segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Um Pouco de Blues

John Lee Hooker ensina-nos It Serves Me Right To Suffer:


Bach Fidelista






Zéfiro sopra com mais ternura sobre Cuba. São ventos de mudança. Desta feita, depois de algumas séries norte-americanas e televisores sul-coreanos, chegou a vez de Bach. Mas não se iludam, é um Bach socialista, ateu, e com tempero do Caribe!

Para as Torres de Marfim



O Odisseia não podia ficar indiferente ao XXIII congresso do CDS, como tal delinearemos brevíssimas, mas justas, considerações. A eloquência de Paulo Portas, goste-se ou não, é ponto assente, e, neste congresso, pudemos vê-lo num dos seus melhores registos. O CDS apresentou uma proposta sólida, de ruptura com o passado mais recente, feito de coligações e pouco acerto. Portas manifestou o desejo de firmar o partido numa direita estável, uma direita de referência que, de facto, faz falta. Em dois discursos (abertura e encerramento) soltou algumas farpas dignas de nota: “um imposto de 35 por cento não é um imposto, é esbulho”; a propósito da extrema-esquerda, apelou ao bom senso dos portugueses, pois “em toda a parte onde exerceram o poder, mataram a liberdade e espalharam a miséria”; "contra os socialistas marchar marchar".
Considerações político-partidárias à parte, a frase de encerramento é, particularmente, inspirada e inspiradora: “Vamos estudar, vamos trabalhar, vamos ouvir e vamos contagiar os outros”.

domingo, 18 de janeiro de 2009

a odisseia

"E ao domingo, fomos junto com umas montanhas, as quais estão sobre a cidade de Calecute. E chegámo-nos tanto a elas até que o piloto que levávamos as conheceu, e nos disse que aquela era a terra onde nós desejávamos de ir."
Álvaro Velho

onde nós desejávamos de ir


sábado, 17 de janeiro de 2009

eu tenho um amigo que me ama...

Eu de facto falo muito no socialismo e nessas coisas todas. E isso aborrece, ou simplesmente chateia, muita gente. E eu reconheço que é estupidez minha. É verdade que o PS tem uma componente intervencionista na sociedade, mas isso também é preciso.
O Estado tem os seus deveres para com o cidadão, e haver pessoas como eu que só sabem confundir esse dever com paternalismo totalitário é a típica portuguesice que eu tantas vezes condeno. Não considero mais o Partido Socialista da forma que tenho considerado. Nem os mais colectivistas, nem os mais estatistas, nem sequer os mais socialistas.
É sério. Desculpa Jacob. Não posso mais combater esta evidência.

Já agora...
Viram esta notícia no Público?
Ainda não me rendi totalmente, e o Estado já está a regular a quantidade de sal no meu pão! Mãe, já não preciso mais de ti!
Pai, esquece a mesada e os avisos para manter as costas direitas!
Alguém me ama, e esse alguém é o Partido Socialista!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Decifrando Daniel Oliveira, por Carlos Guimarães Pinto


"- Quando assim não pode ser justificado (caso de crianças pequenas), responsabilizar o Hamas por cada morte, já que usarão os civis (numa das regiões mais densamente povoadas do Mundo) como escudo humano. Desresponsabilizar, mais uma vez, Israel por qualquer consequência dos seus actos.

O Hamas só utiliza escolas e hospitais como instalações militares porque Gaza é tão sobrepovoada que não há espaço para as construir noutro lado. No fundo não é o Hamas que utiliza escolas e hospitais como instalações militares, eles são tão bonzinhos e amigos da população que permitem que as instalações militares sejam utilizadas como escolas e hospitais."

via Insurgente

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Arrastados


Daniel Oliveira ficou apreensivo com as declarações do patriarca de Lisboa, há uns dias atrás:




Para Daniel Oliveira, isto é uma prova de como a Igreja Católica, que nunca fez nada pelos direitos das mulheres,,não se sabe manter no seu lugar. Daniel Oliveira sempre soube o lugar devido para os outros. Para os comentadores do seu blogue, estas declarações de D. José Policarpo repugnam ao ponto do nojo e da fúria anti-clerical, incutidas que estão de ódio racial, religioso, e condicionamento à liberdade sexual das jovens cujos amores são aconselhados a acautelarem-se.
A tendência típica de alguns sectores da nossa sociedade é a de diabolizar a igreja pelas suas acções passadas, quaisquer que elas tenham sido, e exigir como paga de todos os pecados cometidos em nome de Deus o completo silêncio destas comunidades religiosas, especialmente a católica. Ainda me lembro do escarcéu que se levantou, há mais de um ano atrás, no Almanaque FDUP, quando eu resolvi discordar com a opinião dominante, que achava ridículo considerar um líder de uma comunidade religiosa como um elemento de confiança da vida social dos portugueses. A tacanhez comum, desde sempre semeada pelos meios universitários, influenciada por este ultra-centralismo dirigista, que nega qualquer tipo de “auctoritas” local tradicional, especialmente de órgãos religiosos, foi-me nesse momento vislumbrada em todo o seu esplendor pela primeira vez.
Para senhores como Daniel Oliveira, e para partidos como o Bloco de Esquerda, a Igreja e as instituições por ela defendidas são alvos a abater. E enquanto isso não se faz, procura-se diminuí-la, e exigir a sua neutralidade como penitência.
O que faz com que, sempre que um representante da Igreja Católica venha a público debater sobre assuntos delicados, a mesma tropa fandanga esteja preparada para lhe cair em cima.
Qualquer conteúdo racista ou fanático nas palavras do Patriarca, se as há, ainda estou para que mo provem. O que eu vejo é um sério conselho às mulheres europeias, sobre as diferenças culturais entre os dois povos. O único mal que eu vejo no texto é só se ter mencionado as jovens europeias de formação cristã. Conheço jovens europeias, de formação ateia, que também sentiriam muita diferença caso passassem a viver num país muçulmano.
A luta por este tipo de multiculturalismo parece desculpar as sharias e as mutilações, e sistematicamente confundir a Igreja com a Inquisição, e até com o IIIº Reich (a maior prova possível de ignorância histórica, mas que tantas vezes eu já ouvi dizer por pessoas inteligentes), quando o fenómeno do Santo Ofício, se bem que terrível, era comum na sua forma e conteúdo tanto no Mundo Católico como no Protestante (alguém já ouviu falar dos famosos casos da caça às bruxas na Nova Inglaterra?) e o IIIº Reich não bebia nenhuma da sua “espiritualidade” no catolicismo nem no cristianismo em geral.
O anti-clericalismo, em Portugal, é uma crença infantil, criada desde os tempos dos “afrancesados”, e incendiada nos nossos períodos mais conturbados, como nos tempos da Iº República. É também uma amostra da quão retardada vai a nossa democracia por estes jacobinismos caducos, que apelam a uma “tolerância do respeitinho” e não reconhecem que muitas das liberdades tão consideradas por nós se confundem com a filosofia cristã europeia, tão própria das culturas ocidentais.

