores de serviços públicos uma especial responsabilidade: é razoável que o incumprimento de uma obrigação fiscal por parte um governante seja notícia, mas já o não seja se o prevaricador for um anónimo cidadão. Mas o escândalo não pode ser utilizado como arma de arremesso ideológica, sob pena de que aconteça aos padres católicos de agora o que aconteceu aos judeus alemães, durante o regime nazi.
17. Surpreendem-no estes casos de padres pedófilos?
Pe. GPA: Nenhum pecado é surpresa para nenhum padre e todos os padres sabemos que somos capazes de todos os erros e de todos os horrores. Não é por acaso que, na Semana Santa, a Igreja recorda o tristíssimo caso de Judas Iscariotes, que muito significativamente os evangelistas não silenciaram, quando poderiam tê-lo feito, a bem do prestígio da sua condição sacerdotal e do bom nome da Igreja. Graças a Deus conheço muitos padres, quer seculares como eu, quer religiosos, e confesso-lhe que não conheço nenhum que não mereça a minha admiração.
18. Tem ouvido, mesmo que rumores, de casos de pedofilia por parte de alguns padres? Ou é uma completa surpresa para si a existência deste tipo de casos, que acabam por manchar o nome da instituição secular?
Pe. GPA: Tenho uma enorme devoção por todos os meus irmãos sacerdotes, na certeza de que até no menos bom há, pelo menos, a grandeza do dom e da missão a que foi chamado. Também não ignoro que nenhum de nós, por mais qualidades que possa ter, é indigno dessa graça, pelo que nunca me surpreenderá encontrar nos outros alguma da miséria que diariamente descubro em mim. Mas, mesmo que essa constatação possa de algum modo perturbar-me, confesso-lhe que mais do que a traição de Judas, me admira a santidade e o martírio dos outros onze apóstolos. Talvez por isso, não tenho tempo para ouvir esses rumores de que fala, ou tempo para olhar para essas manchas a que alude e que não ignoro, porque prefiro contemplar a eterna beleza da Igreja, que procuro amar com todo o meu coração.
19. Já denunciou algum caso às autoridades eclesiásticas?
Pe. GPA: Denunciar é um termo que não faz parte do meu dicionário e, como padre, a minha missão não é acusar o culpado, mas perdoar o arrependido.
20. Já teve alguma suspeita de abusos por parte de algum colega seu?
Pe. GPA: Como não é meu hábito falar das vidas alheias, permita-me que, em vez de falar dos meus colegas, lhe diga o que eu desejaria que me acontecesse se caísse numa dessas situações, até porque é isso mesmo que desejo aos meus irmãos sacerdotes.
Se tivesse um dia a desgraça de incorrer nalgum comportamento menos próprio da minha condição sacerdotal, agradeceria que os meus irmãos na fé, padres ou não, tivessem a coragem de me fazerem a correcção fraterna, tal como Nosso Senhor determinou. Se o meu desvario persistisse, não obstante essa caridosa advertência, aceitaria de muito bom grado que o meu bispo utilizasse todos os meios ao seu dispor, sem excluir os civis e penais, para a minha emenda, na certeza de que essa expiação, embora dolorosa, contribuiria decerto para o bem das almas e para a minha salvação.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
A Igreja e a Pedofilia - Pe. Gonçalo Portocarrero Almada
domingo, 11 de abril de 2010
escrever sem subsídios
Estou bem cansado das coisas que se ouvem e se dizem, numa sociedade tão santinha e casta como esta, onde os mais conservadores e ritualistas ocupam a Extrema Esquerda das Faculdades.
Estou envergonhado e peço mil vezes desculpa aos meus leitores, ao meus amigos, por ter chegado ao ponto de, enquanto membro da administração deste blogue, ter retirado um post.
Gostava de pedir aos leitores que me têm vindo a acompanhar para que o façam agora num novo sítio, onde penso que estarei mais livre ainda para escrever o que me apetece, sem as amarras tolas da bloguística colectiva.
