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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Extraordinárias vitórias no extremo ocidente europeu

Foi uma noite peculiar, esta. Os eleitores optaram por uma maior dispersão de votos com favorecimento dos partidos mais pequenos, poucos acreditaram (ainda bem, quanto a mim) no voto útil, não houve milagres socialistas e o partido letárgico chegou, viu e foi dormir bem cedinho.

Ainda assim, cabem na nossa aljava umas quantas reflexões. “A extraordinária vitória” do PS deixou à transparência a apreensão da derrota, o sorriso forçado de José Sócrates prontamente depurou as dúvidas.

O Bloco de Esquerda, apesar da subida impressionante, não soube esconder o desagrado de se ver remetido para quarta força política, com cinco deputados a menos que o CDS. O ambiente de crispação notou-se, na sede bloquista, em dois momentos particulares, no primeiro discurso de Luís Fazenda e nas palavras finais e pouco inspiradas de Louçã. Afinal, depois de uma campanha desastrosa (a título de exemplo, a proposta dos PPR, do imposto sobre as fortunas, aumento generalizado de impostos para as empresas e nacionalizações), depois de tanto dinheiro gasto no financiamento de mentiras para enganar petizes, no final, bem, no final viram a sua expectativa de um resultado eleitoral próximo dos 15% (a piscar o olho a um frente-a-frente com o PS nas próximas legislativas) esmagado pela “extrema-direita”. Rude golpe na ambição mesclada de arrogância da trupe bloquista.

Pois então, o CDS, mil vezes enterrado vivo, conquista um resultado histórico de vinte e um deputados, ultrapassa os dois dígitos na eleição e, certamente, não dará descanso ao próximo executivo socialista. Justa paga pelo trabalho desenvolvido, belo exorcizar dos fantasmas do passado, dos fantasmas de sempre, afinal.

O PCP, como sempre altamente fidelizado, não desiludiu e até ultrapassou o resultado das últimas eleições - contará 15 deputados.

Não acredito em coligações ou alianças, antevejo um governo mirrado e inábil, afastado como está do promontório da maioria absoluta que transforma o nosso semi-presidencialismo num super-presidencialismo.

Realidades Incomparáveis

Na recta final desta noite eleitoral, Jaime Gama relativizou a perda da maioria do PS afirmando que a CDU de Merkel só obteve 33,5% dos votos. Ora, é um desrespeito enorme pelo votante médio português tentar fazer esta mágica percentual, esta prestidigitação factual.
Fique o esclarecimento que nas últimas décadas o status quo alemão pauta-se por coligações entre três partidos, a saber, democratas cristãos, sociais-democratas e liberais.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Crónicas de um País Amargurado


O Governo em guerra com a TVI

O Jornal de Sexta com Manuel Moura Guedes foi suspenso. As inimizades que a equipa da mesma vinha criando com o Governo José Sócrates, principalmente a insistente vanguarda noticiosa sobre o caso Freeport, onde se avançaram informações e vídeos que, em qualquer país decente, levariam à demissão imediata do executivo, colocaram na lista negra do PS Media Group o canal de Eduardo Moniz.
O jornalismo de Manuela Moura Guedes é difícil de engolir. Por duas razões.
A primeira, é por ser um jornalismo demasiado ofensivo, em contínuo ataque e contra-ataque, que não tem pejo nem vergonha em preencher o horário televisivo com peças sem valor ou demasiado sensacionalistas. O modelo importado, com os seus riscos e transtornos, deu resultado em Portugal, e o Jornal de Sexta, devido aos seus feixes de dramatismo rococó e ao seu look apelativo, conquistaram muitos televisores entre as classes média e baixa.
A segunda razão é demasiado óbvia. O Jornal de Sexta afecta a integridade moral das elites intelectuais, porque afecta certos dogmas sociais que interessa ver mantidos.
Nesses meios, onde impera um "parecer bem" enjoativo, importa muito alardear altivamente que se despreza o jornalismo de MMG.
Primeiro, porque importa, desde mais, defender um governo de esquerda que, apesar do descrédito que sofreu às mãos do Jornal, continua de boa saúde. Depois, porque mesmo entre os que se colocam à direita política, um jornalismo atacante do estilo de MMG é desconfortável.
O perigo de uma das muitas trafulhices negras da nossa democracia ser reportado por MMG, sabendo que ela tem tantos espectadores e seguidores, justifica este medo.
Não interessa em Portugal este tipo de Jornalismo. O marasmo noticioso da RTP1 ou a parcialidade oca da SIC ocupam toda a carga nacional de tolerância para com a liberdade de expressão nos canais nacionais. Mais do que isso, é ofender as nossas instituições.

