sábado, 1 de agosto de 2009
Cursos Extra Curriculares - FDUP
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
as várias formas de se proibir
Diz assim o seguinte comunicado:
"Na sequência da carta enviada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e
Ensino Superior [...] repudiando de forma veemente a prática das
praxes académicas infligidas aos estudantes que ingressam no Ensino
Superior, e dando conta da intenção de responsabilizar civil e
criminalmente, por acção e por omissão, os órgãos próprios da
instituição sempre que se demonstre a existência de práticas ofensivas
para os estudantes, fica decidido:
1) Não reconhecer legitimidade a qualquer auto-denominada comissão de
praxe, proibindo as actividades que neste momento lhes estão associadas nos campi [...];
2) Proibir a prática de praxes académicas nos campi [...], qualquer que seja a forma como são organizadas.
Qualquer violação a esta directiva deverá ser comunicada ao Conselho
Directivo da Escola, que agirá em conformidade, não estando excluída a possibilidade de abertura de um processo disciplinar ao(s) elemento(s) prevaricadore(s)."
Esta decisão do Instituto, e a carta do Ministro da Educação parecem-me absurdas e castradoras. O Ensino Superior tem capacidade e o dever de possuir alguma autonomia, e apadrinhar as organizações estudantis, acolhê-las e responsabilizar-se por elas, sempre que elas o peçam ou o requeiram. Faz parte de um elo Estudantes-Administração que eu julgo não estar confinado à esfera intervencionista do Estado ou do Ministério, antes a um contrato entre os frequentadores da Academia.
Penso que os mesmos que vêm na liberdade de expressão um refúgio para criticar e discutir as Tradições Académicas deviam, igualmente, aceitar o carácter académico delas e o seu lugar entre a comunidade estudantil.
Infelizmente, dentro e fora da Academia, não faltam entre nós os que querem impor as suas opiniões sobre os outros.
sábado, 13 de setembro de 2008
crónicas dos Bragas - boas vindas às ideias
Seria um grande contributo, e vale a pena começar desde logo a incentivar a capacidade argumentativa dos Caloiros (que vem do grego kalogeros, ou seja, estudante de disciplinas preparatórias) de, na sua Faculdade, escolher os meios pelos quais se quer desenvolver enquanto estudante e pessoa. A interacção saudável e descomprometida com alunos mais experientes parece-me um bom caminho a seguir para estes objectivos. No final de contas, penso que se requer um pouco mais de pragmatismo, e um pouco mais de criatividade para este trabalho que aquele que é desenvolvido por qualquer outro meio preparado para o efeito presente na nossa faculdade.
Não está a lidar o leitor com um revoltado. Querer contribuir com o que se tem de valor não é somente sinal de revolta. O pessoal do Almanaque não é uma cambada de Revoltados. Por muito que os discordantes fiquem revoltados com esse facto.
Aprecio o adjectivo de desafiante. Se, de facto, alguém considera um desafio aquilo que os autores do Almanaque querem fazer, acho que é bom sinal. Eu acho que um pouco de competição não faz mal a ninguém. Situações de monopólio criam sempre sociedades viciadas e estúpidas. Penso que a nossa Faculdade agradece sempre um pouco de desafio adicionado à enorme carga competitiva que Ela já tem.
Por último, refiro-me mais uma vez (e a última) a esse factor de anti-praxofobia. Ao que parece, teme-se um grupo de "forças vivas" puramente anti-Tradição. De facto, é verdade que eu penso que a Tradição consegue ser indescritívelmente idiota. E porquê? É muito fácil. A Tradição é a mistura do elemento oral, escrito, e sobretudo, simbólico (não serão as palavras puros símbolos?) Assim, os Símbolos representam uma valente parte de qualquer definição da Tradição.
Esta Tradição, no entanto, não deve ser a personificação de uma "mente simbólica". Os símbolos não servem para ser seguidos cegamente. São guias de aprendizagem, são elementos instrutivos de um significado interior. A Tradição mantém-se através do significado que é interiormente dado pelos Símbolos. Deste modo, qualquer fobia para que o fim de uma Tradição aconteça é, regra geral, insustentável e desnecessário, visto que o fim do seu uso implica ou o fim da Tradição ou a manutenção idiota da mesma.
Se os ingleses respeitam a sua Casa do Parlamento, é porque lhe atribuem o significado que ela tem para eles, como a democracia, a liberdade, a história dos ingleses enquanto povo. Na mesma página pode se considerar outra qualquer Tradição, como a Praxe. Enquanto alguém lhe vir significado, e se servir dos seus valores e símbolos como guias e não apenas elementos físicos, não há que ter medo. A não ser que alguém largue bomba-atómica no Jardim da Cordoaria, no dia da Serenata.
Pela mesma razão, não se deve temer o fim efectivo das Tradições. Assim que os Símbolos perdem o seu significado, o que acham que lhes deve acontecer? E às tradições respectivas?
Mais uma vez, peço para procurarem as respostas nos ingleses. Eis o que eles fariam caso o Parlamento deixasse de ser um local de democracia e liberdade, e passasse a ser só uma fachada simbólica: