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sábado, 1 de agosto de 2009

Cursos Extra Curriculares - FDUP

A Faculdade de Direito do Porto, em conjunto com a AE e a SICASAL, estão a preparar um conjunto de Actividades e Cursos Extra-Curriculares que fornecerão um apoio teórico-prático na vida do futuro jurista de valor incomensurável.
Estes cursos, detalhadamente programados, estarão disponíveis aos estudantes no início do próximo ano lectivo.
O Café Odisseia tem o exclusivo de algumas opções que estarão ao alcance dos estudantes para o ano que vem:
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Cursos de Filosofia Abstracta aplicada às Ciências Jurídicas:
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- A Inimputabilidade do Misógino - caso raríssimo de cadeira lecionada por um Aluno, Henrique Maio, auxiliado pelo corpo docente de Direito Penal.
O curso consistirá em dois passos:
1º - teorização, enquadramento sócio-cultural do indivíduo na misogenia. Demonstração com base no materialismo hegeliano. Distribuição de anti-depressivos gratuita nas aulas 2, 8 e 25.
2º - neste segundo e último passo, os assistentes da cadeira tratarão de negar todos os conteúdos ensinados no passo anterior.
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- A Placa Oceanográfica e a Cúpula de Santa Maria del Fiore: Basicamente, a mesma coisa. aula lecionada por docente a selecionar.
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- A Vénus de Milo e o Direito Administrativo: Duas coisas que não têm rigorosamente nada a haver uma com a outra.
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- A Fachada da Universidade de Salamanca: cá temos a Praxe, lá procuram rãs. Estudos Sociólogos sobre a vida salutar dos academistas espanhóis, comparada com os bêbados de cá. Razões para manter, a todo o custo, a independência nacional.
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Cursos Práticos:
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A Dogmática Aristotélica Aplicada à Inércia do Modelo Académico/Associativista. O Coordenador será o Grupo/Pessoa Legião, assistido por 3 supervisores nomeados pela AE, devidamente amarrados em sala própria, juntamente com os instrumentos musicais das tunas masculina e feminina da FDUP. Devido às exigências de anonimato da Pessoa/Grupo Legião, os alunos deverão abster-se de ver/ouvir o/os/a/as cordenador/es/a/as, usando o método oficialmente aplicado para as aulas de direito internacional - virar costas para o docente e tapar os ouvidos com selofane.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

as várias formas de se proibir

Luís Lavoura escreve no blog do Movimento Liberal Social uma referência ao comunicado do Instituto Superior Técnico, satisfeito com a atitude tomada pelo tal instituto.
Diz assim o seguinte comunicado:

"Na sequência da carta enviada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e
Ensino Superior [...] repudiando de forma veemente a prática das
praxes académicas infligidas aos estudantes que ingressam no Ensino
Superior, e dando conta da intenção de responsabilizar civil e
criminalmente, por acção e por omissão, os órgãos próprios da
instituição sempre que se demonstre a existência de práticas ofensivas
para os estudantes
, fica decidido:

1) Não reconhecer legitimidade a qualquer auto-denominada comissão de
praxe, proibindo as actividades que neste momento lhes estão associadas nos campi [...];

2) Proibir a prática de praxes académicas nos campi [...], qualquer que seja a forma como são organizadas.

Qualquer violação a esta directiva deverá ser comunicada ao Conselho
Directivo da Escola, que agirá em conformidade, não estando excluída a possibilidade de abertura de um processo disciplinar ao(s) elemento(s) prevaricadore(s)."

(os sublinhados são do Luís)

Esta decisão do Instituto, e a carta do Ministro da Educação parecem-me absurdas e castradoras. O Ensino Superior tem capacidade e o dever de possuir alguma autonomia, e apadrinhar as organizações estudantis, acolhê-las e responsabilizar-se por elas, sempre que elas o peçam ou o requeiram. Faz parte de um elo Estudantes-Administração que eu julgo não estar confinado à esfera intervencionista do Estado ou do Ministério, antes a um contrato entre os frequentadores da Academia.
Penso que os mesmos que vêm na liberdade de expressão um refúgio para criticar e discutir as Tradições Académicas deviam, igualmente, aceitar o carácter académico delas e o seu lugar entre a comunidade estudantil.
Infelizmente, dentro e fora da Academia, não faltam entre nós os que querem impor as suas opiniões sobre os outros.