José Sócrates deixou bem claro que desejava mover guerra ao Jornal. Se não pressionou directamente a Prisa, o que é de facto duvidável, José Sócrates alertou pelas suas acções os accionistas que, em vista a manter os interesses no país, escolheram livrar-se de um mal maior.
É o mínimo que se pode esperar de uma empresa que investe num país controlado pela nomenklatura de um partido que, contorcendo-se-se como o Polvo, penetra lentamente em cada meandro e recato das finanças privadas e públicas. Agradar ao puppet master é o lema de ordem, quanto mais não seja porque, em Espanha, a mesma empresa é dominada pelo PSOE, o equivalente dos nossos hermanos ao Partido Socialista, e um dos maiores aliados internacionais deste.
Nada neste pequeno jogo de influências funcionou bem para a TVI.
A reportagem que se aproximava no dito Jornal era mais uma peça chocante sobre o envolvimento de José Sócrates e altos funcionários do Partidos Socialista em negociatas podres.
Acima de tudo, certeiro.

O choque tremendo para uma democracia frágil e violentada como a nossa só pode ser remido pelo voto.
Não é surpresa para mim, que já escrevo sobre estes problemas no Café Odisseia há algum tempo, que o caminho para a destruição do Jornal de Sexta se tenha dado neste preciso momento.
É que Sócrates, encarnando o papel de pastorinho doente e injustiçado, pensa vir a ganhar mais votos pela acusação de jogo sujo por parte dos seus opositores. É o seu jogo, e ele é melhor nisso do que mais ninguém.

Cabe a quem de direito, e esses somos nós, dar o veto final a um governo que tem perpetrado ataques contínuos contra a liberdade. Em qualquer país ocidental, nenhum grupo mediático instrumentalizado pelo poder poderia exercer este tipo de poder sobre um órgão de comunicação, se não estivesse certo que faltaria a censura e a reprovação dos cidadãos.
Os conteúdos divulgados por MMG justificaram. vezes sem conta, a demissão de Sócrates. Se revelados por outro jornalismo mais sério, como o de Crespo, e talvez tivessem mesmo derrubado o Executivo.
Mas nunca, nunca, a peça informativa pode ser usada a favor da cidadania e da democracia, e depois apontada contra os seus emissores. Ou será diferente em Portugal?

domingo, 16 de agosto de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

Proposta Indecente

O convite mais badalado da cena política rola desgovernado, arrastando Bloco e PS num sem fim de acusações de tráfico de influências e desmentidos de família alva caída em desgraça.
Dizia Louçã, tenebroso na expressão, que o PS havia convidado Joana Amaral Dias para integrar as listas das próximas eleições. A mesma menina malvada que o líder do Bloco, em frémito estalinista, perdão, trotskista, excluiu, não vai muito tempo, da mesa nacional do partido, tentando apagar as provas da sua existência. Ao que consta, Joana Amaral Dias realmente existe – existe, não esteve num Gulag, e agora dá tremendo jeito ao Bloco.
O PS apressou-se a negar o invocado e exigiu um pedido de desculpas pela nódoa em toalha de linho.
O caso marinou em constrangedor silêncio até que a "de cujos" decidiu clarificá-lo. Diz, então, ter recebido um convite de Paulo Campos (Secretário de Estado as Obras Públicas). Assim sendo, sorri o iracundo Louçã e cora (tem corado ad nauseam) José Sócrates.

Um caso pitoresco, sem dúvida, digno da plácida silly season e atestado do desnorte governamental. Senão vejamos: temos um Governo que sonda uma potencial aliada – tentativa de granjear votos ao socialismo de miscelânea do Bloco – e não tem a coragem de o admitir. Um Governo que cai no erro de mentir descaradamente e oferece o botão vermelho de implosão à convidada, um executivo que não assume a consequência dos seus actos, é um rabisco político, um arrazoado de depravação moral que dirige o país com uma tábua de valores maleável!

