"Recentemente, um familiar de visita em Nova Iorque alertou- -me para outro exemplo desta rigidez. Em Portugal, as mulheres costumam ter filhos com espaços de alguns anos. Nos EUA é normal ter vários filhos de seguida. Em Portugal, a mulher sabe que por se afastar da carreira por tempo prolongado arriscando perder o trabalho pode acabar no desemprego durante anos. Nos EUA, muitas mulheres retiram-se do mercado de trabalho durante quatro ou cinco anos para terem filhos e passarem os primeiros anos com eles, sabendo que têm a opção de reingressar facilmente no mercado de trabalho mais tarde."
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Ode ao Marasmo
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Interrogatório Agressivo
Com algumas cambiantes, pois o método tem origem inquisitorial, o waterboarding consiste em levar o interrogado a pensar que está a ser afogado, aliás, o interrogado está mesmo a ser afogado, cabendo aos interrogadores avaliar o momento exacto em que devem cessar o “interrogatório agressivo”. A sua eficácia é, portanto, a mesma de uma tortura medieval – depoimentos falsos para afastar e entreter os interrogadores ou então denúncias de arraia-miúda.
Christopher Hitchens, jornalista da Vanity Fair, decidiu testar em si próprio o método e narrar o sentido (jornalismo sensacionalista, sem dúvida). O vídeo da experiência e a narrativa correram mundo.

domingo, 8 de março de 2009
Diz-me com quem andas...
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
o problema das Obamanomics; considerações de Peter Schiff sobre a causa da crise financeira
d' O Insurgente
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
executive order 9066 - F.D. Roosevelt não era um bonzinho
Executive Order 9066, signed by Franklin D. Roosevelt on February 19, 1942, allowed authorized military commanders to designate "military areas" at their discretion, "from which any or all persons may be excluded." These "exclusion zones", unlike the "alien enemy" roundups, were applicable to anyone that an authorized military commander might choose, whether citizen or non-citizen. Eventually such zones would include parts of both the East and West Coasts totaling about 1/3 of the country by area. Unlike the subsequent detainment and internment programs that would come to be applied to large numbers of Japanese Americans, detentions and restrictions directly under this Individual Exclusion Program were placed primarily on individuals of German or Italian ancestry, including American citizens.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
George Bush: o resumo de um mandato infeliz

Para trás deixa um país em crise económica, dois países militarmente ocupados, e muitas complicações de futuro.
Nada disto era, no entanto, previsível, quando George Bush subiu à cadeira presidencial americana. Advogado das típicas causas conservadoras e republicanas (redução de impostos, governo limitado, descentralização da administração), podemos facilmente ver que as coisas correram terrivelmente mal.
Podemos dividir este mandato entre a época "Bush ante-11 de Setembro" e "Bush após-11 de Setembro".
As exigências de uma política externa anormalmente activa mudaram por completo a política original dos republicanos. Os erros advidos da inexperiência do Executivo e de uma prodigiosa falta de tacto por parte dos analistas do Governo apenas aprofundaram mais o pântano em que a América se estava a afundar.
Os acontecimentos prévios na política interna vêm dar a machadada final num mandato que exigia um homem mais preparado, mais experiente. Infelizmente para a América, nunca o houve. Escolher Bush ou Al-Gore seria o mesmo que escolher entre Coca-Cola e Pepsi. Ambos inaptos, sendo que um deles tem o peculiar defeito de não ter escrúpulos morais, e o outro insiste num infantil estereótipo texano.
Assim, finalmente encarando o lento e vagaroso descer da cortina, recolhendo-se os actores aos bastidores e esperando a opinião pública o veredicto da história e da democracia (este está praticamente sabido, Obama vai ganhar) resta-nos elucidar então os grandes culpados pela crise deste início de século.