O Calote



“Nesta casa não se vende fiado!”. É compreensível a exasperação russa após a Ucrânia ter desviado mais de 65 milhões de metros cúbicos de gás natural da pipeline que atravessa o país. Mais clara se torna olhando a situação interna da Santa Mãe: um orçamento de Estado alicerçado no barril de petróleo a setenta dólares (o que há poucos meses representara uma previsão pessimista, note-se bem); o rublo em queda; e o famigerado plano de salvação de certas empresas, escolhidas com minúcia de ourives, por Putin. Com franqueza, o Kremlin não se pode dar ao luxo de entregar, caridosamente, gás natural à Ucrânia, por muita pena que tenha. Ora, não querendo arcar com o prejuízo, Moscovo decidiu cortar no fornecimento ao resto da Europa (graças a Deus, não estamos incluídos!) o exacto volume açambarcado por Kiev. Paga o justo pelo pecador e salva-se a Gazprom, já que a Ucrânia insiste em negar o desvio.
Para além da arte de larápio, Kiev ainda regateia! É certo que a Rússia subiu o valor a cobrar pelo fornecimento, todavia, o preço continua bem abaixo da média europeia.
Na última edição do expresso, Miguel Monjardino, apoiado no Washington Quarterly, sugere um golpe de bastidores: uma empresa obscura (RosUkrEnergo) que, actuando em solo ucraniano, garante biliões de euros pela “porta do cavalo” aos dois Estados; a desavença surgiria, então, das partilhas.
Talvez seja um pouco temerário avançar uma teoria deste quilate. Quanto a mim, prefiro interrogar-me sobre a validade de uma mudança estratégica do gasoduto.

domingo, 11 de janeiro de 2009

i find a new way, baby

Ulysses - Franz Ferdinand

My Ulysses, My Ulysses
No, bet you are now, boy
So sinister, so sinister
Last night was wild
What’s a matter there, feeling kinda anxious?
That heart that grew cold
Yeah everyone, everybody knows it
Yeah everyone, everybody know it
Everybody knows I

sábado, 10 de janeiro de 2009

Comunicado Governamental (leitura aconselhada)

O Exmo. Sr. Primeiro-Ministro José Sócrates, o Ministro do Ambiente e o Ministro das Finanças vêm, através dos meios disponibilizados pelo Café Odisseia, priveligiado orgão de comunicação social, apelar ao sentimento patriótico dos portugueses para contribuirem com as medidas a seguir apresentadas por este Executivo, para contornar a crise financeira que o país atravessa, provocadas por este nevão inesperado, que veio frustrar o crescimento imparável da nossa economia:
1- Apelamos aos portugueses que recolham a casa a horas razoáveis, para desimpedir as estradas. Esta medida vem no seguimento de uma política de protecção da natalidade encetada por este governo, que se deparou ultimamente que a população tem vindo a ganhar preferência em dar à luz em ambulâncias a caminho das maternidades do litoral ou do país vizinho.
2- Pede-se às instituições de poder local que organizem acções de busca casa a casa à procura de ambientalistas e/ou qualquer tipo de activista que conheça o patife do Minuto Verde das manhãs da RTP1. Depois de arrancarem à base de tortura violenta informações sobre o paradeiro deste último, o governo sugere execução sumária para os malfeitores.
3- A partir de agora os manuais escolares não mencionarão mais o Aquecimento Global, mas antes o Arrefecimento Global, e como o Maravilhoso Primeiro-Ministro nos salvou da crise Glaciar.
4- O Governo pede às autoridades competentes que monotorizem a vida de todos os partidários do Bloco de Esquerda e da Juventude Socialista, caso se ouça alguém dizer que estes fenómenos também se devem ao aquecimento global. As autoridades devem, nesse caso, mostrar dados de que já nevara no Porto e Litoral em 1987, e em outras alturas durante o presente milénio. Caso eles insistam em falar nas emissões de CO2, deve-se apontar uma obra ou duas de verdadeiros climatólogos, como Marcel Leroux. Depois disso, aconselha-se às autoridades a providenciar medidas punitivas, consistentes em sopapos no rabiosque dos mesmos, enquanto os obrigam a soletrar a palavra "G-L-A-C-I-A-R".
5- Todas as sedes de movimentos ambientalistas deverão ser queimadas para aquecer as nossas ruas congeladas. E também, para sádico divertimento dos autores do Café Odisseia, a Sede do Partido Comunista em Fafe.
6- O Governo declara que daqui em diante todas as derrotas do SLBenfica têm uma desculpa, o prticular dano que o nevão provocou à estabilidade moral da equipa, e declara-o desde já campeão nacional 2008/09 e 2009/10, bem como lhe atribui as duas Supertaças e uma Taça UEFA, cujo pagamento será previsto no orçamento do próximo ano, e pago já neste.
7- Prevê-se que a economia portuguesa estagnará no ano que vem. Pode parecer surpresa, mas o Governo tinha, de facto, planeada uma operação surpresa para contrabalançar a nossa balança comercial, ao preparar a exportação em massa de 50 toneladas de fatos de banho para os países europeus do Norte, que será abortada devido ao arrefecimento do Continente europeu. A Autoridade da Competição já enviou um comunicado ao Vaticano a queixar-se do claro favorecimento que São Pedro está a dar aos países frios.
8 - Por último, o Governo pede aos orgãos municipais que providenciem tendas para acolher os sem-abrigo, como já se tem feito nas grandes cidades do país. Ao contrário do que propõe o editorial do Café Odisseia, não se deverá usar edifícios públicos, devido à manifesta vontade dos nossos autarcas em mantê-los limpinhos para as campanhas de reeleição. Os quartéis estão fora de questão, pois seria criminoso colocar a nossa tropa em contacto com cidadãos menos higienizados.
O Governo da República confia que cada cidadão desempenhará exemplarmente as suas funções e obrigações para com a comunidade.
Devido ao mau tempo, as comunicações directas com membros do Governo estarão impedidas, pelo que se aconselha aos portugueses que todos os pedidos e requisitos sejam mandados para o seguinte endereço:
Calle de lo Pueblo, 310, San Juan, Porto Rico

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Discurso de Tocqueville na Assembleia Constituinte Francesa, 12/07 de 1848

