I've been a puppet, a pauper, a pirate,
A poet, a pawn and a king.
I've been up and down and over and out
And I know one thing:
Each time I find myself, flat on my face,
I pick myself up and get back in the race.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Momentos Sinatra
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Ode ao Marasmo
"Recentemente, um familiar de visita em Nova Iorque alertou- -me para outro exemplo desta rigidez. Em Portugal, as mulheres costumam ter filhos com espaços de alguns anos. Nos EUA é normal ter vários filhos de seguida. Em Portugal, a mulher sabe que por se afastar da carreira por tempo prolongado arriscando perder o trabalho pode acabar no desemprego durante anos. Nos EUA, muitas mulheres retiram-se do mercado de trabalho durante quatro ou cinco anos para terem filhos e passarem os primeiros anos com eles, sabendo que têm a opção de reingressar facilmente no mercado de trabalho mais tarde."
domingo, 16 de agosto de 2009
Conhecer Woodstock (III)
Vejo Woodstock como um resumo dos anos sessenta, dos soalheiros golden sixties. Resumo e remate, note-se. O final de uma década que se curvava sobre si própria, a rápido e constrangedor ritmo.Corria o ano de 1969 quando, a uma centena de quilómetros de Nova Iorque, sob a organização de Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld, se juntaram cento e oitenta mil espectadores pagantes – número que rapidamente subir para meio milhão, após o derrube da vedação. Nos três dias de festival actuaram trinta e duas bandas, do melhor que à época se fazia, como The Who, Janis Joplin, Joe Cocker, Carlos Santana, Jimi Hendrix, Neil Young, etc. Como grandes ausências registam-se os Led Zeppelin e Frank Zappa (ambos por terem digressões em curso); os Doors (Morrison, em paranóia, acreditava que o assassinariam, caso aceitasse o convite); e os Beatles (já expliquei o porquê na entrada anterior).
Importa, sem mais delongas, analisar o fundo cultural do evento – o movimento hippie. Ora, em 1969 o movimento em questão era um esboço do que havia sido, maculada a sua inocência em inúmeros e escabrosos episódios ao longo da década: perdeu o amor nas ruas de São Francisco, em centenas de violações e overdoses; perdeu a paz em Charles Manson, o assassino em série hippie.
Enfim, as comunidades pacificas e auto-suficientes que surgiram um pouco por toda a América perderam a quietude e os membros separaram-se – estavam a crescer, afinal e, a acompanhar o crescimento, surgia a percepção da impossibilidade de viver do nada.
Do esquisso da contracultura sobrava só o ideal anti-guerra. A consciência política, ou pelo menos a revolta pela acção militar americana no Vietname, esteve bem presente em Woodstock – veja-se, por exemplo, a actuação de Country Joe Mcdonald´s.
Inesperadamente, o festival decorreu sem problemas de maior, aparte um comunicado da assistência médica que alertava para o perigo do consumo de um “ácido castanho” – ora, já ninguém se recordava da cor do que havia consumido. Registaram-se apenas duas mortes – um atropelamento e uma overdose.
A cobertura jornalista da altura foi extremamente deficitária, afinal, ninguém poderia imaginar o que dali adviria.
Resulta frustrante o exercício teórico de tentar recriar Woodstock no presente – pela qualidade inferior da música, indiscutivelmente, e das pessoas, possivelmente.
Entre música, irreverência, ideais inexequíveis na sua ingenuidade, activismo político, contestação da guerra, excessos, felicidade, e lama; no meio desta amálgama de signos escorreu uma década em três dias – num inenarrável e apoteótico final.
Conhecer Woodstock (II)
Conhecer Woodstock
sábado, 15 de agosto de 2009
O Homem do Século XX
muito provavelmente o Pedro Jacob vai passar o fim-de-semana na sua extensa propriedade na Baviera, e eu vou mesmo passar o meu no palácio dos meus primos, em Xanadu.