Bush herdou uma guerra, no pior local possível. Como disse Reagan, a irracionalidade da política do Médio Oriente impede qualquer tipo de planeamento ou previsão futura. Reagan sofreu as consequências de uma intervenção militar no Líbano, e infelizmente os seus colegas republicanos não aprenderam com o seu erro. Assim, Bush herdou as consequências das intervenções militares de Bush Pai e Bill Clinton em Bagdade e no Kuwait e Arábia Saudita. No entanto, não contou com o ódio anti-americano como factor de impossibilitação de uma presença americana no Oriente.
Para o futuro, deixa-nos George uma mão cheia de legados pouco promissores, desde o "Patriot Act" até à prisão de Guantánamo. Tudo formas intrincadas e subversivas de violar as antigas liberdades e leis dos EUA, e manter distraídos os cidadãos com abstraccionismos como a Guerra Contra o Terrorismo, uma espécie de Guerra Permanente que não passa de uma desculpa para manter os impostos elevados e a contínua situação de conflito internacional.
No aspecto interno, Bush continua a ser um desastre. A crise económica é derivada do corporativismo que as suas políticas económicas de favorecimento dos monopólios levaram a cabo, e nasce de medidas centrais tomadas, também, pelos seus antecessores. Incapaz de fazer face à corrupção, G. Bush adoptou o discurso apocalíptico das crises anteriores, e proclamou mais uma Guerra Permanente, desta vez a Guerra Contra o Mercado.
Apanhado no vórtice externo que os últimos presidentes americanos criaram, herdeiro de uma diplomacia romba e ineficaz, Bush foi o homem errado na pior altura possível.
Os seus erros e decisões, tomados quase sempre à revelia dos órgãos republicanos, tornaram-se as causas e as consequências do primeiro quartel deste século, e esperemos que o futuro possa sarar as feridas que a política da sua Administração abriram.
domingo, 7 de setembro de 2008
Sarah Palin - uma definição definitiva
Texto de Priscilla SantosImagem de Henrique Monteiro
Nascida em Idaho, Sarah Palin (/ˈpeɪlɪn/), 44 anos, é mãe, esposa atenciosa, técnica do time de basquete local e republicana não-alinhada. Sua indicação à vice presidência está para, entre outras praticidades, afastar a imagem de J. MacCain da do impopular governo Bush, figurando como elemento surpresa - e polêmico - capaz de dar novos ares a campanha do partido, que andava parecendo a programação do Bloomberg quando posta ao lado das aparições mtv-messiânicas de Barack Obama. Assim, sedutoramente tem lançando lânguidos olhares aos eleitores democratas, rancorosos com a derrota da senadora Clinton e sobre os indecisos a respeito do candidato democrata, tudo ao mesmo tempo que acena com propostas reformistas. Para tudo isso, usa sua principal arma: a posse de uma vagina. Surgem aí requentados os discursos feministas que iam meio apagados desde a separação das Spice Girls.
Não abandona a essência, de todo modo. Palin é conservadora até os ossos; procura se dizer uma cidadã comum, dona de casa comum, que adora sapatos de grandes estilistas comuns e que trabalha fora, como uma governadora comum. Por causa disso nos conta que conheceu o marido Todd na escola secundária (ele, campeão de corridas com carros de neve e operador de produção na anglo-persa BP Oil) e que tiveram cinco filhos. Patrioticamente, informa que o mais velho desde o ano passado serve ao exército americano no Iraque e, cristãmente, que o mais novo é um bebê com síndrome de down. Conclama assim suas três principais convicções numa estocada só: a família, a ocupação americana e sua posição anti-aborto. Sim, tudo oportunismo político, mas usa-se e resulta.
Vejam que os jornais anunciaram esta semana a gravidez de sua filha Bristol, de 17 anos, um bebê já com cinco meses: lá estava a família perfeita maculada... Um escândalo. Mas, como não existe marketing ruim, Sarah Palin foi a imprensa mais uma vez defender a vida doméstica norte-americana e angarriar novas simpatias; a filha nunca faria um aborto, os pais a apóiam de modo incondicional e a moça se casará com o pai da criança imediatamente. Ruim mesmo é só processo administrativo que corre contra ela por ter demitido o cunhado de um cargo público após este ter se divorciado de sua irmã.
