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segunda-feira, 5 de abril de 2010

pela Verdade I

A campanha que o New York Times iniciou esta semana contra o Papa (cf. aqui), vinda de onde vem, não deixa grandes dúvidas quanto à sua origem e propósito. Um grupo de americanos está já instalado na Praça de S. Pedro em Roma, munido de pancartes, a exigir reponsabilidades ao Papa.

A história conta-se em poucas palavras. Entre 1950 e 1975 (note bem, a história começa em 1950 e termina em 1975: existe uma certa cultura que é especialista em desenterrar mortos; adivinhe qual é), entre 1950 e 1975, dizia, o Padre Murphy da freguesia de Milwuakee, nos EUA, terá alegadamente abusado sexualmente de cerca de 200 crianças surdas-mudas. Alegadamente, é preciso insistir, porque uma investigação judicial, que o próprio NYT refere, não conseguiu provar nada e deixou caír o caso. (A patifaria da campanha começa logo por aqui).

Em 1950 Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, tinha vinte e três anos e era estudante de Teologia na Alemanha. Em 1975, tinha 48 e era professor de Teologia na Alemanha. Os alegados abusos sexuais do Padre Murphy chegaram ao conhecimento do Vaticano, e alegadamente do cardeal Ratzinger em 1996, ele era então uma autoridade dentro da Igreja Católica: Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Por essa altura, o Padre Murphy estava velho e doente. Na realidade viria a morrer quatro meses depois. O Papa Bento XVI é hoje acusado de não ter castigado o Padre Murphy (o qual, depois da investigação judicial, as próprias autoridades civis nunca acusaram). Ainda que tenha havido alguma coisa, e o cardeal Ratzinger se convencesse dela, que castigo poderia ele aplicar ao Padre Murphy? Matá-lo quatro meses antes da morte natural? Excomungá-lo? Ou perdoá-lo?

aqui

quinta-feira, 11 de março de 2010

a igreja Católica e a Cultura - a cultura geral, a Verdade e o síndrome de Manada

Este texto não se destina a ser uma resposta a algumas porcalhices radicais que se dizem por aí, em alguns lupanares polítizados, sobre o Catolicismo e demais instituições tradicionais da Europa. É apenas uma reflexão minha sobre um tema que, a ser abordado num Jornal que eu prezo como bom e profissional, será abordado de forma a iluminar os caminhos da mentira.
A Igreja Católica padece dos males das instituições: depois da pujança e da prosperidade, vêm-se acometidas por todos os sectores rivais de abusos, de denúncias e teorias malinventadas sobre os excessos cometidos nas horas mais felizes.

A criação da cultura católica não se fez de um dia para o outro. A construção serena da Igreja proporcionou-lhe a força que ela ainda mantém no mundo, mesmo após todas as violações e expropriações que sofreu ao longo do século XIX e XX.
A Doutrina Católica está intrinsecamente ligada aos Evangelhos. Recentemente, um movimento apelidado de cristianismo gnóstico tem atingido a Igreja, ao culpa-la da destruição de manuscritos apócrifos que não representavam as ideias políticas dos primeiros líderes da Igreja.
Tal afirmação demonstra um total desconhecimento da realidade histórica.
A Igreja Católica constrói-se durante a queda do Império Romano. E é uma construção progressiva. Adopta os Evangelhos mais comuns entre as populações proto-cristãs e analisa os documentos religiosos que circulam entre as comunidades religiosas. Teve, obviamente, de criar critérios para a autenticidade de uns e outros. Esses critérios tinham por objectivo salvaguardar as comunidades cristãs e a Palavra de Cristo.
Toda estas discussões originaram seitas, concílios, discussões filosóficas e debates intelectuais que ainda hoje, pelos registos que nos restaram, são admirados pela nata do Pensamento, pelos teólogos e filósofos mais conceituados. E tudo isso se deu numa época em que o Império começou a apagar, definitivamente, as suas Luzes, e a tornar-se numa construção política opressiva.
Como se pode ver, a Cultura é o germine da doutrina católica, a liberdade de pensamento e investigação foi algo necessário para que os Doutores da Igreja ajudassem à criação da Igreja e da Civilização Ocidental.