Assim sendo, e porque os outros dois autores escrevem regularmente em outros blogue s e raramente neste, será difícil fazer os updates de posts e comentários. Assim sendo, tenham lá um pouco de paciência.
Já agora - sabem qual é música perfeita de um bom leitor Odisseia?
é esta. vejam o porquê na letra. é a nossa cara.
This is the age of machinery,
A mechanical nightmare,
The wonderful world of technology,
Napalm hydrogen bombs biological warfare,
This is the twentieth century,
But too much aggravation
Its the age of insanity,
What has become of the green pleasant fields of jerusalem.
Aint got no ambition, Im just disillusioned
Im a twentieth century man but I dont wanna be here.
My mama said she cant understand me
She cant see my motivation
Just give me some security,
Im a paranoid schizoid product of the twentieth century.
You keep all your smart modern writers
Give me William Shakespeare
You keep all your smart modern painters
Ill take Rembrandt, Titian, Da Vinci and Gainsborough,
Girl we gotta get out of here
We gotta find a solution
Im a twentieth century man but I dont want to die here.
I was born in a welfare state
Ruled by bureaucracy
Controlled by civil servants
And people dressed in grey
Got no privacy got no liberty
Cos the twentieth century people
Took it all away from me.
Dont wanna get myself shot down
By some trigger happy policeman,
Gotta keep a hold on my sanity
Im a twentieth century man but I dont wanna die here.
My mama says she cant understand me
She cant see my motivation
Aint got no security,
Im a twentieth century man but I dont wanna be here.
This is the twentieth century
But too much aggravation
This is the edge of insanity
Im a twentieth century man but I dont wanna be here.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Capitalismo Inteligente e Capitalismo Burro

Há, de facto, jogos de bastidores que são relevantes e muitas vezes facílimos de notar e denunciar (e para tal, existe a comunicação social).
No entanto, os capitalistas, e especialmente os grandes capitalistas, costumam, na grande parte das vezes, ser pessoas muito pouco inteligentes.
E são pessoas muito pouco inteligentes porque não conseguem ver sequer o quanto lhes custa o dinheiro que têm nem conseguem pensar para além da fase em que o adquirem.
Leia-se o que Ricardo Arroja escreve neste post. O grande capitalista, como é burro, e especialmente se for um capitalista português, vai investir num país onde o Estado de Direito é inexistente (logo, não há uma lei que lhe assegure os benefícios do seu trabalho/investimento), dominado por uma classe de dirigentes e uma elite política sem qualquer tipo de cultura ou moral, sem qualquer tipo de humanismo. Estou a falar de Angola, essa enorme nação barbarizada pelos senhores da guerra, pela introsão imperialista soviética e americana na sua política interna, pelo patrocínio das social-democracias nórdicas a uma economia viciada e, agora, pela influência chinesa.
O capitalista português que investe em Angola é, além de um idiota, um homem burro.
A insegurança dos seus rendimentos em Angola, a enorme roleta russa em que se tornam as nações neo-capitalistas (as que não são apoiadas por um Estado de Direito que impere sob as acções humanas no mercado) e a confusão de normas, hierarquias e burocracia, deviam funcionar como repelente. Em vez disso, atraídos pelo ofuscante ouro negro e pelos lascivos diamantes, partem os ricos-homens da república portuguesa, tantos deles homens da Polis, com o seu dinheiro e heranças, correndo esbanja-las nas inseguras praças de África.
Como o mercado é uma instituição humana e natural, tão natural como a Mãe Natureza, e quem se mete com a Mãe Natureza, leva - e enquanto liberal vos digo, caros leitores - o mais provável e certo é ocorrer tal reviravolta, na política angolana, mais cedo ou mais tarde, que faça com que todos estes príncipes e condes da nossa república percam toda a sua fortuna. Aí sim, verão que o mercado, por muito que brinquem com ele, morde-lhes no final.