Devemos sentir-nos vexados quando assistimos a tais demonstrações de perfídia intelectual – principalmente quando provindas de um órgão de soberania. Não me revejo, nem o poderia fazer, num Chefe de Governo que falta sistematicamente à verdade, distorce factos e remata tudo com exigência de um pedido de desculpas sentido.

Considero a falta de previdência de Paulo Campos não antevendo que, duas jogadas à frente, o Bloco poria em xeque o PS com a facilidade e candura da criança que joga pela primeira vez, inadmissível.
Estamos perante, como se constatou no caso Manuel Pinho ou BPP, um problema de falta de comunicação que, num lento crepitar, consome o Governo e o seu aparelho partidário.

No fim, rui a torre de marfim, cresce o silvado e regressa a bruxa má.

ADSE, SNS - uniformizar um serviço mau?


Que os socialistas têm uma fixação grave em retirar capacidade de escolha para nivelar o povão todo por baixo, disso eu já não tinha dúvidas. Que o Partido Socialista minta, em relação ao que faz e deixa de fazer, e use de subterfúgios eleitorais para esconder o seu verdadeiro programa, também não surpreende.



Sejamos claros - o SNS foi sempre um fracasso. Originalmente, esta bandeira despregada do Partido Socialista era um dos muitos planos sociais que o governo marcelista estava, lentamente, a incrementar. Como todas as reformas sociais do pós-25 de Abril (as que perduraram, claro), não houve mérito nenhum dos revolucionários, apenas, talvez, no facto de terem adicionado ao espírito das reformas uma noção extraviada de despesismo público, que se tornou insustentável ao longo das décadas.


O SNS é, mais ou menos, isso. Um sistema super-centralizado, ao estilo soviético, desactualizado, ineficiente (e não me venham com casos particulares, como aquela vez que partiram uma perna e foram atendidos a tempo, porque isso é um mínimo exigível) e cada vez mais, um sistema tendencialmente gratuito que vai pesando nos bolsos dos portugueses.


Basicamente, é a criação típica do Partido Socialista. Os impostos mal chegam para manter a casa, os casos de abuso prosperam, o controlo é nenhum, o tratamento ao paciente é igualitário, pelo menos no que toca ao tratamento igualmente dado no sector pecuário.

Mas nós gostamos disto à la soviete.


Agora, uma solução seria descentralizar o serviço, usando como exemplo os subsistemas de saúde, como a ADSE. Seria mais eficiente alargar este conceito a todos os portugueses, do que enfiar mais 15 mil funcionários públicos nas listas dos hospitais e centros de saúde a abarrotar. Mas claro, o princípio da Livre Escolha, em Portugal, falece sempre quando deforntado com a possibilidade de manter um sistema pretensamente igualitário, de má qualidade.


Concluo com este artigo que se pode ler no portugal contemporâneo:


A ADSE é financiada exactamente da mesma forma que o SNS, através do OE. Não existe qualquer duplicação de financiamento; quando um doente da ADSE vai ao SNS a ADSE paga pelos serviços prestados. Do mesmo modo (e pela mesma tabela) que pagaria a uma instituição privada, se fosse essa a escolha do beneficiário.

Acresce que os beneficiários da ADSE ainda comparticipam com 1,5% dos seus vencimentos para este subsistema enquanto o resto da populaça não comparticipa directamente para o SNS (só através dos impostos).

Porquê, então, tanto ódio à ADSE? Porque os beneficiários da ADSE preferem a assistência privada à pública! Se o resultado da livre escolha dos beneficiários da ADSE recaísse sobre o SNS, não existiria qualquer problema. Ora, como é que respondem a este desafio os socialistas mais radicais? Melhorando o SNS para atrair mais beneficiários dos subsistemas? Não, extinguindo a ADSE.

Pretender que a ADSE é um serviço anacrónico só porque vem do tempo de Salazar, é o quê?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

PS promete que daqui a 18 anos alguém pagará o novo subsídio de 200euros

José Sócrates propõe, no seu programa eleitoral, a criação de novo subsídio, desta feita assumindo a forma de incentivo à natalidade – uma conta poupança de 200 euros por cada nascimento que poderá ser movimentada mal o indivíduo perfaça 18 anos.

