sexta-feira, 5 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
o caos não é neutro! - parte II - entre a ciência e a política.
De facto, muitas pessoas parecem-se surpreender com o facto de o Marxismo-Leninismo ter sido, até agora, aplicado por regimes que acabam por desembocar em autoritarismos.
O problema, a meu ver, não está nos homens, ou melhor, não está apenas nos homens que são encarregues de construir os sistemas. Não creio que a situação na Rússia após a morte de Lenine tivesse melhorado ou transformado caso Estaline não tivesse derrubado Trotsky.
Não, o mal do Marxismo está no Livro. Quando alimentámos uma ideologia política apenas com uma fonte, ela deixa imediatamente de ser política. De facto, o Liberalismo, além de uma teoria económica com vários autores, é uma ideologia política inserida nas sociedades ocidentais que conheceu igualmente vários autores, alguns colocados à esquerda, outros à direita. O mesmo se passa com a Social-Democracia, que em alguns casos até vai beber inspiração ao prórpio Marx. Assim, o trunfo do capitalismo estará sempre na sua base empirista e plural. O socialismo, na sua inspiração Marxista-Leninista, está destinado a falhar porque não assume a pureza de uma ideologia política. E porquê? Porque quando se cria algo cuja fundamentação é uma teoria, uniformizada e não uma forma de vida ou filosofia colectiva ou comunitária, baseada em aspectos da antropologia humana, está-se a criar uma Ciência. E é isso que o Marxismo-Leninismo é. Não uma forma de política, mas uma Ciência. Porque não permite a transgressão dos seus princípios, e tal como as ciências, não é regida por opiniões individuais, mas sim por Leis científicas. Leis baseadas numa teoria e comprovadas de acordo com ela, e teorias baseadas em leis e comprovadas de acordo com elas.
Este é o cerne da questão, esta é a causa da falha do combate do socialismo contra o capitalismo. Não podemos esconder-nos sob a desculpa de que o socialismo nunca se cumpriu. Esta não é a sua maior desculpa. É antes a maior razão para o rejeitarmos.
O debate, introduzido pelo Professor Pedro Soares, foi a meu ver muito confuso, e conheceu uma fundamentação algo questionável.
Pedro Soares, reconhecido Marxista-Leninista, é no entanto uma pessoa de discurso fácil e de boa discussão, parece ser um bom professor, e é a prova de que os homens são mais do que aquilo que pensam, são aquilo que fazem ao ouvir o que os outros pensam.
A sua apresentação começa com um recuo histórico ao surgir do Wellfare State. A menção aos 30 anos gloriosos. No final da apresentação, eu e Pedro Soares concordámos que esses 30 anos Gloriosos tiveram um custo muito especial que mais tarde se iria notar, e de que maneira. O seu primeiro erro, no entanto, foi o facto de introduzir o Estado Providência como algo caído do céu. Faltou uma menção ao Plano Marshall, mas como é habitual aos europeus mandar à fava os americanos não me impressionei muito, temos uma comum tendência de nos esquecermos da ajuda deles. Acompanhando a exposição do Professor, chegámos ao fim dos 30 anos Gloriosos. Aí desenvolve-se outra falácia. De facto, os 30 Gloriosos parecem sucumbir à crise petrolífera dos anos 70 (1973 para ser mais preciso). Nada mais falso, nada mais comprovado ser falso. Interessa muito à doutrina socialista mais acirrada demonstrar a queda do capitalismo causada pelos seus pilares, ou seja, o mercado. Uma conturbação inesperada do mercado, como foi o caso da crise petrolífera, parece uma óbvia desculpa para derrotar as pretensões dos capitalistas quando afirma que conseguem manter um modelo de estado social com uma economia de mercado. Conseguiram assim os comunistas e os socialistas uma forma de dar uns bons safanões aos sociais-democratas naquela altura. Ora, a crise dos anos 70 começa antes do ano de 1973.
A contradição das teorias Keynesianas aparece quando surgem elevados níveis de desemprego, quebras nas produções industriais, e falências de empresas. Estes factos acontecem já, com alguma relevância, a partir de 1968. Não seria de estranhar mais uma possível controlada crise de recessão económica, não coexistissem na altura certas manifestações tradicionalmente irreconciliáveis: elevada inflação e consumo, ao mesmo tempo de uma quebra produtiva e desemprego. Nos EUA, em 1971, rebenta a crise monetária, a impossibilidade de converter dólares, devido ao esgotamento do crescimento europeu e japonês e ao falhanço das políticas de pleno-emprego. Assim exposto, com calminha e cabecinha, tudo fica a parecer muito menos Naomi Klein.
Passa assim o Professor para o chamado "neoliberalismo" que nem na altura era suportado pelos próprios liberais, pelo menos na generalidade. Um liberal não é apenas uma máquina de calcular, não é só uma teoria económica. Há mais em Friedman do que números. E se Reagan e Tatcher muitas vezes se sustentavam em políticas económicas baseadas em autores como Milton Friedman, eles não eram liberais, eram antes Conservadores, Tories, eram actualmente CDS-PP.
Após a diabolização de Tatcher, fala-se na queda do Sistema de Segurança Social na Grã-Bretanha, que ficou gravemente comprometido. Em defesa da pobre senhora, que está quase a bater a bota, eu resolvi intervir mais tarde para dizer que não foi só o Sistema de Segurança Social que caiu. Foi a própria produtividade. A indústria mineira britânica conheceu o seu grande rombo, após um coma expensivamente mantido. Criou-se no entanto as condições para um já reconhecido crescimento económico, que foi mantido nos governos posteriores. Por muito que culpemos Tatcher da crise, ela fez algo que a Europa faz agora, e que previne o Reino Unido de estar a passar o mau bocado que os Continentais, por cá, passam.
Mais tarde Pedro Soares apresenta um gráfico que continha números sobre o investimento público em vários países da UE. Assinalou as descidas "gravíssimas" de 0,3% na Suécia e na Irlanda, mas esqueceu-se das subidas de 7% em Portugal e no Reino Unido, bem como na restante grande maioria dos países europeus.
Concluindo, penso haver na Esquerda (radical ou revolucionária, como lhe queiram chamar) portuguesa vários preconceitos para com as estratégias económicas da actualidade. O perigo do "neoliberalismo" é difuso e parece encontrar-se em todo o lado. Tanto pode estar na política de mercado de Reagan como no corporativismo poderoso de Bush. A verdade é que as políticas económicas dos dois presidentes diferem e são, a meu ver, erróneamente comparadas.
O outro grande bicho está nas teorias económicas que envlvem aparelhos de Estado mais amplos e mais intervencionismo, mantendo a efectividade do sistema. A tal flexi-segurança, que tão bons resultados deu no Norte da Europa, parece-me também a mim um sistema difícil de adaptar por cá. Mas o medo há volta dele é injustificado. A partir do momento em que decorram maiores facilidades à economia de mercado e se criem capitais, tais políticas poderão ser seguidas por cá, à imagem do que os países escandinavos fizeram.
Não reconheço no Marxismo-Leninismo as capacidades de retirar o País da actual crise. De facto, este mesmo país já sofreu bastante com homens que insistiam em ler um só livro, seja ele o "Das Kapital" ou "A Bíblia". No caminho de uma sociedade plural e livre, os cidadãos terão a possibilidade de escolher, nas urnas de voto, entre uma política virada para o mercado ou uma mais colectivista ou colectivizadora.
O propósito Marxista de uso do Estado para reprodução e redistribuição de capitais, mantendo esta a sua função principal, é um fundamento caduco e utópico, que já demonstrou as suas graves consequências à Humanidade. É apenas uma novela a repetir-se por muitos e largos anos devido à atracção que impele ao imaginativo dos jovens, sedentos de um igualitarismo absoluto e um estado uniformizado.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
adeus céu azul
Agora que tenho 19 anos, vou-me dedicar a ser um pouco mais como este gajo, este, e estes.
E dedicar-me, definitivamente, a mandar este à merda.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
o caos não é neutro! - parte I - dogmas e verdades em homens de um só livro, no Socialismo 2008
Nada é verdade e Tudo é permitido. Estas foram as últimas palavras de um líder dos Ismaelitas (islâmicos) antes de morrer e ser levado para o Inferno, como diziam os seus inimigos que o acusavam de ser um líder de uma seita herética. Também é o título do livro de John Geiger sobre a vida de Brion Gysin. Este lema, antigo e inspirado nas velhas escolas filosóficas clássicas, não envolve apenas o caminho para a liberdade, caso assim fosse era apenas um lema anárquico, mas antes procura inspirar um caminho livre para a sapiência, o caminho para a análise independente e racional.
O Bloco de Esquerda conta, apesar da sua breve história de sucesso político, com um dos males que afectam os grandes partidos políticos e que mais se afasta destes princípios. A divinização de ideias e pessoas. Podemos dividir este pequeno partido numa hierarquia religiosa, sendo que as únicas mentes pensantes estão na chefia e por trás segue-se uma multidão prostrada e pronta a obedecer ao apelo das armas. Não só se batendo pela igualdade, o Socialismo 2008 consegue também que todos os seus frequentadores pensem igual ou com métodos semelhantes.
O dia 30 deste último mês, Sábado que passa, o Bloco fez um pequeno convívio na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, frequentado pelas suas principais figuras, que consistia na apresentação de várias temáticas ligadas ao mundo actual, sendo que a maior parte delas eram apresentadas com o forte cunho ideológico do Bloco, como se esperava naturalmente num convívio deste tipo.