Por isso os angolanos que enriquecem, aqueles que estão enfiados na engrenagem do Partido, preferem gerir o seu dinheiro na estável Europa. Aqui haverá menos diamantes (muito menos), mas há a segurança do Estado de Direito. Eles sabem-no bem, e melhor que os nossos.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Luís Rainha - a expressão aristocrata da Esquerda
Mas faço-o com admiração. Gosto mesmo de Luís Rainha. Escreve bem, faz pensar, é difícil refutar o que diz, mas lá vou chegando, usando o meu parco saber.
O LR sofre, no entanto, do complexo do progressista aristocrata. Toda a esquerda dita "intelectual" sofre também disso, hoje em dia. Toda, direi melhor, não. Mas a grande parte.
LR chama de "abrótea" o duque de Bragança.
O Nuno Castelo-Branco, com quem eu escrevo no Estado Sentido, prova-lhe que a "abrótea" fez coisas importantes:
"1. Em 1974, avisava quanto à forma escabrosa como a “descolonização” ia ser feita.
2. Durante anos foi o único a fazer algo em prol de Timor (com o PC, diga-se…), quando o idiota Sampaio e outros diziam ser o território …”uma ilha indonésia”.
3. Quando estes animais “negociaram” a adesão à famigerada CEE, alertou quanto aos tratados que destruiriam a agricultura, pescas e indústria.
4. Desde sempre o ouvi falar da destruição do património, desordenamento territorial, especulação desenfreada, consumismo exacerbado do “crédito fácil”, preconceitos quanto às escolhas particulares de cada um, etc, etc.
5. Jamais constou estar encafifado em poucas vergonhas bolsistas como um certo “cavalheiro” que sendo Doutourado em Finanças, teve o desplante de comprar acções não colocadas em Bolsa e ao fim de um ano ter achado “normal” empochar uma mais valia de 124%. É esta a ética da república de m…
6. Tem razão o Luís Rainha em apenas um ponto: o homem não é um político, um demagogo de discurso fácil. O que importa é a decência e o que isso significa. E ele encarna-a e muito bem.*"
Para o Luís, basta-lhe "conhecer a personagem". Poupem o Luís a argumentos.
pois é. vejo isto todos os dias na minha faculdade, nas minhas tertúlias, nas pessoas que considero amigas e que me entristecem com todo este aristocracismo.
Poupem-nos à razão. Isso é coisa de "abróteas".
sobre a Despesa Pública: Mitos e Lendas
Mas, mesmo que não se concorde com estas conclusões, uma, a mais minimalista, é inegável: a de que a despesa pública não foi factor de crescimento nos países da UE27.
É que estamos muito longe do tempo de Keynes, onde o nível da despesa pública nalguns países andaria pelos 10% do PIB.
Pelo que a medida Keynesiana a adoptar seria a da diminuição dos impostos e nunca cair no mito do aumento da despesa.
por a. pinho cardão no Novas Políticas
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Ainda a Acção Militante
Acção Militante versus Eduardo Correia
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Ética a Nicómano
Façamos um esclarecimento prévio: o Conselho em questão, aprovado pela Assembleia da República a 30 de Janeiro de 1990, “é um órgão consultivo independente que funciona junto da Assembleia da República e que tem por missão analisar os problemas éticos suscitados pelos progressos científicos nos domínios da biologia, da medicina ou da saúde em geral e das ciências da vida” (pelo artigo 2º do seu regime jurídico). Como tal, tem por objectivo emitir pareceres sobre problemas emergentes relacionados com a bioética, apresentar à Assembleia da República um relatório anual sobre as mesmas questões, difundir a informação pela população, representar o Estado no estrangeiro, etc.
Em 1 de Junho deste ano entrou em vigor nova lei que alterou a composição do Conselho – este passará a contar com 17 conselheiros (actualmente existem 20). Revogações à parte, importa saber que existem conselheiros nomeados pela Assembleia, pelo Conselho de Ministros e por outras entidades (Ordem dos Médicos e Ordem dos Advogados, por exemplo). Ora, João Lobo Antunes foi nomeado pelo Governo. Sabe-se, também, que colocou algumas reservas em relação ao testamento vital num certo parecer, contrariando a “posição oficial PS”. Assim sendo, não são de desprezar as suspeitas de represália política, pois, assim não fosse, o que justificaria o afastamento de um dos maiores neurocirurgiões portugueses, reputado, até, internacionalmente?