Estamos perante uma pequena brincadeira de campanha, profundamente eleitoralista e inconsequente. Podemos até questionar-nos se, e até que ponto, a medida atinge a finalidade a que se propõe; bem como o impacto que terá na despesa pública.

Em suma, incentivos à natalidade descabidos, falta de fiscalização dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção, aumento de impostos, e tectos para as reformas do sector privado – um belo folhetim eleitoral, todavia, eu não assino por baixo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Jaime Silva ou O Auto do Autismo


Síndrome de Júlio Isidro

"O Estado social de que Portugal hoje beneficia é essencialmente uma criação do Partido Socialista."
Vital Moreira in Público

domingo, 3 de maio de 2009

Medina Carreira

- Não sei. Só estive com ele, desde que está em Belém duas vezes. Almocei duas vezes com ele e já há mais de um ano que não estou com ele. Não faço ideia do que pensa. Depois isto tudo se foi degradando, o PS foi tomando pulso às coisas e pensou que a cooperação estratégica era um silenciamento permanente do Presidente da República. E resolveu fazer provocações sobre os Açores, uma brincadeira para incomodar, como o aborto, o divórcio e essa trapalhada toda. O Presidente da República, que certamente não quer ser levado nesta enxurrada de desgraças e bem, acho que acordou e veio dizer cuidado. Veio dizer isto por causa de um problema que pode ser a nossa desgraça por muitos anos. O Presidente da República não diz com clareza. Eu digo com clareza. Se nós continuamos a fazer auto-estradas, terceiras pontes sobre o Tejo nós daqui a dez ou quinze anos temos um problema financeiro gravíssimo.

sábado, 2 de maio de 2009

Mocidade Portuguesa

O manto do Governo por vezes esconde intenções pouco claras - o Primeiro-Ministro, que não perde uma oportunidade de referir a instrumentalização dos manifestantes pela CGTP, parece que se cansou de pregar em terra de ingratos e decidiu instrumentalizar umas quantas criancinhas.
Um ministério que envia uma equipa de filmagem a uma escola em Castelo de Vide com fito de fazer um vídeo para o tempo de antena do PS pode soar um pouco mal, pode soar a desvio de poderes, ou então, podem ser novas teorias pedagógicas avant-garde - mais um um sucesso socialista, certamente.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Montesquieu e Res Publica: até os Comunistas percebem mais disto que os Socialistas

E quando digo Montesquieu, estou a referir-me ao seu contributo para a Ciência Política, a formalização da teoria da Separação e Interdependência de Poderes.
Estes dois pontos, muito importantes na feitura das Constituições Clássicas, cada vez mais omitido nas modernas, é o engenho constitucional mais eficaz para limitar o poder político e, por essa ordem de ideias, limitar a influência do poder económico. A ideia é prevenir o "Capitalismo Selvagem", ou o Autoritarismo e o Totalitarismo. Ou melhor, a ideia é que prevaleça sempre o Interesse Público.

E disto, aparentemente, percebem bem mais os comunistas que o actual Governo Socialista:

O líder do grupo Parlamentar do PCP acusa o Governo de "negar" informação sobre as condições em que estão a ser aplicados "vultuosos apoios públicos a empresas".

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Médico de Família

Paulo Pedroso dirigiu-se recentemente aos eleitores de Almada com a nobre missão de requalificar a visão que estes têm da função do Presidente da Câmara, argumentando que o Presidente do Município actua como um médico de família.
O Pai do Rendimento Mínimo Nacional* dirigiu-se no típico tom pater patriae, e os administrados socialistas de Almada, embevecidos, ouviram atentamente. O Médico de Família, neste caso o Paulo Pedroso que quer ser Presidente da Câmara, é aquele que sabe melhor quais são as nossas doenças que nós próprios. Isto tudo, amigo leitor, são palavras do Pai Pedroso, não é uma pérfida e típica transmutação da realidade própria dos Odisseus.

A palestra de Paulo Pedroso foi algo inútil. Por todo este país, em todas as autarquias, elegem-se Médicos de Família, e até Pais de Família, que sabem muito melhor do que os eleitores o que é melhor para eles.
Somos um país de centralizadores, de Estado-Ama, de regentes e protectores, um povo-menino que aprecia sempre estes discursos paternais tão habituais nos ditos partidos grandes. De quatro em quatro anos vão as populações votar nos partidos que prometerem as obras públicas mais extravagantes, os partidos que prometerem mais gastos, os líderes mais carismáticos que conseguirem mais empregos públicos para a malta.
Somos um país onde a Nação confunde-se com o Estado da forma mais promiscua possível. O Poder Local é tão irrisório que não existe. Existe sim uma turba de funcionários públicos que vota em conformidade com o número de viadutos planeados, em função dos empregos que se vai criar ou na expectativa de uma redistribuição mais justa daquilo que justamente não lhes pertence. Há por aí muitos Paulos Pedrosos.

