quarta-feira, 21 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Extraordinárias vitórias no extremo ocidente europeu
Ainda assim, cabem na nossa aljava umas quantas reflexões. “A extraordinária vitória” do PS deixou à transparência a apreensão da derrota, o sorriso forçado de José Sócrates prontamente depurou as dúvidas.
O Bloco de Esquerda, apesar da subida impressionante, não soube esconder o desagrado de se ver remetido para quarta força política, com cinco deputados a menos que o CDS. O ambiente de crispação notou-se, na sede bloquista, em dois momentos particulares, no primeiro discurso de Luís Fazenda e nas palavras finais e pouco inspiradas de Louçã. Afinal, depois de uma campanha desastrosa (a título de exemplo, a proposta dos PPR, do imposto sobre as fortunas, aumento generalizado de impostos para as empresas e nacionalizações), depois de tanto dinheiro gasto no financiamento de mentiras para enganar petizes, no final, bem, no final viram a sua expectativa de um resultado eleitoral próximo dos 15% (a piscar o olho a um frente-a-frente com o PS nas próximas legislativas) esmagado pela “extrema-direita”. Rude golpe na ambição mesclada de arrogância da trupe bloquista.
Pois então, o CDS, mil vezes enterrado vivo, conquista um resultado histórico de vinte e um deputados, ultrapassa os dois dígitos na eleição e, certamente, não dará descanso ao próximo executivo socialista. Justa paga pelo trabalho desenvolvido, belo exorcizar dos fantasmas do passado, dos fantasmas de sempre, afinal.
O PCP, como sempre altamente fidelizado, não desiludiu e até ultrapassou o resultado das últimas eleições - contará 15 deputados.
Não acredito em coligações ou alianças, antevejo um governo mirrado e inábil, afastado como está do promontório da maioria absoluta que transforma o nosso semi-presidencialismo num super-presidencialismo.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
descubra as diferenças
"Nacionalização ou controlo estatal sobre os demais sectores básicos da economia (...)
e quais serão os demais sectores básicos da economia?
(...) designadamente a banca, a produção e distribuição de energia, os transportes e vias de comunicação, as telecomunicações, as indústrias mineiras, a siderurgia, os cimentos em a construção naval"
Programa do PCTP - MRPP
co-autoria Pedro Jacob Morais
pg. 92 - programa do BE
Torna-se verdade, enfim, o que escrevi há uns tempos atrás:
Os bloquistas não querem ver notícias de portáteis roubados em pleno tribunal, após o arrombamento de uma caixa multibanco ocorrido no mesmo. Os Bloquistas, e o Daniel Oliveira, sabem muito bem o que deve passar na TV. Só não nos dizem porque nós, comuns mortais, não íamos compreender. Deve passar aquilo que eles, e o Daniel Oliveira, muito bem entenderem. E só com a supervisão destes anjos mediáticos, se poderá atribuir notícias diferenciadas a cada estação, quer elas queiram quer não.
De facto não me impressionou reparar que as palavras mais usadas para solucionar o estado da nossa Televisão fossem estas duas pérolas: Denunciar e Controlar.
Qual será mais relevante, do ponto de vista jornalístico? A Bola, O Jogo, ou o Record?
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
pg. 14 - programa do BE
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
a energia é de todos?
Esse alguém, detendo direitos de propriedade sobre os meios de produção da energia, tem custos e gastos. A sua recompensa é a venda do que produz.
A energia seria pública se o controlo dos meios de produção pertencessem, por algum direito divino, ao Estado.
O homem que desenvolve um motor e, assim, retira dele, pela combustão da acção do motor, a energia necessária para mover uma barragem, um carro, uma mina ou um gasoduto, tem todo o direito ao produto do seu trabalho.
Por causa nenhuma podemos sequer constatar que o Estado, ou seja, um grupo de indivíduos sentados num gabinete ministerial, que se ocupa em decidir o que fazer com algo que não lhe pertence, tem direitos de propriedade sobre aquilo que não produz. Foi o génio de empresas e indivíduos, em colectividade ou solitários, que criou essa mesma energia que alguns burocratas querem agora, a todo o custo, nacionalizar. Se não tiveram capacidade para a criar, não terão para a manter.
Tem o Estado, então direitos sobre os meios de produção? Imaginemos o caso da EDP e das barragens o maior produtor de electricidade em Portugal.