Novo golpe palaciano do PS, a brincadeira das nomeações políticas que transforma o país num enorme lodaçal e, desta feita, fragilizou não só a credibilidade do Governo, mas também a credibilidade do Conselho Nacional de Ética. Este sairá, sem sombra de dúvida, diminuído, privado como foi, de forma torpe, de uma das maiores mentes nacionais.
(este texto foi, também, publicado no Estado Sentido)
domingo, 9 de agosto de 2009
It Was You, Charley...
Terry: "Charley, it was you, you remember that night down in the garden you came in my dressing room and said kid, this ain't your night... we're goin' for the price on Wilson, you remember that? This ain't your night? My night, I could've taken Wilson apart... so what happens? He gets a title shot outdoors in a ballpark, what do I get? a one way ticket to palookaville. You was my brother Charley, you should've looked out for me a little bit. You should've taken care of me a little bit so I wouldn't have to take them dives for the short end money..."
Charley: "I had some bets down for ya, you saw some money.."
Terry: "You don't understand I could've had class, I coulda been a contender, I could've been somebody... instead of a bum which is what I am, let's face it............ It was you, Charley."
(Desabafo de Terry, ex-pugilista arruinado pela máfia, em On The Waterfront – Há Lodo no Cais)
sábado, 8 de agosto de 2009
Votar? Para quê?
Henrique Raposo no Expresso
Seguindo essa fórmula, os partidos fixaram-se na tal 'justiça social', e acabaram por esquecer a justiça propriamente dita. O Estado de Direito, um elemento absolutamente político, foi abandonado pelos políticos e ficou entregue às corporações de magistrados. Até parece que existiu um pacto secreto algures em 1976: os partidos colonizaram o Estado Social, e, em troca, permitiram que as corporações da justiça colonizassem o Estado de Direito; o sistema judicial passou a ser a coutada exclusiva dos magistrados, enquanto que o Orçamento Geral do Estado passou a ser o condomínio fechado dos partidos. Nesta atroz divisão de tarefas reside o problema da nossa justiça. Durante três décadas, os magistrados viveram em completa impunidade corporativa e, por isso, nunca foram forçados - pelo poder executivo e legislativo - a adaptarem-se às necessidades de uma economia moderna. Hoje, a nossa economia tem de lutar no mundo global de 2009, mas é torpedeada por uma justiça que parou algures no Portugal de 1970.
Na campanha eleitoral em curso, a obesidade do Estado Social e o raquitismo do Estado de Direito já são visíveis. Nenhum partido apresenta a reforma da justiça como alta prioridade, mas todos falam na excelsa 'justiça social'. Votar num regime sem Estado de Direito serve para quê? Para legitimar o saque do Estado pelos partidos? Para proteger a impunidade dos magistrados?
Odisseia para os pequeninos
Democracia é ter dois lobos e uma ovelha a discutir o que comer para o almoço.
Liberdade é o direito de a ovelha não ser comida, mesmo que os dois lobos votem em harmonia para que tal efeito se dê.
Democracia Liberal é incluir na ementa uma bela couvinha.
Assim, as maiorias governamentais não podem afectar a liberdade individual das minorias "vegetarianas". Nunca. Por uma questão de princípio.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
O Partido Mais Português de Portugal
Divisão até ao fim nas listas de Manuela Ferreira Leite no PSD
Guerra no PSD. Manuela Ferreira Leite contra a máquina partidária
PSD/Lisboa acusa Ferreira Leite fez listas para colocar os amigos
“Estranho povo este, que não se governa, nem se deixa governar…”
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Da Arte e da sujidade Urbana
A Arte exige maturação enquanto arrazoado polissémico. Ora, que polissemia podemos deslindar num tag, ou seja, numa assinatura estilizada?Há quem adore esta infâmia dos graffitis e dos stencils, essa brincadeira de “borrar” a parede dos outros com a sua “arte”. Em certos grupos e segundo alguma cartilha, isto é uma manifestação moderna de Arte.