Texto retirado do Ordem Livre, disponível na íntegra aqui.
"O texto a seguir reproduz o discurso de Alexis de Tocqueville na Assembléia Constituinte francesa em 12 de setembro de 1848. Os socialistas da época defendiam o direito ao trabalho, e que o governo deveria implementar políticas que criassem empregos assalariados para todos. Apesar de parecer lugar comum para os nossos dias, as idéias socialistas eram novidade na França de Tocqueville, e foram denunciadas por ele por ser contrárias aos ideais democráticos da república francesa. Mesmo prematura, a crítica de Tocqueville atinge o alvo dos problemas morais e políticos do socialismo."
Há uma coisa que me choca mais do que qualquer outra. É que o Antigo Regime, que sem dúvida diferia em muitos aspectos do sistema de governo que os socialistas reivindicam (e precisamos compreender isso), estava, em sua filosofia política, muito mais próximo do socialismo do que se pensa. Muito mais próximo do que estamos hoje. Na verdade, o Antigo Regime assegurava que somente o Estado era sábio e que os cidadãos são seres fracos e debilitados que devem ser eternamente guiados pela mão para que não se machuquem. Afirmava que era necessário obstruir, conter e restringir a liberdade individual; que, para assegurar a abundância dos bens materiais, era imperativo organizar a indústria e impedir a livre competição. Sob esse aspecto, o Antigo Regime propunha as mesmas coisas que os socialistas de hoje.
Foi a Revolução Francesa que negou isso.
Cavalheiros, o que foi isso que quebrou as correntes que, de todos os lados, impediam a livre movimentação dos homens, dos bens e das idéias? O que restabeleceu a individualidade do homem, que é a sua verdadeira grandeza? A Revolução Francesa! [ Aprovação e clamor ] Foi a Revolução Francesa que aboliu todos esses obstáculos, que arrebentou as correntes que vocês trariam de volta sob um novo nome. E não foram apenas os membros dessa assembléia imortal – a Assembléia Constituinte, a assembléia que fundou a liberdade, não apenas na França, mas em todo o mundo – que rejeitaram as idéias do Antigo Regime. Foram os homens eminentes de todas as assembléias que a seguiram!
E após essa grande revolução, o resultado será aquela sociedade que os socialistas nos oferecem, uma sociedade formal, organizada, fechada, onde o Estado é responsável por tudo, onde o indivíduo não conta, onde a comunidade acumula todo o poder, toda a vida, onde o fim designado para um homem é apenas o seu bem estar material – essa sociedade em que o próprio ar sufoca e em que a luz mal consegue penetrar? Foi para essa sociedade de trabalhadores incansáveis, antes animais capacitados do que homens livres e civilizados, que a Revolução Francesa aconteceu? Foi por isso que tantos homens morreram no campo de batalha, na forca, que tanto sangue nobre molhou a terra? Foi por isso que tantas paixões foram inflamadas, que tanta inteligência, tanta virtude andou por essa terra?
Não! Eu juro pelos homens que morreram por essa grande causa! Não foi por isso que morreram. Foi por algo muito maior, mais sagrado, que merecia mais dedicação, deles e da humanidade. [“Excelente.”] Se ela aconteceu apenas para criarmos um sistema como esse, a Revolução foi um desperdício terrível. Um Antigo Regime aperfeiçoado teria servido adequadamente. [Clamor prolongado.]
Mencionei agora há pouco que o socialismo fingia ser a continuação legítima da democracia. Não pesquisei pessoalmente, como alguns de meus colegas fizeram, pela etimologia real dessa palavra, a democracia. Não vou revirar o jardim das raízes gregas, como foi feito ontem, para procurar a origem dessa palavra. [Risos.] Procuro pela democracia onde eu a vi, viva, ativa, triunfante, no único país da terra onde ela existe e no único lugar onde ela possivelmente poderia ter-se estabelecido com estabilidade no mundo moderno – na América. [Sussurros.]
Lá se encontra uma sociedade na qual as condições sociais são ainda mais iguais do que entre nós; em que a ordem social, os costumes, as leis, são todas democráticas; onde todos os tipos de pessoas entraram e onde cada indivíduo ainda possui uma completa independência, mais liberdade do que se tem notícia em qualquer outro lugar ou tempo; um país essencialmente democrático, as únicas repúblicas completamente democráticas que o mundo já conheceu. E nessas repúblicas procurar-se-á em vão o socialismo. Não apenas as teorias socialistas não cativaram a opinião pública, como possuem um papel tão insignificante na vida intelectual e política dessa grande nação que não se poderia nem ao menos dizer que as pessoas as temem.
Os Estados Unidos são, hoje, o único país no mundo onde a democracia é completamente soberana. Além disso, é o país onde as idéias socialistas, as quais os senhores presumem estar de acordo com a democracia, tiveram menor influência, o país onde aqueles que apóiam as causas socialistas estão, por certo, um uma posição de desvantagem. Eu, pessoalmente, não acharia inconveniente, se fossem para lá propagar sua filosofia, mas para seu próprio bem, eu não os aconselharia. [Risos]
Um deputado: As mercadorias deles estão sendo vendidas agora.
Cidadão de Tocqueville: Não, cavalheiro. A democracia e o socialismo não são conceitos interdependentes. Eles não são apenas diferentes, mas filosofias opostas. A democracia expande a esfera da independência pessoal; o socialismo a confina.É compatível com a democracia instituir um governo intrometido, superabrangente e restritivo, desde que ele tenha sido escolhido pela população e aja em nome do povo? Será que o resultado não seria a tirania, sob o disfarce de um governo legítimo que, ao se apropriar dessa legitimidade asseguraria para si o poder e a onipotência que de outra forma lhe faltaria? A democracia valoriza o que o homem tem de melhor; o socialismo faz de cada homem um agente, um instrumento, um número. A democracia e o socialismo só possuem uma coisa em comum – a igualdade. Mas percebam bem a diferença. A democracia visa a igualdade através da liberdade. O socialismo busca a igualdade pela força e a servidão. [ “Excelente, exc

Do Poder Local e a Soberania Popular

"É contudo na comuna que reside a força dos povos livres. As instituições comunais são para a liberdade o que as escolas primárias são para a ciência; põem-na ao alcance do povo; fazem-no saborear o seu uso pacífico e habituam-no a servir-se delas. Sem instituições comunais uma nação pode dar-se um governo livre, mas não tem o espírito da liberdade.Paixões passageiras, interesses de um momento, o acaso das circunstâncias, podem dar-lhe as formas exteriores da independência; mas o despotismo recalcado no interior do corpo social reaparece cedo ou tarde à superfície."

Tocqueville, Da Democracia na América.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A Educação de Kafka

"Toda a educação assenta nestes dois princípios: primeiro repelir o assalto fogoso das crianças ignorantes à verdade e depois iniciar as crianças humilhadas na mentira, de modo insensível e progressivo"

Franz Kafka

no blogue do Henrique Maio, O Mundo Histericamente Perfeito.

Shine

Acabei de ver Shine (1996). E como não podia deixar de ser, estou numa demanda viciosa para descobir a banda sonora e cenas do filme.
Quem nunca ouviu falar de Rachmaninoff, o compositor mais badalado do filme, terá uma bela surpresa. É puramente russo.



Aconselha-se vivamente o filme.

Sociedade da Incerteza


Nesta sociedade de risco ou da incerteza, onde permanecemos incautos cidadãos, “o medo vai ter tudo”. Deixemos que Alexandre O’Neill nos elucide:

Poema pouco original do medo

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Reflexões Sobre Liberdade Individual e Saúde Pública


Sendo um bem jurídico constitucionalmente tutelado, a saúde pública é alvo de restrições a direitos, liberdades e garantias, e em caso de conflito de direitos fundamentais, deve-se sempre procurar a solução no quadro de unidade da Constituição.

Deve haver concordância entre as normas de diferentes dimensões nos âmbitos a actuar, para que os serviços públicos possam actuar de forma idónea e esclarecida.
A ideia da preservação da Constituição, na maior medida possível, está aqui exposta, e por isso é necessário que definições como “saúde pública” e “saúde individual” sejam preservadas na proporcionalidade e na proibição do excesso.

Para conseguir essa preservação temos de proceder, sem dúvida, a uma atenta separação das responsabilidades dos indivíduos e do Estado.

Da mesma maneira que o cidadão exige do Estado serviços públicos de saúde que o beneficiem ou se abstenham de o prejudicar, também o Estado tem o dever de impor “ao cidadão a obrigação de, por força da sua inserção na comunidade, tudo fazer para preservar o bom estado sanitário geral, mas não lhe impõe a obrigação de se manter, a si próprio, de boa saúde.” (ver Carla Amado Gomes na sua obra "Defesa da Saúde vs. Liberdade Individual").

Nos tempos que correm é de grande importância evitar paternalismos por parte das entidades governamentais, devido ao excesso que provou ter o Estado Providência sobre as decisões e opções dos cidadãos cuja composição de interesses e escolhas são, não raras vezes, sobrepostas pelo intervencionismo que perturba assim o “ordinalismo” que Hayek menciona na sua obra “The Constitution of Liberty”, que mais não é do que o equilíbrio natural pela qual as sociedades se ordenam sem intervenção de terceiros.

Todo o conceito de “interesse comum”, assim, deve ser limitado no mínimo necessário para que este não degenere em interesses privados impostos coercivamente pelo Estado sobre indivíduos desprotegidos pela Lei.

Posto isto, podemos discorrer sobre a legitimidade do Estado em banir o fumo do cigarro de certos estabelecimentos ou até a impossibilidade das empresas tabaqueiras em promover os seus produtos. Teremos em vista a criação de meios sociais mais “limpos” e saudáveis, ou a promoção de um comportamento - padrão promovido pelo Estado para desincentivar um comportamento e uma livre - escolha por parte de um cidadão?

Retirado do meu comentário ao Acórdão 423/2008 do Tribunal Constitucional.

O Terrorismo que Mais Convém



Alguns analistas políticos interrogam-se se não seria melhor retirar o poder palestiniano do Hamas e entregá-lo à velhinha, mas não menos perigosa, Fatah. Um "passa estafeta" que nada resolve mas alimenta muitas conversas...

I've been working like a dog

Os Beatles visitam o Café para reconfortar os mais fatigados.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Petição Anti-Monopólio

Destinatário: Sr. Primeiro-ministro de Portugal, Sr. Eng. José Sócrates

Petição Por Uma Gestão Autónoma do Aeroporto Do Porto

O futuro do Aeroporto Francisco Sá Carneiro tem sido objecto de um importante debate em todo o Norte do País.

À Junta Metropolitana do Porto, que iniciou este debate, juntaram-se, entretanto, diversas associações empresariais com especial destaque para a AEP, a Associação Comercial do Porto, a A.I.Minho e a A.I.D.Aveiro.