Interessado no alimento do espírito, eu, a Vânia Oliveira do ISSSP e vários alunos da FDUP, a Daniela Ramalho, a Sara Morgado, o Pedro Jacob e o Tiago Ramalho, combinámos ir juntos para assistir e tomar parte nos debates que aí se iam dar. Mal sabíamos nós que esse sábado ia ter muito pouco de debate.
O meu primeiro contacto com o Socialismo Bloquista (uma amálgama ideológica pouco firme, pouco sustentada, que se baseia em factos contornados de romantismo trotskista, marxista reformista, e outros -istas) deu-se, para meu prazer, com o Jornalista Daniel Oliveira, cujas crónicas eu vou acompanhando no Expresso com marcado interesse em ler uma pessoa muito convicta dos seus botões a falar não poucas vezes de coisas que parece perceber muito pouco.
Daniel Oliveira, do alto da sua moralidade bloquista, revoltava-se com as notícias da TV, o excesso da exposição da criminalidade. Mostravam-se uns números, uns vídeos que fizeram a alegria da multidão bloquista, formada de Patinhos-Feios muito seguros de si e pródigos em risadas de professor, como quem observava o desenrolar de uma sociedade constituída de pessoas que ainda não possuíam o mesmo nível intelectual que os frequentadores do Bloco, santificados ateus que têm, no entanto, a divina presença de ideias divinas.
Após a introdução de Daniel Oliveira, suficientemente grande para causar à assistência menos tendenciosa uma hemorragia nos ouvidos e suficientemente vazia para corresponder às expectativas dos bloquistas, abriu-se o espaço de participação da audiência.
Apesar de ter escrito uma página inteira de possíveis perguntas a Daniel Oliveira, sendo que uma delas era a famosa "E agora que disse isso tudo, qual é novidade?" ou então a menos conhecida "A sua apresentação é capaz de me ter causado um derrame cerebral, é capaz de chamar o 112?", notei que a assistência revelava-se igualmente interessada em debater o assunto, por isso resolvi fazer uma selecção de dúvidas. Qual foi o meu espanto quando vi que o mesmo cuidado não tiveram os bloquistas. As perguntas, com a sua natural complexidade, podiam ser todas resumidas numa única, que podia ser apresentada assim "Daniel Oliveira, pá, tu sabes que és o melhor (os bloquistas tratam-se todos por tu porque são todos pais do mesmo filho e filhos do mesmo pai, como nessas novas religiões americanas, aparentemente). Nós todos gostamos muito de ti, e eu queria perguntar-te se tu, sendo uma maravilha de um gajo e tendo essa barba muito socialista, és bestial ou só genial. (e agora vem a amostra intelectual que não pode faltar no discurso bloquista) Ah, e não te esqueças que o Caos não é Neutro!"
Após cada pergunta deste tipo, a sala silencia-se para ouvir a resposta de Daniel Oliveira, que resmunga qualquer coisa, ele próprio sem aparente paciência para os seus crentes.
Quando chegou a minha vez, temi de facto que o "Alarme Anti-Reaccionário" se activasse, e eu fosse ejectado da sala no preciso momento. Inocentemente perguntei ao Daniel se a imprensa não estaria só a reportar o aumento de criminalidade, que era inexistente de acordo com os números do Daniel, mas antes a violência exponencial dos crimes, que é de facto prevalente. Antes de acabar a minha pergunta já se tinha levantado o murmurinho na sala. O Alarme soara, um reaccionário encontrava-se entre as puras gentes do bloco, e fazia perguntas, a besta sádica!!!
Não posso incluir aqui a resposta do Daniel por várias razões: para além de uma resposta desmembrada e desarticulada, com a preciosa pérola do "Mas então porque é que eles não reportam a violência do Darfur, que também é valente?" (talvez por se passar a quilómetros daqui Daniel, e por cá haver problemas que cheguem, e ser uma coisa TOTALMENTE diferente) o Daniel fez questão de tentar me ridicularizar, quando eu referi a Geórgia no clube de nações oprimidas violentamente. Sim Daniel, é verdade que a Geórgia não é massacrada há tanto tempo como o Darfur. Mas convido-o a abrir a Wikipédia e ver a relação amistosa que este país manteve ao longo da história com o seu actual e amistoso ocupante.
O dia apresentava-se muito longo, e eu já estava algo desiludido. Não fosse a exposição sobre História do Mediterrâneo de Miguel Portas, ainda assim suficientemente tendenciosa, teria entrado em séria crise de melancolismo. De facto, fiquei a aprender poucas coisas sobre Daniel Oliveira, mas muito sobre o Bloco.
Sobre o Daniel, descobri que ao vivo a barba não lhe fica tão bem como nas fotos do Expresso. Além de uma justa defesa de Marco Fortes, pouco mais se pode indicar de positivo. Foi fraco, foi cliché. A TV, para ele, é uma maníaca-depressiva, que vive de euforia e repressão, e pressões. Os bloquistas queixam-se que a TV dá sempre a mesma coisa. Eu aconselho os bloquistas a deixar de ver TV, porque podem ficar ainda mais gordos e sebosos, e a pegar em bicicletas ou fazer amor. Os bloquistas não querem ver notícias de portáteis roubados em pleno tribunal, após o arrombamento de uma caixa multibanco ocorrido no mesmo. Os Bloquistas, e o Daniel Oliveira, sabem muito bem o que deve passar na TV. Só não nos dizem porque nós, comuns mortais, não íamos compreender. Deve passar aquilo que eles, e o Daniel Oliveira, muito bem entenderem. E só com a supervisão destes anjos mediáticos, se poderá atribuir notícias diferenciadas a cada estação, quer elas queiram quer não.
De facto não me impressionou reparar que as palavras mais usadas para solucionar o estado da nossa Televisão fossem estas duas pérolas: Denunciar e Controlar.
Estava à espera de mais deste debate com Daniel Oliveira na mesa. Marcado de um discurso dramático, excessivamente esquerdista, pseudo-revolucionário, manteve acima de tudo, acima da racionalidade e do poder da argumentação, o desejo de parecer um rapazinho traquina. E foi missão cumprida.
sábado, 30 de agosto de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
no Brasil como em Portugal
Apesar de se definirem pelo seu contrário, como na foto do post abaixo, os jovens socialistas brasileiros conhecem o fascismo mais como xingamento do que como teoria. Não duvido que muitos deles se identificariam com o fascismo caso sua literatura fosse apresentada sob outro nome. Preparando o solo europeu para receber os cadáveres de milhões, Mussolini escreveu em La dottrina del fascismo:
Anti-individualista, a concepção fascista é pelo Estado; e é pelo indivíduo enquanto este coincide com o Estado, consciência e vontade universal do homem em sua existência histórica. É contra o liberalismo clássico, que surge da necessidade de reagir contra o absolutismo e exauriu sua função histórica quando o Estado se transformou nessa mesma personificação da consciência e da vontade popular. O liberalismo negava o Estado em nome do indivíduo particular. O fascismo reafirma o Estado como a realidade verdadeira do indivíduo. E se a liberdade deve ser o atributo do homem real e não desse fantoche abstrato pensado pelo liberalismo individualista, então o fascismo é pela liberdade. Pela única liberdade que tem um valor sério: a liberdade do Estado e do indivíduo dentro do Estado.
Não é esse mesmo individualismo liberal que Che Guevara combatia?: “O individualismo, na forma da ação individual de uma pessoa solitária no meio social, deve desaparecer em Cuba. No futuro, o individualismo deve ser a utilização eficiente de todo o indivíduo para o benefício absoluto da coletividade”.
E enquanto Mussolini se opõe ao “socialismo que interpreta o movimento histórico como a luta de classes e ignora a unidade do Estado no qual a classe se funde em uma única realidade econômica e moral”, ele entende que o fascismo consegue atualizar as aspirações socialistas no Estado:
“Dentro da órbita do Estado, o fascismo reconhece a verdadeira exigência que dá origem ao movimento socialista e sindicalista e os faz valer no sistema corporativo dentro do qual os interesses se conciliam na unidade do Estado”.
Nesse sentido, é muito apropriado chamar o fascismo de nacional-socialismo. Meu medo é que muitos jovens brasileiros já sejam fascistas sem perceber.
in Ordem Livrequinta-feira, 28 de agosto de 2008
a paz armada
Assim, cedo começou a formar-se um equilíbrio difícil entre as potências ocidentais, principalmente europeias, de forma a ver qual delas era a mais poderosa e maior representante dessa mesma civilização.O século XX viu o delicado equilíbrio de forças desaparecer, e assistiu a uma guerra anunciada que traria a destruição de toda a Humanidade, não fosse a mesma cultura da ocidentalidade, a sua maior força, a deter a ameaça do comunismo e da sociedade totalitária.
Hoje, no século XXI, o perigo afigurou-se ultrapassado, e os esforços para preservar a liberdade externa tão carinhosamente preservada pelos nossos antecessores não foram revigorados.
Tudo indica que o século XXI será o século dos autoritarismos, tanto pela herança do século anterior, como pela necessidade que surgirá dentro das sociedades ocidentais e ocidentalizadas em combater esse mesmo perigo.Forma-se agora, a leste, uma situação que lembra a europa do Imperialismo alemão, a Europa da ameaça prussiana.
