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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Portugal Afoga-se Num Pub

Daniel Oliveira, ilustre cavaleiro das estepes e mentor das dez pragas do Egipto, louvou, vai há pouco, na sua crónica do Expresso, guarida improvável, Portugal não ter seguido na peugada da Irlanda quando o pôde. Regozijando-se de termos ficado quietinhos levou o seu frémito mais além: Tivéssemos seguido os conselhos dos nossos “sábios liberais” e a crise teria hoje, para a maioria dos portugueses, uma dimensão apocalíptica. Por isso, quando sairmos deste buraco e os vendedores de milagres arrebitarem, não nos podemos esquecer da Irlanda. No fim quem paga o preço da aventura é quem menos ganhou com ela”.
Eu não sou um “sábio liberal”, quem dera que fosse, no entanto, denoto que Daniel Oliveira tem acesso privilegiado ao Livro do Apocalipse, talvez uma ligação apostólica que lhe permita ter um tête-à-tête logo de manhãzinha depois do pequeno-almoço.
Se escreve por inspiração divina não me atrevo a discordar, mais, faço questão de cimentar a suas palavras. Ainda bem que nunca fizemos mais que olhar para a Irlanda! Ainda bem que durante os últimos vinte anos nos limitámos a olhar para a Irlanda numa quietude domingueira. Ufa, assim não fosse e estaríamos neste momento “como o país que mais sofre com esta crise”, poderíamos estar prestes a “colapsar”.
Como o nosso ânimo pachorrento assim não permitiu agora podemos rir a bom rir da Irlanda, na nossa velhice desafogada. Façamos então um exercício de terapia do riso: rio-me de não termos investido fortemente na educação como os Irlandeses, e de neste momento possuirmos um dos mais porosos sistemas de ensino da UE, onde os alunos passam por cálculo administrativo para mostrar na Assembleia da República e exibir em Bruxelas; rio-me de não termos apostado em indústrias de futuro como os irlandeses, de termos utilizado os subsídios comunitários para comprar BMW e fanfarrar; rio-me de a Irlanda ter poucas auto-estradas – nós temos dezenas delas, mais do que carros até, e teremos TGV e novo aeroporto e muitas estatuetas em homenagem ao Deus Sol para vincar ainda mais a ideia de sermos a capital europeia do betão. Raios, felizmente não vivemos os últimos vinte anos como os irlandeses, com um sistema económico sem fugas.
Eu acho a coluna do Daniel Oliveira um primor e, quando a crise internacional perder fôlego e a Irlanda começar a recuperar a uma velocidade digna de nota, enquanto aqui a Província der de caras com uma nova crise interna gravíssima, gostaria de lhe perguntar para onde deverei olhar – para a cratera Bloco de Esquerda?
Daniel Oliveira tem razão quando diz que a Irlanda se encontra neste momento em frágil situação. De facto, Portugal não sente tanto a crise – obviamente devido a uma maior intervenção estatal, maior regulamentação, dispomos de mais garantias que nos resguardam durante a tormenta. Já a Irlanda, que possui de um sistema financeiro mais desregulamentado, e onde o estado está menos presente, sentirá a crise sem qualquer almofada que a proteja. Ainda assim poderemos perguntar-nos até que ponto o Estado Português protege os cidadãos – se chama a si 42% dos rendimentos (fora os descontos para a Segurança Social) de cada vez mais indivíduos, com que legitimidade pedirá a estas pessoas que consumam mais para sair da crise? Se o Estado Português tributa de forma escandalosa as empresas, por que carga de água é que alguém quererá investir cá? Bem, sem consumo e investimento privado torna-se morosa a tarefa de sair da crise! Possível solução: mais obras públicas! A mesma solução que vimos utilizando desde há vinte anos para cá. E de onde vem o dinheiro para mais investimentos em betão? O FMI, sorte a dele, já não entra em Portugal; a batata quente salta então para a Europa, para as mãos da Comissão.