A Igreja Católica desempenhou um poderoso papel nos últimos dias do Império. Deu diplomatas a Roma, até militares. Foi o bispo de Milão que impediu que os Hunos invadissem Roma.
Manteve as leis latinas, preservou os seus escritos.
Durante as eras das Trevas, em que a Cultura se apagou quase definitivamente do Mundo, foi nos mosteiros cristãos, nas comunidades religiosas, e através dos locais de ensino católicos que se copiaram, comentaram e preservaram obras de Sócrates, Aristóteles, Gaio, Marco Aurélio, Políbio, Ulpiano, etc.

Todo este ensino foi libertado dos claustros dos monges cistercenses e propagou-se pela Europa Medieval.
Criou-se assim a Europa Moderna, modernizaram-se leis, protegeu-se a pessoa e a propriedade, incentivou-se o comércio, estabilizaram-se os estados.
E reapareceu, lentamente, a Arte.

Ou não é a beleza Renascentista, da qual a Igreja Católica foi o principal mecenas, o fruto de uma contínua e paciente cultivação, sementes da intelectualidade medieval, quase toda ela formada na liberdade das universidades académicas?
Sendo que essas universidades académicas, que respondiam apenas perante o Papa, não eram nunca, por tal, motivo de violências, nem na pessoa das instituição nem na pessoa de docentes e discentes, dos soberanos medievais?
Funcionou sempre o Catolicismo como protector da Arte quando todos a desprezavam, e como refreador dos ânimos dos poderosos incultos, que tantas vezes viam na complexidade das leis canónicas e nos processualismos dos romanos uma perda de tempo. Tudo para muitos deles se resolvia melhor à espadeirada.

Não insistiu sempre a Igreja Católica que os cursos de Teologia viessem totalmente separados dos de Ciências Naturais? Proibindo até os doutores dessas áreas dar as duas disciplinas simultaneamente, para que não confundissem matérias de fé com matérias da Natureza?
Tudo isto tem prova, desde bulas até documentos legais, desde concessões régias a acordos internacionais.
E o que foi a Contra-Reforma senão a resposta à violência da Reforma Protestante?
Morreram menos homens e mulheres, ao longo da história completa da Inquisição, que as mulheres que foram queimadas por bruxaria na Nova Inglaterra.
E os mosteiros, locais de sabedoria e riqueza, de quem dependiam as populações mais pobres dos tempos antigos em busca de comida, abrigo e trabalho, que foram alvo de rapinas e destruições, durante o levantamento do movimento protestante?
Esse mesmo movimento protestante que retirou a felicidade do Homem da teoria económica e colocou o objectivo desta na força laboral? Perpetuando o erro que embocaria em Marx, e a sua teoria objectiva do valor?

Não foram os protestantes que concederam a Jaime I o direito divino dos reis? Todas estas transformações destruíram a ordem tradicional europeia, e causou esta revolução uma reacção apertada da Igreja. E sim, foram cometidos erros.
E não eram os Tribunais Inquisitórios, com edifícios e condições de acordo com a lei cristã, tantas vezes requeridos por aqueles que não queriam enfrentar a ira das instituições laicas?
Ou não foi Bocage para a Inquisição, protegido pela autoridade papal dos devaneios absolutistas de Pina Manique?
Não usaram tantas vezes os Estadistas a Igreja para os seus fins?
E quantas vezes foram reprimidos esses estadistas por isso?
Não foi João III reprimido por ter instaurado a inquisição em Portugal, quando o Papa já desconfiava que ele a usaria apenas para confiscar os bens dos judeus? E não é a Igreja uma convicta defensora dos direitos de propriedade? Ou não fosse ela a criadora do nosso Direito Privado.

Ainda assim, preservou a Igreja Católica, nos seus melhores momentos, as obras de Avicena, Averróis - ambos muçulmanos - , os últimos escritos maias, reportou a violência sobre os índios pelas autoridades públicas e pelos privados, criaram-se acordos com os reinos da Ásia, fizeram-se as primeiras trocas culturais com a China, etc.
Manteve-se na vanguarda dos direitos humanos através de Bartolomeu Las Casas, considerando indiscutível a humanidade dos índios e mais tarde dos negros.
Tudo isto a Igreja fez e criou, preservou e manteve, durante épocas de total destruição social, de instabilidade política e de destruição do ordenamento jurídico.
Quando todos negavam o valor da legalidade e da ordem, dos valores humanistas e da paz.

E ainda a acusam de ser instigadora da Guerra. Não foi a Igreja que preparou a paz de Vestefália, presidindo os delegados do papa às declarações de paz dessa guerra dos Trinta Anos que muito mal fez na Europa? Guerra essa que começa por uma insurreição ilegítima e acaba num confronto de morte entre fundamentalismos?