Estamos perante uma paz armada, entre democracias temerosas e ditaduras fortalecidas pelo jogo diplomático.
ambiguidade internacional
in Historia y Vida, nº481
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
londres prepara-se para o pior
Prevê-se que isto aconteça:
E pensa-se que a Rainha irá estar, juntamente com a restante família real, atada no sótão do Big Ben na altura da explosão.
domingo, 24 de agosto de 2008
o seio repleto
No Brasil, o Presidente Lula da Silvas criou uma bolsa família especialmente destinada aos habitantes do Nordeste, cujo PIB per capita era somente 28% do equivalente ao Sudoeste.
O Programa foi desempenhado com sucesso, gerando uma descida nos índices de miséria do povo brasileiro daquelas partes.
Tomado como exemplo por parte de alguns analistas económicos nova-iorquinos, e mesmo por parte da ONU, o Bolsa Família tem alguns condicionalismo relevantes que são, na sua maioria, relegados para segundo plano.
De facto, proporcionam às zonas "esquecidas" do Brasil um rendimento extra, fundamental para que haja algum desenvolvimento na área. O problema é que esse desenvolvimento é pago com o trabalho da restante população brasileira que, a meu ver, não tem passado tão bem nas duas últimas décadas.
Estes condicionalismos não estão a ser fiscalizados pelo governo convenientemente, apesar dos esforços federais em manter bem investido o seu dinheiro, vigiando os cidadãos com satélites e métodos afins, considerados igualmente de exemplares.
"Quando se usa um cartão de crédito, a empresa responsável é comunicada sobre o quanto deve pagar ao comércio por um sistema que utiliza linha telefônica. Em locais sem essa estrutura, a comunicação pode ser feita via satélite ou rádio", afirma Nina Farnese, técnica do projeto pela Caixa Econômica Federal, uma das entidades que faz parte do acordo de cooperação técnica assinado entre os dois países. - in Terra Magazine.
Assim, o Bolsa Família tornou-se, como era de prever, no rendimento per se dos nordestinos mais pobres. A educação não aumentou o que se esperava, apesar de o número de faltas às aulas ter diminuído o rendimento escolar continua nas ruas da amargura, e o dinheiro não serviu de incentivo para novas oportunidades, criando-se mais uma epidemia de "subsídio dependência".
Portanto, qual é a grande diferença entre o nordestino antes do subsídio, e este nordestino engordado pelo subsídio?
É que dantes, os grandes terratenentes ou latifundiários empregavam facilmente mão-de-obra barata e desprezada pelas autoridades, que jogava corruptamente com esta tradição de labor.
Agora os terratenentes mal empregam qualquer tipo de mão-de-obra, porque ninguém quer trabalhar. Agora, os preços dos alimentos por todo o Brasil, com especial repercussão no Rio de Janeiro, aumentam a cada mês, e um dia em que essa maminha gordinha e redondinha que é o Estado secar, o Nordeste ainda vai ter mais dificuldades, porque os grandes empresários já terão, por essa altura, investido as suas poupanças noutros sítios. Sim, porque o estado dá e tira. Isso determinará o fim do mercado agrícola que enriquece as cidades de Pernambuco e Baía e Recife, que terão de viver do pululante turismo sexual que se faz naquela zona. Estas são as consequências de um Estado que, em vez de abrir as economias das regiões e esforçar os seus meios na defesa das liberdades do cidadão, se limita a distribuir "equitativamente" recursos, algo que é muito fácil, é como disfarçar a ferida com, vá lá, cosméticos. Cosméticos capazes de também caçar votos.
Outros problemas da recondução Estadual podem ser vistos por aí fora, no mundo. De facto, o Estado não só contribui para a obesidade do cidadão, como também lhe acabará por programar um "reduce fat fast". De facto, comida está mais cara, não é? Vejam lá o vídeo e depois prossigam.
Nos EUA, o candidato presidencial que planeava a política social que entrou em grande voga e mediatismo está agora a atrasar-se nas sondagens.
De facto, um sistema de duas rondas tem destas coisas, os cidadãos começam a pensar melhor se querem um presidente que não só vai criar mecanismos de saúde mais flexíveis, mas que pensa em criar outros sistemas de subsídio estadual que serão o problema de outros presidentes no futuro, e que vai obrigar a classe média americana a pagar a vida de outras pessoas, contribuindo assim para a dead end que é a actual Segurança Social Europeia.
Infelizmente a alternativa a Obama é, nas palavras de Stiglitz, o representante de um velho corporativismo em trajes novos.
Em Portugal, o RSI aumenta 427% em relação aos números de 2004, mantendo-se Portugal com os piores índices de pobreza na União Europeia.
União Europeia que acordou para os problemas das políticas passadas.
A Suécia acordou para os malefícios da política social até aí seguidos, e já mudou o Executivo social-democrata para um executivo de Direita.
A restante Escandinávia fez ou está em vias de fazer o mesmo mesmo.
De facto, todos este "limousine-liberals" têm meios complexos de ver o actual estado de Portugal. O que não é muito difícil, pois está riscado de estradas vazias e desnecessárias, temos actualmente a rede de estradas mais prolífica da Europa, o que seria bom caso o país não fosse tão pequenino, e temos uma educação que custa os olhos da cara ao Estado, e que não apresenta o mínimo de resultados.
Faz-nos pensar se seremos todos assim tão libertários ou anarco-capitalistas, ou apenas liberais à moda antiga.
sábado, 23 de agosto de 2008
uma rapariga de doze anos levar-nos-á à revolução
Como fardos somente sustentados pela nossa caridade.
Quando começarmos a olhar as pessoas como se fossem pessoas, e a dar-lhes responsabilidades que exigimos aos restantes adultos.
Quando nos atrevermos a olhar para além da estatística.
Ver o site:
The Girl Effect
para mais informações.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
os números do RSI - autora convidada
"É patente que os beneficiários do RSI têm vindo a aumentar consideravelmente, podendo apontar-se a causa para a actual crise económica, que indubitavelmente tem-se reflectido numa alta de preços crescente, situação à qual nem todos reúnem “instrumentos” necessários para subsistir sem o apoio social. A atribuição do RSI é, ou pelo menos deveria de ser presidida por um plano de reinserção social, cujo principal objectivo é possibilitar o acompanhamento do beneficiário rumo ao seu ingresso no mercado de trabalho, de modo a encurtar o quanto possível a sua situação de dependente do rendimento social de inserção. É notório que a execução destes planos de reinserção ficam muito aquém do desejável, mostra-o os cerca de 312 mil beneficiários registados em Dezembro de 2007, aos quais se juntaram na primeira metade deste ano mais 23 mil, que tornam os números ascendentes num curto espaço de tempo.
De facto a lógica do RSI está desvirtuada. É necessário proceder a um rigoroso levantamento das lacunas que inviabilizam os projectos de reinserção, atentando eu que não será difícil. Qualquer um reconhecerá como situação inexequível, o caso de uma assistente social com cerca de 200 processos de utentes, realizar um trabalho frutífero no que toca aos planos de reinserção do RSI. E nesta lógica atrevo-me a enumerar um dos males.
Voltando aos números do RSI, estes agravam-se ao ter em conta que deles fazem parte uma quantidade inconcebível de jovens e, quando digo jovens, não só me refiro às idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos (período em que deveriam apostar fortemente na carreira profissional), mas como também aos inúmeros casos de menoridade.
As facilidades inerentes à aquisição do RSI, bem como em mantê-lo ao longo dos anos tornou-se numa não procura por alternativas por parte das classes mais desfavorecidas. Afinal, quando nos concedem um salário quase como oferenda a alternativa já foi encontrada à muito! Repito que o panorama toma proporções avassaladoras quando falamos em jovens menores que se deitam nos panos quentes do RSI, caso cujos planos de reinserção se tornam insuficientes para reverter tais situações num futuro a longo prazo.
É necessário rever o modo como a politica social do RSI está a ser empregue e se os objectivos que lhes são subjacentes estão a ser concretizáveis, de outra forma estar-se-á a hipotecar não só os contribuintes, bem como a autonomia dos próprios beneficiários.
A assistência não está em dar esmole indiscriminadamente!"
Vânia Patrícia Almeida Oliveira, também publicado no Entrelinhas.domingo, 17 de agosto de 2008
humor perigoso - a opinião de um mestre
The humor that makes me laugh hardest is the material I know would offend or insult someone else. Apparently I am not alone in this view because my entire career is based on that universal law. The Dilbert comics that work best are the ones you can imagine your boss or coworker looking at and saying, "Uh-oh. I think that's me."
But offending isn't enough. The audience gets more out of humor if the messenger is putting himself in danger. When Dilbert first launched, I was still working my day job. Readers loved knowing that I was on the verge of getting fired every day. The order to fire me was actually given at one point, but in the end my employer decided to give me hopeless assignments and wait for me to quit. They figured it would look better.
Dilbert is still a dangerous job. This week I got a bunch of angry letters because of a comic where Alice says she realized her job was like a dung beetle trying to mate with an epileptic cow. I think I was added to a few extra death lists. If you laughed at that comic, it's probably at least partly because you knew I was taking a risk in creating it.
ver o resto aqui, no Scott Adams Blog
porto blue jazz
E comigo, foram as minhas cidadãs favoritas, a minha mãe e a minha irmã, que dançou comigo após alguma insistência minha.
