No seguimento dos meus últimos posts, muita gente ficou muito indignada.
De certa forma, ergueram-se as forças vivas contra mim de uma forma pouco habitual, porque eu sou um rapaz pacato, e todo o tipo de sarilhada barata que me possam arranjar dispenso. Gosto de sarilho caro, e sinceramente malhar em algo como a praxe pode fazer muita gente feliz, muita gente furiosa, mas é muito pequeno, muito básico para mim.
Devo assumir assim a total e completa culpa no rebuliço que causei, com todas as honras daí subjacentes, e explicá-lo. Tanto pró-praxistas como anti-praxistas indignaram-se contra os meus argumentos, à excepção talvez da Daniela, essa jóia de rapariga, que espero eu um dia case comigo e crie assim os futuros reis de Portugal. Tanto antis como prós indignaram-se com as minhas palavras de suposto ódio radical, como se eu me tivesse tornado de repente um revolucionário, num novo Miguel Sousa Tavares.
Notei, com tal força que não tinha notado até agora, que na minha Faculdade de Direito há uma enorme necessidade em manter o pó rasteirinho, há uma enorme necessidade de deixar as coisas como estão, mesmo que estejam sujas. Ia fazer uma piada muito óbvia com o edifício da associação de estudantes, mas é demasiado fácil, demasiado básico, mais uma vez.
A discussão à volta da Praxe não é nova. Não inaugurei nada de novo. No entanto, penso ter tido alguns privilégios de exclusividade no que toca à abordagem do assunto.
O que está escrito está escrito, o texto é definitivamente meu. Não quero no entanto que se torne num manifesto anti-praxe, nem muito menos quero-o adaptado por algum movimento anti. Reflecte antes de mais duas linhas de pensamento minhas: a primeira parte do texto, a "que começa bem", sobre aquilo que eu penso que é uma praxe, ou o que devia ser. A segunda, "a que acaba mal", sobre aquilo que eu identifico como a forma como a praxe da Faculdade da Rua dos Bragas agiu. Tenho a certeza que farpalhei em todos, e generalizei imenso, e magoei inclusivamente pessoas que não mereciam ser atingidas, rectificando, que não se deviam sentir atingidas, mas que infelizmente no fogo cruzado e por causa da natureza do assunto em questão se viram enrodilhadas e confundidas com os criticados em questão. Compreendo perfeitamente, mas isto é a blogosfera, e coisas assim saem todos os dias.
Os gregos tinham um dito que um homem de sucesso deve saber quando parar. Parar para ver os erros cometidos. O único erro que cometi até agora foi não ter criticado com igual dureza os órgãos que estão fora da praxe, e que contaminam a faculdade. Que são muitos.
Resta-nos muito pouco a não ser respeitar a praxe, e agora parto pela posição moderada. Tal como afirmei anteriormente, eu só piso os calos quando mos pisam também. E mesmo aí, hesito.
Não guardo nenhum ódio e ressentimento à praxe, pelas razões óbvias: não é saudável odiar por tudo e por nada, e porque é uma organização estudantil. A Praxe nasce de uma vontade, e essa é a vontade dos estudantes. E essa vontade é sagrada, pelo menos no limite da faculdade. Esta foi uma mensagem endereçada aos anti.
Por muito que essa vontade seja perpretada, em certos casos para não generalizar, por pessoas cheias de si, pessoas demasiado orgulhosas cuja pedagogia nem sempre é a mais correcta, ou quase nunca, é um assunto totalmente diferente. Isto já é endereçado aos prós. Eu falo da praxe porque já lá estive. Logo, tenho um mínimo tendencialmente razoável para falar dela. O que não invalida que quem nunca lá tenha andado não fale dela! Temo no entanto que fale dela por ser um esquisitinho, ou um anti-praxe declarado, alguém que se torna um paladino dos pressupostos dos lugar-comuns. EU tomo a seguinte mentalidade em relação à praxiture: Experimentei? Sim, claro. Não gostei. E agora? Agora sigo o meu caminho, que a praxe a mim, mal não me faz (por várias razões: sei kung-fu, judo e trago sempre comigo uma moca de Reguengos com picos)
E muito menos, me parece fazer mal aos outros. Os que lá andam parecem bem contentes e alegres com o que fazem, se calhar bem mais do que eu.