Nada está entregue ao cidadão. Tudo se distribuiu entre o Partido, a Jota do Partido e o Líder do Partido. O poder municipal, enquanto representação dos interesses dos particulares, dos empresários e das populações tradicionais, não coexiste, não se confronta nos parlamentos locais.
A Nação dos Médicos de Família vai-se Regionalizar de cima para baixo, começando pelos interesses dos Médicos de Família, até chegar ao que os Médicos de Família acharem que é o Interesse do Povo.

E assim, até ao fim dos tempos, terá Portugal alguém que possa tomar conta dele.

*é engraçado ver que o PS é um partido de pais: há o Pai da Democracia, o Pai do SNS e o Pai do RMN, é caso para fazer a graçola de que temos os pais, mas faltam-nos os filhos

PS: para acentuar o nível de situacionismo a que chegou este jardim alcatroado à beira-mar plantado, cito uma pequena resposta de um "keynesiano" meu conhecido e estimado, mas, infelizmente, excessivamente corroído pela cartilha partidária. Perguntei-lhe eu se havia solução para o estado catastrófico em que se encontrará o País quando não houver mais dinheiro para obras públicas, e mereci a respectiva resposta: "A Solução é não parar de fazer obras públicas. Haverá sempre obras públicas para fazer."
Já de olhos postos na ponte que liga Lisboa a Gibraltar, possivelmente.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Realismo Socialista ou Ladainha Beata


O Odisseia já dispôs de oportunidade para demonstrar o seu repúdio perante o cortejo de charlatães e pela inépcia do Banco de Portugal no caso BPN; já encarou com odioso esgar a deplorável acção da imprensa no caso Freeport; por fim, não teve pudor em apelidar Hugo Chávez de ditador (gostamos de chamar as coisas pelos nomes). Convém sublinhar, que destas misérias sai a democracia indisposta, para não dizer maltratada. Vamos mais longe e, com franqueza, consideramos que o actual governo tem sido o seu principal agressor.
Numa altura em que as alvas alminhas de esquerda se travestiram de valorosas guardiãs dos direitos humanos e da igualdade, em que se luta ferozmente pelo casamento homossexual, em que se agendam discussões públicas sobre a eutanásia – assuntos, sem sombra de dúvida, importantes e merecedores de morosa reflexão – ninguém nota, ou parece notar, os laivos de autoritarismo com que este governo se vai cobrindo, passo a passo, numa ladainha vagarosa mas constante.
Como primeiro ataque consideremos a ASAE, uma autêntica polícia de costumes, autoritária, arrogante, e radical. Desde que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica assimilou uns quantos tiques da alta-roda, muito se tem ressentido o património gastronómico português, muito se tem perdido de um equilíbrio alimentar milenar que sempre resultou e auto-regulou, sem a necessidade de pedir auxilio a uma turba de microbiólogos que adorariam viver num mundo esterilizado. Não faz sentido a exacerbada acção da ASAE: é facto que ajudou a criar uns belos oligopólios alimentares (excluiu do mercado dezenas de empresas de condimentos, devido à directiva da dose individual), e colocou tantos entraves a pequenas empresas (lacticínios por exemplo) que estas se viram materialmente impossibilitadas de seguir seu negócio; no final, bem no final, salve-se a higiene.
Segue-se a forma, particularmente vigorosa, com que o Governo vem tratando os funcionários públicos. Professores, polícias, médicos, empregados de secretaria SÃO OBRIGADOS a frequentar acções de formação, mesmo que estas sejam parcas em conteúdo ou nem sequer tenham que ver com a sua área profissional (pensemos na acção de formação do computador Magalhães, esse circo de humilhação). Mas, insaciável, o monstro bíblico ainda se dá ao luxo de OBRIGAR professores a participar em mascaradas, não vão as pobres criancinhas ficar com um trauma insanável.
Não deixemos de referir que o IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) se considera no direito de tornar a ataraxia (supressão de juízo) prática corrente e saudável. Em casos de choque entre relatórios de funcionários de grau hierárquico distinto, os subordinados hierarquicamente têm, não só de ceder aos seus superiores (como é natural), TENDO TAMBÉM DE ADOPTAR TAL PARECER COMO SEU!
Mas se tais comportamentos desviantes não satisfazem o coração dos nossos leitores, então atentemos ao próximo Congresso do PS. Ora, o XVI Congresso Nacional do Partido Socialista contará com a presença do partido chavista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela); de uma delegação do Partido Comunista da China; do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola); entre outros partidos socialistas europeus. Recordando Durão Barroso: “Fui ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro no meu país e muito frequentemente temos de nos sentar em reuniões internacionais na companhia de pessoas com as quais a minha mãe não gostaria de me ver”; referia-se a Robert Mugabe e, certamente, a sua mãezinha perdoou-o. Claro está que as relações diplomáticas internacionais exigem que se engulam muito sapos, é óbvio que por vezes é necessário negociar com escroques. Contudo, Durão Barroso nunca tentou toldar a tirania de Mugabe, não tentou apresentá-lo como um democrata. O PS faz o contrário. Vai receber representantes de três Estados com regimes profundamente autoritários (Venezuela, Angola e China), e vai recebê-los com a maior naturalidade, como velhos amigos. Quanta indulgência! Aliás, neste caso digno de estudo, vemos um PS ansioso por engolir sapos num frémito existencial de confraternizar com crápulas!
Valha-nos o sol e a pacatez, que vem minguando, no Estado mais ocidental da Europa. Calem-se as carpideiras, pois nada do que escrevi é verdade. A verdade pertence ao PS e demais esquerdas, a verdade pertence ao Realismo Socialista.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