Começou levemente, com um solo de sousaphone (desconhecia o que era um sousaphone) de Sérgio Carolino, e depois entrou o saxofone de Mário Marques, a dar o mote para Rúben Santos deslumbrar no trombone.
Foi o caraças para anotar os nomes, mas valeu a pena.
Na bateria estava um senhor que, bem me parecia tê-lo visto antes, mais não era que o baterista Michael Lauren.
The Postcard Brass Band.
E depois? Depois... depois foi Jazz, Blues, uma variada mistura de influências, muitas reminiscências de épocas passadas, autores famosos, filmes vistos, obras contempladas.
Hoje diverti-me.
Pontuação final: 7/10. Comentário: next time, i'll pay to see this guys.
PS: Alguém se lembra daquele grande filme, o Swing Kids? Não me parei de lembrar deles durante o show... Eu devia ter nascido nesses tempos.
domingo, 3 de agosto de 2008
crónica do reino dos algarves (causas da queda desta província)
Não trago fotografias nem grandes lembranças. Fui acompanhar a minha mãe e irmãos numas férias bem merecidas, depois de um ano difícil mas bem vencido.
De facto, não aprecio muito o Algarve enquanto destino de turismo de praia. O Algarve é um sítio belíssimo, fantástico, se fugirem das praias.
Aconselho a todos uma visita a Silves, cujas muralhas guardaram, em tempos, uma das últimas grandes cidades islâmicas na Europa, do ponto de vista cultural e social e económico. Eu próprio já lá fui umas 2 vezes, e sempre encontrei coisas novas. Faro é uma cidade muito bonita também, onde se come bestialmente, se soubermos procurar e aguentar a morrinhice dos algarvios, os piores serventes de mesa à face da Terra.
Sagres é um grande montão de calhaus, e por muito que procurem a escola do Infante, o mais provável é ficarem com a sensação que aquilo não é porra nenhuma, e não passa de um pseudo-esquema para atrair turistas desejosos de uma mística de um Império que nunca existiu.
Castro-Marim, Vila Real de Sto. António, a própria Albufeira, a belíssima serra algarvia, se conseguirem ficar lá hospedados um dia para apreciar a flora única, são locais de visita obrigatórios e esquecidos do Algarve. Mas isso não vem nos panfletos.
De facto, o turismo do Algarve é uma valente merda.
Por muito que se tenha lutado contra os abusos descontrolados da urbanização descontrolada, o Algarve continua a perder a corrida contra a descaracterização cultural.
Depois de se tornar o pousio para a classe média baixa do norte da Europa, o Algarve procura elitizar-se antes de ficar com o nome manchado com o rótulo de destino turístico barato.
O Algarve sofre por estar cheio de algarvios, e esses algarvios não têm poder nenhum sobre a sua terra.
Tornou-se o Algarve numa espécie de Egipto dos tempos romanos, uma região portuguesa especialmente cuidada e tratada pelos Governos centrais. As cenas do Allgarve e todos os abusos consequentes vêm daí. O poder local, subserviente e dependente, é formado por uma classe de filhinhos da putinha, gente muito rasca, fruto de cruzamentos incessantes entre a população, mantendo aquela insuspeição mourisca e uma certa anti-portuguesice.
Esse poder local, que precisa de Lisboa, porque aprendeu, aquando da última crise económica que varreu o Algarve, que precisa de Lisboa para chamar os portugueses para o esforço patriótico de encher o hotéis e pensões algarvias, surpreendentemente abandonadas pelos cidadãos ingleses e alemães, fartos das crónicas subidas de preço. Agora, que tudo voltou ao normal, o Algarve já retomou o caminho, pensa-se.
Eu penso que não.
Se querem ser servidos rapidamente num restaurante, na área de Faro a Albufeira, procurem um restaurante brasileiro, chinês, ou cujos funcionários sejam morenos o suficiente para se ter a certeza que não são portugueses do Algarve. O único algarvio simpático, alegre, competente tanto na cozinha como na arte de bem receber, era um que havia nascido em Trás-os Montes.
A polícia algarvia é constituída por dois tipos de homens. O primeiro, homenzinhos pequeninos com barretes da GNR, serve para pedir indicações caso precisem saber onde é a praia. Caso queiram saber onde fica a rua onde se vende bugigangas para comprar para toda a gente lá em casa, eles já não conseguem. Não lhes pagam para isso, peço muita desculpa.
O outro tipo é formado por gorilas de boina, que vestem de fato-macaco preto, cuja única função é andar de um lado para o outro a falar numa língua desconhecida (o algarvio é, de facto, um dialecto) e que servem para nos escondermos atrás deles quando um inglês nos ameaçar com uma garrafa quebrada.
O comércio algarvio é em tudo igual ao do restante país, excepto na proporção. De facto, a qualidade dos produtos é duas vezes pior, e duas vezes mais caro. Abundam os senhores das tatuagens temporárias, os marroquinos dos bonecos luminosos, com cenas de néon na boca que os fazem parecer retardados a mastigar pirilampos, as pretinhas das tranças, adoro essas pretinhas, levaram-me 10 euros por uma merdice que puseram no cabelo da minha irmã, que eu próprio voltei a pôr quando aquilo se descolou. Há também os pretões dos óculos, senegaleses fundamentalistas, sendo que um deles chegou a amaldiçoar-me quando eu o mandei dar uma volta, irritado de negar a décima tentativa de negócio. A dada altura, oferecia-me a irmã e 30 camelos, se eu aceitasse comprar um par de óculos por 10 euros. Recusei, obviamente, por os óculos serem feios e por não ter espaço para pôr 30 camelos.
No centro de Albufeira, um senhor muito barbudo (estilo Karl Marx), apresentava num pequeno pavilhão patrocinado pela Câmara de Albufeira, com uma mensagem a dizer qualquer coisa contra a globalização (aquelas frases feitas) num painel de cartão forrado a latas de refrigerantes.
Como eu estava há vários dias sem discutir com o Francisco Noronha e a Daniela Ramalho, pessoas a quem eu gosto de chatear como o caralho, resolvi soltar umas boquinhas àquele Pai Natal dos sovietes.
"É a Globalização que lhe permite comprar todas essa latas de refrigerante" disse eu, e pensei, "fodi-o".
"Não, é a Globalização que me obriga a comprá-las" e pronto, agora fica tudo a pensar que o velhinho me encurralou. Eu acho simplesmente que o ancião podia muito bem ter comprado uma água Luso, em vez de gastar o dinheiro da Câmara para comprar Coca-Colas e Fantas. E depois, ainda fiquei arrependido de não lhe perguntar se não era a globalização que trazia todos aqueles turistas à sua cidade que lhe compravam todas aquelas pulseirinhas capitalistas que ele vendia à má rês a par da exposição. Pior, ainda foi o homem que me disse "Sabe ao certo o que é a globalização? Sabe o que é concretamente? É as empresas virem pra cá, comprarem tudo, e depois despedirem toda a gente".
É que o Algarve não sofre apenas de políticas governamentais estúpidas, de autarcas idiotas, de um turismo burro e dos turistas idiotas. O Algarve agora tem manifs anti-globalização.
domingo, 20 de julho de 2008
vós sem mim (durante 15 dias)
muito cuidado com as alforrecas nas praias.
quem sabe vamos todos ver um bom concerto, hein? tipo este
quem for ao sudoeste mande-me um toque...
sexta-feira, 11 de julho de 2008
finding roy orbison
"Acordo sempre sobressaltado deste sonho", pensei. "Talvez deva começar a pensar em não trepar a árvore, já não durmo decentemente à 15 dias."
Preparei-me com aprumo, um bom rapaz quando sai à rua deve mostrar sempre um ar de graça. Penteei-me com os dedos, vesti o casaco menos velho, e parti para a reunião com o editor.
Levava o manuscrito debaixo do braço, e tentava aquecer-me com um pequeno cachecol. Se algum dia forem a Berlim, não se impressionem das semelhanças da palavra Bär (urso em Alemão) e Berlin. Os próprios cidadãos acham que a sua cidade era dantes um ponto de encontro de ursos. De facto, para suportar o frio berlinense, uma camada extra de pêlo e gordura ajudariam muito.
O editor estava num café com esplanada à beira da Unden Der Linden, que até à uns anos era um local florido, até Hitler ter cortado todo o tipo de flora para o seu povo poder ver os seus tanques de guerra desfilar.
- Saudações, Herr Klein! (Herr Klein era, de facto, muito pequeno)
- Saudações! Ligou-me a querer ver-me meu amigo.
- Tenho um trabalho novo, vai permitir-nos saldar todas as dívidas e pagar a renda.
- Diga meu caro, bitte!
- É algo totalmente novo, que vai fazer com que a Teoria Pura do Direito de Kelsen pareça um hit de Verão!
- Eu editei Kelsen. De facto, foi um sucesso estrondoso, não se via casal ou família que não andasse com ele debaixo do braço. Ganhou muito dinheiro, e nunca mais o vi. Entregou-se à má vida. Tu sabes, dinheiro, mulheres, noites, drogas. Acho que em Viena ninguém o parou. Ouvi até dizer que tinha feito uma Constituição aos austríacos. Um homem não pode descer mais baixo que isso para ganhar uns trocos. Os austríacos... enfim, depois disso foi o fim. Deambula pelas ruas de Munique a pedir esmola, faz uns trabalhecos em troca de comida e vinho. Não queiras ir pelo caminho da fama de Kelsen rapaz, o fim é sempre o mesmo. A estalagem. Ou a farmácia. Ou o prostíbulo. Ou o exército. A frente na Rússia pede mais homens aparentemente.