A partir de hoje estou n'O Espectador Português.
nota: pensando bem, mantenho-me por cá. O Café, penso eu, ainda tem condições para espalhar a sua mensagem.
Novo Aviso
Um abraço a todos
sábado, 10 de abril de 2010
Aviso da Administração
segunda-feira, 5 de abril de 2010
conceitos inconciliáveis - liberalismo e democracia
Afinal, que tem a maioria de especial? Como se pode elevar a superioridade numérica a um princípio sem estrangular ou destruir outros, primordiais, princípios? Só um utilitário pode, afinal, defender a felicidade do maior número em vez do simples conceito de justiça. Nenhum deles assumirá que «a maioria» pode suprimir os direitos da «minoria», no entanto essa é a conclusão lógica, implícita e experimentada do ideal democrático. Hoje, o voto legitima quase diariamente os actos despóticos de governos que não exercem apenas essa autoridade sobre «a maioria» que os elegeu, mas sobre a população inteira. A massiva redistribuição de riqueza de produtores para parasitas (e nestes contam-se tanto os moradores de bairros sociais como os administradores da EDP); o Estado social e o Corporativismo que corrompe moralmente toda a população; a progressiva e imparável supressão da liberdade individual, da liberdade de contrato, da liberdade de exclusão – ou seja: do direito de um indivíduo de dispor da sua propriedade como lhe aprouver sem interferir na habilidade de outros disporem da sua; o proselitismo compulsório que é imposto às crianças e a obediência submissa que é imposta aos adultos pela suposta legitimidade concedida pela maioria ao governo. Afinal, que nos trouxe a democracia senão o afastamento progressivo de princípios e práticas liberais?Mas se já é triste a continuação da superstição democrática entre liberais, é mais triste a superstição pior de que existe alguma legitimidade na dominação militar para promover o ideal democrático (ou, já agora, qualquer ideal). Visto que quase todos os liberais vêm da direita, torna-se ainda mais estranho vê-los apaixonados por uma ideia tão trotskista. Essa é, porém, a natureza dos «liberais-democratas-militaristas». Para eles, o «policiamento e administração do mundo» é uma legítima função do «império americano-europeu», e o apoio às instituições-base dessa função (como o FMI, o Banco Mundial ou a NATO) é quase sempre automático e acrítico (naturalmente sem nunca pôr em causa a ideia ou as instituições em si). Não raramente, apoiam guerras ofensivas e injustificadas pela mesma ordem de razões – falhando em separar a propaganda estatal da realidade como seria de esperar de liberais.Os democratas-liberais vivem dois eternos paradoxos. O primeiro é que a sua defesa da democracia como princípio é incompatível com o princípio de liberalismo; o segundo é a sua defesa da não-intervenção do Estado em assuntos internos e simultânea defesa da intervenção nos assuntos de outras nações pelo mesmo Estado.Mas como é possível gerir um Estado – mesmo mínimo -, de forma a representar os interesses da população (ou pelo menos de uma boa parte dela), sem o processo democrático? A reposta é «não é possível». Por duas razões: a primeira é que um Estado democrático nunca poderá ser mínimo, sobretudo a longo prazo; a segunda é que um Estado não-democrático também não pode ser mínimo, sobretudo a longo prazo. Mas a ideia de democracia só é necessária dada a existência de um Estado, outra instituição com fundamentos utilitários. Da mesma forma que só o liberalismo utilitário permite a defesa da democracia, também só este permite a defesa do Estado: e o atropelo dos princípios liberais é inevitável. Contrariamente, a consequência natural do pensamento liberal é o anarquismo, a ausência de autoridade arbitrária e a sociedade contratual e voluntária. Por outras palavras: mesmo um Estado mínimo viola os princípios fundamentais do liberalismo e necessita de ferramentas contrárias a eles.