Ao contrário do que afirmavam as teorias contratualistas que ainda estão na génese do socialismo, é a propriedade privada que precede a propriedade pública, não o contrário. O Estado não tem mais direitos que os indivíduos sobre a Terra. No entanto, por forma a regular o regime de propriedade e não conceder a alguns o privilégio que devia caber, por normas e hábitos sociais, a todos, os Estados, ao longo da História, criaram o património público, a ser desfrutado por todos de forma pretensamente livre e acessível.
Que direito tem o Estado português a usar do seu poder de imperium, reconhecido pelos mesmos cidadãos que investem nas empresas produtoras de energia, para usar da Força contra a sua propriedade?
A nacionalização não é mais do que isso. Usar um argumento etéreo, o Bem Comum, para suplantar a Razão.
No entanto, porque a política não se faz de filosofia, e a negação da propriedade privada, apesar de uma negação do Direito das sociedades civilizadas, é ainda muito comum no nosso país, é meu dever apontar outras razões para o descabimento desta medida. Razões que caiam melhor na vernácula relativista.
Mesmo que seja verdade que o país gasta muito dinheiro com a privatização do sector das energias (o que é falacioso, porque se esqueceu o dinheiro que se deixou de gastar, o que se ganhou com a venda das acções dessas empresas em bolsa, e a riqueza que ainda se vai criando pela disposição das mesmas em mercado), esquece o Bloco que a nacionalização emitirá um sinal catastrófico para o resto do Mundo. Primeiro, os investidores estrangeiros (porque ainda é o dinheiro dos grandes sectores, como o da energia, que vai permitindo os grandes investimentos e as inovações tecnológicas que revolucionaram a vida rotineira do género humano), temendo o desrespeito pela propriedade privada em Portugal e a sua política nacional colectivista, deixarão a política de investimentos nestas áreas, e nas outras por conseguinte. O país, desrespeitando as regras do negócio e do contrato, repele os investidores actuais e futuros.
Assim, ainda menos verbas vão restar ao Estado para pagar as verbas astronómicas da nacionalização da Galp, que rondará um mínimo de 700 milhões de euros.
A classe empresarial portuguesa, que não é mais burra nem menos esperta que as outras, enterrará o resto da nossa dívida externa de 100% do PIB fugindo, mais os seus capitais financeiros e humanos, para o estrangeiro.
Quem diz que os capitalistas não têm o direito de ganhar dinheiro à custa da energia, dirá o mesmo em relação à informação, à alimentação, ao vestuário, etc. É uma progressão lenta, de facto, mas eficaz. Não há entraves para a ganância de quem almeja o total poder político sobre todos os sectores económicos e sociais.
Estas eleições os portugueses podem evitar esse futuro.
É só uma questão de deixar a doença alastrar-se.
domingo, 13 de setembro de 2009
o partido de vidro fumado
Se é revelado o que o BE pretende fazer (do programa de nacionalizações ao fim das deduções fiscais, passando pelo antieuropeísmo), logo se percebe que não há ali nada de novo e o que há de velho é assustador.
Há, a este propósito, frases particularmente reveladoras. Logo após o debate, Louçã foi encerrar um comício em Almada. Tal como um general ferido em plena batalha, e certamente inspirado pelo discurso de Almada de Vasco Gonçalves, não resistiu a mobilizar as tropas com um "vamos assustá-los". O risco é mesmo esse - assustar muitos dos potenciais eleitores do BE, que não se revêem no projecto político do partido.
por Pedro Adão e Silva
terça-feira, 4 de agosto de 2009
"Não se mete a carne toda no assador.
sábado, 1 de agosto de 2009
Proposta Indecente
Dizia Louçã, tenebroso na expressão, que o PS havia convidado Joana Amaral Dias para integrar as listas das próximas eleições. A mesma menina malvada que o líder do Bloco, em frémito estalinista, perdão, trotskista, excluiu, não vai muito tempo, da mesa nacional do partido, tentando apagar as provas da sua existência. Ao que consta, Joana Amaral Dias realmente existe – existe, não esteve num Gulag, e agora dá tremendo jeito ao Bloco.
O PS apressou-se a negar o invocado e exigiu um pedido de desculpas pela nódoa em toalha de linho.
O caso marinou em constrangedor silêncio até que a "de cujos" decidiu clarificá-lo. Diz, então, ter recebido um convite de Paulo Campos (Secretário de Estado as Obras Públicas). Assim sendo, sorri o iracundo Louçã e cora (tem corado ad nauseam) José Sócrates.