Quanta brutalidade! Que idiotas! Que entendimento fazem eles da Arte?
Pois sendo a Arte a mais humana das coisas, sendo a sua criação a mais nobre das actividades do Homem, como se pode prender a Arte a algo tão criminoso como prejudicar a criação do Homem?
Explico-me – a Arte nasce do esforço criativo e do mérito individual do seu criador.
A Arte é vista pelos outros, mas isso não a torna sua propriedade. A Arte pertence a quem a criou, às suas custas e segundo a sua zelosa dedicação. Onde haverá Humanidade em manifestar a Arte de alguém ao estropiar outra forma de Arte, como a beleza de um monumento nacional, ou o fruto do trabalho meritório de outro Homem, como a parede de sua casa? Que direito há na passagem de uma mensagem, quando o faço às custas de outro?
É a sociedade Moderna, dizem. Será a Sociedade Moderna uma sociedade de cobardes e ladrões, onde se faz e vive como um parasita, às custas da individualidade de outro?
É então, a nossa, uma Sociedade moderna, sem dúvida. Uma Sociedade de celerados, glutões que pretendem imbuir os restantes cidadãos no seu frémito tribal e alienador.
Recuso-me a aceitar este rabisco, estas mensagens, o grotesco. A minha cidade já é suja que chegue para que estes indivíduos, achando-se a vanguarda artística, ou a vanguarda dos costumes, venham empolar ainda mais a sua decadência.
Se são viciados em adrenalina e gostam de quebrar as regras básicas do convívio e harmonia social, não são artistas;
Se gostam de assinar as vossas alcunhas, isso não vos faz artistas;
Se gostam de escrever mensagens curtas – usem o Twitter.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Círculo Oitavo - Os Fraudulentos
Sete anos de prisão efectiva e o pagamento de uma indemnização de quase meio milhão de euros por fraude fiscal, abuso de poder e corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais, foi a pena aplicada pelo Tribunal de Sintra ao ex-ministro e autarca, Isaltino Morais.É interessante a corrupção política em Portugal, dístico da nossa latinidade, pois então! Uma latinidade, por ventura, mais voltada para a América Latina, onde jogadas de bastidores colocam jugo sobre os interesses dos cidadãos, onde política e corrupção estabelecem uma relação de simbiose, sendo aquela o substrato desta.
Seja então, Isaltino, herdeiro de uma predisposição genética que o impede de discernir claramente que é errado aceitar terrenos, a título pessoal, em Cabo-Verde aquando da celebração de contratos com a Câmara de Oeiras, e que não deverá depositar dinheiro em paraísos fiscais. Assim sendo, o homem é um pobre coitado que não consegue distinguir o Bem do Mal (um misantropo, como diria certo filósofo versado em Kant e campeão de ciclismo)
Mais, afirma Isaltino que a juíza responsável pelo caso “não fez prova das acusações”, tendo, até, admitido a fragilidade dos factos. Sendo verdade, atrevo-me a dizer que estamos perante um fenómeno jurídico-místico – uma magistrada condenou um indivíduo sem fazer prova, ou seja, porque lhe apeteceu, assim mesmo, um julgamento sumário porque naquele dia não chegou a tempo do menu do seu agrado no restaurante habitual. Interessante Ovo de Colombo...
Sejamos sinceros, pouca gente acredita de daqui advirá uma condenação efectiva, afinal, vivemos no país dos recursos milagrosos (veja-se Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Ferreira Torres). Ao contrário dos Estados Unidos, aqui recorre-se mesmo não havendo factos novos, recorre-se porque a pele de um político é valiosa e movimenta muito dinheiro, recorre-se ao mesmo tempo que se pressiona os tribunais com o estigma do “bode expiatório”, recorre-se, em última análise, com a certeza de que a decisão da instância superior, chegada tarde e a más horas, será mais favorável. Por estas razões Bernard Madoff não recorreu nos EUA e, certamente, recorreria em Portugal.