Não foi a Igreja Católica que, através das células na América do Sul, defendeu os últimos redutos dos índios, acossados pelos colonos? Não tiveram a mesma sorte os índios norte-americanos, nem as populações autóctones dos confins do Império Russo, protegidas pelos czares e pela Igreja Ortodoxa e aniquiladas em nome do Igualitarismo por esse profeta do Socialismo, José Estaline.

Não foram o Rei da Bélgica e o Imperador da Áustria, a pedido do Papa, os primeiros chefes de Estado a pedir a paz da Iª Guerra Mundial, quando o Mundo parecia querer despedaçar-se?
Não foi o catolicismo da Baviera o principal rival dentro da Alemanha contra Hitler?
E o protagonista da operação Valquíria, agora tão conhecida, não era ele um católico que actuava com cédulas anti-nazis católicas?
Porque não investigam essas coisas os mais radicais dos historiadores de fim-de-semana?
Ou julgam que, por dizer algo que já vem explícito nos manuais escolares, em sentido de insurreição oficial contra a cultura católica, são os verdadeiros intelectuais? Atacar a Igreja sempre foi tão fácil como improdutivo. É que a mentira e o radicalismo nunca deram frutos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Caritas in Veritate

In his new social encyclical, Caritas in Veritate, Pope Benedict XVI has strongly reaffirmed and deepened the connection between morality and the free economy. Benedict has repudiated practices that led to a global economic crisis in which the love of truth has been abandoned in favor of a crude materialism.

Market economy and ethics - Joseph Ratzinger

The great successes of this theory concealed its limitations for a long time. But now in a changed situation, its tacit philosophical presuppositions and thus its problems become clearer. Although this position admits the freedom of individual businessmen, and to that extent can be called liberal, it is in fact deterministic in its core. It presupposes that the free play of market forces can operate in one direction only, given the constitution of man and the world, namely, toward the self-regulation of supply and demand, and toward economic efficiency and progress.

This determinism, in which man is completely controlled by the binding laws of the market while believing he acts in freedom from them, includes yet another and perhaps even more astounding presupposition, namely, that the natural laws of the market are in essence good (if I may be permitted so to speak) and necessarily work for the good, whatever may be true of the morality of individuals. These two presuppositions are not entirely false, as the successes of the market economy illustrate. But neither are they universally applicable and correct, as is evident in the problems of today's world economy. Without developing the problem in its details here — which is not my task — let me merely underscore a sentence of Peter Koslowski's that illustrates the point in question: “The economy is governed not only by economic laws, but is also determined by men...”. 5 Even if the market economy does rest on the ordering of the individual within a determinate network of rules, it cannot make man superfluous or exclude his moral freedom from the world of economics. It is becoming ever so clear that the development of the world economy has also to do with the development of the world community and with the universal family of man, and that the development of the spiritual powers of mankind is essential in the development of the world community. These spiritual powers are themselves a factor in the economy: the market rules function only when a moral consensus exists and sustains them.

domingo, 24 de maio de 2009

Catolicismo, protestantismo e capitalismo

no Instituto Ludwig von Mises - Brasil

E isso me leva à segunda grande influência dos católicos escolásticos - a teoria das leis e dos direitos naturais. Certamente o direito natural era um grande obstáculo ao absolutismo estatal, e começou com o pensamento católico. Schumpeter mostrou que o direito divino dos reis era uma teoria protestante. A teoria das leis e dos direitos naturais também fluiu dos escolásticos até os filósofos morais franceses e britânicos. A conexão foi obscurecida pelo fato de que muitos dos racionalistas do século XVIII, sendo amargamente anti-catolicismo, se recusaram a reconhecer seu débito intelectual para com os pensadores católicos. Schumpeter, de fato, afirma que o individualismo começou com o pensamento católico. Assim: "a sociedade foi tratada (por Santo Tomás de Aquino) como uma questão completamente humana, e mais ainda, como uma mera aglomeração de indivíduos que ocorre por causa de suas necessidades mundanas... o poder do monarca derivava-se do povo... por delegação. O povo é soberano e um monarca indigno poderia ser deposto. Duns Scot chegou ainda mais perto de adotar uma teoria do contrato social do estado. Este... argumento é notavelmente individualista, utilitarista e racionalista ..."[2] Schumpeter também enfatiza a defesa da propriedade privada feita por Tomás de Aquino e menciona em particular o espírito anti-estatizante do escolástico Juan de Mariana, 1599. Ainda sobre eles, Schumpeter também fala sobre a adoção do preço de mercado como sendo essencialmente o preço justo, a teoria da utilidade, o valor subjetivo, etc. Ele diz que, enquanto Aristóteles e Scot acreditavam que o preço normal de concorrência era o preço justo, os escolásticos tardios espanhóis identificavam os preços de mercado com qualquer preço concorrencial, como no caso de Luis de Molina. Eles também tinham uma teoria para o padrão-ouro, e se opunham ao enfraquecimento da moeda. Schumpeter ainda diz que de Lugo desenvolveu uma teoria sobre os riscos dos lucros empresariais, a qual, é claro, só foi completamente desenvolvida na virada do século XX e depois.