democracia e ética republicana à lá PS

Revelam-se sinais alarmantes na crescente decomposição moral dos partidos políticos portugueses e da nossa democracia. Sinais evidentes como os 30 Fantásticos do PSD já tinham dado o mote, mas a recente actuação do Governo socialista para com o Presidente da República na polémica questão do Estatuto dos Açores representam o completo descalabro. José Sócrates e o seu Partido Socialista são, agora oficialmente, a corja mais negligente e prejudicial ao bem do País e da Democracia.
Lidou-se com o Estatuto de todas as formas indevidas, e cometeram-se todos os erros possíveis.
Quando se devia ter procurado um acordo que harmonizasse as diferentes opiniões nacionais, dividiu-se o país ao meio entre apoiantes do PR e apoiantes do Governo e da Região Autónoma. A típica guerrilhice socialista. Importa mais o mediatismo e o conflito aberto do que o verdadeiro Bem Comum e a Concórdia. Mas, de facto, Concórdia é só para esses meninos betinhos da Direita.
Para piorar, algo tão simples e importante como um Estatuto de Região Autónoma foi transformado, pela máquina de propaganda habitual, num Grito do Ipiranga açoriano, quando na verdade o que aconteceu foi um ataque indecente à separação e interfiscalização de poderes. Agora, os cidadãos dos Açores estão muito mais vulneráveis aos caprichos partidários da região (que não são poucos). E numa partidocracia como o é o nosso regime, isso não é um sintoma, é um completo flagelo.
Escusado será falar no escarcéu que não se levantou na imprensa.
Tivessem sido o Presidente-Poeta ou o Presidente-Pai da República, e as coisas podiam ter dado mais que falar. Falava-se já num momento heróico de salvação da democracia perpetrado pelo heróico PR (qualquer um dos anteriores possíveis presidentes já eram heróicos à fartazana, quanto mais agora).
Mas nas palavras da elitissíssima Clara Ferreira Alves, o Presidente da República é só um "rapaz de Boliqueime", e "pode-se tirar o rapaz de Boliqueime, mas não Boliqueime do rapaz". Diálogos típicos da nossa qualidade jornalística e democrática. Na verdade, em Portugal, um presidente da república ligado a partidos de Direita não tem grandes hipóteses contra estes abusos típicos da oligarquia política. Se calhar nem mesmo um PR de Esquerda.
Fica registada mais uma honrosa tentativa, no entanto.
PS: Como prova do enorme espectáculo político à volta deste fenómeno, podemos ver no Expresso a seguinte frase:
Nem mais, política à lá PS é sinónimo de constante luta do bem contra o mal, qual Dragon Ball Parlamentar. E o Mal é todo aquele que se sentar do outro lado da bancada e não concordar com as ideias oficiais do Partido.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Os 30 Fantásticos

