terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Assuntos Académicos* - 1º debate em pequeno resumo, considerações pessoais

Findo o 1º debate, está na altura de fazer os balanços necessários.
De um lado, a lista A à Assembleia de Representantes apresenta uma equipa segura, experiente e já há muito estreada nestas andanças.
A lista B mostrou um conjunto de pessoas capazes, mexidas e despachadas, tentou contra-argumentar a antiguidade dos primeiros.
Ambas as listas mostraram um programa muito semelhante, e não foram debatidos os pontos que poderiam conflituar - ainda que indirectamente.
A assembleia do debate limitou-se a criticar, de acordo com os critérios pessoais que eram partilhados pela larga maioria dos presentes, a personalidade de um dos membros da lista A, e houve apenas uma dúvida, rapidamente respondida pelo questionado e rapidamente posta de parte pela plateia - injustificadamente, a meu ver - , sobre o facto de a primeira lista apresentar-se excessivamente aparentada com a Associação de Estudantes.
A produtividade de todo o debate foi tão deplorável que louvo a ausência dos que prederiram ficar em casa.
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Saíram, no entanto, algumas observações - das conversas que houve antes, durante e depois - que me vejo obrigado a partilhar com os estudantes e amigos, visto que disponibilizo aqui a minha opinião em público para que todos possam partilhar destas experiências, mesmo não estando presentes nelas.
1- Um aluno que esteja inscrito num programa como o Erasmus pode perfeitamente candidatar-se a um cargo de representação. Paga propinas, e os alunos que estão lá fora têm tanto direito a ser representados como a representar os alunos que estão, de facto, a fazer Erasmus. Como comentei com um colega, sobre a obrigatoriedade de representação que devia haver caso os alunos de Criminologia estivessem incluídos nas listas formadas pelos alunos de direito - infelizmente, alguém teve esta ideia de listas eparadas para os dois cursos (alguém sempre tem estas ideias, porquê, porquê?) - não me parece que outra minoria, como os alunos que estão lá fora, mereça menos representação.
No entanto, há coisas necessariamente boas na democracia directa. Uma delas é o facto de numa comunidade pequena, ou num eleitorado pequeno, considerações pessoais serem bem mais certas do que num eleitorado gigantesco (como é o caso das actuais mass democracies). Será, contudo, igualmente falacioso, como na maior parte das vezes é.
Mandam as regras de boa-educação que o carácter de alguém não seja discutido na praça pública - muito menos não estando presente, porque se trata de uma reputação alheia - mas sim nas urnas.
Caso assim seja, a lista B pagará a audácia da sua escolha. Ou não.
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2- O facto de as listas B só apresentarem as suas ideias e programas poucos dias antes dos debates explica-se facilmente: não tinhamos de as apresentar antes. Estamos a ceder ideias ao eleitorado da FDUP, não estamos a correr contra um grupo de pessoas para ver "quem diz primeiro". Perdeu-se rapidez, fez-se qualidade.
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3- Continua-se a confundir escolhas com ataques. Opor-se à lista A não é atestar-lhe incompetência. Nem muito menos é criticar o trabalho da Associação.
4- Dito isto, esclareço da minha parte, e pessoalmente, um zum-zum que tem atravessado alguns dos estudantes.
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Eu, Manuel Rezende, trabalhei activamente com a AEFDUP o ano passado para a organização do Forum Política e Sociedade e consequente campanha de solidariedade com a Caritas.
Trabalhei como um mouro. Fui apoiado com eficiência.
Não estou em dívida para com ninguém. Ambos os projectos foram um sucesso à nascença.
Nunca teriam sido sem o apoio da Associação, mas não me sinto em dívida. Todo esse êxito foi partilhado e justamente atribuído. A AEFDUP ganhou a fama de ter organizado, com um grupo independente de estudantes, um evento que atraiu muita gente e ensinou muitas coisas. Também se tornou, das associações de estudantes de faculdades pequenas, talvez das que mais deu o ano passado, por altura do Natal, em solidariedade para a Caritas. E eu vi o que outras insituições, bem mais destinadas a esse tipo de coisas, se limitaram a ceder. Foi um esforço, no mínimo, espantoso dos alunos da FDUP que passou, infelizmente, em branco.
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O investimento feito em mim foi o investimento que eu retribuí. E o sucesso foi tão grande que eu espero repetir esta parceria, esta cooperação. Penso que só teríamos todos a ganhar. Senão, já dizia o tio Lourenço, "beijos à prima e boa noite". Sou monárquico, a minha lealdade não é partilhada por órgãos temporários. Não sou sujeito de favores à moda dos latinos, nem de clientelas. Sejam elas partidárias ou outras. E SEI que nada disso foi exigido de mim. E permaneço com essa impressão. Não me provem estar enganado.
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Não voltarei a mencionar o Forum nestas conversas, ou mesmo outra organização de que faça parte, sob pena de não mais escrever aqui estas crónicas.
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5- A Lista A preparou-se melhor para o debate, o que seria dizer preparou melhor a sua plateia. Apesar de nenhum dos elementos desta plateia, ou a grande maioria, não levasse já a sua posição em mente, claramente a experiência foi maior que o empreendedorismo dos iniciados.
Deixo no entanto, a interpretação da vitória deste debate à imaginação e racionalidade cada um, visto que estas coisas são sempre, e necessariamente subjectivas. O vencedor de uns poderá ter sido o vencido de outros.

1 comentário:

Pipette disse...

Sobre o ponto 1 (não conheço o Gonçalo, por isso sou imparcial): quero pensar que ninguém questiona a validade formal (digamos assim) da sua candidatura ao cargo. Uma pessoa que esteja pouco presente na faculdade tem tanto direito a candidatar-se como uma que vai lá todos os dias. Não é por aí que se pode pôr em causa o facto de o nome dele estar na lista. E se não é por aí, chegamos à conclusão óbvia: este assunto não tem que ser discutido da maneira que foi discutido hoje. A Lista B pode e deve ser questionada sobre a sua opção, interessa-nos a todos saber por que razão é que escolheram uma pessoa tão 'ausente', mas pára por aí. A Lista B pode ou não explicar - é uma opção deles (vossa) e serão também eles (vocês) a sofrer as consequências dela. E quem não ficou satisfeito com a explicação ou com a falta dela, quem não gosta, não vota. Vota na A ou vota em branco. Qual é a dificuldade? Não percebo por que é que complicamos sempre o que é simples.

Quanto ao ponto 3, eu não diria melhor. Haver uma segunda lista não é uma afronta à Lista A nem à AE. Acho que toda a gente concorda que a AE faz um óptimo trabalho e dinamiza a FDUP - parece-me que isso é ponto assente. Por isso não percebi a atitude de plateia hoje de cada vez que o Tomás se preparava para falar...parecia que ele tinha declarado guerra à AE e à plateia e à FDUP inteira. E eu sinceramente acho que ele não declarou nem vai declarar nem quer declarar guerra a quem quer que seja.

Mas claro que isto são considerações minhas...lá está, 'considerações pessoais' - do que também eu observei hoje no debate.

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