pela Verdade I
A campanha que o New York Times iniciou esta semana contra o Papa (cf. aqui), vinda de onde vem, não deixa grandes dúvidas quanto à sua origem e propósito. Um grupo de americanos está já instalado na Praça de S. Pedro em Roma, munido de pancartes, a exigir reponsabilidades ao Papa.A história conta-se em poucas palavras. Entre 1950 e 1975 (note bem, a história começa em 1950 e termina em 1975: existe uma certa cultura que é especialista em desenterrar mortos; adivinhe qual é), entre 1950 e 1975, dizia, o Padre Murphy da freguesia de Milwuakee, nos EUA, terá alegadamente abusado sexualmente de cerca de 200 crianças surdas-mudas. Alegadamente, é preciso insistir, porque uma investigação judicial, que o próprio NYT refere, não conseguiu provar nada e deixou caír o caso. (A patifaria da campanha começa logo por aqui).Em 1950 Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, tinha vinte e três anos e era estudante de Teologia na Alemanha. Em 1975, tinha 48 e era professor de Teologia na Alemanha. Os alegados abusos sexuais do Padre Murphy chegaram ao conhecimento do Vaticano, e alegadamente do cardeal Ratzinger em 1996, ele era então uma autoridade dentro da Igreja Católica: Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.Por essa altura, o Padre Murphy estava velho e doente. Na realidade viria a morrer quatro meses depois. O Papa Bento XVI é hoje acusado de não ter castigado o Padre Murphy (o qual, depois da investigação judicial, as próprias autoridades civis nunca acusaram). Ainda que tenha havido alguma coisa, e o cardeal Ratzinger se convencesse dela, que castigo poderia ele aplicar ao Padre Murphy? Matá-lo quatro meses antes da morte natural? Excomungá-lo? Ou perdoá-lo?
aqui
domingo, 4 de abril de 2010
a minha pátria são a minha família e amigos
Interrompo as festividades para um pequeno lembrete:
Há tempos passamos, sem anúncio pela TV Pública, por uma data muito importante.
O Centenário de Herculano.
Historiador famosíssimo e apreciado por toda a Península, o escritor de Eurico, o Presbítero e do Monge de Cister, duas obras emblemáticas do romance histórico, ficou mal recordado pelo país.
Passou a data a 28 de Março. O texto abaixo talvez conceda ao leitor uma justificação para este silêncio de velório que a república centenária impôs nesta preciosa data...
António José Saraiva «Herculano e o Liberalismo em Portugal», Lv. Bertrand, pág. 252.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
M. Aurélio e Nero
A serena civilização
A barbárie cacofónica
segunda-feira, 29 de março de 2010
revolução permanente
A escumalhada não teve mais a fazer a não ser justificar-se, pois tal moção "equivaleria a um ataque à República".
A república vale a rejeição de um crime, que ocorreu de facto, de um crime cometido contra um soberano português.
Comprova tudo isto o estado de revolução permanente em que vivemos, e como este estado é perfeito terreno para plantar os mitos e as generalizações dos radicalismos.
A república portuguesa fundamenta-se na legitimidade de um Estado alienígena, pelo menos ao anterior, fundado em 1910 e que negou, unilateralmente, todos os traços históricos e culturais do Reino de Portugal.
Mudou as suas cores, alterou a sua administração, invadiu a privacidade e as liberdades dos cidadãos - em nome da experimentação política de uma nova República.
E ainda hoje, esse Estado com quase 100 anos, controlado por uma elite rasca e cheia de alternativas rasca, assente apenas na passividade desta gente sem história e cultura, se vai mantendo.
domingo, 28 de março de 2010
Israel is in the House
De facto, a FDUP sem Café Odisseia é uma valente seca.
Ficava tudo entregue aos subsidiaristas e aos súcias.
segunda-feira, 22 de março de 2010
agrafar um tronco na testa de gente burra
Afirmar que um padre abusa sexualmente de uma criança por causa do seu celibato, é o mesmo que dizer que um pai de família só não comete o mesmo crime porque é sexualmente activo.
sábado, 20 de março de 2010
Carta de Sócrates a Manuel Godinho- Notícia em Primeira Mão.

