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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Extraordinárias vitórias no extremo ocidente europeu

Foi uma noite peculiar, esta. Os eleitores optaram por uma maior dispersão de votos com favorecimento dos partidos mais pequenos, poucos acreditaram (ainda bem, quanto a mim) no voto útil, não houve milagres socialistas e o partido letárgico chegou, viu e foi dormir bem cedinho.

Ainda assim, cabem na nossa aljava umas quantas reflexões. “A extraordinária vitória” do PS deixou à transparência a apreensão da derrota, o sorriso forçado de José Sócrates prontamente depurou as dúvidas.

O Bloco de Esquerda, apesar da subida impressionante, não soube esconder o desagrado de se ver remetido para quarta força política, com cinco deputados a menos que o CDS. O ambiente de crispação notou-se, na sede bloquista, em dois momentos particulares, no primeiro discurso de Luís Fazenda e nas palavras finais e pouco inspiradas de Louçã. Afinal, depois de uma campanha desastrosa (a título de exemplo, a proposta dos PPR, do imposto sobre as fortunas, aumento generalizado de impostos para as empresas e nacionalizações), depois de tanto dinheiro gasto no financiamento de mentiras para enganar petizes, no final, bem, no final viram a sua expectativa de um resultado eleitoral próximo dos 15% (a piscar o olho a um frente-a-frente com o PS nas próximas legislativas) esmagado pela “extrema-direita”. Rude golpe na ambição mesclada de arrogância da trupe bloquista.

Pois então, o CDS, mil vezes enterrado vivo, conquista um resultado histórico de vinte e um deputados, ultrapassa os dois dígitos na eleição e, certamente, não dará descanso ao próximo executivo socialista. Justa paga pelo trabalho desenvolvido, belo exorcizar dos fantasmas do passado, dos fantasmas de sempre, afinal.

O PCP, como sempre altamente fidelizado, não desiludiu e até ultrapassou o resultado das últimas eleições - contará 15 deputados.

Não acredito em coligações ou alianças, antevejo um governo mirrado e inábil, afastado como está do promontório da maioria absoluta que transforma o nosso semi-presidencialismo num super-presidencialismo.

Realidades Incomparáveis

Na recta final desta noite eleitoral, Jaime Gama relativizou a perda da maioria do PS afirmando que a CDU de Merkel só obteve 33,5% dos votos. Ora, é um desrespeito enorme pelo votante médio português tentar fazer esta mágica percentual, esta prestidigitação factual.
Fique o esclarecimento que nas últimas décadas o status quo alemão pauta-se por coligações entre três partidos, a saber, democratas cristãos, sociais-democratas e liberais.

domingo, 27 de setembro de 2009

Votos da Administração

Neste dia de eleições a Administração do Café Odisseia deseja que todos os seus leitores, para tal capacitados, exerçam o seu direito de voto de forma ordeira, descontraída – formando a Fraternidade de Votantes Portugueses! Dispostos na multicultural fila indiana, os eleitores darão três voltas ao quarteirão com um sorriso cândido de votante e partilharão, saudavelmente, com o cidadão que estiver mais próximo, experiências únicas e democráticas.Em suma, caros leitores, não se esqueçam que só existe um voto útil, o voto no partido da vossa preferência!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sobre a democracia no Médio Oriente, castelos voadores e cães falantes

O sonho ocidental de educar o oriente obriga-nos a velar de olhos bem fechados – para que os pormenores permaneçam no recato da cela, sob voto de silêncio. O delírio ocidental de transportar as instituições em bruto, tal as criámos, para o oriente, tem algumas parecenças com aqueles filmes da Disney com cães falantes. Estes são, sem dúvida, muito engraçados no seu domínio vocabular e estilístico perfeito, dando até vontade de, por qualquer mágica, transformar o vulgo rafeiro lá de casa num mestre em filologia renascentista. Todavia, como bem se entende, não é possível, nem seria benéfico, deturpar de tal forma a realidade – para nós e para o rafeiro.

Como tal, considero que o Médio Oriente não deve ser o quintal ou o laboratório dos europeus e norte-americanos, não deve ser a sua frágil e promissora criação. Qualquer dos “Estados” em questão tem o direito de exigir respeito pelo seu fundo histórico, pela sua matriz sócio-culturar, tem, em suma, o direito a opor-se a um transplante negligente das nossas instituições democráticas.

Dirijo-me, neste texto, às recentes eleições no Afeganistão e a toda a algazarra circundante. Congratularam-se Ban Ki-Moon e Obama por este passo decisivo da construção da democracia afegã, ainda que as eleições tenham sido fraudulentas e sujeitas a atentados mil, ainda que, note-se, a construção democrática de democrático nada tenha.

Importa é o folclore de umas eleições de fachada. Quanto aos votos comprados em hasta pública, aos ataques dos talibãs às urnas de voto (a propósito, urnas transportadas por mulas), falta de fiscalização dos locais de voto – quanto a isto nada a dizer, o importante é o simbolismo da efeméride. Estamos perante uma eleições alegóricas, pois então!

Acresce que, à boa maneira dos educandos ocidentais, das democracias de proveta que, aqui e ali, vamos fabricando, os dois candidatos reivindicaram vitória.

Talvez nunca entenda esta obstinação europeia e norte-americana de tentar implementar a democracia sem o apoio do direito, ou seja, criar Estados Democráticos esquecendo que, por uma questão de “saúde pública” ou pelo menos de saúde política (da polis, note-se), estes terão de ser, também, Estados de Direito.

Aconteceu no Iraque e agora repete-se no Afeganistão, este exercício de construir castelos no ar.

sábado, 6 de junho de 2009

A Europa nasceu torta

José Tomás Costa, na Plataforma Pensar Claro

A Europa nasceu torta e torta a querem fazer crescer. Estes primeiros resultados na Holanda e os que estão previstos para Inglaterra são preocupantes. Quando partidos que querem acabar com a União Europeia são a segunda força mais votada e quando um grande partido inglês para ganhar votos se vê obrigado a afastar-se de um partido europeu algo vai mal. E não é a crise a causa, não são só eleitores que estão fartos de ver as suas promessas por cumprir e que estão saturados de escândalos que envolvem políticos. Os cidadãos, que pelos vistos também são cidadão europeus, não fazem parte desta Europa. Os seus líderes tiveram medo de os ouvir sobre o Tratado de Lisboa e são poucos os iluminados que sabem qual seriam as suas consequências, que poderes seriam dados ao Parlamento e à Comissão Europeia.
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