- Isto é algo superior. Eu bem me lembro de ver o meu pai a recitar longas passagens da Teoria Pura do Direito diante da minha família. O idiota do meu tio detestava. A beleza do capítulo sobre as fontes do Direito... A Lei, a Lei! Toda aquela pancada naqueles mariquinhas dos jusnaturalistas. Um pródiga pândega. Mas isto é mais, meu caro, é mais!
- De que trata, meu jovem?
- Descobri.
- Descobriste o quê?
- Ele, já sei onde Ele está.
- Ele? quem é ele?
- Ele com o maiúsculo...
- Deus? o que queres dizer com isso?
- Schiu Herr Klein, ninguém deve saber disto...
- Desculpa meu caro... mas... Nietzsche não o matou? Todos sabem disso...
- Tenho provas que é mentira. E sei finalmente porque o fez.
Herr levou-me para o escritório. Com tantos Gestapo disfarçados de garçons em Berlim por essa altura, de repente pareceu-me má ideia ter saído de Paris após a invasão nazi e ter feito o percurso inverso dos restantes intelectuais. No entanto, na altura pareceu-me muito lógico ir para a capital do III Reich, o único sítio em toda a Europa Ocidental que não possuía um militar alemão munido de uma SturmGewehr pronta a nos abrir um orifício extra ao dobrar da esquina.
Expliquei então a Herr Klein todo a minha inicial pesquisa. De facto, o filósofo oficial do regime não tinha assassinado Deus, como todos pensávamos. O grande busílis desta questão é simples. Porque razão o filósofo matou o Criador? Após várias pesquisas, encontrei uma razão possível. Deus tinha dormido com a mulher de Nietzsche, o que é uma muito natural, dada a apetência natural do Criador para possuir virgens casadas (sabia-se que Nietzsche nunca tinha consumido o seu casamento, visto que se achava demasiado perfeito para a sua própria mulher).
- Queres dizer que... Aquele que dá significado à existência ainda está vivo?
- Sim, mas Hitler não pode saber... ou acaba o trabalho.
- Mas como Nietzsche não o apanhou?
- Deus gosta muito de bricabraque, fazer arcas e coisas dessas. No entanto, é extremamente impaciente, e faz a maioria do seu trabalho às escuras. Só depois de criado o Universo ele disse " Faça-se Luz!" como está escrito no Génesis. O mais provável é Nietzsche ter usado a ajuda de outro inimigo de Deus, um empirista qualquer, e lhe tenha batido com uma tabula rasa.
- Como escapou ele?
- Com a ajuda de Karl Popper. Ele simplesmente falsificou todas as provas da sua sobrevivência. Deus está, neste momento, escondido no Vaticano.
Nesse momento, Herr Klein estacou e fitou-me serenamente. Tinha uma arma na mão. Disse-me:
- Finalmente alguns resultados. Fizeste muito pelo regime meu amigo. Está na hora de seres recompensado.
- Herr Klein.. era o senhor o empirista desconhecido! Mas como?
- Eu era jovem... Carl Schmitt era mais velho e mais bonito. Eu sentia-me atraído por ele, era uma relação imprópria para a nossa sociedade, mas ele era o meu professor e eu o seu embevecido aluno. Quando os nazis fizeram o que lhe fizeram... a sua obra, usada para os piores fins... Eu já não acreditava em nada. Por isso, ajudei-os.
- Não há mesmo chance Herr Klein? Não há perdão?
- O mundo continua vazio e merdoso, haja Deus ou não. Para ti, Herr, não há perdão.
Soou em disparo. Fechei os olhos, encomendando a minha alma Àquele que afinal ainda vivia... Quando os abri, deparei-me com uma cena estranha. Vários homens de púrpura estavam de volta do corpo de Herr Klein, tinham arrombado a porta.
De entre eles, sobressaia um que usava um alto chapéu.
- Sabes quem eu sou, paisano? - pergunta-me o homem do chapéu, com um temível sotaque siciliano.
- Vossa Eminência... sois aquele a quem chamam o Papa...
- É verdade. Johny boy, não vais chibar aos chuis o que acabaste ver, capisce?
- Sim...
- De facto, nada disto é pessoal. Nada disto deve ser pessoal. É tudo uma questão de negócios, o Padrinho lá em Cima tinha uma dívida a saldar com este traste.
Foram embora pesadamente, levando o pequeno corpo de Herr Klein escondido na minúscula arca frigorífico, para o qual foi dobrado em 5 partes iguais de forma a caber lá. Quando iam a sair, perguntei ao boss:
- Papa... poderá haver perdão, agora que Ele cá está?
- Há sempre um perdão filho. Só precisas procurar por ele em ti próprio, e deixar que os outros o façam. Bona Sera.
- Bona Sera...
Desci calmamente os degraus do prédio onde há pouco estava o escritório de Herr Klein. Estava claramente na altura de seguir para uma cidade mais livre. Talvez Estalinegrado, Petrogrado ou mesmo Moscovo.
Comia distraidamente um apfell strudel enquanto seguir pela Unden Der Linden...
terça-feira, 24 de junho de 2008
o derradeiro boneco

o Boneco Jesus (acoselho-vos a entrar no site e a ver a descrição desta preciosa peça, em tudo semelhante ao nosso Salvador, especialmente pelo facto de lhe faltar, como é natural, qualquer tipo de traço racial semítico, Graças a Deus)
o inimigo público
De 26 a 28 de Junho vai realizar-se um Congresso Feminista na Fundação Calouste Gulbenkian, organizado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), cujas organizadoras prometem não queimar soutiens, para contrariar o estereótipo. “Nõs somos mulheres modernas. Vamos destruir o novo símbolo da sujeição da mulher à vontade masculina: os implantes de silicone. Mas, como eles são resistentes ao calor, vamos explodir duas tetas falsas, como os taliban fizeram aos dois budas de Bamyan”, explicou Maria Teresa Horta, uma das feministas envolvidas no congresso. “E aconselhamos vivamente todas as mulheres a verem o filme O Sexo e a Cidade e a não comerem pipocas no cinema, mas testículos de porco salteados, como forma de mostrar o desprezo pela pseudo-superioridade masculina”, concluiu. VE [Vítor Elias]" in Inimigo Público
o que eu não teria dado para ter sido eu a escrever isto. Estou a pensar seriamente desistir de Direito para escrever para o Inimigo Público.
Ver o resto da discussão à volta deste artigo aqui
domingo, 22 de junho de 2008
consolatio
finge que não me vês
passa por mim
através de mim,
e não partilhes uma única palavra.
diz em bom português,
sê meiga, assim
sê gentil, por fim
mostra-me uma janela que não abra.
meu afecto,
minha modéstia,
meu discurso,
minha alma.
leva e vende-a rapidinho.
não me deixes mais a cozinhar
não me deixes em sossego mesquinho
não me fales punhais, sem levar pelo menos um
guardado nos lábios.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Viva La Revolución!
Camarada Pedro, ganhámos! A Capital de Cristóvia é nossa!
Após meses nas nas montanhas de Havara, a passar todo o tipo de privações, a um passo da sodomia masculina colectiva, os defensores do socialismo-marxista venceram a luta! Hasta La Victoria, Sempre!
Os últimos 4 anos foram terríveis. Ainda me lembro de quando éramos um bando de adolescentes introvertidos, mas que ainda assim se conseguiram organizar à volta do estandarte do comunismo, e protestar contra a Ditadura de Batistério Fulgaz. O nosso líder, o brilhante orador José Pablo, entusiasmou-nos com o seu discurso revolucionário, e cedo organizamos um partido, que foi logo reprimido pelos órgãos ditatoriais. Mais uma vez, as palavras inspiradas do nosso camarada Pablo iluminaram os nossos corações, e decidimos partir para o exílio. E assim foi que 50 jovens universitários partiram para a selva, decididos a lutar contra o regime armados com a palavra do comunismo, e assim foi que nos equipámos apenas com algumas roupas e levando cada um o Livro Vermelho de Mao e o Manifesto Comunista do camarada Marx.
Infelizmente, de pouco nos valeram as palavras de alento do Camarada Pablo, pois ao fim de 4 meses na selva tropical, e sem qualquer tipo de preparação militar ou de sobrevivência, e visto que a maior parte dos membros do Partido Comunista para a Libertação de Cristóvia era asmática, éramos já apenas 40, e estávamos a ficar sem mantimentos após termos devorado em conjunto o último Manifesto. Fiquei desde aí com o cargo de Provedor-Geral da Revolução Cristóvana, e tal cargo me fez muito orgulhoso durante várias semanas, até ter descoberto que era apenas o cozinheiro do grupo.
Como a situação se tornava gradualmente insustentável, e os homens lidavam agora com o grupo de mercenários contratados pela CIA, que havia negociado com Batistério Fulgaz a nossa aniquilação em troca da cedência aos EUA do monopólio sobre os sumos de laranja, resolvemos entregar-nos ao inimigo.