Caro amigo Socialista em Alá ( ou Deus, ou Yahve, ou Manuel Alegre)
Lambe-me a sucata
com tua língua socialista.
Mas olha que o ferro mata!
Fá-lo longe da humana vista...
terça-feira, 16 de março de 2010
Rolhas, Laranjas e Lordes
Está-se a criar na bloguinha tuga todo um mistériozinho máximo àcerca do atentado à saúde democrática do PSD.
Há nestes assuntos uma coisa que me parece demasiado própria de quem se mete na política, que é uma crónica falta de tomates. Na hora H, são todos umas vigens ofendidas, mas ninguém sai do partido.
Quando alguém que chora pela ditadurazinha presidencial (para o país e para o PSD) tremelica perante os avanços totalitários de Santana Lopes - os deuses devem estar loucos! - penso que há uma necessidade de um messias que imponha a viril coutada do juízo.
E esse sou eu.
Minhas senhoras, com todo o respeito pela tacanhez do Partido Social Democrata, o pedaço de história mais deprimente da cultura ibérica, a história das instituições humanas está repleta de limitações que visam à obtenção de alguns objectivos por parte dos responsáveis.
Não é a instituição o elemento escravizador que possibilita ao homem viver feliz e livre, impondo o império da ordem numa outrora desorganizada sociedade?
O PSD somente procura - e aparentemente de acordo com os seus principais líderes - alcançar um pouco da disciplina que sempre lhe faltou. Muito por culpa das meninas que agora fazem o choradinho.
Eu não digo que seja errado aos que estão de fora repugnar este acto. Mas a partidocracia nunca tem mistérios para quem é bem intencionado e sincero.
Quem se mete com ela que lhe aguente as mágoas.
Ou não é bem pior a imposição sobre os deputados comunistas de ceder parte do salário ao PCP? Ou a estrita disciplina de voto dos socialistas?
Também de restrições se faz a liberdade, ou algo parecido diz Engisch. 60 dias antes dos congressos, o militante abstém-se de manifestações. De críticas e choradinhos.
É cruel e idiota, mas dentro de um partido, penso eu, importa mais o bem comum e os destinos da associação que os próprios interesses. Daí eu não fazer parte de nenhum.
A conversinha triste do Partido vem acompanhada de uma má notícia da pobre Pérfida Albion.
Aparentemente, a canalhada do igualitarismo vai fazer um circo como só eles sabem fazer para minar um pouco mais a autoridade da câmara dos lordes.
Instituição ímpar na tradição inglesa, caso único no Mundo, a câmara hereditária dos pares do Reino Unido pode estar em perigo de extinção.
Lanço o apelo para que leiam o texto que o Mad Monarchist escreveu sobre a possível destruição de mais um pouco de Tradição em terras Ocidentais.
Isso sim, merece as lágrimas...
segunda-feira, 15 de março de 2010
Nervosismo: O Vazio e o Nada- sentimento pós-criativo
domingo, 14 de março de 2010
um pouco cansado
Cansado de escrever, e cansado de assinar o meu nome.
Cansado de usar a minha escrita para me revelar, e para me distanciar. Como se com a escrita viesse a arrogância de me ajuizar como o detentor último da razão.
E se sou? Nesse caso, estou ainda mais cansado do que penso.
Acima de tudo, estou cansado de estar sozinho a defender o que está quase desarmado, o que já foi batido e destruído e violado 20 vezes e que ainda é visto como o pior dos males actuais.
Acima de tudo, estou farto. Apercebo-me cada vez mais que não dou o exemplo que querem que eu dê. Que o mundo não vai mudar por muito que se tente falar com ele.
Que a maioria das pessoas, quiçá dos meus leitores, já sabe o que defender e como me julgar ainda antes de ler os meus primeiros parágrafos.
Começo a não ver objectivo em assinar os meus textos com o meu nome.
Afinal de contas, não digo sempre as mesmas coisas?