Já a Irlanda, não colocando tantos entraves a possíveis investidores, terá mais hipóteses de os atrair
– pura teoria das vantagens comparadas. Por conseguinte, como não sufoca os cidadãos com impostos, poderá esperar deles mais consumo. Ora, daqui resulta uma saída mais fácil da tormenta em que nos encontramos.
Ficam alguns dados referentes a importações e exportações, educação, e desemprego na Irlanda.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Arrastados


Daniel Oliveira ficou apreensivo com as declarações do patriarca de Lisboa, há uns dias atrás:




Para Daniel Oliveira, isto é uma prova de como a Igreja Católica, que nunca fez nada pelos direitos das mulheres,,não se sabe manter no seu lugar. Daniel Oliveira sempre soube o lugar devido para os outros. Para os comentadores do seu blogue, estas declarações de D. José Policarpo repugnam ao ponto do nojo e da fúria anti-clerical, incutidas que estão de ódio racial, religioso, e condicionamento à liberdade sexual das jovens cujos amores são aconselhados a acautelarem-se.
A tendência típica de alguns sectores da nossa sociedade é a de diabolizar a igreja pelas suas acções passadas, quaisquer que elas tenham sido, e exigir como paga de todos os pecados cometidos em nome de Deus o completo silêncio destas comunidades religiosas, especialmente a católica. Ainda me lembro do escarcéu que se levantou, há mais de um ano atrás, no Almanaque FDUP, quando eu resolvi discordar com a opinião dominante, que achava ridículo considerar um líder de uma comunidade religiosa como um elemento de confiança da vida social dos portugueses. A tacanhez comum, desde sempre semeada pelos meios universitários, influenciada por este ultra-centralismo dirigista, que nega qualquer tipo de “auctoritas” local tradicional, especialmente de órgãos religiosos, foi-me nesse momento vislumbrada em todo o seu esplendor pela primeira vez.
Para senhores como Daniel Oliveira, e para partidos como o Bloco de Esquerda, a Igreja e as instituições por ela defendidas são alvos a abater. E enquanto isso não se faz, procura-se diminuí-la, e exigir a sua neutralidade como penitência.
O que faz com que, sempre que um representante da Igreja Católica venha a público debater sobre assuntos delicados, a mesma tropa fandanga esteja preparada para lhe cair em cima.
Qualquer conteúdo racista ou fanático nas palavras do Patriarca, se as há, ainda estou para que mo provem. O que eu vejo é um sério conselho às mulheres europeias, sobre as diferenças culturais entre os dois povos. O único mal que eu vejo no texto é só se ter mencionado as jovens europeias de formação cristã. Conheço jovens europeias, de formação ateia, que também sentiriam muita diferença caso passassem a viver num país muçulmano.
A luta por este tipo de multiculturalismo parece desculpar as sharias e as mutilações, e sistematicamente confundir a Igreja com a Inquisição, e até com o IIIº Reich (a maior prova possível de ignorância histórica, mas que tantas vezes eu já ouvi dizer por pessoas inteligentes), quando o fenómeno do Santo Ofício, se bem que terrível, era comum na sua forma e conteúdo tanto no Mundo Católico como no Protestante (alguém já ouviu falar dos famosos casos da caça às bruxas na Nova Inglaterra?) e o IIIº Reich não bebia nenhuma da sua “espiritualidade” no catolicismo nem no cristianismo em geral.