Qual não foi o meu espanto quando a Guardia nos disse, após nos interrogarem com a ajuda de cilícios e cnutes, que o Ditador Fulgaz nos queria ver. Conduziram-nos aos pontapés por toda La Villa Nueva até à sede do Partido Único, que também era o Palácio do Governo de Cristóvia, casa de Fulgaz e dos seus 13 irmãos, 2 esposas e 26 concubinas. O Ministério da Educação, o edifício coberto por ouro maciço ao lado do Palácio do Governo, era o lar dos seus 60 filhos.
Enquanto nos sentenciava uma leve pena de 145 anos de prisão, e pena de morte por esfolamento ao nosso líder Pablo, reparei que ainda tinha no meu bolso, que não tinha sido revistado pela Guardia visto que estes apenas tinham descoberto no nosso arsenal 3 fisgas em más condições e uma raquete e achava que éramos um bando de desprezíveis ratos, uma pequena granada-de-bolso soviética. Pertencera a um carregamento que os camaradas sovietes nos tinham enviado, mas que viera em tão mau estado que causara a morte a 6 camaradas quando estes se lembraram de abrir as caixas de munições para as AK-47. E assim, sem pensar duas vezes, atirei a granada para cima da secretária de Fulgaz, e esperei pelo resultado. O Ditador, desesperado, resolve atirá-la para o outro quarto, onde os seus sobrinhos faziam uma rave party com vodka altamente alcoolizado.
Metade do Palácio explodiu. No rebuliço, o Ditador Fulgaz ordenou o ataque das suas tropas, mas com a confusão estas ouviram as coordenadas erradas e atacaram o acampamento dos mercenários da CIA, fazendo-os desistir. Os Generais decidiram assassinar Fulgaz devido ao facto de estes ainda não os ter promovido a Generalíssimos, e entraram em conflito imediato com o patronato, que fabricava as armas do exército.
Em duas semanas, a oposição capitalista tinha-se aniquilado, tal como dizia o Manifesto do Camarada Marx. Encontrei o nosso amado líder agachado atrás de um balcão de mercearia, numa inteligente política de "aguardo pelo decorrer da situação". Quando as coisas se acalmaram, levei-o a tremelicar pela rua cheia de buracos das bombas até ao Palácio do Governo e "sentei-o no poder", à espera das suas ordens para o início do regime marxista-leninista.
Como estava lívido e altivo o nosso Mestre! Com a sua sábia mão, acalmou os nossos espíritos, e disse: "O Povo ainda não está preparado para os benefícios do marxismo-leninismo. Ele deverá aguardar!" E depois disso, autoproclamou-se Monarca Absoluto da Ilha.
Eu ainda sou o Provedor-Geral da Revolução! Junta-te a nós meu irmão, vamos apoiar o Movimento de Monarquia Absoluta Provisória enquanto não chega a Primavera Socialista!
Hasta La Victoria!
terça-feira, 3 de junho de 2008
os melhores vídeos
O Homem Por Detrás da Máscara 01 from Não Alinhados on Vimeo.
Os Conselhos que Vos Deixo 04 from Não Alinhados on Vimeo.
estudem aquilo que puderem...
domingo, 1 de junho de 2008
amo-te woody
Do outro lado falavam-me em francês, e foi muito estranho, pois estávamos em Paris.
Perguntou-me se podia falar comigo, era uma voz de mulher. Eu perguntei-lhe quem ela era, e ela disse-me que tal relação se relaciona consigo mesma e tem de ser constituída a si própria. Eu compreendi logicamente que ela estava a citar Kirkegaard, e combinei encontrar-me com ela no "DuBois de Paris", algures em Paris. Nessa altura estava com a renda atrasada em quase dois meses, e com a guerra prestes a assolar a Europa, isso era considerado algo sobejamente negativo. Tinha negociado com o senhorio pagar a a minha renda com textos meus, que ele poderia editar em qualquer jornal da cidade como sendo dele. Acabou por não me dar nenhuma resposta em concreto, além de me ter partido o nariz em 3 sítios diferentes nesse exacto instante, por isso fiquei à espera da sua anuência.
Como em todos os meus encontros com mulheres, levava comigo um livro de Dostoievski, na esperança de conseguir o mítico sexo fácil que o autor proporcionou a todos os intelectuais do mundo.
Ela estava sentada na esplanada, bebericando uma cerveja alemã, magra e cabelo curto, (ela, não a cerveja) muito branca e usando um vestido negro comprido (isto sim, a cerveja). "Olá. podemos realmente conhecer o significado da vida?" era uma pergunta exasperante. "Relaxa miúda" Já é tão difícil perceber o que o Siza Vieira fez na baixa do Porto, quanto mais toda uma pergunta universal? Pedi-lhe para ir mais devagar comigo, e ela resolveu mostrar-me um seio, o que teria sido agradável não estivéssemos nós numa cidade prestes a ser invadida pelo exército nazi.
"Que merda é esta? Se eu soubesse que tinha sido para isto que me tinham convidado, teria ficado em casa"
- E que farias tu em casa? Mais alguma teoria? Mais alguma mentira?
- A que te referes?
- Tu sabes. A tua teoria.O envolvimento do banco federal na morte de Deus. A relação impetuosa de David Hume com o seu guarda-chuva, e todo relativismo daí associado. O meu nome é Marguerite.
Não podia acreditar no que ouvia. Ela falava sobre trabalhos que eu não tinha ainda publicado. Perguntei-lhe o que ela queria de mim, e se me podia pagar o café, visto que o empregado estava especado desde o início da conversa à espera que nós fizéssemos o nosso pedido.
"Quero que partas para África comigo" as raparigas de Paris são sempre as que tem mais sardas, e isso dá-lhes um poder perceptivo inimaginável.
"Eu sou só um rapaz de Direita português," disse-lhe, "o máximo que posso fazer é cantar uns faditos e discutir Kafka". E ela esbofeteou-me depois de eu mencionar Kafka, escondendo finalmente o seio. Tomei aquilo com um sinal, e fui com ela para África. Aterrámos em Timbuctu, também conhecida por Vila Pouca de Aguiar, e dormimos juntos lá. Durante três semanas viajámos numa característica caravana de comerciantes tunisinos, e durante esse tempo eu tocava todos os dias na minha guitarra, para os homens que viajavam connosco uma cantiga que havia aprendido nos meus tempos de amores de estudante, chamada Amores de Estudante, até que chegando ao fim das três semanas os tunisinos cansaram-se e levaram-me atrás de uma tenda e tentaram fazer-me engolir a viola, enquanto juravam que até à 6º geração não voltariam a ouvir fados estudantis. Felizmente fui salvo por uma tempestade de areia que causou 7 baixas, duas delas sendo camelos.
"A realidade têm necessidade de essência, sendo que esta é um pouco mais pequena que a que Hobbes descreveu" disse-me ela.
- Que se foda isso, Marge, as pessoas estão a morrer, porque me levaste para aqui?
- Eu tenho de saber...
- Hobbes era um idiota, que ficou depressivo quando descobriu que não era São Lucas.
- Mas se Descartes diz que"penso logo existo" e isto não passa de...
-Sim, tal como disse Allen, não passa de um aforismo para "Eh! Vem aí a Edna com um saxofone", mas tudo isto está a ficar muito semelhante ao livro dele!
Marguerite desistiu de tudo nesse instante. Fugiu do acampamento e refugiou-se algures em Cáceres, Estremadura Espanhola. Eu apanhei o avião mais rápido para sair daquele local, e esse desespero saiu-me caro. Esqueci-me de averiguar sobe o verdadeiro paradeiro de Marguerite, e o primeiro avião que saia de Timbuctu era curiosamente um que fazia escala em Nova Gales do Sul, Austrália.
Quis dizer-lhe que o ser (Ser) independente de definições teleológicas de existir (Existir) estava separado dessa necessidade (Necessidade), que tal relação (Relação) não se auto-constrói, exige tempo (Tempo) e quem sabe tomates (Tomates). Mas ela fugiu.
Mais tarde descobri que se tinha reservado à devassidão moral, e só acasalava com homens chamados Hernando, e morreu a dançar o fox strot durante a visita oficial do príncipe das Astúrias a um parque temático.
Fomos uma geração queimada. Marguerite morreu com pés cansados e uma dívida de 70 francos a uns tipos da FedEx por causa de um piano.Todas as noites sonho que um tigre verde, com o nome Marguerite tatuado nas espátulas, me assalta duranto o sono e devora-me os genitais, o que me estraga a noite.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
domingo, 25 de maio de 2008
terrorismo blogosférico
http://sociedadededebates.blogspot.com/
é aconselhável ir dar uma visitinha e ver do que se trata e quem são os meliantes chatos que fazem isto.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
domingo, 18 de maio de 2008
take me out
A verdadeira razão de toda esta conversa, prende-se com um facto que me deixou muito babado, que está ligado a um bebé muito pequenino, talvez muito pretensioso, a um projecto muito jovem e cheio de esperanças. Sempre que eu vejo que esse bebé é comentado, fico irracionalmente feliz.
E isso aconteceu num blogue de um "amigo" nosso, de um comentador usual desse bebé-blogue, o Há Discussão. Segundo ele, autor de um bom blogue, colega de uma faculdade mais a Sul, na antiga capital do Império, o nosso blogue é uma visita aconselhada, algo a ter em conta. Eu noto nisto um pequeno crescimento, mas um primeiro passo válido. Espero muito que este projecto se mantenha. Acho que é uma mais valia nossa, uma dádiva à faculdade, aos nossos colegas, a nós próprios.