Um caso pitoresco, sem dúvida, digno da plácida silly season e atestado do desnorte governamental. Senão vejamos: temos um Governo que sonda uma potencial aliada – tentativa de granjear votos ao socialismo de miscelânea do Bloco – e não tem a coragem de o admitir. Um Governo que cai no erro de mentir descaradamente e oferece o botão vermelho de implosão à convidada, um executivo que não assume a consequência dos seus actos, é um rabisco político, um arrazoado de depravação moral que dirige o país com uma tábua de valores maleável!
Devemos sentir-nos vexados quando assistimos a tais demonstrações de perfídia intelectual – principalmente quando provindas de um órgão de soberania. Não me revejo, nem o poderia fazer, num Chefe de Governo que falta sistematicamente à verdade, distorce factos e remata tudo com exigência de um pedido de desculpas sentido.
Considero a falta de previdência de Paulo Campos não antevendo que, duas jogadas à frente, o Bloco poria em xeque o PS com a facilidade e candura da criança que joga pela primeira vez, inadmissível.
Estamos perante, como se constatou no caso Manuel Pinho ou BPP, um problema de falta de comunicação que, num lento crepitar, consome o Governo e o seu aparelho partidário.
No fim, rui a torre de marfim, cresce o silvado e regressa a bruxa má.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
a nacionalização dos bancos - uma política bloquista
A nacionalização dos bancos seria o início do caminho que levaria ao fim da economia de mercado e da liberdade económica. Todo o sistema económico seria inteiramente controlado pelo Estado. Depois dos bancos, seriam os grandes grupos económicos. As empresas de Américo Amorim seriam nacionalizadas, a Sonae seria nacionalizada, o grupo Jerónimo Martins seria nacionalizado. Aliás não custa nada antecipar o argumento. "Não se admite que haja capitalistas a ganharem dinheiro à custa da alimentação". Seria o fim do Pingo Doce e do Continente. No início, numa medida muito ‘popular', o Governo baixaria o preço do leite, do pão, da carne e do peixe. Passados uns anos estaríamos todos em filas para poder comprar um quilo de bifes (à excepção, obviamente, da pequena minoria que teria acesso aos supermercados para os funcionários do Estado).
Mas o controlo do Estado não pararia nos supermercados. Se não houvesse Sonae, não haveria "O Público". E não havendo "O Público", por que carga de água haveria o "Diário de Notícias", o "Diário Económico" e o "Correio da Manhã"? Tal como os bancos, os jornais seriam nacionalizados. E o mesmo aconteceria à SIC e à TVI. O ódio que aparece nos olhos e na voz de Francisco Louçã quando fala de Américo Amorim e de Belmiro de Azevedo mostra o que ele pensa sobre Pinto Balsemão, embora não o diga porque lhe dá jeito ter acesso ao canal de Carnaxide. Quando na passada sexta-feira, vi o "Expresso da Meia-Noite", em que o convidado de honra era o líder do Bloco, ocorreu-me imediatamente que se Louçã um dia fosse primeiro-ministro, o programa estaria condenado a desaparecer, em nome do "bem do povo".
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Lapsus Linguae
Ou o sistema de ensino está muito mau, e a lição histórica só começa no pós 74 ou data análoga, ou sou eu, por meu lado, que caio em erro. Terá a geração que apanhou as duas guerras mundiais vivido melhor, ou ao mesmo nível, que a dos seus pais? Ou, no ocaso do império romano, friso, no ocaso, as gerações terão vivido sucessivamente melhor? E na parte negra, negra, da idade média...viver-se-ia melhor do que no fulgor do período clássico? Talvez. Talvez as regras da lógica permitam que uma sucessiva melhoria das condições de vida de cada geração redunde numa diminuição das condições de vida de um povo no seu conjunto. Talvez, embora eu não acredite.
Velhas ideias agora em Bloco
Nova esquerda! Pois bem, um conjunto de marxistas, trotskistas e maoístas pode ser muita coisa, mas não é nova esquerda. O designativo mais correcto talvez fosse “os velhos extremistas agora em Bloco”, isto se quisermos chamar as coisas pelo nome.
Enfim, anti-Nato porque queremos menos despesismo? Talvez resultasse mais justo anti-Bloco porque queremos menos despesismo! Enfim, o partido que deseja aumentar subsídios, distribuir medicamentos gratuitamente, nacionalizar tudo o que mexe, e enquanto isso, construir um aeroporto e o TGV, indigna-se agora com as despesas do Estado.