da democracia em Portugal


Muitos pontos na teoria de Pedro Arroja da cultura da condição democrática dos povos, ou pelo menos é assim que eu ponho em termos materiais e resumidos a teoria das suas palestras e escritos recentes, estão preenchidos de um interesse e uma exactidão quase científicos.

A premissa maior passa pela incapacidade dos católicos exportarem, na totalidade pelo menos, as instituições republicanas e democráticas dos países de cultura protestante.

Troque-se a palavra católico por latino e protestante por anglo-saxónico/germânico, e continuaremos com um sentido muito próximo da realidade.

A democracia liberal, a de raiz protestante, resulta de uma fissura nas bases. É a divisão a nível local que propicia o ambiente político da Grande Política. Ou seja, é a grande diversidade de culturas e a rivalidade de interesses entra as diferentes populações, essa enorme heterogeneidade protestante, que cria a tendência liberal dos órgãos de soberania, que aparecem como contra-ponto na balança. A solução democrática surge, nos países nórdicos, como condição necessária à liberdade, como apaziguadora da rivalidade de interesses, como prévio fim de conflito.

A democracia liberal, como tem sido implementada em alguns países católicos, como Portugal, é o enxerto desproporcional na sociedade, enxerto esse comprado no mercado protestante.

O ambiente homogéneo da sociedade latina, a integração cultural activa e a maior comunidade de valores e tradições, assim como de costumes, leva a que os problemas sejam, desde muito cedo, tratados a nível local, com desembaraço e sem necessidade de poderes centrais ou garantes por parte destes poderes. No entanto, a Grande Política é muitas vezes relegada para as elites ou para um grupo social dominante. A maneira inteligente da democracia lidar com o desinteresse das populações latinas pela Grande Política seria criar um sistema onde esta não interferisse tanto com a vida comunal das freguesias e dos povos. Os modelos exportados não são os melhores para estes efeitos, criando situações em que a discussão à volta de um assunto se prolonga de tal maneira, que o assunto morre ou queda inutilizado.


O socialismo em Portugal tem vindo a tratar de forma semelhante a questão da descentralização do governo do país. O socialismo, no entanto, é também um fruto da tradição protestante.

Nascido de um sentido de classe predominantemente desfavorecida dos países industrializados do Norte da Europa, sendo que esse grupo, não raras vezes, era predominantemente católico, ao longo da sua evolução o socialismo exagera e recrudesce a sua orientação igualitária e uniformizadora.

Surge como uma hiperbolização das encíclicas papais do séc. XIX que demonizavam o lucro. A igualdade católica é agora transformada na igualdade social, numa igualdade forçada e violenta.

Esse militarismo igualitarista e homogeneizador falha redondamente nos países civilizados, mas quando ganha raízes nos países católicos, mesmo aos mais abertos ao espírito de iniciativa, ganha adeptos entre a população por causa das óbvias semelhanças ao credo católico.

No entanto a sociedade católico implementa a sua influência homogeneizante de forma cultural e tolerante, calma e macilenta, procurando a observância das leis e da paz social. O socialismo vem militarizar a política e o ambiente social.

Enquanto que no Catolicismo os homens devem amar o próximo como a si próprios, tendo como modelo Jesus Cristo, o único que, acima dos seus próprios interesses observou e garantiu os da Humanidade, no Socialismo/Comunismo todos os homens devem amar mais ao próximo que a si mesmo, devem sacrificar-se continuamente pelo Estado e pelo Bem Comum. O Catolicismo prega ideias como a Verdade e a Justiça, cultivando o respeito pelo Próximo. O Socialismo exige, acima de tudo, o Sacrifício por uma Causa maior que o Homem. É essa Causa Maior que o Homem/Indivíduo que marca o seu carácter e o torna numa degeneração perigosa do Cristianismo.