Passo a citar: "um blogue de estudantes da Faculdade de Direito do Porto que aborda variados temas, tendo-se sobretudo focado em questões políticas, em posts escritos com elevada qualidade (em termos de Língua Portuguesa e do próprio conteúdo). É um precioso fórum de discussão. Aconselho vivamente!" é mesmo!
Como cheguei mais cedo a casa do que estava a pensar, e vou passar um sábado à noite miserável, resolvi fazer uma pequena selecção de textos deste blogue, que eu penso ser uma ajuda aos que recentemente o descobriram e ainda não lhe deram devida atenção. Aproveito assim a tal data de visitas que tenho recebido, antes que o fluxo se esgote.
o lado fixe da cimeira : primeiro texto sério e composto de todo o blogue, e como resposta a esse texto, o seguinte, do Francisco Noronha.
a questão africana: talvez o remate desta discussão, a última palavra da minha parte acerca dela.
entre florença e roterdão: mais um texto meu (que favoritismo) mas para aplacar a cena, com menção ao texto do Henrique Maio, outro colaborador do blogue. Vale a pena ver toda a discussão que se fez à volta de Erasmus e Maquiavel, com as participações tanto do Francisco Noronha como da Daniela, se não me engano, participantes desta tertúlia filosófica.
democrático ou anti-democrático: primeiro texto da Daniela, sobre a nova lei sobre os Partidos Políticos.
Sarkozy, o génio político: texto do Henrique Maio sobre Sarkozy. (é difícil linkar as respostas em texto do Francisco, visto não terem título, mas é de considerar também, claro.
entre acção e o resultado: resposta minha à polémica "Sarkozy-Bruni"
e outro sol no novo horizonte: o melhor texto que eu creio ter feito em toda a minha vida.
era uma travessa de SNS: texto da Sara Morgado, poucas intervenções, muitos comentários.
europa: a crise da esquerda: texto meu, com interessa a posterior resposta do Noronha.
reminiscências: um óptimo texto do Francisco Noronha, aquando de um renascimento da temática do aborto.
sobre o aborto: a minha resposta.
coincidências: o mais comentado.
quem é a oposição?: meu texto.
e está assim, curtamente elaborada, um resumo do que temos vindo a fazer este ano, realizado num momento de pura "no-life" minha.
sábado, 17 de maio de 2008
bellum omnium contra omnes(ou O Manifesto dos Dentes Cariados)
De certa forma, ergueram-se as forças vivas contra mim de uma forma pouco habitual, porque eu sou um rapaz pacato, e todo o tipo de sarilhada barata que me possam arranjar dispenso. Gosto de sarilho caro, e sinceramente malhar em algo como a praxe pode fazer muita gente feliz, muita gente furiosa, mas é muito pequeno, muito básico para mim.
Devo assumir assim a total e completa culpa no rebuliço que causei, com todas as honras daí subjacentes, e explicá-lo. Tanto pró-praxistas como anti-praxistas indignaram-se contra os meus argumentos, à excepção talvez da Daniela, essa jóia de rapariga, que espero eu um dia case comigo e crie assim os futuros reis de Portugal. Tanto antis como prós indignaram-se com as minhas palavras de suposto ódio radical, como se eu me tivesse tornado de repente um revolucionário, num novo Miguel Sousa Tavares.
Notei, com tal força que não tinha notado até agora, que na minha Faculdade de Direito há uma enorme necessidade em manter o pó rasteirinho, há uma enorme necessidade de deixar as coisas como estão, mesmo que estejam sujas. Ia fazer uma piada muito óbvia com o edifício da associação de estudantes, mas é demasiado fácil, demasiado básico, mais uma vez.
A discussão à volta da Praxe não é nova. Não inaugurei nada de novo. No entanto, penso ter tido alguns privilégios de exclusividade no que toca à abordagem do assunto.
O que está escrito está escrito, o texto é definitivamente meu. Não quero no entanto que se torne num manifesto anti-praxe, nem muito menos quero-o adaptado por algum movimento anti. Reflecte antes de mais duas linhas de pensamento minhas: a primeira parte do texto, a "que começa bem", sobre aquilo que eu penso que é uma praxe, ou o que devia ser. A segunda, "a que acaba mal", sobre aquilo que eu identifico como a forma como a praxe da Faculdade da Rua dos Bragas agiu. Tenho a certeza que farpalhei em todos, e generalizei imenso, e magoei inclusivamente pessoas que não mereciam ser atingidas, rectificando, que não se deviam sentir atingidas, mas que infelizmente no fogo cruzado e por causa da natureza do assunto em questão se viram enrodilhadas e confundidas com os criticados em questão. Compreendo perfeitamente, mas isto é a blogosfera, e coisas assim saem todos os dias.
Os gregos tinham um dito que um homem de sucesso deve saber quando parar. Parar para ver os erros cometidos. O único erro que cometi até agora foi não ter criticado com igual dureza os órgãos que estão fora da praxe, e que contaminam a faculdade. Que são muitos.
Resta-nos muito pouco a não ser respeitar a praxe, e agora parto pela posição moderada. Tal como afirmei anteriormente, eu só piso os calos quando mos pisam também. E mesmo aí, hesito.
Não guardo nenhum ódio e ressentimento à praxe, pelas razões óbvias: não é saudável odiar por tudo e por nada, e porque é uma organização estudantil. A Praxe nasce de uma vontade, e essa é a vontade dos estudantes. E essa vontade é sagrada, pelo menos no limite da faculdade. Esta foi uma mensagem endereçada aos anti.
Por muito que essa vontade seja perpretada, em certos casos para não generalizar, por pessoas cheias de si, pessoas demasiado orgulhosas cuja pedagogia nem sempre é a mais correcta, ou quase nunca, é um assunto totalmente diferente. Isto já é endereçado aos prós. Eu falo da praxe porque já lá estive. Logo, tenho um mínimo tendencialmente razoável para falar dela. O que não invalida que quem nunca lá tenha andado não fale dela! Temo no entanto que fale dela por ser um esquisitinho, ou um anti-praxe declarado, alguém que se torna um paladino dos pressupostos dos lugar-comuns. EU tomo a seguinte mentalidade em relação à praxiture: Experimentei? Sim, claro. Não gostei. E agora? Agora sigo o meu caminho, que a praxe a mim, mal não me faz (por várias razões: sei kung-fu, judo e trago sempre comigo uma moca de Reguengos com picos)
E muito menos, me parece fazer mal aos outros. Os que lá andam parecem bem contentes e alegres com o que fazem, se calhar bem mais do que eu.
Agora, o que não me posso abster é de reagir quando sinto que afinal, a praxe pode estar mesmo a fazer-me mal. Ou à minha faculdade. Ou às pessoas que eu estimo, que algumas delas lá andam, e por causa delas escrevi este último esclarecimento. E foi isso que aconteceu no dia do Cortejo. Esse dia, a fonte de todas as críticas que eu aqui assinalei, foi a meu ver Vergonhoso. Mas tragicamente Vergonhoso, não é um Vergonhoso qualquer, foi um embaraço enorme.
Foi talvez o culminar do meu raciocínio perante esta organização, perante o espírito deste grupo. Para mim, isto não é praxe. A Praxe nasce de uma tradição natural, e foi tornada de forma puramente positivista numa instituição. E essa instituição não representa interesses comuns, mas sim privados e sectaristas. Logo, a forma de agir para com ela é deixá-la no seu cantinho, na sua paz, na sua actividade. Não podemos esperar nada dela para connosco. O seu único dever é para com ela própria, e foi assim que escolheu ser, e ninguém pode ter nada contra isto, é uma escolha. E é isso que eu digo ao meu amigo Francisco, à Daniela, aos outros "anti". A Praxe, ou os que se arrogam falar em nome dela, que têm toda a legitimidade para tal, visto que mais ninguém se oferece para o fazer por enquanto, não é académica, não é aberta. Abre-se quando muito bem entende. E isso meus caros, é legítimo. E eu só voltarei a falar quando se abrir na altura que não deve. Quanto às razões da minha saída, Noronha, lamento ter parecido um bebé chorão, mas sinceramente te digo que saí porque estava na altura de tal. Eu sei que tu achas imensa confusão a uma posição que não passe pelo total desagravo pela praxe, mas acredita que eu a tenho assim formada, e acho que de certa forma os nossos pontos de vista acabam por nem divergir muito, ao fim ao cabo. Mas isso ver-se-à mais tarde.
Para finalizar, queria ressalvar duas intervenções, para além das que muito apreciei e agradeci: a do Ary e a da Daniela.
O Ary foi moderado, sim, conservador como ele disse, mas sereno. E parece muito mais acostumado à conversa de blogues que muitas das pessoas que simplesmente deixaram a tampa saltar. E não penso, ao contrário do que se disse, que foste incipiente. Sensato, talvez um pouco irritantemente neutral, mas incipiente é muito exagerado.
A Daniela, porque defendeu os seus pontos de vista fortemente, de forma bem estudada, simples e directa.