O anti-clericalismo, em Portugal, é uma crença infantil, criada desde os tempos dos “afrancesados”, e incendiada nos nossos períodos mais conturbados, como nos tempos da Iº República. É também uma amostra da quão retardada vai a nossa democracia por estes jacobinismos caducos, que apelam a uma “tolerância do respeitinho” e não reconhecem que muitas das liberdades tão consideradas por nós se confundem com a filosofia cristã europeia, tão própria das culturas ocidentais.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

o caos não é neutro! - parte I - dogmas e verdades em homens de um só livro, no Socialismo 2008

Manipuladores Manipulados – Comunicação Social e Jornalistas (Daniel Oliveira)

Nada é verdade e Tudo é permitido. Estas foram as últimas palavras de um líder dos Ismaelitas (islâmicos) antes de morrer e ser levado para o Inferno, como diziam os seus inimigos que o acusavam de ser um líder de uma seita herética. Também é o título do livro de John Geiger sobre a vida de Brion Gysin. Este lema, antigo e inspirado nas velhas escolas filosóficas clássicas, não envolve apenas o caminho para a liberdade, caso assim fosse era apenas um lema anárquico, mas antes procura inspirar um caminho livre para a sapiência, o caminho para a análise independente e racional.
O Bloco de Esquerda conta, apesar da sua breve história de sucesso político, com um dos males que afectam os grandes partidos políticos e que mais se afasta destes princípios. A divinização de ideias e pessoas. Podemos dividir este pequeno partido numa hierarquia religiosa, sendo que as únicas mentes pensantes estão na chefia e por trás segue-se uma multidão prostrada e pronta a obedecer ao apelo das armas. Não só se batendo pela igualdade, o Socialismo 2008 consegue também que todos os seus frequentadores pensem igual ou com métodos semelhantes.
O dia 30 deste último mês, Sábado que passa, o Bloco fez um pequeno convívio na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, frequentado pelas suas principais figuras, que consistia na apresentação de várias temáticas ligadas ao mundo actual, sendo que a maior parte delas eram apresentadas com o forte cunho ideológico do Bloco, como se esperava naturalmente num convívio deste tipo.
Interessado no alimento do espírito, eu, a Vânia Oliveira do ISSSP e vários alunos da FDUP, a Daniela Ramalho, a Sara Morgado, o Pedro Jacob e o Tiago Ramalho, combinámos ir juntos para assistir e tomar parte nos debates que aí se iam dar. Mal sabíamos nós que esse sábado ia ter muito pouco de debate.
O meu primeiro contacto com o Socialismo Bloquista (uma amálgama ideológica pouco firme, pouco sustentada, que se baseia em factos contornados de romantismo trotskista, marxista reformista, e outros -istas) deu-se, para meu prazer, com o Jornalista Daniel Oliveira, cujas crónicas eu vou acompanhando no Expresso com marcado interesse em ler uma pessoa muito convicta dos seus botões a falar não poucas vezes de coisas que parece perceber muito pouco.
Daniel Oliveira, do alto da sua moralidade bloquista, revoltava-se com as notícias da TV, o excesso da exposição da criminalidade. Mostravam-se uns números, uns vídeos que fizeram a alegria da multidão bloquista, formada de Patinhos-Feios muito seguros de si e pródigos em risadas de professor, como quem observava o desenrolar de uma sociedade constituída de pessoas que ainda não possuíam o mesmo nível intelectual que os frequentadores do Bloco, santificados ateus que têm, no entanto, a divina presença de ideias divinas.
Após a introdução de Daniel Oliveira, suficientemente grande para causar à assistência menos tendenciosa uma hemorragia nos ouvidos e suficientemente vazia para corresponder às expectativas dos bloquistas, abriu-se o espaço de participação da audiência.
Apesar de ter escrito uma página inteira de possíveis perguntas a Daniel Oliveira, sendo que uma delas era a famosa "E agora que disse isso tudo, qual é novidade?" ou então a menos conhecida "A sua apresentação é capaz de me ter causado um derrame cerebral, é capaz de chamar o 112?", notei que a assistência revelava-se igualmente interessada em debater o assunto, por isso resolvi fazer uma selecção de dúvidas. Qual foi o meu espanto quando vi que o mesmo cuidado não tiveram os bloquistas. As perguntas, com a sua natural complexidade, podiam ser todas resumidas numa única, que podia ser apresentada assim "Daniel Oliveira, pá, tu sabes que és o melhor (os bloquistas tratam-se todos por tu porque são todos pais do mesmo filho e filhos do mesmo pai, como nessas novas religiões americanas, aparentemente). Nós todos gostamos muito de ti, e eu queria perguntar-te se tu, sendo uma maravilha de um gajo e tendo essa barba muito socialista, és bestial ou só genial. (e agora vem a amostra intelectual que não pode faltar no discurso bloquista) Ah, e não te esqueças que o Caos não é Neutro!"