Meus amigos e leitores, leitores amigos, vou fazer uma longa pausa da escrita.
Estarei pela blogosfera, especialmente pelo Forum Política e Sociedade, talvez em mais alguns sítios, enviarei emails para os meus bloggers favoritos a meter conversa, mas por enquanto, peço-vos a fraterna paciência de aguardarem o meu prolongado retorno.
O que me leva a fazer isto é uma sensação de desilusão enorme. Expirou este meio, esta forma de comunicação, continuarei a caminhada para encontrar outros.
Voltarei com novas conversas, novos conteúdos, novas experiências.
Até à próxima!
quinta-feira, 11 de março de 2010
a igreja Católica e a Cultura - a cultura geral, a Verdade e o síndrome de Manada
A Igreja Católica padece dos males das instituições: depois da pujança e da prosperidade, vêm-se acometidas por todos os sectores rivais de abusos, de denúncias e teorias malinventadas sobre os excessos cometidos nas horas mais felizes.
A criação da cultura católica não se fez de um dia para o outro. A construção serena da Igreja proporcionou-lhe a força que ela ainda mantém no mundo, mesmo após todas as violações e expropriações que sofreu ao longo do século XIX e XX.
A Doutrina Católica está intrinsecamente ligada aos Evangelhos. Recentemente, um movimento apelidado de cristianismo gnóstico tem atingido a Igreja, ao culpa-la da destruição de manuscritos apócrifos que não representavam as ideias políticas dos primeiros líderes da Igreja.
Tal afirmação demonstra um total desconhecimento da realidade histórica.
A Igreja Católica constrói-se durante a queda do Império Romano. E é uma construção progressiva. Adopta os Evangelhos mais comuns entre as populações proto-cristãs e analisa os documentos religiosos que circulam entre as comunidades religiosas. Teve, obviamente, de criar critérios para a autenticidade de uns e outros. Esses critérios tinham por objectivo salvaguardar as comunidades cristãs e a Palavra de Cristo.
Toda estas discussões originaram seitas, concílios, discussões filosóficas e debates intelectuais que ainda hoje, pelos registos que nos restaram, são admirados pela nata do Pensamento, pelos teólogos e filósofos mais conceituados. E tudo isso se deu numa época em que o Império começou a apagar, definitivamente, as suas Luzes, e a tornar-se numa construção política opressiva.
Como se pode ver, a Cultura é o germine da doutrina católica, a liberdade de pensamento e investigação foi algo necessário para que os Doutores da Igreja ajudassem à criação da Igreja e da Civilização Ocidental.
A Igreja Católica desempenhou um poderoso papel nos últimos dias do Império. Deu diplomatas a Roma, até militares. Foi o bispo de Milão que impediu que os Hunos invadissem Roma.
Manteve as leis latinas, preservou os seus escritos.
Durante as eras das Trevas, em que a Cultura se apagou quase definitivamente do Mundo, foi nos mosteiros cristãos, nas comunidades religiosas, e através dos locais de ensino católicos que se copiaram, comentaram e preservaram obras de Sócrates, Aristóteles, Gaio, Marco Aurélio, Políbio, Ulpiano, etc.
Todo este ensino foi libertado dos claustros dos monges cistercenses e propagou-se pela Europa Medieval.
Criou-se assim a Europa Moderna, modernizaram-se leis, protegeu-se a pessoa e a propriedade, incentivou-se o comércio, estabilizaram-se os estados.
E reapareceu, lentamente, a Arte.
Ou não é a beleza Renascentista, da qual a Igreja Católica foi o principal mecenas, o fruto de uma contínua e paciente cultivação, sementes da intelectualidade medieval, quase toda ela formada na liberdade das universidades académicas?
Sendo que essas universidades académicas, que respondiam apenas perante o Papa, não eram nunca, por tal, motivo de violências, nem na pessoa das instituição nem na pessoa de docentes e discentes, dos soberanos medievais?