Contando que tudo esteja bem exposto, frisando que isto não é um pedido de desculpa, mas um simples argumento, um pouco extenso, de que o que está escrito não é pura escrita destrutiva, termino assim o texto. Todos os pontos me parecem devidamente elucidados, e a minha posição muito clara. Não considero a Praxe, nem esta nem a da maioria da UP, uma legítima sucessora da de Coimbra. O seu próprio carácter forçado retira-lhe esse direito.
Não considero a Praxe isenta de julgamento. Apesar de tudo, é algo que levará sempre o nome da FDUP, e enquanto estudante da FDUP, é do meu alto interesse ver o nome da minha faculdade bem representado. Logo julgo, logo critico. E podem vir pavonear toda a sua libido de traje, que eu nem ligo. O que mais preciso é de material para escrever.
Podem chamar a Praxe de fascista, machista, elitista. Eu nem concordo muito. A mim basta-me considerar o seguinte: eu escolhi reger-me por regras que eu possa escolher, que me pareçam racionais, que não me imponham obstáculos de escolha, não por achar esses obstáculos idiotas, por muito que alguns o sejam, mas porque simplesmente sou assim. Eles escolheram outra via. E fica por aí.
Muito obrigado pela leitura.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
excomungatio
antes de mais, para todos os que vão ler e comentar, a resposta que deixei ao Hugo, que bem se pode ver nos primeiros posts deste blogue, mas que tive de contextualizar para este caso.
aqui vai:
Hugo, (neste caso geralizado, irados elementos praxistas)
não encontras no texto nenhum dos clichés normais.
nem sequer me aproximei do fascismo, porque acho um argumento pouco correcto, de todo a praxe é possível de definir como fascista, a meu ver.
1º não tens de discutir praxe com quem lá não está.
2º não tens de discutir praxe com quem nada dela percebe, mas este é o meu blogue, e eu escrevo o que eu quero, nem tem de ser o que eu penso! mas o que eu quero. e mais, duvido que aja por aí muita gente a dizer que "percebe" o que é a praxe. eu só disse que a entendi. é um meio sinonimo.
3º eu não deixo de respeitar ninguém. limito-me a classificar formas de agir. se amanhã eu vir que a praxe fez algo extraordinariamente bom e útil e alvo de admiração, eu escrevo com todos os adjectivos. no entanto, pelo que eu vi, principalmente na cerimónia, tenho de despejar todos estes adjectivos e mais uns sinónimos.
4º não sinto orgulho em chamar os outros de idiotas, mas às vezes é preciso fazê-lo.
5º no entanto, não te chamei de idiota
6º conheço a praxe dos outros sítios sim, inclusivamente muito bem a praxe de medicina, de letras e direito de Coimbra. tenho familiares praxísticos, e eles não são idiotas,penso. logo não generalizo nem as praxes em geral de idiotas, nem muito menos os elementos da praxe da faculdade de direito.
7º resumindo Hugo: não generalizei, não usei lugares-comuns baratos, não empurrei o nome de alguém na lama, pelo menos injustificadamente, nem sequer me comprometi com um posição anti-praxe. tanto porque não estou para compromissos, como não estou para cenas anti, é muito fatela.
8º passa a ler os meus textos com a mesma atenção que lês os comentários da Maria João, caso queiras comentar justamente, claro.
9º reafirmo algo, que é o seguinte. este é o meu espaço inter pessoal, na blogosfera. ou seja, eu escrevo o que quero, não tem de ser o que penso, mas o que quero. logo escrevo, nem que seja para praticar a escrita.
10º e último. contando como aviso aos elementos praxísticos, que virão ler e reclamar e tentar fazer-me a folha:
10.1 - eu sei kung fu
10.2 - eu sei judo
10.3 - eu trago comigo todos os dias uma moca de Barcelos muito grande
e por último do último, e mais importante:
leiam isto talvez como um aviso daquilo que pensam de vocês lá fora, não como apenas uma gabarolice contra vocês, nada tenho contra vocês. só quando me pisarem os calos, eu pisarei os vossos. pelo menos tento.
Leiam isto, como um protesto da falta de representação que vocês deviam dar, não da vossa praxe, mas da vossa Casa.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
de ratio praxis
Eu tenho orgulho dos momentos que lá passei, e não me arrependo deles ou sequer me proponho trocar de recordações. Conheci duas das pessoas por quem tenho mais apreço naquela praxe, e muitas outras com quem me dou bem. Acima de tudo, nutro por muitos dos meus antigos camaradas de praxe uma confiança difícil de abalar.
Por muito que seja difícil compreender estes pontos de vista, por muito irracional que pareça privilegiar uma amizade nascida na pura e voluntária adversidade, há certas explicações que podemos usar. A praxe não é um fenómeno inquestionável, nem inexplicável. Não é um elemento de fé. Acontece, é um laço humano. O seu problema, a pedra base que lhe falta, o fundamento ideológico que estraga todo a quadro desta pintura pretensiosamente espartana e árdua, é uma completa falta de noção de tradição que realmente exista, que realmente se justifique. A praxe da faculdade de Direito é uma criação recente, inspirada numa inspiração do que terá sido porventura a praxe de Coimbra.
Licurgo disse que as leis duras unem os Homens. Quanto mais severo for o regime de um estado, quanto mais estóico e exigente, simples e despido de complexidades, mais fortes são os homens.
Daí Licurgo ter criado uma das sociedades mais características da História, a sociedade espartana. É bastante óbvio que é um fenómeno destes que une o elemento praxístico. É a dureza das suas leis, a facilidade com que se criam situações em que a nosso dever é olhar pelo colega do lado, é atravessar tudo junto.
Este é talvez o objectivo mais nobre de toda a praxe, senão o único. Ou seria, não fosse a causa porque se faz isto mesquinha e trivial, na maioria dos casos.
Pedem-nos para sofrer, para aguentar os insultos e as ofensas, para nos unirmos forçadamente ao companheiro do lado, com apenas um fim. O de poder fazer o mesmo para o ano que vem.
Mas isso é somente uma escolha, algo irrisório, que infelizmente se revelará no carácter dos futuros praxistas.
Arrependo-me de ter saído da praxe a uma semana do fim, por muito que já lá não pusesse os pés há mas de 4 ou 6 semanas. Arrependo-me porque se soubesse teria saído no último dia, antes de atravessar a tribuna. Não me considero anti-praxe, mas tenho agora graves e sérios problemas com a praxe da minha faculdade. A cena representada no cortejo, em que os representantes da praxe da faculdade de direito deixam passar os finalistas sem qualquer tipo de companhia, sem qualquer amostra de solidariedade, mostra muito bem o que serão ou já são a nova geração de praxistas desta Escola de Direito. Uns idiotas egoístas.
Um pequeno bando de idiotas egoístas que resolveu galardoa-se a si próprio com um traje que não respeitam, com ideais demasiado nobres e incompreensíveis para os seus propósitos mesquinhos de gastrópode. Uma bacoquice de todo o tamanho, para resumir.
O traje é algo tão académico, e algo tão pessoal, que devia ser proibido aos idiotas legalistas usá-lo, porque impor leis nalgo estudantil, é como impor um limite máximo no consumo de álcool durante a queima, um limite no número de vezes que se diz "despedida" nos fados académicos, um limite nas vezes que um estudante de direito diz "merda" e "a doutrina diverge". As leis fazem-se para os Homens, não são os Homens que se moldam para caber dentro delas, se bem que certos membros da praxe cabem incompreensivelmente dentro dos trajes, anafados como estão das suas manias sebosas.
Eu mereço o meu traje. Não por o ter feito debaixo das vossas regras, mas porque provei a mim próprio que sei viver com elas, que são as infelizes leis do mundo, que vocês tanto gostam de representar. O que me difere é o facto de as querer mudar. Porque é isso que eu não tenho de igual para com a praxe. Eu não me altero, eu altero aquilo que me rodeia, pelo meu simples agir de ser humano, de cidadão. A verdadeira praxe não cria uma barreira de prerrogativas e leis obtusas e velhas, antes constrói uma muralha de homens, de universitários, uma muralha que se considera igual não pelas cores da roupa mas pela vontade de se superarem pelo mérito e pela agudeza de espírito, sem corromper ou humilhar a dignidade do camarada de estudos, de vida, de tristezas, de fados. Uma praxe distingue-se pelo exercício do intelecto dos seus. Nunca pelo simples arrotar de doutrinas e lenga-lengas patetas. Não são os abraços de bêbado, os momentos calorosos de traje amarrotado que vos tornam, caloiros do mundo, finalmente iguais e superiores, capazes de ser considerados gente entre os outros Pares da Praxe!
É antes o que vocês fazem durante todo o ano, o respeito que mostram para com os vossos verdadeiros iguais, que são todos os que lá andam, desde o sr.Ferreira da portaria, até ao Conselho Científico da Faculdade.
Querem igualdade, democracia? Querem sentido de presença, de pertença, de fraternidade? Comecem com a vossa família, e façam dos vossos novos companheiros uma família.
Após tanto tempo na praxe, pude finalmente sair convencido que aprendera o que ela era. Percebi a essência, e se essa essência não entrou em mim foi por uma simples razão.
Se me mantive ignorante perante os ensinamentos da praxe, digo com todo o orgulho que sim, pois não aceito nenhuma das vossas leis.
A questão está de todo este assunto está no respeito que a Praxe poderá dar à Faculdade, visto que esta tem sido representada com honras por pessoas que resolveram viver em harmonia com a muy amada liberdade académica.