A estas associaram-se, ainda, os principais autarcas do Norte, todos eles reclamando uma gestão autónoma do Aeroporto do Porto, com base em estudos técnicos, designadamente da Faculdade de Economia do Porto, que apontam esta infra-estrutura como decisiva para o futuro de uma região que, notoriamente, tem vindo a perder competitividade e qualidade de vida, quando comparada com o resto de Portugal.

A FAP – Federação Académica do Porto, não se mostra indiferente a esta questão, reconhecendo a importância e a necessidade da garantia da gestão autónoma do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, a fim de promover o progresso e o desenvolvimento da região Norte.

A privatização da ANA não deve, em qualquer circunstância, entregar os aeroportos portugueses a um monopólio privado que, seguramente, faria depender o futuro do Aeroporto do Porto das decisões de gestão do novo Aeroporto de Lisboa, tal vai ser o montante de investimento que essa nova infra-estrutura irá absorver.

Nesse sentido, os abaixo-assinados reclamam, junto de Vexa., a necessidade de garantir uma gestão autónoma do Aeroporto do Porto, de forma a que ela se possa subordinar apenas à racionalidade económica e não seja nunca condicionada por factores contrários ao interesse regional.

Os Peticionários

Assine a Petição

domingo, 4 de janeiro de 2009

Rádio Odisseia

Boa noite caros ouvintes, um carinho especial para todos os que vão fazer um exame de penal amanhã. Melhor, a todos os que vão fazer exame amanhã, seja Penal ou Anatomia.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Who was the most right wing? - era Hitler um político de Direita?

Paul Johnson, no Spectator
"One of the great errors of political taxonomy is to classify Hitler as right-wing. He, and still more his closest colleague, Goebbels, were socialists, and the fact they were nationalists first did not orient them more to the right. There are six indispensable hallmarks of a conservative. First, firm belief in one, beneficent and omnipotent God. Second, absolute morality as the basis of public law. Third, strict limits on the size of the state. Fourth, respect for a multiplicity of traditional power centres. Fifth, restraint and self-restraint in all things. Sixth, search for the right balance between the individual and the traditional units of society. Hitler broke all these rules: he was an atheistic pagan, a moral relativist, a totalitarian, an ultra-centralist, an uninhibited exhibitionist and a collectivist. In many ways Stalin was to the right of him. There is a seventh point. A conservative is not afraid of force, or of using it thoroughly. But always as a last resort. With Hitler it was the first. "

acabou o liberalismo selvagem

A partir de agora, vai ser Buy America nos estates.
Finalmente uma solução com pés e cabeça para a crise.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Crónicas de um Português Amargurado - Autor Convidado

Lí, na edição de Fevereiro do Jornal da UP, uma crónica publicada por Daniel Reifferscheid, na qual este autor introduzia (não que defendesse) uma teoria interessante: o cronista citado questionava-se se o patriotismo será um sentimento tanto maior quanto maior é a glória dos povos ou se, pelo contrário (ou também), será característica daqueles que parecem destinados ao fracasso, como um meio de defesa natural para que as populações consigam conviver com a sua própria nacionalidade; não com embaraço ou com um constrangedor sentimento de culpa ou inferioridade, mas com um falso orgulho, com um peito cheio e forte que esconde, na verdade, um espírito insatisfeito e talvez, envergonhado até. Calma! Antes que contestem a minha teoria e me acusem de ingenuidade, deixem-me já dizer que não concordo (totalmente) com ela: basta olha para o caso de países como a América, a Alemanha, ou a Rússia, em que o ser patriota, é uma das características mais nobres e socialmente louváveis. Realizei então uma séria e imediata actividade introspectiva buscando, no âmago dos meu ser, a verdadeira essência deste meu cego orgulho lusitano. Convenci-me (e tranquilizei-me) novamente, tal como pretendiam os manuais de história e essas tão aclamadas leituras obrigatórias, que o português é uma raça de enorme pedigree, e que marcou gloriosamente e para todo o sempre, a história da humanidade com um ousado toque de bravura e ambição que materializaram um sonho impossível e tornaram um país tão pequeno na 5ª língua mais palrada no mundo!!! Mas logo as vozes da oposição ecoaram dentro de mim, lembrando-me o quanto o Homem é capaz de se enganar a sí próprio e da sua incrível capacidade de se fazer convencer daquilo em que quer ou em que precisa de acreditar…
Normalmente o português até é o 1º a dizer mal do seu próprio país, não porque não goste dele mas porque, está cansado deste triste fado lusitano e tem vontade de ver Portugal erguer-se novamente, de ver a concretização das promessas de um 5º império, de ver chegar D.Sebastião e de finalmente ver, essa manhã de nevoeiro dissipar-se e tornar-se numa tarde de céu azul sem nuvens nem aguaceiros, prelúdio de um futuro mais próspero e risonho……….Ora vão-me desculpar: Mas eu já não acredito no regresso de D.Sebastião! Penso que se trata dum mito tão misterioso como as duas taças dos campeões ganhas pelo Benfica ou como o orgasmo feminino. O que direi asseguir vai-me fazer ser expulso do Odisseia tão depressa quanto entrei. Eu sei que um blooger tem responsabilidades sociais, pelo que deve ter um especial cuidado com o que escreve, não ferindo susceptibilidades nem incutindo sentimentos pessimistas, devendo até, trocar aquilo que acha que deve escrever por aquilo que acha que deve ser lido (pelo menos foi isto que me disse o fascista do Manel); mas aqui vai:
- Farto de ver um país atado pelos pés, assolado por injustiças e ineficiências, em que a única resposta dada por quem manda são as já bem conhecidas promessas demagógicas de um futuro melhor, e a única resposta de quem obedece é a habitual greve geral; eu pergunto-me se Afonso o 1º não devia ter estado quietinho quando se lembrou de rebelar à mãe e ao rei espanhol. Muito espanhóis invejam a nossa independência mas, muitos portugueses (acreditem!), já invejam a nacionalidade deles. Provavelmente vou ser acusado de traição e aparecerei no próximo cartaz do PNR em que serei, juntamente com as outras “ovelhas negras”, enchutado para o outro lado do Mediterrâneo, por baixo dum grande título de uma enorme sabedoria bucólica que diz “Portugal para os Portugueses”.
Já sei! Já sei, o que me dirão: Soberania à frente de prosperidade! Ou, como diria José Povinho, espumando de raiva: “ Pobres mas Honrados”! E eu concordo! Mas não deixo de sentir, num misto de inveja, admiração e profunda tristeza, um enorme desanimo ao ver o meu país agarrado à cauda da Europa, com um crescimento que chega, na melhor das hipóteses, a 1% e depois, constatar que as taxas de crescimento dos nossos vizinhos roçam os 4%! Basta atravessar a fronteira para encontrarmos mais emprego, melhores salários, melhores preços, enfim…melhor futuro… e o que explicará (além das óbvias diferenças geográficas que – vão me desculpar – não podem ser desculpa para tudo) que dois países vizinhos, igualmente periféricos e que têm, até 30 anos atrás, praticamente o mesmo ritmo de desenvolvimento, tenham tamanha diferença em qualidade de vida? Será o nosso espírito, contrariamente ao dos nostros ermanos, de tal modo negativista e triste que, nos leva a cantar o fado e a eles os leva a dançar o flamengo? (agora é que vou ter mesmo a minha cabeça a prémio). Bem, terei novamente de citar esse grande sábio de enorme profundidade filosófica: José Povinho – que rematava com uma frase do tipo: “a galinha do vizinho é sempre melhor que a nossa” – e finalizaria com um – “vai mazé trabalhar pah!”…

Francisco Cameira Matos

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

até mais logo

O Café Odisseia deseja ao leitor uma óptima passagem de ano e convida-o a uma rápida análise destes últimos meses desde a abertura do nosso lugar.
O Café Odisseia nasceu da vontade de dotar a FDUP com mais um espaço blogosférico de qualidade, onde a notícia fosse algo a ser apreciado com a melhor seriedade jornalística, onde a crónica contivesse a argúcia e a controvérsia necessárias para não cair no perverso jogo da neutralidade, onde o espaço cultural e informativo fossem agradáveis o suficiente para que o leitor passe e fique por cá uns tempos, a bebericar o seu café.
Podem-nos acusar de arrogância e sobrevalorização, e mesmo falta de humildade. É natural que o façam, dadas todas as pretensões do Odisseia desde o início deste projecto. Queremos uma opinião diferente, queremos um discurso que não passe por dizer apenas o que parece bem nem “rebelde”. Penso que o número médio de visitas que este blogo tem comprova que, em certa parte, somos bem sucedidos. O mês de Dezembro conheceu o número máximo de artigos publicados da nossa recente história, e em breve vão abrir vagas para novos autores, sendo que já há um nome em cima da mesa e em espera. Como se vê, as coisas nem estão a correr mal...

