Um dos poucos críticos do comércio esclavagista em Portugal (ou na Europa, para o caso) foi o padre Fernando de Oliveira, um clérigo singularmente franco que esteve em determinada altura ao serviço de Henrique VIII de Inglaterra e que foi, mais tarde, preso em Lisboa pela Inquisição por causa dos seus pontos de vista pouco ortodoxos. Autor da primeira gramática portuguesa impressa (1536) e de um manual precursor de guerra naval (Arte da Guerra do Mar, 1555), dedicou um capítulo inteiro desta última obra a uma violenta denúncia do comércio esclavagista. Afirmou terminantemente que não havia qualquer "guerra justa" contra muçulmanos, judeus ou pagãos que nunca haviam sido cristãos e que estavam prontos a comerciar pacificamente com os Portugueses. Atacar as suas terras e escravizá-los era uma "manifesta tirania", e não era desculpa dizer que eles faziam comércio esclavagista uns com os outros. Um homem que compra qualquer coisa que é vendida de modo errado é culpado de pecado, e se não houvesse compradores europeus não haveria vendedores africanos.
"Fomos inventores de um comércio tão vil, nunca anteriormente utilizado e que nunca se tinha ouvido falar entre seres humanos", escreveu o indignado padre numa passagem que abona mais em favor do seu coração do que da sua inteligência.
C.R. Boxer - O Império Marítimo Português
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quarta-feira, 3 de junho de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
da chegada ao Paraíso

Relato da viagem de Pero Vaz de Caminha a Vera Cruz, na armada de Pedro Álvares Cabral
Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome – o Monte Pascoal e à terra –
a Terra da Vera Cruz.
Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças; e ao sol posto, obra de seis léguas da terra, surgimos âncoras, em dezenove braças -- ancoragem limpa. Ali permanecemos toda aquela noite. E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitos à terra, indo os navios pequenos diante, por dezessete, dezesseis, quinze, catorze, treze, doze, dez e nove braças, até meia légua da terra, onde todos lançamos âncoras em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas pouco mais ou menos.
Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro.
Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor, onde falaram entre si. E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
a odisseia ~ a rainha de Aaru
Discurso da Rainha de Aaru, quaixando-se da falta de compromisso dos portugueses que lhe haviam prometido ajuda, a ela e ao marido, em caso de ataques de inimigos comuns.“Fonte limpa é o Deus que naquela casa se adora, de cuja boca procede toda a verdade, mas os homens são charcas de água turva, em que por natureza continuamente moram desvarios e faltas, pelo que se deve haver por maldito o que confia no bocejo dos seus beiços.
Porque vos afirmo, senhor capitão, que desde que me entendi até agora, nenhuma outra causa tenho visto nem ouvido senão que quando os desaventurados, como meu marido e eu, mais fazemos por vós, os portugueses, tanto menos fazeis por eles, e quanto mais deveis menos pagais, pelo que, inferindo daqui, o que claramente se pode afirmar é que o galardão da nação portuguesa mais consiste e mais pende da aderência que do merecimento.
E prouvera a Deus que o que eu conheço de vós, por meus pecados, conhecera el-rei meu marido há vinte e nove anos, porque nem ele vivera tão enganado convosco como viveu, nem em fim se viera a perder por vossa causa, como se perdeu.” Capítulo 30 da "Peregrinação".
Porque vos afirmo, senhor capitão, que desde que me entendi até agora, nenhuma outra causa tenho visto nem ouvido senão que quando os desaventurados, como meu marido e eu, mais fazemos por vós, os portugueses, tanto menos fazeis por eles, e quanto mais deveis menos pagais, pelo que, inferindo daqui, o que claramente se pode afirmar é que o galardão da nação portuguesa mais consiste e mais pende da aderência que do merecimento.
E prouvera a Deus que o que eu conheço de vós, por meus pecados, conhecera el-rei meu marido há vinte e nove anos, porque nem ele vivera tão enganado convosco como viveu, nem em fim se viera a perder por vossa causa, como se perdeu.” Capítulo 30 da "Peregrinação".
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sábado, 31 de janeiro de 2009
La Madrugá
Va de cuento: nos regía
un capitán que venía
mal herido, en él afán
de su primera agonía.
Senõres qué capitán
el capitán de aquel día!
E. Marquina, En Flandres se ha puesto el sol
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domingo, 18 de janeiro de 2009
a odisseia
"E ao domingo, fomos junto com umas montanhas, as quais estão sobre a cidade de Calecute. E chegámo-nos tanto a elas até que o piloto que levávamos as conheceu, e nos disse que aquela era a terra onde nós desejávamos de ir."Álvaro Velho
onde nós desejávamos de ir
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