Após cada pergunta deste tipo, a sala silencia-se para ouvir a resposta de Daniel Oliveira, que resmunga qualquer coisa, ele próprio sem aparente paciência para os seus crentes.
Quando chegou a minha vez, temi de facto que o "Alarme Anti-Reaccionário" se activasse, e eu fosse ejectado da sala no preciso momento. Inocentemente perguntei ao Daniel se a imprensa não estaria só a reportar o aumento de criminalidade, que era inexistente de acordo com os números do Daniel, mas antes a violência exponencial dos crimes, que é de facto prevalente. Antes de acabar a minha pergunta já se tinha levantado o murmurinho na sala. O Alarme soara, um reaccionário encontrava-se entre as puras gentes do bloco, e fazia perguntas, a besta sádica!!!
Não posso incluir aqui a resposta do Daniel por várias razões: para além de uma resposta desmembrada e desarticulada, com a preciosa pérola do "Mas então porque é que eles não reportam a violência do Darfur, que também é valente?" (talvez por se passar a quilómetros daqui Daniel, e por cá haver problemas que cheguem, e ser uma coisa TOTALMENTE diferente) o Daniel fez questão de tentar me ridicularizar, quando eu referi a Geórgia no clube de nações oprimidas violentamente. Sim Daniel, é verdade que a Geórgia não é massacrada há tanto tempo como o Darfur. Mas convido-o a abrir a Wikipédia e ver a relação amistosa que este país manteve ao longo da história com o seu actual e amistoso ocupante.
O dia apresentava-se muito longo, e eu já estava algo desiludido. Não fosse a exposição sobre História do Mediterrâneo de Miguel Portas, ainda assim suficientemente tendenciosa, teria entrado em séria crise de melancolismo. De facto, fiquei a aprender poucas coisas sobre Daniel Oliveira, mas muito sobre o Bloco.
Sobre o Daniel, descobri que ao vivo a barba não lhe fica tão bem como nas fotos do Expresso. Além de uma justa defesa de Marco Fortes, pouco mais se pode indicar de positivo. Foi fraco, foi cliché. A TV, para ele, é uma maníaca-depressiva, que vive de euforia e repressão, e pressões. Os bloquistas queixam-se que a TV dá sempre a mesma coisa. Eu aconselho os bloquistas a deixar de ver TV, porque podem ficar ainda mais gordos e sebosos, e a pegar em bicicletas ou fazer amor. Os bloquistas não querem ver notícias de portáteis roubados em pleno tribunal, após o arrombamento de uma caixa multibanco ocorrido no mesmo. Os Bloquistas, e o Daniel Oliveira, sabem muito bem o que deve passar na TV. Só não nos dizem porque nós, comuns mortais, não íamos compreender. Deve passar aquilo que eles, e o Daniel Oliveira, muito bem entenderem. E só com a supervisão destes anjos mediáticos, se poderá atribuir notícias diferenciadas a cada estação, quer elas queiram quer não.
De facto não me impressionou reparar que as palavras mais usadas para solucionar o estado da nossa Televisão fossem estas duas pérolas: Denunciar e Controlar.
Estava à espera de mais deste debate com Daniel Oliveira na mesa. Marcado de um discurso dramático, excessivamente esquerdista, pseudo-revolucionário, manteve acima de tudo, acima da racionalidade e do poder da argumentação, o desejo de parecer um rapazinho traquina. E foi missão cumprida.
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