Funcionou sempre o Catolicismo como protector da Arte quando todos a desprezavam, e como refreador dos ânimos dos poderosos incultos, que tantas vezes viam na complexidade das leis canónicas e nos processualismos dos romanos uma perda de tempo. Tudo para muitos deles se resolvia melhor à espadeirada.
Não insistiu sempre a Igreja Católica que os cursos de Teologia viessem totalmente separados dos de Ciências Naturais? Proibindo até os doutores dessas áreas dar as duas disciplinas simultaneamente, para que não confundissem matérias de fé com matérias da Natureza?
Tudo isto tem prova, desde bulas até documentos legais, desde concessões régias a acordos internacionais.
E o que foi a Contra-Reforma senão a resposta à violência da Reforma Protestante?
Morreram menos homens e mulheres, ao longo da história completa da Inquisição, que as mulheres que foram queimadas por bruxaria na Nova Inglaterra.
E os mosteiros, locais de sabedoria e riqueza, de quem dependiam as populações mais pobres dos tempos antigos em busca de comida, abrigo e trabalho, que foram alvo de rapinas e destruições, durante o levantamento do movimento protestante?
Esse mesmo movimento protestante que retirou a felicidade do Homem da teoria económica e colocou o objectivo desta na força laboral? Perpetuando o erro que embocaria em Marx, e a sua teoria objectiva do valor?
Não foram os protestantes que concederam a Jaime I o direito divino dos reis? Todas estas transformações destruíram a ordem tradicional europeia, e causou esta revolução uma reacção apertada da Igreja. E sim, foram cometidos erros.
E não eram os Tribunais Inquisitórios, com edifícios e condições de acordo com a lei cristã, tantas vezes requeridos por aqueles que não queriam enfrentar a ira das instituições laicas?
Ou não foi Bocage para a Inquisição, protegido pela autoridade papal dos devaneios absolutistas de Pina Manique?
Não usaram tantas vezes os Estadistas a Igreja para os seus fins?
E quantas vezes foram reprimidos esses estadistas por isso?
Não foi João III reprimido por ter instaurado a inquisição em Portugal, quando o Papa já desconfiava que ele a usaria apenas para confiscar os bens dos judeus? E não é a Igreja uma convicta defensora dos direitos de propriedade? Ou não fosse ela a criadora do nosso Direito Privado.
Ainda assim, preservou a Igreja Católica, nos seus melhores momentos, as obras de Avicena, Averróis - ambos muçulmanos - , os últimos escritos maias, reportou a violência sobre os índios pelas autoridades públicas e pelos privados, criaram-se acordos com os reinos da Ásia, fizeram-se as primeiras trocas culturais com a China, etc.
Manteve-se na vanguarda dos direitos humanos através de Bartolomeu Las Casas, considerando indiscutível a humanidade dos índios e mais tarde dos negros.
Tudo isto a Igreja fez e criou, preservou e manteve, durante épocas de total destruição social, de instabilidade política e de destruição do ordenamento jurídico.
Quando todos negavam o valor da legalidade e da ordem, dos valores humanistas e da paz.
E ainda a acusam de ser instigadora da Guerra. Não foi a Igreja que preparou a paz de Vestefália, presidindo os delegados do papa às declarações de paz dessa guerra dos Trinta Anos que muito mal fez na Europa? Guerra essa que começa por uma insurreição ilegítima e acaba num confronto de morte entre fundamentalismos?
Não foi a Igreja Católica que, através das células na América do Sul, defendeu os últimos redutos dos índios, acossados pelos colonos? Não tiveram a mesma sorte os índios norte-americanos, nem as populações autóctones dos confins do Império Russo, protegidas pelos czares e pela Igreja Ortodoxa e aniquiladas em nome do Igualitarismo por esse profeta do Socialismo, José Estaline.
Não foram o Rei da Bélgica e o Imperador da Áustria, a pedido do Papa, os primeiros chefes de Estado a pedir a paz da Iª Guerra Mundial, quando o Mundo parecia querer despedaçar-se?