Sem mais assunto a tratar, fecha-se agora o calendário, e até para o ano,

dos sempre vossos

Odisseus.

Fariseus e Jihadistas


Israel varre Gaza em sucessivos raids de uma precisão tremenda. É necessário reflectir sobre a magnitude do problema, exige-se uma análise séria e fria, pois não estamos perante mais uma ofensiva passageira de Telavive, desta vez o assunto adquire laivos de uma seriedade susceptível de se revelar sem precedentes. Após seis meses de tréguas, constantemente violadas pelo Hamas, Israel perece ter perdido as estribeiras. A verdade é que a atitude em questão resulta do avolumar de inúmeras situações. A saber: o enraizamento dos mitos sionistas (é crença comum no médio oriente que o povo judeu pretende, veja-se tamanho disparate, dominar o mundo); o aumento exponencial do anti-semitismo, não só em terras orientais, também na Europa (aqui personificado pela ascensão de grupos de pressão nacionais-socialistas). Assim sendo, e depois de obnubilada a posição hegemónica dos Estados Unidos, não admira que o Povo Escolhido se sinta cada vez mais sozinho e desconfortável na terra do mel e do leite. E não se trata de um receio paranóide, pois a vizinhança espreita, ávida pela sua queda. Recordemos a ameaças do Irão, aliás, o principal fornecedor do Hamas, e a animosidade do Egipto e da Síria, por exemplo.
Sinal sério dos humores israelitas ocorreu em Junho deste ano, nos exercícios aéreos em larga escala, amplamente mediatizados. Contudo, desta feita, o ataque a Gaza será levado até às últimas consequências, e é inútil, senão ingénuo, pensar que a comunidade internacional terá alguma influência (como pensam tantos e tão despreocupados jornalistas). Senão vejamos: sendo Israel o ponto nevrálgico da política de segurança Norte Americana para o Médio-Oriente, contará sempre com o seu apoio, entenda-se, apoio de bastidores pois, oficialmente, como ficou patente nas declarações de Condoleezza Rice, há que repudiar o caso. Nem o divinizado Obama tomará alguma atitude. Ora, a União Europeia, por muito que ameace, pouco fará (sem o apoio dos EUA não seria nada fácil). Quanto à Rússia e China, tão apoquentadas que se encontram com a política interna, a única intervenção no conflito será, eventualmente, aliviar alguns stocks de armamento. É certo que a ONU parece determinada, no entanto, uma organização paraplégica de pouco é capaz.
Daqui resulta, que Israel nem se preocupa em dar explicações ao Ocidente. Será um ataque em três fases e o Hamas nem nas mesquitas estará seguro! A questão das mesquitas não deixa de ser interessante, e provoca com facilidade indignação. É certo que constituem templos religiosos, mas não é menos certo que sempre representaram o fórum social da cidade (daí que até para fazer a sesta sirvam); estando a ser utilizadas para pouco sacro propósico - abrigar terroristas.
Fica então a questão: quem é mais criminoso? Israel que tenta destruir uma organização terrorista? Ou uma organização terrorista que até a crianças incute a ideologia da Guerra Santa?
Do Monte de Sião sai uma sombra carregada e nós, bem, nós só estamos autorizados a assistir.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Pedagogia segundo o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas)

democracia e ética republicana à lá PS

Revelam-se sinais alarmantes na crescente decomposição moral dos partidos políticos portugueses e da nossa democracia. Sinais evidentes como os 30 Fantásticos do PSD já tinham dado o mote, mas a recente actuação do Governo socialista para com o Presidente da República na polémica questão do Estatuto dos Açores representam o completo descalabro. José Sócrates e o seu Partido Socialista são, agora oficialmente, a corja mais negligente e prejudicial ao bem do País e da Democracia.
Lidou-se com o Estatuto de todas as formas indevidas, e cometeram-se todos os erros possíveis.
Quando se devia ter procurado um acordo que harmonizasse as diferentes opiniões nacionais, dividiu-se o país ao meio entre apoiantes do PR e apoiantes do Governo e da Região Autónoma. A típica guerrilhice socialista. Importa mais o mediatismo e o conflito aberto do que o verdadeiro Bem Comum e a Concórdia. Mas, de facto, Concórdia é só para esses meninos betinhos da Direita.
Para piorar, algo tão simples e importante como um Estatuto de Região Autónoma foi transformado, pela máquina de propaganda habitual, num Grito do Ipiranga açoriano, quando na verdade o que aconteceu foi um ataque indecente à separação e interfiscalização de poderes. Agora, os cidadãos dos Açores estão muito mais vulneráveis aos caprichos partidários da região (que não são poucos). E numa partidocracia como o é o nosso regime, isso não é um sintoma, é um completo flagelo.
Escusado será falar no escarcéu que não se levantou na imprensa.
Tivessem sido o Presidente-Poeta ou o Presidente-Pai da República, e as coisas podiam ter dado mais que falar. Falava-se já num momento heróico de salvação da democracia perpetrado pelo heróico PR (qualquer um dos anteriores possíveis presidentes já eram heróicos à fartazana, quanto mais agora).
Mas nas palavras da elitissíssima Clara Ferreira Alves, o Presidente da República é só um "rapaz de Boliqueime", e "pode-se tirar o rapaz de Boliqueime, mas não Boliqueime do rapaz". Diálogos típicos da nossa qualidade jornalística e democrática. Na verdade, em Portugal, um presidente da república ligado a partidos de Direita não tem grandes hipóteses contra estes abusos típicos da oligarquia política. Se calhar nem mesmo um PR de Esquerda.
Fica registada mais uma honrosa tentativa, no entanto.
PS: Como prova do enorme espectáculo político à volta deste fenómeno, podemos ver no Expresso a seguinte frase:
Nem mais, política à lá PS é sinónimo de constante luta do bem contra o mal, qual Dragon Ball Parlamentar. E o Mal é todo aquele que se sentar do outro lado da bancada e não concordar com as ideias oficiais do Partido.

A Ler

O Capitalismo é o pior sistema, à excepção dos restantes - Caroline Baum, no Bloomberg
"Army of Regulators

One supposed nail in capitalism’s coffin is the assertion that deregulation created the problems. This is curious, given that banks, which are at the root of the credit crunch, are among the most highly regulated institutions.
“There is a small army of people overseeing the banking industry,” says Paul DeRosa, a partner at Mt. Lucas Management Corp. in New York. And yet “we’ve had a banking crisis every 15 years since 1837. The number of people devoted to regulation doesn’t seem to matter.”
Regulators from the Federal Reserve, Securities and Exchange Commission, Office of the Controller of the Currency and New York State Banking Commission are “on the premises 365 days a year,” he says.
The regulatory structure may have been antiquated and overlapping. That’s no excuse for the regulators to be caught napping.
Censuring the free market is a way of deflecting blame from the true source, according to Dan Mitchell, senior fellow at the libertarian Cato Institute in Washington. "

domingo, 28 de dezembro de 2008

Personalidade do Ano - 2008

"Você vai ainda emprestar dinheiro aos funcionários públicos, sem lhes perguntar porquê ou para quê. E vai aumentar-lhes os salários bem acima da inflação. E tudo isto mesmo sabendo que todo o dinheiro que ganhou de 1 de Janeiro a 19 de Maio deste ano foi exclusivamente para pagar impostos. Mais: você é tão prestimoso que já está a empenhar os impostos dos seus próprios filhos, que terão de pagar no futuro o aumento do défice orçamental. E fá-lo sem sombra de rancor, depois de o Fisco ter ilegalmente congelado a sua conta bancária ou penhorado o seu imóvel, ter retido indevidamente reembolsos ou benefícios fiscais, tê-lo pressionado a pagar dívidas que estavam garantidas ou coagido a denunciar fornecedores."

Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios

o que tem a Economia de comum com o Direito Penal?

David Friedman na Princeton U. Press, através do Ordem Livre
"Em qualquer caso jurídico particular parece que o que está em jogo é como o sistema legal lidará com esse conjunto específico de acontecimentos depois que todos eles aconteceram. A partir desse ponto de vista que apenas observa o passado é difícil, na maioria das vezes, compreender a lei existente. A razão não que é a lei não faz sentido, mas que nós estamos voltados para a direção errada.
Suponha, por exemplo, que eu leve vantagem a partir de uma oportunidade particularmente boa, de empurrar meu tio rico de um penhasco. Por uma incrível má sorte, acontece de um homem que observava pássaros ter a sua câmera apontada para a minha direção na hora errada, resultando na minha prisão, julgamento e condenação. Durante a fase de sentenças do julgamento, o meu advogado destaca que o meu crime se deveu a uma combinação de uma tentação extraordinária (ele era muito rico e eu era muito pobre) e uma improvável oportunidade – e eu tinha apenas um tio rico. Além disso, tendo eu já sido condenado por esse crime, era pouco provável que outras possíveis vítimas fossem caminhar comigo pelas montanhas. Dessa maneira, argumenta o advogado, o tribunal deveria me deixar ir embora sem me condenar. Não importa o que façam, eu nunca mataria novamente, e enforcar-me ou pôr-me na prisão não irá, como se demonstra, trazer o meu tio de volta.
A conclusão é bizarra, mas o argumento parece lógico. A resposta que muitos acadêmicos do Direito provavelmente ofereceriam é que a lei não se preocupa apenas com as conseqüências, mas também com a justiça. A minha liberdade pode até não trazer danos, mas ainda assim é errada.
O economista oferece uma resposta diferente. O erro não está na observação das conseqüências, mas na observação das conseqüências erradas, na observação de um assassinato que já aconteceu, em vez daqueles que podem acontecer no futuro. Ao me deixar em liberdade, sem ser punido, a justiça anuncia uma regra legal que reduz o risco de punição que enfrentariam outros sobrinhos, no futuro, ao defrontar-se com tentações semelhantes. A execução desse assassino não trará as suas vítimas de volta à vida, mas a regra legal que isso estabelece pode deter futuros assassinos e, assim, salvar aqueles que teriam sido suas vítimas. As regras jurídicas devem ser julgadas pela estrutura de incentivos que estabelecem e as conseqüências de como as pessoas alteram seu comportamento em resposta a esses incentivos.
O crime e o contrato não são as únicas partes da lei nas quais a abordagem econômica se mostra útil. As multas por excesso de velocidade são pensadas não como um tipo diferente de imposto, mas como uma forma de tornar do interesse dos motoristas a diminuição da velocidade. A lei contra atos ilícitos determina o que acontece às pessoas que se envolvem em acidentes automobilísticos e assim afeta os incentivos para fazer coisas que possam levar à ocorrência de um acidente, como não checar os freios, dirigir bêbado ou até mesmo dirigir. As regras de processo civil determinam que tipo de informação os litigantes têm o direito de saber sobre o outro e assim afetam os incentivos para as empresas manterem (ou não) registros, para investigar (ou não) os problemas com seus produtos que possam se tornar objeto de litígio, de abrir um processo ou não. A lei do divórcio determina sob que circunstâncias você pode desfazer o seu casamento, o que é algo relevante ao tomar a decisão de se casar ou não. O assunto da análise econômica da lei é a lei. Toda a lei."

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Comunicado Natalício

O Café Odisseia deseja a todas as famílias baptizadas um Feliz Natal, com a certeza que todas as outras vão arder no Inferno pelos pecados cometidos sem o perdão confaternizador da Santa Providência.
Um especial e caloroso abraço a todos os circuncisados, pois neste Natal vão ter ainda mais frio que os restantes.
Ao meu amigo Jacob, um Feliz Hannukah.
Ao meu amigo Pedro, um Feliz Dia Dos Trabalhadores Operários Iluminados Sobre o Capitalismo Natalício do Nazareno Opressor.
Agora sem brincadeiras: Alegrem-se os povos, ateus e religiosos, pois Jesus Cristo nasceu, para esperança de todos, seja tempo de paz e harmonia, e respeito pelo recém-nascido.
Feliz Natal.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Obama Responde a Deus


Obama pretende criar três milhões de empregos em dois anos.
Deus alcançou o pleno emprego em três dias.
Logo, Obama não é Deus.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

mais uma vez sobre o Jornal Tribuna

É de salientar a mensagem no artigo de opinião do Professor Paulo Adragão sobre o casamento homossexual e o retrocesso deste mesmo em alguns estados americanos, especialmente na Califórnia.
De facto, fazia todo o sentido reverter este assunto para a decisão popular, por várias razões. A primeira, é a de que é possível. Não há, a meu ver, violação de princípios fundamentais, pela simples questão de que a lei constitucional reverte para a legislação ordinária a questão do casamento, e o princípio da igualdade não se acomoda necessariamente ao instituto do casamento, até porque há mais neste princípio que o mero "somos todos iguais".
Segunda razão é de que, sendo eu um defensor da abertura do casamento aos pares homossexuais, apesar do perigo de um retrocesso em Portugal ser muito mais diminuto que nos EUA em relação a uma possível aprovação do governo sobre este assunto, tal acontecimento, a efectuar-se, seria um golpe duro para os pares homossexuais que o desejassem. Esperar pelo consentimento popular seria muito mais benéfico e legitimador. E verdadeiramente democrático, visto que se poria a decisão na sociedade civil e não na sociedade política, tantas vezes tão afastada das realidades da população.

Já saiu o Jornal Tribuna!

Antes de me estender sobre a nova tiragem do Jornal Tribuna, jornal estudantil da FDUP, devo avisar os desprevenidos leitores que faço parte da sortuda equipa que dá (o) corpo a este projecto, concretamente na honrada secção de Investigação.
Assim, já posso expressar impunemente e com as devidas suspeitas o meu júbilo pelo novo número. É que o Tribuna, e já é o segundo ano que lá estou, está bonito ,caramba.
E os artigos estão de elevada qualidade, só tenho pena que todos os exemplares que estavam disponíveis à beira do bar da FDUP tenham desaparecido em pouco tempo. Assim, se alguém estiver tremendamente curioso para ver a 12º tiragem do Jornal Tribuna (e oh! A razão que tem para estar assim!) venha falar comigo, que confesso ter ido buscar a última que lá estava disponível, em acto totalmente contra-cristão.
De salientar que a única crítica possível que se pode remeter ao JT não deve ser endereçada só a esta nova direcção, mas também à anterior e às anteriores a essa, que é a falta primorosa de um arquivo interactivo que disponibilize a todos um melhor acesso aos artigos de docentes e alunos que já só se podem encontrar nos poucos exemplares que estão nas gavetas dos armários e carteiras da AEFDUP. Faz todo o sentido rumar em força para este projecto, porque além dos óbvios benefícios e necessidades, pode também constituir uma fonte de receitas extra muito boa para o JT.
Vejam o blogue do JT para posteriores informações.

Free Market Sucks

Querem um bom exemplo de organização internacional com o dever de regular a exportação, produção e venda de produtos, para contrariar as "falhas clamorosas" do "mercado livre" e estabilizar os mercados?