É uma família animada e dela tem se feito um bom e velho uso pop típico dos republicanos, topam tudo por poder e disso não têm o menor pudor. A escolha de Palin têm surtido efeitos favoráveis não-imaginados, como se pôde ver no discurso de quarta-feira na Convenção Republicana, um recorde de audiência, mais assistido que a abertura das Olimpíadas de Pequin. Todavia os rivais prosseguem dando ênfase no que é inegável na beldade que é a sua inexperiência política. Corre à boca pequena que, se ela não conseguiu controlar a própria filha, como controlaria um país? E o que haveria de conservador em ser a mãe da Juno? Sarah Palin rebate: a diferença dela como mãe e um pit-bull é somente o batom. Por tudo isso e mais uns bocados é que, até novembro, os olhos, lentes, microfones e links do YouTube estarão atentos aos passos de MacCain-Palin para descobrir o desfecho dessa corrida à Casa Branca. Duo improvável, mas os republicano não são ingênuos e sabem que mesmo os amigos podem se converter em devoradores. Não se devem esquecer as situações extremas. Nem prever até quando as boas intenções e otimismos de Obama conterão a cultura do medo que se instaurou entre os norte-americanos desde aquele setembro.
no obvious
pede-se uma discussão vagarosa, pausada, e ampla
No Sociedade de Debates, Pedro Ary escreve que "não podia discordar mais veemente" das coisas que eu digo, em relação a Palin e a Obama, no meu texto.
A primeira discordância, penso eu, reverte para as causas da aposta em Palin. A segunda, para o carácter da vice-presidência.
O discurso do Ary para criticar Palin é, como se pode ver com o mínimo de cuidado, baseado em pressupostos que foram adoptados por toda a opinião Democrata.
De facto, já ouvi todo o tipo de críticas a Sarah Palin, e gostava até de juntar um role de acusações à lista dos terríveis actos desta senhora, que pelos seus actos corresponde, obviamente, a uma Jack Estripadora:
Sarah Palin acredita que o Mundo se fez em 7 dias e vai fazer com que as pessoas reconheçam isso (aparentemente, não é bem assim)
Sarah Palin tem uma filha grávida, e é conservadora.
Sarah Palin acredita em Deus.
Sarah Palin levou McCain a ver o seu serviço Vista Alegre, ao que este respondeu muito admirado, "a senhora é mais rica do que eu".
Sarah Palin, escreve o Ary, é contra os preservativos (oh Deus, gosta de quecas ao ar livre e vai obrigar TODA a gente a fazer sexo da forma que ela quer).
Sarah Palin é a favor da abstinência, e tem cinco filhos, portanto pode ser que, ou ela se refira de abstinência de sexo antes do casamento, ou seja tudo uma grande treta da propaganda Democrata.
Sarah Palin fez alguma coisa ao gajos da MoveOn.org, visto que estes fazem uma data de acusações à senhora nos emails que mandam para todos os seus membros (entre os quais estão muitas das críticas apontadas pelo Ary, inclusive a tal ponte que não dá para lado nenhum).
Penso que, se a discussão eleitoral cair no mesmo jogo sujo que republicanos e democratas fazem, com as suas acusações mesquinhas e relegadas ao foro pessoal, não haverá discussão que se conseguirá manter. No entanto, penso que os que levam o estandarte Democrata avante, se em Portugal procurassem o mesmo sucesso com o mesmo esquema, não o iriam conseguir. De facto, todas as tentativas usadas por adversários políticos em Portugal para denegrir a imagem pessoal do rival passam despercebidas pelo povo português. Uma prova disso foi as campanhas do PS para atacar Francisco de Sá Carneiro por causa do seu relacionamento com Snu Abecassis terem acabado em complet insucesso. De facto, os portugueses vão mantendo um certo bom gosto que falta já ao público americano. E depois da novela de Sarkozy e Bruni, penso que é algo que também é partilhado por franceses.
