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sexta-feira, 8 de maio de 2009

sobre o tipo que tinha, até há bem pouco tempo, legitimidade de exercício

Between 2002 and 2004 millions of Venezuelans signed petitions calling for a vote to remove Hugo Chavez from office. Signatories were not anonymous and during the petition campaign Chavez supporters hinted darkly that there would be retaliation. Chavez was in fact forced into a recall election, but unfortunately he won (not one of democracy's better moments). After the election, the list of signatories was distributed to government agencies in an easy-to-use database. The database included the names and addresses of all registered voters and whether they had signed an anti-Chavez petition. Technology thus provided Chavez supporters the information they needed to retaliate.
Technology cuts both ways, however, and in a truly remarkable paper, Hsieh, Miguel, Ortega and Rodriguez match information in the petition database to another database on wages, employment and income. What the authors find is shocking, albeit not surprising. Before the recall election, petition signatories and non-signatories look alike. After the election, the employment and wages of signatories drop considerably, about a 10% drop in wages relative to non-signatories. Survey evidence conducted by the authors is consistent with retaliation by Chavez supporters especially in the form of job losses in the public sector. The authors estimate that the retaliation was so widespread, many workers were pushed into informal employment, that the Venezuelan economy was significantly damaged.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Glória ao Bravo Povo (III)


Tem cirandado na ilustre imagética dos nobres estudantes de Direito irrepreensíveis certezas referentes à legitimidade de El Comandante Hugo Chávez.
Principalmente certos sectores diametralmente opostos ao Café Odisseia (e Graças a Deus!) têm-se pronunciado pela indubitável legitimidade de exercício que ocorre do suposto resultado do referendo.
Apraz-nos aditar umas quantas elucubrações. Começamos por referir todos os aspectos que violam, no nosso sentido pouco estudado das legitimidades, o Estado de Direito e a recorrente legitimidade de um governante. Perdoem-nos as alminhas sensíveis, nós não temos salvação.

De facto, os milhares de DESAPARECIMENTOS; os ASSASSINATOS (a soldo) de jornalistas e estudantes; a propaganda intensiva (MESMO NO DIA DO REFERENDO E À BOCA DAS URNAS); as nacionalizações unilateralmente impostas; o encerramento compulsivo de uma estação televisiva oposicionista; o terrorismo económico internacional; os programas semanais de três horas do Líder Socialista; o aproveitamento da miséria através de subsídios; o desrespeito pelos princípios da separação de poderes e da integridade republicana da Constituição; a própria INCONSTITUCIONALIDADE da proposta de referendo, que pela constituição venezuelana só poderia ser feita em Dezembro de 2009; o total desrespeito pela imunidade diplomática (CORTESIA INTERNACIONAL); a inflação galopante causada pela condução da economia por um grupo centralizador de amadores irresponsáveis, caiem perante os ilustres argumentos borra-botas, que os afastam com hercúleo à-vontade.

Impulsionados por um certo nojo com todo este conformismo cinzentão e sensaborão que invade tão esclarecidas mentes do activismo político, e vendo todo este impulso ideológico cego a valores e a sentido tão desaproveitado, os presentes autores têm de, mais uma vez, divorciar-se (de acordo ainda com o casamento heterossexual) da opinião corrente leviana.

Reiteramos, portanto, a ideia de que Hugo Chávez tem tanta legitimidade no exercício das suas funções como Robert Mugabe, José Eduardo dos Santos, Mussulini, Adolf Hitler, Atila, Júlio César ou Fátima Felgueiras. E até nos permitimos a dizer mais, o sentido democrático de Hugo Chávez é tão enriquecedor como a inteligência de Duarte Cordeiro.
Até porque o apoio de um povo acicatado pelo chicote da miséria não é, E NUNCA FOI, sinónimo de legitimidade de exercício.

A legitimidade de exercício prende-se, sobretudo, no respeito dos princípios do Estado de Direito e não do conforto idiossincrático das maiorias opressivas, proletárias, camponesas e académicas. A legitimidade de exercício de Hugo Chávez estava perdida bem antes deste referendo, e é isso que devemos frisar.


texto de autoria mútua de Manuel Rezende e Pedro Jacob
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