Miguel Portas argumenta que Portugal é um "país pequeno", sem nenhum inimigo, e sem “pretensões imperiais” (o que quer que isso seja). Ora, sendo tudo isto verdade gostaria que o eurodeputado elevasse a fasquia e defendesse a reestruturação do exército português, seguindo o exemplo da Suíça que também é um país pequeno, sem inimigos ou “pretensões imperiais” – um exército residual.
Quanto ao “corpo europeu de soldados de paz”, não me parece necessário, uma vez que a NATO realiza operações de manutenção da paz (KFOR por exemplo), tal como a ONU e os seus mediáticos “capacetes azuis”. Acresce que esse “corpo europeu de soldados de paz”, para além de desnecessário, certamente não resultaria de geração espontânea e, assim sendo, mais não seria que uma nova despesa para substituir a da NATO.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Energia Pública

A parte que não é do Estado da Galp e a EDP vale hoje em bolsa cerca de 9,5% do PIB. Se a nacionalização for a preços de mercado isso iria catapultar a nossa dívida pública de 70% para 80% do PIB, facto que o mercado de capitais não veria com bons olhos (ou seja, todos passaríamos a pagar mais caro pelas nossas dívidas) e ainda menos se a actuação posterior do governo viesse a destruir o valor das empresas nacionalizadas, o que seria o mais certo de acontecer. Se um governo do BE optasse, em alternativa, por indemnizações mais baixas (como se fez no passado), por exemplo pagando-as com títulos com taxas de juro abaixo do mercado, os investidores estrangeiros que investiram maciçamente nestas empresas sentir-se-iam roubados. Aliás não seriam apenas esses. Todos os investidores estrangeiros (e os maiores nacionais, os que têm facilidade de aproveitar a liberdade de circulação de capitais) sentiram que os direitos de propriedade estavam ameaçados em Portugal. Se há tantos países no mundo a aliciarem investidores estrangeiros, só um louco viria colocar dinheiro num país onde regras básicas dos negócios não são respeitadas. Teríamos mesmo uma fuga maciça de capitais, ainda por cima quando a nossa dívida externa já é de 100% do PIB. Em resumo, seja como for que se faça a nacionalização, há fortes riscos de todos ficarmos a pagar um preço elevado por elas.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
O Velho do Mar
Na VI Convenção do Bloco de Esquerda, assistimos à assunção de velhos e gravíssimos vícios. Senão vejamos: "O BE quer uma esquerda grande e capaz para combater os inimigos e a exploração. Tem que ser anti-capitalista e só pode ser socialista. Grande pela representação dos mais explorados, dos trabalhadores, dos explorados" – palavras de Francisco Louçã. Fala-nos, portanto, de “exploração”, “combater os inimigos” e, por duas vezes, de “explorados”. Há muito que não se registava tão sinistro caso de esquizofrenia. E mais, o Bloco “tem que ser anti-capitalista” (deveria “ter de ser”, mas não estamos aqui a discutir correcção linguística).
Perante deixas desta índole podemos troçar ou ignorar com esgar de desagrado, contudo, não podemos ficar surpreendidos. O Bloco mais não está que a retornar à sua matriz original, a mescla formada pela UDP (União Democrática Popular), PSR (Partido Socialista Revolucionário) e Política XXI. Louçã está a dizer tudo o que há muito desejava, distribuído em doses cavalares pela imprensa, apoiado pelas mais recentes modas europeias (extremismo de esquerda em França e Alemanha).
Imbuído no seu êxtase, o líder bloquista estuga o passo: vamos impedir que empresas privadas “saudáveis” despeçam trabalhadores! Bem, vamos meter o bedelho nas opções administrativas das empresas privadas já que o nosso Leviathan trotskista/marxista/maoísta não tem noção de decência! Vamos interferir em assuntos dos quais não enxergamos a ponta dum corno! E já agora, vamos nomear gestores públicos para “velar” pelas empresas privadas. Força irmãos de luta…
Proponho a seguinte teorização: imaginemos que um determinado funcionário de uma empresa privada “saudável” não possui a competência necessária, aliás, é negligente na sua conduta e põe a empresa em risco; imaginemos agora que o empregador (um explorador capitalista, claro está) quer despedir o funcionário incapaz. Quer mas não pode, porque o Bloco de Esquerda decidiu pensar por ele, num golpe de génio irrepreensível.
Nota para a ingratidão do partido que, para além de afastar Joana Amaral Dias da lista para a Mesa Nacional, na senda de Estaline eliminou as imagens da ex-dirigente de um vídeo, exibido na Convenção, dedicado às figuras que mais contribuíram para a sua mediatização.