sábado, 13 de setembro de 2008

crónicas dos Bragas - boas vindas às ideias

Sobre o que se escreveu relativamente a este assunto. Sublinho que nada do que estava planeado era intencionalmente anti-Praxe. De facto, parece haver na FDUP uma enorme apetência a aparecer coisas anti-Praxe, ou um enorme medo de coisas anti-Praxe, parece-me mais certo. De facto, numa faculdade assim, ideias novas não são bem-vindas de certeza. Penso também que se pode criar, ainda, algo novo. O Almanaque pode vir a ser de grande uso, penso que a comunidade académica interessada na comunicação directa com os alunos do primeiro ano (sendo que "directa" não implica uma posição hierárquica baseada em pressupostos relativos à Tradição) traz coisas maravilhosas ao desenvolvimento intelectual.
Seria um grande contributo, e vale a pena começar desde logo a incentivar a capacidade argumentativa dos Caloiros (que vem do grego kalogeros, ou seja, estudante de disciplinas preparatórias) de, na sua Faculdade, escolher os meios pelos quais se quer desenvolver enquanto estudante e pessoa. A interacção saudável e descomprometida com alunos mais experientes parece-me um bom caminho a seguir para estes objectivos. No final de contas, penso que se requer um pouco mais de pragmatismo, e um pouco mais de criatividade para este trabalho que aquele que é desenvolvido por qualquer outro meio preparado para o efeito presente na nossa faculdade.
Não está a lidar o leitor com um revoltado. Querer contribuir com o que se tem de valor não é somente sinal de revolta. O pessoal do Almanaque não é uma cambada de Revoltados. Por muito que os discordantes fiquem revoltados com esse facto.
Aprecio o adjectivo de desafiante. Se, de facto, alguém considera um desafio aquilo que os autores do Almanaque querem fazer, acho que é bom sinal. Eu acho que um pouco de competição não faz mal a ninguém. Situações de monopólio criam sempre sociedades viciadas e estúpidas. Penso que a nossa Faculdade agradece sempre um pouco de desafio adicionado à enorme carga competitiva que Ela já tem.

Por último, refiro-me mais uma vez (e a última) a esse factor de anti-praxofobia. Ao que parece, teme-se um grupo de "forças vivas" puramente anti-Tradição. De facto, é verdade que eu penso que a Tradição consegue ser indescritívelmente idiota. E porquê? É muito fácil. A Tradição é a mistura do elemento oral, escrito, e sobretudo, simbólico (não serão as palavras puros símbolos?) Assim, os Símbolos representam uma valente parte de qualquer definição da Tradição.
Esta Tradição, no entanto, não deve ser a personificação de uma "mente simbólica". Os símbolos não servem para ser seguidos cegamente. São guias de aprendizagem, são elementos instrutivos de um significado interior. A Tradição mantém-se através do significado que é interiormente dado pelos Símbolos. Deste modo, qualquer fobia para que o fim de uma Tradição aconteça é, regra geral, insustentável e desnecessário, visto que o fim do seu uso implica ou o fim da Tradição ou a manutenção idiota da mesma.
Se os ingleses respeitam a sua Casa do Parlamento, é porque lhe atribuem o significado que ela tem para eles, como a democracia, a liberdade, a história dos ingleses enquanto povo. Na mesma página pode se considerar outra qualquer Tradição, como a Praxe. Enquanto alguém lhe vir significado, e se servir dos seus valores e símbolos como guias e não apenas elementos físicos, não há que ter medo. A não ser que alguém largue bomba-atómica no Jardim da Cordoaria, no dia da Serenata.
Pela mesma razão, não se deve temer o fim efectivo das Tradições. Assim que os Símbolos perdem o seu significado, o que acham que lhes deve acontecer? E às tradições respectivas?
Mais uma vez, peço para procurarem as respostas nos ingleses. Eis o que eles fariam caso o Parlamento deixasse de ser um local de democracia e liberdade, e passasse a ser só uma fachada simbólica:

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