Não foi o catolicismo da Baviera o principal rival dentro da Alemanha contra Hitler?
E o protagonista da operação Valquíria, agora tão conhecida, não era ele um católico que actuava com cédulas anti-nazis católicas?
Porque não investigam essas coisas os mais radicais dos historiadores de fim-de-semana?
Ou julgam que, por dizer algo que já vem explícito nos manuais escolares, em sentido de insurreição oficial contra a cultura católica, são os verdadeiros intelectuais? Atacar a Igreja sempre foi tão fácil como improdutivo. É que a mentira e o radicalismo nunca deram frutos.
Profetas Socialistas
Áqueles que lidam com a liderança:
liderar é sentir a sensação de ser senil
entre pouco de tudo, e de tudo nada!
Globalmente inseridos,
parcialmente sós!
E vós? Sois vós? Quem sois vós?
o eco da auspiciosa audácia invertebrada?
Vil triste mente! Perdeste teu ego viril
que alimentas sob disfarçada temperança!
Vós? Não sois vós? Eu? Não sou eu!
Serei eu ou parte oca de vós?
a verdade escapa com tantas reticências,
recôndito na forma ou nas aparências,
e o horizonte perto esmoreceu
imune à desastrosa vivência dos sós.
usurpadores? usurpam! e sentem-se usurpados
Mas permanecem (imunes). Qualquer dia, calados!
Poeta-Taberneiro-Feuerbachiano
terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
O problema da meritocracia e as questões da base
2ª Conferência - Forum Política e Sociedade
Depois do êxito conseguido na primeira sessão, onde se abordaram temas caros à Criminologia e ao Direito Penal, o Forum mantém-se na linha da análise social, observando os impactos que a ordem jurídica e política provocam na sociedade civil, desta vez abordando a temática do Estado Social.
Assim sendo, temos previstos dois professores da nossa casa, o Professor José Maria Azevedo e o Professor João Pacheco de Amorim.
O orador convidado será o Professor Pedro Arroja.
Apelamos a toda a comunidade académica, tanto da Faculdade de Direito da UP como de outras instituições, que compareçam e venham discutir connosco este assunto que a todos nos interessa.
Apelamos também a toda a comunidade não-académica, mais novos e mais velhos, que venham aprender e partilhar connosco as vossas experiências.
Lembramos a todos que o Forum é um espaço de tolerância, onde a todos é permitido a colaboração, com vista à construção de uma sociedade melhor informada, mais racional e mais justa.
Acompanhe o blogue do Forum para se informar, em primeira mão, de mudanças imprevistas nos horários ou datas, e para ter acesso a todas as informações que vamos disponibilizar online, bem como dados e resumos, sobre o tema em debate.
Prepare-se com antecedência e venha participar!
Os sinceros agradecimentos da equipa do Forum Política e Sociedade.
sábado, 6 de março de 2010
PPC e PR - diferenças no PSD?
Por cá (e refiro-me também cá por nossa casa, pelo PSD), há quem fale vagamente numa suposta ruptura que se consubstancia numa eventual regresso à reforma agrária ou numa confusão entre os vários níveis do estado e se recuse a privatizar canais de televisão que têm como única finalidade servir de propaganda ao governo.
(Paulo Rangel)
Outros há, que (pelo menos hoje, já que no futuro veremos, no passado nem sempre foi assim) defendem privatizações de 40%, apostas do estado (por conta e em vez das empresas?) no Atlântico Sul e uma regionalização parcial do nosso país.
(Pedro Passos Coelho)
Em relação a outros, não sabemos ainda muito bem o que defendem para o partido e para o país.(Aguiar-Branco)
sexta-feira, 5 de março de 2010
resposta a comentário
Cumprimentos de um social democrata..
por Anónimo
Paulo Rangel é o mais velho.
Mais jurista que político, pode-se ver pelo curruculum deste homem que a política nacional sempre lhe foi secundária quando comparada à glórias da academia.
É um homem moderno, de direita. No fundo, um apaziguador. Defende uma maior abertura da Igreja Católica perante alguns sectores mais vanguardistas da sociedade - e o PSD é o partido mais católico de Portugal - e uma presença do Estado mais concentrada na produtividade dos sectores tradicionais, como a agricultura e os serviços públicos.
Tem a escola do CDS porque é, na gíria europeia, um popular democrata-cristão. Moderno e moderado.
Mas em Portugal, o democrato-cristianismo moderado é essencialmente nomeado de social-democracia. No entanto, Rangel compreende que o tamanho do estado é o principal inimigo do crescimento económico do país.
PPC é o animal político em toda a linha.
Jotinha desde os 14, tem uma impressionante carreira de consorte no PSD. Tem influências ideológicas diferentes das de Rangel. É mais jovem, leu outros autores e foi influenciado por outros líderes.
É um liberal. Não por necessidade, como Rangel, mas porque tem essa percepção das funções do Estado.
No entanto, tem a sua noção de equilíbrio e, como político de main stream, de realidade.
Defende que o Estado deve e pode ser reduzido em 10 anos, mas sabe que a social-democracia deve ser atingida em 20, o socialismo abandonado totalmente em 30, e um estado mais liberal talvez nem em 50.
As realidades do país onde vivem tornam estes dois homens tão diferentes, iguais.
Mas essa é a beleza do Partido Social-Democrata. É um partido tão português, tão diferente e variado, que tem a capacidade incrível de unir os pólos opostos na hora de necessidade.
É também um microcosmos do funcionamento da república em Portugal.
Sair vivo dos debates contra PPC é algo que Rangel mal consegue. No entanto, a elite intelectual e os barões estão por Rangel.
PPC é o risco de uma realidade desapotante. Vai-se lhe exigir ser Sá Carneiro, e ele pode muito bem não conseguir. O PSD é conservador nas suas apostas. Talvez num partido diferente PPC seria um melhor Paulo Portas. Mais capaz de ser levado a sério.
Contudo, PPC teria, dentro do partido, o meu voto.
Rangel é, acima de tudo, um político brilhante. Mas é um funcionário do partido e do Estado, não um líder.
aos Iluminados
Cronologias e mapas, acontecimentos
Actividades consolidadas, processos
democráticos alçados sobre tempos
Vontades, sementes de retrocessos
Inspirações cortam por vezes razões
desconhecidas que próprios criamos
tantas vezes humilhamos decisões
erradas do que de irrefutável julgamos
Conceptualizam-se iluminados
com a mente que nas relações
em vão se vêem escuridões
Quando falham nas pobres razões
percebem quanto de si são criados
e quanto vale terem ficado calados
5/03/2010
Poeta-taberneiro
quinta-feira, 4 de março de 2010
Principais diferenças entre Pedro Passos Coelho e Paulo Rangel
PR é um social-democrata liberal.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Do(i)s votos que faltavam

Pan-democratismo Wilsoniano
Grey - Suppose you have to intervene, what then?
Page - Make'em vote and live by their decisions.
Grey - But suppose they will not so live?
Page - We'll go in again and make'em vote again.
Grey - And keep this up two hundred years?
Page - Yes. The United States will be here two hundred years, and it can continue to shoot men for that little space till they learn to vote and to rule themselves.
The Life and Letters of Walter H. Page, Burton J. Hendrick
segunda-feira, 1 de março de 2010
Novo : Odisseia Memória
domingo, 28 de fevereiro de 2010
imatéria: penumbra anacrónica
sábado, 27 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A clareza Anarquista
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Suíças Lusitanas! Perspectiva "empírica" à espaço 77

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Assuntos Académicos - sobre o debate de hoje
Parabéns! Estão perfeitos para o país onde nasceram!
Suiça, Suiças, Suissinhos e Suicídio
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Assuntos Académicos* - 1º debate em pequeno resumo, considerações pessoais
Cevada que custa a Engolir