Enquanto nos pudemos manter de vista clara e sem intrusões mediáticas podemos observar a realidade tal como ela é, sem filtragens do jornalismo americano. Sarah Palin tem, sem dúvida, mais provas dadas que Obama.
Obama pode muito bem ser advogado. E parabenizo-o por isso. Mas na verdade, nunca exerceu advocacia (ele orgulhou-se disso para atacar Hillary).
Para além de Senador do Estado do Illinois e dos EUA, Obama não tem mais experiência executiva ou legislativa. De facto, isto costuma ser a grande causa da derrota dos candidatos que foram senadores. E assim, em factos concretos, adicionando o facto de Obama ter sido Professor temporário, a experiência de Obama acaba por aqui.
O que Obama fez como senador é, por isso, a sua maior cartada. O Ary fala em legislação pela Saúde e medidas para baixar impostos e combater a corrupção. De facto, Sarah Palin fez isso tudo. E tem provas feitas no Alasca, que parece estar um sitio arrumadinho. Além do mais, a mulher reduziu o próprio salário e reduziu o imposto sobre a propriedade em 60%! A própria acusação contra Palin da sua extremosa religiosidade não vei muito longe, devido às intimidades que Obama partilhou com o Pastor Richards, o pastor mais racista da América.
Por isso, já vai tarde a demonização de Palin. Já vai tarde porque os republicanos não foram anjinhos e aprenderam a mexer-se. Ao lado da sacralizada figura de Obama, está uma Palin forte, cujos pontos de vista sobre a sua inexperiência estão todos comprovados como falaciosos. O que resta é o ataque pessoal. E é o que se tem feito, agora com menos intensidade porque a Obama interessa-lhe os votos das "hockey mom's" e com o andar dos seus apoiantes, arrisca-se a perder esta importante minoria.
Já expressei o meu ponto em relação a Palin antes, e não sou um apoiante. Mas como também não tenho simpatia por Obama no presente momento, não me parece justo ficar calado quando o Páis engole todo o tipo de patranhas vindas do lado de lá. Talvez me tenha tornado insensível à procura de heróis, mas nos dias que correm todo o cuidado é pouco, e os heróis dos tempos antigos não se revelavam em meses, eram antes homens normais e mortais, que estiveram lá quando a situação o exigiu. Obama é somente um candidato endeusado por um país necessitado de símbolos, de significado para as suas instituições. Isto deve-se talvez ao facto de as posições dos republicanos se terem extremado, e com eles a política local americana, e por os democratas se terem elitizado.
PS: Palin que se aconselha votar está aqui
textos relacionados:
Sobre a Loucura que se ouve do outro lado - Manuel Marques Rezende
Ela, de facto, desancou Obama - Manuel Marques Rezende
ela, de facto, desancou o obama
Penso que grande parte deste novo chinfrim se deve ao artigo do Telegraph que compara Palin a Margaret Tatcher e a Ronald Reagan. Penso ser tudo muito exagerado. Por muito que Palin fale no governo reduzido, na descida de impostos, no combate às forças centralizadoras de Washington, não podemos esquecer, analisando o seu partido e o seu programa, que Sarah serve uma ideologia assente no conservadorismo, com um recente historial na expansão do governo, do comprometimento em guerras não-oficialmente declaradas e intermináveis, e em violações dos direitos individuais e humanos. Por muito bem intencionada que seja a senhora, o Partido Republicano parece-me o mesmo ninho de cobras de sempre.
ver textos relacionados:
no Atlântico - por Miguel Morgado
n'O Insurgente - por Bruno Garschagen
no 31 da Armada - por Henrique Burnay
no Diário de Notícias - por João Miguel Tavares