Basta ver o post do Jacob aqui em baixo.

PS: é algo a ter em conta para o novo New Deal.

As Minas de Salomão


Num momento em que o barril de crude se encontra a 40 dólares, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) fez saber a sua intenção de reduzir em 2,2 milhões de barris por dia, a produção. Medida puramente economicista que, para além de constituir uma manipulação do mercado económico, deveria ser considerada um crime contra a Humanidade, já que o petróleo é o grande lubrificante da economia global. Mais um artifício a juntar à especulação bolsista, no fomento do mito da escassez do petróleo.
O cúmulo da ironia é o objectivo de que a OPEP faz bandeira: "OPEC's mission is to coordinate and unify the petroleum policies of Member Countries and ensure the stabilization of oil markets in order to secure an efficient, economic and regular supply of petroleum to consumers, a steady income to producers and a fair return on capital to those investing in the petroleum industry”.

Cidade em Ruínas


É aviltante a situação a que se encontra votada Atenas. Os distúrbios dão mostras de saúde, folgam de ânimo, radicalismo e petulância. Desta feita, acharam-se os manifestantes no direito de se empoleirar nas ruínas da Acrópole, para colocar o seu cartaz poliglota e insistente. Nada digno de singular espanto, apenas sublinha a certeza de que estes indivíduos se sentem pequenos reis numa cidade sem lei, numa cidade onde podem perpetrar livremente um sem fim de crimes, dando azo a especiais requintes de malvadez, assim o entendam.
Nota renovada para a inércia do Governo, que insiste em não aplicar o regime do estado de excepção.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Nova Esquerda e A Esquerda Molotov


Usando a crise internacional e as recentes crises políticas do governo como desculpa, alguns sectores radicais sediados nas universidades gregas irromperam, nas últimas semanas, em protestos muito violentos, um pouco por todo o país. A destruição semeada em Atenas, que faria inveja à provocada pelos persas quando ocuparam a cidade no século V antes de Cristo, espelha perturbadoramente o espírito que renasce na Europa, entre os partidos de extrema-esquerda. O total desrespeito pelo património de outros cidadãos, o desprezo pelas autoridades, a fábula e o mito que envolve os delinquentes que se vêm no papel de justos revolucionários em guerra santa contra um inimigo pervertido e predestinado à incorrecção moral e social que eles advogam corrigir, a todo o custo.
O que se passa na Grécia é o despertar de um fantasma que perturbou a Europa nos últimos cinquenta anos, e que julgávamos expurgado. O colectivismo revolucionário, o socialismo radical e anárquico. Mais uma vez, como acontecera após a Crise de 1920, a Europa dos Socialismos Nacionais e Internacionais sente a hora de atentar contra as liberdades individuais e as conquistas dos países capitalistas, e reaparecem as ideologias da Engenharia Social e da Predominância Estatal sobre o Homem. É o Mito do Homem Perfeito, no Mundo Perfeito, de novo.
A diferença, neste momento, está no facto de este mal já não partir da extrema-direita, mas antes da extrema-esquerda, que ocupa lugares cada vez mais preponderantes entre as classes universitárias, nos elementos mais jovens. A Grécia sofre as consequências de uma revolução inesperada, e acima de tudo oportunista. De facto, o crescimento anual da Grécia não deixa assim tanto a desejar. A liberalização ocorrida no país nos últimos anos, que desanuviaram o peso do Estado, tem contribuído para um crescimento estável da economia, e um sentimento generalizado entre os empresários gregos de que a crise não afectará em demasia este país dos Helenos. Os problemas da Grécia têm a sua fonte noutro factor que não a economia aberta desse país.
A reacção dos jovens gregos deve-se, ironicamente, à execução das políticas que eles reclamam. O crescimento excessivamente rápido do Estado Providência e as condições asseguradas pelo Estado desde a entrada para a UE, cada vez mais insustentáveis, terão como consequência o desaparecimento destas para as classes jovens, em detrimento das classes mais velhas, que, não podendo usufruir desses benefícios à partida, vêm as suas reformas pagas com o futuro dos jovens.
Como podemos notar, os problemas que a Grécia atravessa são perfeitamente aplicáveis a Portugal, com a diferença que a economia da Grécia, pelo menos desde 2007, tem vindo a crescer um pouco mais do que 1% por ano.
Que esta crise será aproveitada pelos novos radicalismos, em Portugal, disso não há dúvida. Que o país tem prevenir-se constitucionalmente contra as ameaças que o perfilhismo marxista traz à sociedade da mesma forma que faz com o fascismo, também não.
A acefalia da extrema-esquerda portuguesa tem agora um amplo mercado de mentes para explorar, activada por alguns deslocados protagonistas da nossa cena política, da qual se referirá abertamente o irresponsável Manuel Alegre, habituado desde sempre às suas caprichosas tácticas de guerrilha, ao seu protagonismo fácil e à sua facilidade em desenrolar poeticamente a sapiente língua bifurcada, pronto desde sempre para surgir por entre as cerradas brumas, Manuel Alegre o Dom Sebastião da Nova Esquerda, a Esquerda que, podendo, também é Esquerda Molotov.

A Gare do Mundo


pequeno poema, para os leitores mais tardios, A Gare do Mundo


A Gare do mundo é Inefável
Santo Graal Inalcançável
Em planos de Lividez, subsumia-se no tempo
Galaaz santificado, alumiado e paciente
Num breu de malha, imiscuído em Essência
Qual Nobre Ciência
Três vezes Santa, Hermes Trismegisto
Trazendo Novas de gente de Bem
Novas da Terra cruenta e pulsátil
De pernas macias e versátil, (convite de homens ambiciosos)
Amplexo de Mãe, neste Chão Férreo
Tão doce e árduo quanto os chás da Índia.
Em tão amplo pórtico, Terra do Fogo
Praias do Magrebe e Porcelanas de Cantão.
E o Solo expurga-nos, Gare do Mundo
Em busca de um Novo Solo onde ancorar.
E a Gare do Mundo consome-nos, pira de Nero
Como nos dias em que a devassa Roma sofreu
Nesta Ágora de contra-placado, em que nos encontramos
De pouco retornados nos achamos.

O Chão de barro é-nos acre aos Sentidos.
E ela retirou-nos à vida.
Fala com a nossa voz
Do sentimento atroz
De uma vida mal querida.
A Gare do Mundo substituiu-nos na vertigem
E da nossa jovialidade bebeu o Ser.
Então, Sendo-nos no seu Promontório, Nada nos resta
A não ser Esperar o Último Gole da sua Taça
Ante-Câmera dos Danados
Aula Magna dos Vencidos.


Jacob e Manuel, do Caderno do Sinédrio

The Vandals took the Handles

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

tão cedo o raio dos ursos não se extinguem

Enquanto curioso ambientalista e interessado em matérias de climas, tenho visitado, com alguma frequência, um dos blogues mais geniais deste país, que farei agora o favor de o colocar entre as escolhas da semana do Café Odisseia.
Entre as várias coisas que leio, vem ao de cima a preocupação em evitar o discurso apocalíptico com que vivem, no dia-a-dia, muitos políticos e manifestantes, que espalham esses medos do Juízo Final um pouco por todo lado, desde os panfletos na rua como aos manuais da escola.
E assim, na minha leitura, deparei-me com um gráfico delicioso sobre a evolução do mar gelado do Àrtico, num curtíssimo espaço de tempo, que foi considerada como algo fora do comum.

A ver aqui, e aqui em baixo:
pode não parecer nada, mas o curtíssimo espaço de tempo (3 dias) chegou para que a Baía de Hudson ficasse completamente tapada.

The Man in Black

Johnny Cash, ao interpretar Hurt dos Nine Inch Nails, dota-a de uma profundidade digna de louvor; transmuta-a num projecto alquímico e intimista, olhar auto-biográfico de uma vida vasta e cheia:


Morro mas morro bem. Salvem a Pátria!


