segunda-feira, 22 de março de 2010

agrafar um tronco na testa de gente burra

Afirmar que um padre abusa sexualmente de uma criança por causa do seu celibato, é o mesmo que dizer que um pai de família só não comete o mesmo crime porque é sexualmente activo.

8 comentários:

Hugo disse...

Acho que a lógica vem no sentido que o sexo é uma necessidade...como não o podem ter e as crianças são alvos fáceis para aliviar literalmente os seus desejos carnais, seguem por essa via...

Este é o raciocínio...

O outro será, que os padres que o fazem são simplesmente pessoas profundamente doentes...Mas isso é não vende jornais...

Fica no entanto por demonstrar se é uma tendência nos padres católicos, ou apenas uma impressão e um empolamento de quem quer arremessar qualquer coisa contra a igreja...

Já vi estudos dos dois lados...

Fico-me pra já com a impressão...

Daniela Ramalho disse...

É tão estúpido como considerar que os homens que abusam de crianças o fazem porque são homossexuais.
Se calhar esses padres eram homossexuais.

mpr disse...

"Fica no entanto por demonstrar se é uma tendência nos padres católicos, ou apenas uma impressão e um empolamento de quem quer arremessar qualquer coisa contra a igreja.."

As investigações até agora têm apontados casos que aconteceram verdadeiramente.
No entanto, culpar o celibato é apenas condenar o Homem a uma premissa pós-modernista, a da inevitabilidade do Desejo.

Como se nenhum homem pudesse viver uma vida refreando os seus impulsos.
Umas quantas ovelhas negras não provam isto.


"É tão estúpido como considerar que os homens que abusam de crianças o fazem porque são homossexuais.
Se calhar esses padres eram homossexuais."

de certo ninguém tem dúvidas que a opção sexual de alguém para com os seus iguais adultos nada tem a haver com a perversão de uma relação sexual com uma criança.
Pode haver um acto homossexual como um acto heterossexual com um menor de idade, dependendo, claro está, do seu sexo.
Logo, não me parece tão estúpido afirmar que houve uma conduta sexual - virada para o contacto sexual com alguém do mesmo sexo, therefore, homossexual.

As coisas não são assim tão lineares a ponto de dividir o mundo entre hetero e homo.

Afonso Miguel disse...

Meus caros,

Antes de mais, uma palavra de agradecimento aos autores pelo destaque dado à Tribuna. É bom ser lido.

Quanto ao caso em discussão, a realidade é clara: o ataque à Igreja usa a mais pura falácia modernista, mediaticamente eficaz, externa mas também internamente. E o comentário da Daniela Ramalho toca no ponto fulcral. Levantar a hipótese da homossexualidade seria um ataque homofóbico contra a liberdade sexual e contra a sagração da perversão como direito natural. Pelo contrário, ataca-se antes a virtude cristã e, consequentemente, toda a vocação sacerdotal. É esse o objectivo. Curiosamente, fazem-no partindo da condenação de escolhas e atitudes também elas sexuais, condenando-as moralmente, embora sem critério moral objectivo, sem doutrina e sem meta que não seja relativizar os factos em favor de um ataque eclesiofóbico.

Cumprimentos e parabéns pelo blog.

Fernando Ferreira Leite disse...

Caro Manuel Pinto de Rezende,

"Afirmar que um padre abusa sexualmente de uma criança por causa do seu celibato" poderá não se mostrar tão desmedido como nos quer fazer parecer.

Henry Murray (cerca de 1938) e Maslow (década de 70) providenciaram um importante contributo para a Psicologia Social da actualidade ao ilustrarem o modo como o Ser Humano pautava a sua acção respeitando uma série de necessidades devidamente compartimentadas.

O "desejo" é hoje entendido como o resultando do choque entre as duas principais componentes constitutivas do "EU": a biológica (stricto senso, o cérebro), e a cultural/ambiental, desmistificando, ainda que não totalmente, a concepção pós-modernista que o tem como principal motor da acção.

Tomando esta premissa como uma verdade axiomática, tendo a acreditar que um qualquer ser humano poderá já nascer com uma determinada prepotência para tornar efectivas tão sórdidas práticas.

Posto isto, será importante dizer que a pessoa que veja em si inata tal tendência não estará condenada a tornar-se um sociopata pedófilo. O ambiente cultural onde decorrem os processos de crescimento e maturação são determinantes para a sua manifestação.

Ora, a intensificação das investigações desenroladas em torno dos casos de pedofilia por membros do clero têm mostrado que estes têm decorrido principalmente nas normais instituições de caridade infantil e apoio social agregadas à Igreja, ambiente que se mostrará propício a reatar a tendência a que fiz alusão.

Assim, a afirmação de que o celibato potencia a manifestação de práticas pedófilas, ganha sentido ao serem tidos em linha de conta o espaço e o ambiente onde estas se desenrolam, factores perentoriamente determinantes para a sua efectivação.

Pipette disse...

Não li mais nada além do post, mas vim só dizer que assim em abstracto aprecio o título :p

mpr disse...

Caro Fernando Ferreira Leite,

estamos, portanto, numa daquelas situações em que a proximidade incentiva o desejo, ou num caso em que o celibato activamente perverte a mente de um homem de modo a torna-lo um pervertido sexual?

parece-me difícil engolir essa teoria do desejo.

primeiro, porque o celibato é um acto voluntário. um padre pode quebrar o seu voto com uma mulher, visto que a igreja não os equipa com cintos de castidade que só se desactivam na presença de menores de idade...

mpr disse...

pipette,

não é para me gabar, mas eu acho que toda a ideia de agrafar um pedaço de árvore na testa de uma pessoa uma imagem provida de uma violência quase-poética.

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