O caso adquire contornos grotescos com o anúncio da recandidatura de Isaltino à Câmara de Oeiras. Julgo que há muito que está ultrapassado, provavelmente nunca tenha existido, o paradigma do político virtuoso, conhecedor dos seus defeitos e admitindo sempre os seus vícios numa postura séria e transparente. Enfim, utopias e artefactos da memória.
Legalmente, não existe qualquer entrave à sua candidatura, porém, um imperativo de respeito para com todos os oeirenses e consigo próprio, deveria bastar e guiar a sua consciência ética para bem longe destes palcos. Na volta, estamos perante alguém com graves lacunas de formação ética que o impedem de ter vergonha e lhe sulcam o rosto de prepotência, inflamando a sua sede de poder.
A presunção de inocência não deveria ser brandida como arma do mau carácter.
O Mal em Lautreámont
Isidore Ducasse (Conde de Lautreámont), Os Cantos de Maldoror
Bill, o Negociador
Após a intervenção de Bill Clinton, Kin Jong II concedeu um indulto às duas jornalistas norte-americanas condenadas a doze anos de trabalhos forçados.terça-feira, 4 de agosto de 2009
"Não se mete a carne toda no assador.
O melhor café é o do Odisseia!
Por cá, homérica paragem de abastecimento náutico, não Ulisseia, cidade mais suja que marmórea, encontram armazéns de insondável valor – ouro em grão, dizem vários. Fizemos de armazenistas nosso ofício, comerciantes de café, invictos no lucro e na arte de bem servir. O melhor café é o do Odisseia, pois claro! Café em grão, café torrado, moído, aromático, descafeinado, até café que não é café e sim rooibos. A melhor maquinaria e os funcionários mais dedicados garantem uma qualidade ímpar. Que o diga a diminuta concorrência, meus caros!Uma vida entregue ao trabalho – é grave o preço do império, façam crer no que dizemos. Só assim explicamos a prodigalidade que abunda na família. Dois dissipadores surgiram no seu seio, usurários de muitas promessas e pouco empenho, vigaristas que nos levaram em engodo fácil a ingénuos. Pela bondade que lhos tolhe o coração, continuamos a sustentar a sua preguiça de matrona.
Enfim, assentemos que o Odisseia continua rentável e constante – mesmo que esporádicos fogos-fátuos surjam com grande fulgor, não se iludam, pois a brevidade acompanha-os. Como tal, despedimo-nos com a garantia da qualidade e aroma únicos do nosso café, o melhor café, o Odisseia!
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Academia de Verão (é reservado o direito de admissão)

- É que tu és um homem esperto, Trasímaco – disse eu. – Pois sabias perfeitamente que, se perguntasses a alguém quantos são doze, e, ao fazer a pergunta, prevenisses: “Vê lá, homem, não me digas que são duas vezes seus, nem que são quatro vezes três, nem seis vezes dois, nem três vezes quatro; que eu não aceito tais banalidades” – creio que se tornaria evidente para ti que ninguém daria a resposta a uma pergunta assim formulada. Mas se a essa resposta te dissesse: “Ó Trasímaco, que estás a dizer? Que não posso responder a nada do que disseste? És espantoso! Ainda que se dê o caso de a resposta ser uma dessas, terei de afirmar outra coisa diferente da verdade? Ou não é isso que queres dizer?”. Que responderias a isto?
Platão, A República
domingo, 2 de agosto de 2009
Sermão de domingo - ERC e a Democracia
No entanto, esta maturação social a que todos nós nos sujeitámos, maturação essa feita em conjunto, no seio das nossas instituições políticas e não-políticas, torna-nos capazes de reagir em prol da nossa Democracia.