Noventa anos passaram sobre o assassinato de Sidónio Pais. Vejamos o poema homenagem que Pessoa lhe concedeu, na sua obra Mensagem:

À Memória do Presidente - Rei Sidónio Pais

LONGE DA FAMA e das espadas,
Alheio às turbas ele dorme.
Em torno há claustros ou arcadas?
Só a noite enorme.

Porque para ele, já virado
Para o lado onde está só Deus,
São mais que Sombra e que Passado
A terra e os céus.

Ali o gesto, a astúcia, a lida,
São já para ele, sem as ver,
Vácuo de ação, sombra perdida,
Sopro sem ser.

Só com sua alma e com a treva,
A alma gentil que nos amou
Inda esse amor e ardor conserva?
Tudo acabou?
No mistério onde a Morte some
Aquilo a que a alma chama a vida,
Que resta dele a nós - só o nome
E a fé perdida?

Se Deus o havia de levar,
Para que foi que no-lo trouxe -
Cavaleiro leal, do olhar
Altivo e doce?

Soldado-rei que oculta sorte
Como em braços da Pátria ergueu,
E passou como o vento norte
Sob o ermo céu.

Encontram aqui o poema completo que, pela extensão, poderia enfastiar os leitores.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Apontamento

Eram 6 horas da tarde quando, sentado no reconfortante e adaptável sofá, na espera pelas notícias, vi o reclame da sic notícias. Consiste no traçar, por vários flashes, cada um representativo de um tempo marcante, da dinastia W. Bush. Por trás surge uma muito curiosa música: " It s too late to apologise".

Apareceram as notícias, vi o Alegre na peixaria das esquerdas, o Portas nas suas eleições democráticas, chegou a derrota do Benfica e a minha mãe lá me veio dizer: " Não tens de estudar pá!?"

Lá fui, espécie de cordeirinho, para o meu. vi o livro de fundamentais, lembrei-me do direito à informação, da liberdade de imprensa, a comunicação social. É nesse momento que em flashes me vem Da Democracia Na América, de Tocqueville.

E penso eu, depois do tal reclame. Hoje, o pensamento vai ser reflectir em alguns dos seus juízos:

" Amo-a (a liberdade de imprensa) porque tenho em conta os males que ela evita, bem mais do que os benefícios que proporciona"

"Nos EUA quase não há aldeola que não tenha o seu jornal" (hoje teria, provavelmente, falado que não há casa sem televisão).

Ainda pensei em esmiuçar aqui em concreto o assunto, mas como a Daniela, no seu blog, já desenvolveu suficientemente e com qualidade (juízo meu), ao que se associa a desorientação intelectual que se vem perpetuado na minha mente, preferi apenas apresentar-vos este apontamento e remeter para o texto que referi, que encontram no blog do canto direito, abrindo este e descendo por 4 segundos: Bocas po Barulho.

Abraço.

Pollyshop - Kit Left Revolution



Disponível num Workshop Bloco de Esqueda perto de si.

Concebidos em Liberdade

I Am The Nation
I was born on July 4, 1776, and the Declaraion of Independence is my birth certificate. The bloodlines of the world run in my veins, because I offered freedom to the oppressed. I am the nation!
I am 250 million living souls and the ghosts of millions who have lived and fought and died for me.
I am the Nathan Hale and the Paul Revere. I stood at Lexingtion and fired the shot heard around the world. I am Washington, Jefferson, and Patrick Henry. I am John Paul Jones, the green Mountain Boys, and Davy Crockett. I am Lee, Grant and Abe Lincoln.
I am the Brooklyn Bridge, the wheat lands of Kansas, the granite hills of Vermont. I am the coal fields of the Virginias and Pennsylvania, the fertile lands of the west, the Golden Gate, and the Grand Canyon. I am Independence Hall, the Monitor, and the Merrimac.
I am big. I sprawl from the Atlantic to the Pacific - 3 million square miles of land throbbing with industry. I am more than 2 million farms. I am forest, field, mountain, and desert. I am quiet villages and cities that never sleep. You can look at me and see Ben Franklin walking down the streets of Philadelphia with his bread loaf under his arm. You can see Betsy Ross with her needle. You can see the lights of Christmas and hear the strains of "Auld Lang Syne" as the calendar turns.
I am Babe Ruth and the World Series. I am 170,000 schools and colleges and more than 300,000 churches where my people worship God as they choose. I am a ballot dropped into a box, the roar of a crowd in a stadium, the voice of a choir in a cathedral. I am an editorial in the newspaper and a letter to Congress. I am Eli Whitney and Stephen Foster, Tom Edison, Albert Einstein, and Billy Graham. I am Horace Greeley, Will Rogers, and the Wright brothers. I am George Washington Carver and Jonas Salk. I am Longfellow, Harriet Beecher Stowe, Walt Whitman, and Thomas Paine.
Yes, I am the nation and these are the things that I am. I was conceived in freedom and God willing, in freedom I shall spend the rest of my days.
May I always possess the integrity, the courage and the strength to keep myself unshackled, to remain a citadel of freedom and the beacon of hope to the world.

Otto Whittaker, 1955



I am the Nation - Johny Cash

via O Insurgente

Não tenho título, mas matavam-me se deixasse dois textos sem um.

O enterrado vivo


É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

Carlos Drummond de Andrade


A última estrofe, peço desculpa pela opinião, é de uma beleza que não posso, por imperativo de consciência, deixar de destacá-la.
Queres ser escritor? Hã? Novelista? Romancista? Ah, está certo. Diz-mo só ao certo o que queres fazer. Hesitas...pensas...queres responder...não consegues... Lá dizes que é o teu sonho, que desde sempre escreves, gostas de escrever, te transportas para um imaginário, só teu, que gostas de partilha histórias, descrever factos, episódios, falar de experiências.
Eu?! Eu faço isso tudo já! Hum...desconfias? É normal sendo que és um idiota, repetes-te nas tuas histórias, fazes há vinte anos mais do mesmo. contas o mesmo amor sem nunca o teres vivido, alteras o pano de fundo, quando em quando, porque achas que uma história não pode ser sempre igual. É quando, dizes tu, lá vais tentando explicar o que desconheces...um assalto, uma rixa, um jogo de futebol, uma bebedeira, o sexo animal. Chega o capítulo da experiência. É aí que dactilografas idênticas palavras há décadas: sempre alguém vivido, como servindo de lição exemplo. Como posso falar do que é escrever com alguém tão idiota?! Cabrão? Filho de quem? Vou-me foder? Apanhar? - ainda não chegaste ao êxtase da discussão - Não sou escritor porque não escrevo, porque nunca leste nada meu. Tiveste a primeira lição, agora podes escrever sobre o ódio. Nunca tinhas sentido isto mas, contudo, já o havias escrito ou descrito. Desconhecias a espingarda em que se torna a tua boca, saliência dos projécteis.
Vou prosseguir. O sol ali! está-se a por? Descreve-mo como se estivesses a vê-lo, esperando os dez minutos restantes para a hora marcada do teu sexo! "O sol punha-se, enquanto louco, numa erecção que não só física esperavas...."; o que te diria: objecto do meu desejo, antes humano, agora inumano, catalisa em mim o calor que perdes! sinto-o! sinto-o! cada vez maior!; o que tu desconhecias era este sentimento.
Agora outro tema recorrente em ti: a rixa. Descreve-la bem, sim, mas nunca lá senti o latejar da cabeça, o sangue nos olhos, aquele minuto de falta de ar enquanto o clarão do purgatório se me apresenta. Vou-te explicar porque não o sinti, porque tu nunca os sentiste de igual forma, nunca os viveste, nunca passaste por essa experiência.
Ainda achas que a experiência dos teus livros é experiência? Ainda entendes que escrever é mero acto físico?


A vós não diz nada, para mim foi uma das maiores vivências que poderia desejar.

Abraço.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Duplo Impacto (III) - O Objecto

E aqui está, tão subversivo cartaz, autêntico fogo de Prometeu:

eXTReMe Tracker