Que o PSD é o partido mais idiota do actual cenário político português não restam dúvidas.
Isto acontece, especialmente, devido a dois factores que podemos considerar dois problemas. O primeiro problema é evolutivo, o segundo é interno.
O primeiro problema é o simples facto de o PSD já não ter possibilidade de ser SD. Durante muito tempo, o PSD foi o único partido da social-democracia. Mas a social-democracia com cabecinha e sem trejeitos de socialismo radical, que é a social-democracia que o PS apresentava e que actualmente é sustentada pelo Bloco de Esquerda. Mas tendo o PS utrapassado esta fase mais S e entregue à escumalha a batata quente do "socialimo revolucionário e mansinho ao mesmo tempo", do Estado cancerígeno e produtor de riquezas ineficaz e pretensiosamente distribuidas, chegou a altura de se reajustar no plano político. Aqui chama-se a esse reajustar de plano político de "virar à direita". José Sócrates, por muito que a sua imagem seja repudiada em público durante o extâse popularista das massas, está a fazer ao PS aquilo que Manuel Alegre não quer: virá-lo para a social-democracia de tipo europeu, e não de tipo terceiro-mundista, que é o que temos tido por aqui. E aí o PS, se calhar, poderá passar a chamar-se social-democrata. Seria uma evolução correcta, mas por enquanto ser "socialista" continua a ser a religião oficial para se ter nos meios bem-intencionados deste País, fica o nome.
Até agora, o PSD foi de direita porque tentou ser social-democrata, sem ser socialista. Nem sempre conseguiu isso, porque nada fez para combater o peso do Estado na economia (até, como veremos, se alimentou dele). Agora, o PSD está a assistir a um fenómeno inesperado e único: finalmente, em Portugal, começam a aparecer cabecinhas que discordam do facto de a social-democracia ser um conceito de direita, com o seu respeito pela tradição e algumas concepções conservadoras. E, de facto, a social-democracia não deve nada, mas mesmo nada, ao socialismo. Agora, o problema será sempre a turba do colectivismo, que se levantará insistentemente por entre a turba dos sindicatos comunistas e das amargas ruelas dos sanguessugas do Sistema. Mas essa o PS já não ouve. Felizmente.
Agora que se provou que o problema do PSD é existir um PS, esboça-se o problema número dois: o interno, neste caso o problema interno que se passa no corpo dos deputados do PSD que faltaram à dias a uma votação na AR, o problema da falta de espinha dorsal, devido ao excesso de lambe-botismo que fazem no dia-a-dia. Este exercício deprimente, tão próprio do PSD, tão próprio da retórica moral cavaquista, santanista, barrosista, etctrista, é o cancro do partido.
Não tenho mínimas dúvidas que, houvesse alguma hipótese do PSD ganhar as eleições antes dos acontecimentos desse dia, desvaneceram-se agora. Em nome do jogo político de influências e favores, "alguém" "comprou" o desaparecimento dos 30 deputados e mandou uma excelente mensagem a Manuela Ferreira Leite: nem no próprio partido ela pode confiar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

os abutres

Já paira o Partido Socialista sobre a carcaça do Presidente da República. A campanha de descredibilização do chefe de Estado, bem como o contínuo bombardeamento das relações Executivo/Presidência têm como objectivo a simples exaustão moral e psicológica de Cavaco Silva.
Mais uma amostra do joguinho sujo que a política portuguesa nos tem vindo a habituar, a habitual guerrilha de bancada e o famoso moralismo dos inocentes.
Tudo está nas mãos de Cavaco. Convocar eleições antecipadas e dar a vitória a Sócrates, e mais tarde restabelecer o equilíbrio entre os poderes, ou deixa-lo marinar mais um pouco na chafurdice sindical que corrompe o país e esperar por um resultado eleitoral que trará, obviamente, um crescimento da esquerda radical.
De qualquer das formas, e qualquer que seja a escolha, as coisas não estão com bom aspecto.
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