Por isso, julgo não ser abusivo apelar a todos os leitores deste espaço, que não serão muitos mas serão suficientes para passar a mensagem, que se unam além das clivagens partidárias e ideológicas, para a defesa conjunta das nossas liberdades democráticas.
Não toleraremos neste espaço a Infantilização Contínua da população portuguesa. Essa infantilização é feita por medidas de pretensa igualitarização, de pretensa nivelação ideológica, que tolhem a iniciativa dos meios de comunicação e a independência destes para com os órgãos estaduais.
Não basta termo-nos livrado do Partido Único e da Cartilha Salazarista para nos crermos democratas. Não basta termo-nos libertado da Censura. O Estado e todo o seu peso burocrático, bem como a intentona geral de engenharia social por parte de alguns escrupulosos "democratas" ainda pesam sobre a nossa liberdade de ler e escrever, de publicar e editar.
Falo da ERC e da sua recente directiva.
Nenhum jornal deve ter em atenção a propagação de uma ideologia ou de um programa político que não defenda. As colunas devem incluir os conteúdos que os colunistas a seu bel-prazer pretendem, estando estes inteirados da sua responsabilidade de jornalistas e escritores.
A Regulação da Comunicação Social é uma farsa, é um órgão de transformação da sociedade num sonho totalitário de um Mundo Novo e Admirável.
A maturidade da sociedade democrática depende única e exclusivamente da escolha de conteúdos, escolha essa feita de forma livre de coerção de particulares e, mais importante, por parte do Estado. A Democracia exige o Fim da ERC.
sábado, 1 de agosto de 2009
Proposta Indecente
O convite mais badalado da cena política rola desgovernado, arrastando Bloco e PS num sem fim de acusações de tráfico de influências e desmentidos de família alva caída em desgraça.Dizia Louçã, tenebroso na expressão, que o PS havia convidado Joana Amaral Dias para integrar as listas das próximas eleições. A mesma menina malvada que o líder do Bloco, em frémito estalinista, perdão, trotskista, excluiu, não vai muito tempo, da mesa nacional do partido, tentando apagar as provas da sua existência. Ao que consta, Joana Amaral Dias realmente existe – existe, não esteve num Gulag, e agora dá tremendo jeito ao Bloco.
O PS apressou-se a negar o invocado e exigiu um pedido de desculpas pela nódoa em toalha de linho.
O caso marinou em constrangedor silêncio até que a "de cujos" decidiu clarificá-lo. Diz, então, ter recebido um convite de Paulo Campos (Secretário de Estado as Obras Públicas). Assim sendo, sorri o iracundo Louçã e cora (tem corado ad nauseam) José Sócrates.
Um caso pitoresco, sem dúvida, digno da plácida silly season e atestado do desnorte governamental. Senão vejamos: temos um Governo que sonda uma potencial aliada – tentativa de granjear votos ao socialismo de miscelânea do Bloco – e não tem a coragem de o admitir. Um Governo que cai no erro de mentir descaradamente e oferece o botão vermelho de implosão à convidada, um executivo que não assume a consequência dos seus actos, é um rabisco político, um arrazoado de depravação moral que dirige o país com uma tábua de valores maleável!
Devemos sentir-nos vexados quando assistimos a tais demonstrações de perfídia intelectual – principalmente quando provindas de um órgão de soberania. Não me revejo, nem o poderia fazer, num Chefe de Governo que falta sistematicamente à verdade, distorce factos e remata tudo com exigência de um pedido de desculpas sentido.
Considero a falta de previdência de Paulo Campos não antevendo que, duas jogadas à frente, o Bloco poria em xeque o PS com a facilidade e candura da criança que joga pela primeira vez, inadmissível.
Estamos perante, como se constatou no caso Manuel Pinho ou BPP, um problema de falta de comunicação que, num lento crepitar, consome o Governo e o seu aparelho partidário.
No fim, rui a torre de marfim, cresce o silvado e regressa a bruxa má.












