Normalmente o português até é o 1º a dizer mal do seu próprio país, não porque não goste dele mas porque, está cansado deste triste fado lusitano e tem vontade de ver Portugal erguer-se novamente, de ver a concretização das promessas de um 5º império, de ver chegar D.Sebastião e de finalmente ver, essa manhã de nevoeiro dissipar-se e tornar-se numa tarde de céu azul sem nuvens nem aguaceiros, prelúdio de um futuro mais próspero e risonho……….Ora vão-me desculpar: Mas eu já não acredito no regresso de D.Sebastião! Penso que se trata dum mito tão misterioso como as duas taças dos campeões ganhas pelo Benfica ou como o orgasmo feminino. O que direi asseguir vai-me fazer ser expulso do Odisseia tão depressa quanto entrei. Eu sei que um blooger tem responsabilidades sociais, pelo que deve ter um especial cuidado com o que escreve, não ferindo susceptibilidades nem incutindo sentimentos pessimistas, devendo até, trocar aquilo que acha que deve escrever por aquilo que acha que deve ser lido (pelo menos foi isto que me disse o fascista do Manel); mas aqui vai:
- Farto de ver um país atado pelos pés, assolado por injustiças e ineficiências, em que a única resposta dada por quem manda são as já bem conhecidas promessas demagógicas de um futuro melhor, e a única resposta de quem obedece é a habitual greve geral; eu pergunto-me se Afonso o 1º não devia ter estado quietinho quando se lembrou de rebelar à mãe e ao rei espanhol. Muito espanhóis invejam a nossa independência mas, muitos portugueses (acreditem!), já invejam a nacionalidade deles. Provavelmente vou ser acusado de traição e aparecerei no próximo cartaz do PNR em que serei, juntamente com as outras “ovelhas negras”, enchutado para o outro lado do Mediterrâneo, por baixo dum grande título de uma enorme sabedoria bucólica que diz “Portugal para os Portugueses”.
Já sei! Já sei, o que me dirão: Soberania à frente de prosperidade! Ou, como diria José Povinho, espumando de raiva: “ Pobres mas Honrados”! E eu concordo! Mas não deixo de sentir, num misto de inveja, admiração e profunda tristeza, um enorme desanimo ao ver o meu país agarrado à cauda da Europa, com um crescimento que chega, na melhor das hipóteses, a 1% e depois, constatar que as taxas de crescimento dos nossos vizinhos roçam os 4%! Basta atravessar a fronteira para encontrarmos mais emprego, melhores salários, melhores preços, enfim…melhor futuro… e o que explicará (além das óbvias diferenças geográficas que – vão me desculpar – não podem ser desculpa para tudo) que dois países vizinhos, igualmente periféricos e que têm, até 30 anos atrás, praticamente o mesmo ritmo de desenvolvimento, tenham tamanha diferença em qualidade de vida? Será o nosso espírito, contrariamente ao dos nostros ermanos, de tal modo negativista e triste que, nos leva a cantar o fado e a eles os leva a dançar o flamengo? (agora é que vou ter mesmo a minha cabeça a prémio). Bem, terei novamente de citar esse grande sábio de enorme profundidade filosófica: José Povinho – que rematava com uma frase do tipo: “a galinha do vizinho é sempre melhor que a nossa” – e finalizaria com um – “vai mazé trabalhar pah!”…
Francisco Cameira Matos