Agora, o que não me posso abster é de reagir quando sinto que afinal, a praxe pode estar mesmo a fazer-me mal. Ou à minha faculdade. Ou às pessoas que eu estimo, que algumas delas lá andam, e por causa delas escrevi este último esclarecimento. E foi isso que aconteceu no dia do Cortejo. Esse dia, a fonte de todas as críticas que eu aqui assinalei, foi a meu ver Vergonhoso. Mas tragicamente Vergonhoso, não é um Vergonhoso qualquer, foi um embaraço enorme.
Foi talvez o culminar do meu raciocínio perante esta organização, perante o espírito deste grupo. Para mim, isto não é praxe. A Praxe nasce de uma tradição natural, e foi tornada de forma puramente positivista numa instituição. E essa instituição não representa interesses comuns, mas sim privados e sectaristas. Logo, a forma de agir para com ela é deixá-la no seu cantinho, na sua paz, na sua actividade. Não podemos esperar nada dela para connosco. O seu único dever é para com ela própria, e foi assim que escolheu ser, e ninguém pode ter nada contra isto, é uma escolha. E é isso que eu digo ao meu amigo Francisco, à Daniela, aos outros "anti". A Praxe, ou os que se arrogam falar em nome dela, que têm toda a legitimidade para tal, visto que mais ninguém se oferece para o fazer por enquanto, não é académica, não é aberta. Abre-se quando muito bem entende. E isso meus caros, é legítimo. E eu só voltarei a falar quando se abrir na altura que não deve. Quanto às razões da minha saída, Noronha, lamento ter parecido um bebé chorão, mas sinceramente te digo que saí porque estava na altura de tal. Eu sei que tu achas imensa confusão a uma posição que não passe pelo total desagravo pela praxe, mas acredita que eu a tenho assim formada, e acho que de certa forma os nossos pontos de vista acabam por nem divergir muito, ao fim ao cabo. Mas isso ver-se-à mais tarde.
Para finalizar, queria ressalvar duas intervenções, para além das que muito apreciei e agradeci: a do Ary e a da Daniela.
O Ary foi moderado, sim, conservador como ele disse, mas sereno. E parece muito mais acostumado à conversa de blogues que muitas das pessoas que simplesmente deixaram a tampa saltar. E não penso, ao contrário do que se disse, que foste incipiente. Sensato, talvez um pouco irritantemente neutral, mas incipiente é muito exagerado.
A Daniela, porque defendeu os seus pontos de vista fortemente, de forma bem estudada, simples e directa.
Contando que tudo esteja bem exposto, frisando que isto não é um pedido de desculpa, mas um simples argumento, um pouco extenso, de que o que está escrito não é pura escrita destrutiva, termino assim o texto. Todos os pontos me parecem devidamente elucidados, e a minha posição muito clara. Não considero a Praxe, nem esta nem a da maioria da UP, uma legítima sucessora da de Coimbra. O seu próprio carácter forçado retira-lhe esse direito.
Não considero a Praxe isenta de julgamento. Apesar de tudo, é algo que levará sempre o nome da FDUP, e enquanto estudante da FDUP, é do meu alto interesse ver o nome da minha faculdade bem representado. Logo julgo, logo critico. E podem vir pavonear toda a sua libido de traje, que eu nem ligo. O que mais preciso é de material para escrever.
Podem chamar a Praxe de fascista, machista, elitista. Eu nem concordo muito. A mim basta-me considerar o seguinte: eu escolhi reger-me por regras que eu possa escolher, que me pareçam racionais, que não me imponham obstáculos de escolha, não por achar esses obstáculos idiotas, por muito que alguns o sejam, mas porque simplesmente sou assim. Eles escolheram outra via. E fica por aí.
Muito obrigado pela leitura.