A democracia liberal tem futuro nos países católicos, ou de cultura marcadamente católica. Tem é de ser racionalmente implementada, e fundada nos ideiais de Justiça e Cidadania, pedras angulares e comuns do Liberalismo e do Cristianismo. Justiça para com cada Homem, dando a cada um o que lhe compete e o que ele merece, os frutos do seu trabalho e do seu mérito.

Cidadania, porque o funcionamento da sociedade só se dá quando os Indivíduos sentem a necessidade de respeitar a propriedade dos outros e os costumes do Próximo quando sabe que são os direito dos seus semelhantes que lhe garantem os seus direitos.

domingo, 29 de março de 2009

A Religião do Látex


Grassou entre nós, recentemente, um escárnio mesquinho que reavivou ódios antigos e discursos de moralidade esquerdófila. Toda a Ordem do Bem-Dizer e Pensar Fácil resolveu-se a guinchar alto e bom som após as declarações africanas do Papa da Igreja Católica.

Surgiram frases de tablóide flamejantes, gritando ao mundo sofredor a realidade cruel de um Homem que parecia defender uma Utopia tão insólita como perigosa.

Acima de tudo, o ateísmo militante e os eternos donos da Moral e Verdade soltaram os seus sonoros "É de rir!" e "Parece impossível!", ou até mesmo o famoso "Já nada me impressiona vindo destes tipos...", gorgolejando todas as frases em uníssono e em harmoniosa concordância.


O caso ficaria aqui, se tudo isto se tivesse passado num micro-cosmos tão redutor e acéfalo como o Portugal Intelectual. No entanto, os acontecimentos à escala global, como tudo o que se faz em matéria de globalização, accionaram os mecanismos da livre troca de ideias e surgiram, por entre a bruma ideológica deste mundo tão uniforme, Opiniões. Essas opiniões partiram de pessoas que realmente sabiam e sabem o que se passa em África, porque possuem o bem mais precioso que o situacionismo e a esquerdofilia não têm: a experiência, mãe de todas as coisas.


Assim provaram os homens de verdadeira sabedoria que a monogamia, a ideia protegida pela Igreja Cristã e pelo Papa (e não a abstinência, a Igreja não pede dos crentes aquilo que só pede aos clérigos) é de facto uma prática social que as organizações humanitárias que trabalham no continente africano têm procurado disseminar, e cujo apoio religioso do Papa transforma numa realidade extensa. A posição da Igreja em África, ao invés de trazer o holocausto preconizado por alguns desmiolados, fará pelos povos de África algo que a inteligentsia e a nomenklatura intelectual ocidental nunca fizeram, farão, nem querem fazer.


É de facto aborrecido ter de aturar, de tempos a tempos, o levantamento ridículo que as classes comodistas, as verdadeiras comodistas, fazem. Não se lida com África da mesma maneira com que se lida com um doente, ou com uma obra de caridade. Lida-se com os africanos como se lida com os homens e mulheres responsáveis que eles são. Procuramos métodos racionais, discutimos políticas e encontramos soluções para os problemas.


No meio disto tudo, fica ainda o pesar de a Igreja Católica ainda não defender o uso do preservativo, apesar, ao contrário da opinião maliciosamente geral, a Igreja não proibe o preservativo.

Mais que provado está que preservativo não é o meio único para prevenir a SIDA, nem será tão eficaz como se quer comprovar, neste texto de um verdadeiro entendido na matéria, que disponibilizou o seu parecer no blogo Insurgente.


A propaganda trêfega da comunicação social, todo este desprezo votado a sectores da sociedade tão bons como qualquer outros, o discurso das elites intelectuais de um país tão burro como desmoralizado, fazem deste navio à deriva chamado Portugal um sítio difícil para viver, se se quer ler e ouvir com alguma imparcialidade e razão. Sejam os novos traços do país, que já duram há pelo menos dois séculos, seja quiçá um novo anti-clericalismo em gestação, ou simples idiotice, cada vez mais é dificil ficar cá, para ficar com estes portugueses. Imigrar será a solução, solução que este lodaçal sempre deu aos que melhor vontade têm de nele viver em paz, progresso e sossego.


Fontes:





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